sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Saber dizer NÃO!

A vida tem-me ensinado que dizer NÃO, é das melhores formas de me proteger e valorizar.
Vivemos numa sociedade que parece mal dizer: "Não obrigado", a um assedio feroz em fazer com que aceitemos tudo que nos "vendem", seja material, ilusões, sonhos e vontades que não são as nossas. Siceramente, já tive imensas situações em que não queria ou sentia que não me iria fazer bem mas, só para não desagradar, acabava por ceder, fazendo a vontade dos outros e não a minha.
Fui-me também apercebendo, que uma das formas de nos controlarem, é responderem ao nosso "Não!" com:"de certeza?" ou "não quer pensar no assunto" ou ainda "queres sim!". Parece-vos familiar?... Não respeitam a nossa decisão, vamos cedendo e sem nos aperceber vamos deixando os outros tomar as rédeas da nossa vida.
Acho que a grande diferença dos meus vintes para os trintas é realmente esta: colocar-me em primeiríssimo lugar, e respeitar acima de tudo a minha vontade, não tendo vergonha ou problema de consciência em dizer NÃO, mesmo que cause embaraço ou não pareça bem.

Não! Não quero comer esse bolo ou essa comida! Prefiro esta...
Não! Não me apetece sair! Quero ficar sossegada...
Não! Não gostei desse filme...
Não! Não quero comprar isso ou aquilo! Por mais que seja o melhor produto do ano, simplesmente não quero por isto ou por aquilo...
Não! Não me apetece dançar essa música! Prefiro outra, mesmo que não agrade tanto aos outros...
Não! Vai tu por aí, que eu vou por aqui, que este é o meu caminho, mesmo que vá sozinha...
Não! Esse sonho não é o meu...
Não! Essa não é a minha vontade...
Não!...

Experimentem, e vão sentir controlo da vossa própria vida!
Pois, todos temos gostos, interesses, valores diferentes uns dos outros e muitas vezes o que é bom para ti, não é para mim... e eu não tenho de me prejudicar por isso.
Tenho descoberto também que é difícil dizer NÃO. A tentação e a pressão é grande. Noto isso principalmente no mundo consumista, que nos envolve com vãs necessidades e falsas ilusões. Quase que somos "obrigados" a comprar isto e aquilo, a subscrever tais produtos só porque sim... e quando dizemos "Não, obrigado!" quase que estamos a cometer o maior pecado do mundo.
E quando nos dizem para fazer assim e assado e recusamos, fazendo o que a nossa consciência manda, ou seja o oposto? "Faz aquilo que eu digo, que sou mais velho" ou "Eu é que sei! Faz isto! Vais ver que tenho razão!". Quando toca à vida dos outros todos têm uma opinião e eles é que sabem. Pois sim... se fosse ceder aos "conselhos" que não pedi, ou aos comentários que me fazem, já tinha deixado de dançar à muito, estava em casa a cuidar do marido e/ou com um emprego detestável, a sujeitar-me a ganhar uma miséria só porque tinha um contrato de trabalho efetivo e ainda por cima com uma dúzia de filhos... sim, é que acham que sou uma extra-terrestre por dizer que ainda não quero ter filhos, mesmo com quase quatro anos de casamento.
Enfim... saber dizer NÃO protegeu-me em diversas situações e traz-me qualidade de vida, embora não agrade a todos...Temos pena...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Joaquin Cortés




Na passada terça feira, fui ver o espectáculo "Calé", do famoso bailarino de flamenco: Joaquin Cortés.
Bom... para descrever o quanto admirei o seu trabalho vou contar-vos o que me aconteceu:
Antes do espectáculo fui com o meu amor jantar, deliciei-me com um hamburger de frango com tudo que tenho direito - batatas fritas, maionese, mostarda, etc... terminando com um fabuloso petit catu. Finalizamos o jantar e dirigimo-nos para o show. Quando estavamos a entrar, o Fernando vira-se para mim e exclama: Sara!! Tens a cara toda vermelha!!!
Realmente, estava a sentir uma certa comichão... fui a correr para a casa de banho e deparo-me com a cara em "erupção", pulsos e pescoço... eu nem queria acreditar! Tinha feito uma alergia a alguma coisa que comi...
Bem, como não me estava a sentir mal, pensei: "não me vou embora! Já que aqui estou, quero ver o espectáculo!"
Vou a correr para o meu lugar, afim de ninguém olhar para mim e se assustar!!! O Fernando só se ria... Depois do show tratava daquilo... não queria nem saber, queria era ver a dança do famoso bailarino.
Ele é tão bom (em todos os sentidos da palavra, se é que me entendem... ;p ) e montou um show tão fantástico, gostei tanto que me passou a alergia durante o espectáculo!!

É indescritível o carisma, elegância, pose, o poder de improvisação, a capacidade de envolver o publico que este bailarino tem. Só mesmo vendo. Ao observá-lo, foi como se fosse uma aula para mim. Claro que a dança é diferente, nem tenho intenções de ir fazer flamenco, mas a essência é muito parecida com a Dança Oriental.
Adorei!!!!
E ainda por cima descobri o remédio para alergias... basta ir ver um espectáculo de Joaquin Cortés!!!!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os meus "camarins"!!!

Eu devia fazer um álbum de fotos, ou melhor de cromos, dos diversos "camarins" por onde já passei. Eu nem sei se camarim é a palavra certa para espaços onde... cada um é pior que o outro!!!
O último cromo foi no passado sábado, onde fui especialmente convidada a dançar, para um grupo de pessoas num jantar de anos.
Comecei logo a rir quando me deparei (e mais uma vez) com um corredor para dançar. Quem me contratou garantiu-me que o restaurante tinha imenso espaço, pois sim... quem não dança decididamente não sabe o que é espaço para dançar. Enfim... véu e bastão só um cheirinho... e pensei logo: "imagino onde me vou vestir!!!"
Não, não imaginava...
Dirigem-me para a cozinha, onde tinha umas escadas íngremes, cheias de gordura, subo e vou ter a uma recadação tipo sótão, cheio de tralha, com um espaço livre que só dava para pousar a mala da roupa! E para completar o cenário, estava lá outra bailarina (a que dança nesse restaurante) também a vestir-se!!!!
Lá nos entendemos e nos ajeitamos com o pouco espaço, começo-me a trocar e percebo que tenho de que ter cuidado com os olhares dos cozinheiros, pois o nosso "camarim" não tinha porta!!!!
Desta vez solto uma gargalhada...
É indescritível os locais por onde já me troquei... só vendo mesmo, até numa tenda onde não dava para me por de pé!!!
Claro que já me habituei e agora decido rir das situações mais caricatas que vou passando... e se isso influencia a qualidade da minha dança? Não!!! Aliás quanto mais caricato, mais forte é a minha exibição. Quem está ali para me ver, não tem culpa das condições. Apesar e acima de tudo sou uma profissional e honro a Dança Oriental, sem desculpas!

Acho piada...

Quando me perguntam como é que consigo fazer coreografias não sabendo o espaço em que vou dançar... e como consigo dançar em espaços minúsculos...

Vou de uma vez por todas desmistificar este quase "mito urbano": não são coreografias, são simplesmente... improvisações! Pois é assim a minha dança!!! Sentir a musica e deixar o corpo fluir, para mim não faria sentido de outra maneira.
E depois é também por uma questão prática. A menos que seja em palco (e mesmo assim... tenho sempre surpresas...) eu nunca sei como vai ser o espaço, ambiente, qualidade do som, publico, muito menos onde me vou vestir. É sempre uma improvisação em tudo, inclusive a dança.
Imaginem que fazia uma coreografia pensada para um determinado espaço (e publico), chego ao evento e deparo-me com um ambiente completamente diferente daquele que tinha imaginado, onde a coreografia era impossível de ser realizada e não causaria o mínimo impacto... o que fazia? Ia-me embora? Não... atiro-me às feras improvisando cada segundo.
Claro que escolho cuidadosamente as músicas, que faço questão de as ouvir e conhecer ao pormenor antes de as dançar, é aí que a improvisação começa, no saber Ouvir a música. Também pela experiência que tenho dos inúmeros espaços e festas por onde já passei, sei qual o género de musica árabe que mais se adequa e causa impacto em determinado tipo de evento. O espaço é sempre uma incógnita. Posso ter sorte ou (o que acontece normalmente) deparo-me com corredores ou quadrados de de um metro por um metro para dançar e com as pessoas coladas a mim.
Como consigo brilhar dançando parecendo que é um espaço enorme, sem tocar em ninguém com bastões e véus... não faço a mais pequena ideia... acho que é o poder da improvisação e da própria Dança Oriental...


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Workshop de Dança Oriental para Crianças

Não sabe o que oferecer este Natal à sua filha, sobrinha, afilhada, amiguinha…?!

Sara Naadirah sugere:

Workshop de Dança Oriental para Crianças

(dos 4 aos 10 anos)

Estimule-lhe a criatividade, oferecendo-lhe uma prenda diferente, divertida e instrutiva.

Ela vai adorar!!!

Dia 18 de Dezembro

(sábado)

10h30 ao 12h00

Local: Dança Livre, escola de dança

Rua Marquês de Fronteira, 76, Campolide

Valor: 25€

Inscrições:

. para garantir a inscrição da criança terá de fazer o pagamento do valor do workshop, por transferência bancária para o nib: 0007.0271.00150604809.65 (BES);

. após a transferência, terá de informar que o fez, o nome da criança que inscreve e idade, para o e-mail: saranaadirah@gmail.com ou 914258256;

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Afinal...

Já escrevi várias vezes de como, por vezes, temos actuações particularmente difíceis.
Ou é o chão que está escorregadio, ou está um frio de rachar, ou parte do nosso traje desaperta-se, ou de repente cai um copo no chão e parte-se mesmo perto dos nossos pés... enfim... já me aconteceu de tudo. Mas, de todas as dificuldades que uma bailarina de Dança Oriental passa, a que mais me custa é, de longe, a indiferença e a falta de respeito por parte da audiência.
Já descrevi também várias vezes, de que como as pessoas que me estão a ver, condicionam de maneira directa a minha actuação. Garanto que tento sempre fazer o meu melhor, mas quando sinto desrespeito, a exibição não é brilhante. Não consigo fingir aquilo que não sinto...
Mas, últimamente, tem acontecido um fenômeno que não estava nada habituada.
Nalguns dos shows (não todos, Graças a Deus, se não dava em doida) que tenho feito em espaços nocturnos (bares de temática árabe, especificando para não haver más interpretações), parece que ninguém está a prestar atenção... estão todos na conversa com os amigos intercalando com um gole de bebida e de vez enquando lá percebem que está alguém a dançar...
Embora, nesses casos, me custe não ter o feedback que gostaria, continuo o meu trabalho o melhor que consigo, encontrando forças não sei bem aonde.
Estranhamente, houve um show deste tipo, que no final, quando já me estava a ir embora, uma pessoa vem dar-me os parabéns pela minha dança... faço um agradecimento tímido e fico radiante!!! Aquela noite já tinha valido a pena.
Curiosamente, a próxima vez que vou dançar no mesmo espaço, deparo-me com um grupo de pessoas que foram de propósito ver-me... e aquela que me tinha dado os parabéns também estava ... e por acaso ou não, até umas alunas minhas deslocaram-se com amigos também para assistir à minha apresentação!
Afinal... quando penso que ninguém está a prestar atenção, há sempre alguém a VER, e é para essas, que o meu trabalho vale cada dificuldade... elas são a minha melhor inspiração...

sábado, 13 de novembro de 2010

O que me inspira?...


Quando estava a estudar Arquitectura, tinha um professor que dizia: " as nossas melhores criações surgem não no atelier, mas fora dele."
Na altura não percebi, mas a frase ficou-me até ao dias de hoje, e hoje, como artista que sou, percebo o que ele quis dizer.
Já disse em mensagens anteriores, que o que faz um bailarino ser carismático e ficar na memória de quem o vê, é a maneira como ele, "deita cá para fora" através do movimento, toda a bagagem emocional que carrega.
Essa "bagagem" vai sendo construída ao longo da nossa vida e quanto mais VIVERMOS mais bagagem teremos.
Os melhores projectos de arquitectura surgem durante uma conversa, numa meditação na praia, a ver um filme, a passear, a ler uma revista, a ver um programa de televisão, etc... o atelier serve só para planificar todas as ideias que têm enquanto VIVEM a Vida.
Não muito diferente do que acontece quando estou em processo de criação, ou seja, quando estou a dançar. Inspira-me tudo que descrevi acima e muito mais: a música, o meu estado de espírito, a audiência, aquela conversa que tive, o espectáculo que vi ontem, o dia bem passado, a desilusão que tive na semana passada, o que vou fazer a seguir, a alegria que tive hoje, as minhas inseguranças, etc... a técnica da dança é só a ferramenta que uso para exprimir toda a bagagem que tenho coleccionado com as experiências da vida.
Não é no estúdio que crio as minhas performances, é no próprio momento enquanto estou a fazer a actuação, e não detalhadamente coreografado, tudo de improviso, tal e qual como gosto de viver.
A nossa dança é o espelho da nossa vivencia!
So... A minha principal fonte de inspiração é a minha própria vida.

Para todas as mulheres...


Esta é uma das músicas mais sinceras e bonitas que já alguma vez ouvi.
Dedico esta musica a todas as mulheres, pois todas nós merecemos ouvir estas palavras... e nada melhor que ouvi-las, de umas das vozes mais encantadoras que existe.
Fechem os olhos e deliciem-se...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Apenas hoje...


... Não te zangues
... Não te preocupes
... Agradece o que recebes
... Trabalha honestamente
... Respeita o teu semelhante e todo o ser vivo.

Este são os princípios do REIKI.

Começa logo por: APENAS HOJE. Vivemos numa sociedade obcecada pelo futuro mas presa ao passado, esquecendo do agora, do que estamos a viver neste preciso minuto. E mais nos esquecemos que o futuro é uma consequência directa do nosso presente...
Graças a Deus, o modo de vida que escolhi, obriga-me a viver o dia de hoje como se não houvesse amanhã, mas milagrosamente esse amanhã chega sempre radioso e cheio de desafios...
NÃO TE ZANGUES, não te aborreças, não eleves a tua ira pois não vale a pena desgastar a nossa energia, com o que não nos traz nada de bom. Não ganhamos nada em nos enfurecer, só rugas...
É incrível como encontro pessoas zangadas com o mundo e arredores, preparadíssimas para uma boa zanga, mortinhas para insultar alguém... e para quê?! Não percebem que só fazem mal a elas próprias. Confesso que não é fácil, ainda mais para mim, uma leoa (também de signo) que vive no mesmo mundo que todos vós, mas é possível acalmar o espírito no meio de tanta raiva, é só mentalizar.

NÃO TE PREOCUPES, pergunto: para quê sofrer por antecipação?!!
Aprendi, também pela Vida, que se deixar-mos, o que não conseguimos controlar, nas mãos de DEUS, em mãos Divinas, no Universo... tudo acaba por se encaixar na perfeição.
Percebi que a maior parte da nossa vida, simplesmente não está nas nossas mãos controlar, decidir, fazer como nós achamos, na nossa mais pura ignorância, que deve ser feito. Há algo mais sábio e divino que pode guiar-nos e quando confiamos nisso... a vida flui e conseguimos de noite dormir em Paz, sem preocupações porque confiamos que há algo a proteger-nos.

AGRADECE O QUE RECEBES, aquilo que tens, aquilo que irás receber, seja matéria, seja bençãos espirituais. Olha à tua volta e VÊ o que já conseguiste! Agradece o milagre de estares vivo... Não esquecer que a gratidão trará abundância. Por isso sê grato.

TRABALHA HONESTAMENTE... para com os outros, mas principalmente, trabalha a tua vida honestamente para contigo próprio. Sê Verdadeiro e verás como o teu trabalho é
uma consequência positiva dessa mesma honestidade.
Hosnestamente, o que gostavas mesmo de fazer? É o que fazes? Sê sincero... a vida é só uma, e está nas nossas mão ter coragem de arriscar e trabalhar a nosso favor.

RESPEITA O TEU SEMELHANTE e TODO O SER VIVO... acho que não preciso de comentar.
Quem ama, recebe esse amor em dobro.

Desafio: só por um dia, tenta viver segundo estes princípios! É mais simples segundo julgamos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Os Princípios Básicos para Aprender Dança Oriental

Dançar é sem dúvida uma das formas ancestrais de expressão. Anterior á fala e à escrita, a dança é, a meu ver, a mais poderosa comunicação connosco próprios e com os outros. Aprender a dançar requer conhecimentos técnicos característicos de cada estilo. A Dança Oriental não é diferente mas, esta especial forma de expressão, requer também e como preparação para toda a técnica inerente, um conjunto de princípios, que, se postos em prática, assimilará com mais eficácia toda a sua magia.

Pela minha experiencia, considero que esses princípios básicos, são a mais fiel definição de Dança Oriental, e eles são:

- Respiração: este é o primeiro e principal movimento. Sem uma correcta e consciente respiração, a dança sai mecânica, presa e sem vida. Na D.O. a respiração volta aquela de que quando nascemos – abdominal – fazendo este tipo primitivo de respiração, valorizando conscientemente cada entrada e saída de ar, alimentamos a nossa alma. Como consequência, o espírito fica preparado para se exprimir. Com a prática, vai notar que a D.O. pede uma respiração abdominal, e sem se dar conta começa fazê-la naturalmente enquanto dança.

- Preparação Mental: para aprender a dançar tem de aprender primeiro que precisa de ter disposição mental para tal. Ou seja, tem de chegar ao local da aula e “desligar-se” do mundo exterior concentrando-se somente em si, no que sente e em que estado se encontra o seu corpo. Descomprimir, deixar de pensar com a cabeça mas em vez disso, ouvir o seu corpo e deixá-lo movimentar-se com a sua própria sabedoria.

- (re) Colocação da coluna/corpo: saber qual a postura corporal a adoptar na dança, é meio caminha andado para uma melhor performance. Más posições originam más posturas e mais tarde lesões que podem ser evitadas. Na D. O. a recolocação correcta da coluna é fundamental, bem como a consciência total da mesma. Na dança o corpo é o templo da alma, se esse templo não estiver bem estruturado…a alma não consegue brilhar.

- Consciência do equilíbrio natural do corpo: perceber qual o ponto de equilíbrio do corpo, tomar consciência de como nos mantemos equilibrados quando estamos de pé, será com esse equilíbrio que vamos desafiar quando dançamos.

- Reaprender a andar : relembrar como é andar, um dos primeiros e mais importantes movimentos em criança. Mais uma vez, é tomar consciência da distribuição natural do peso e como podemos “brincar” com essa mesma distribuição.

- Saber ouvir a música e ritmos: antes de se dançar tem de escutar a melodia, ritmos, sons. Antes de haver dança tem de haver música e é com ela que uma bailarina se inspira para dançar. A música ocidental nada tem a ver com a oriental (mais especificamente a árabe) por isso, é imprescindível que sensibilize e treine os seus ouvidos para este género musical. Como é que isso se faz? Ouvindo, escutando e interiorizando cada som, cada ritmo, cada instrumento com o coração bem aberto.

- Abrir a alma para a prática da dança: deixar de ter medos, deixar expormo-nos emocionalmente, psicologicamente e até fisicamente. Não dá para, realmente dançar se não abrimos o nosso coração e deixar os sentimentos fluir. Deixe a sabedoria ancestral da dança “falar” consigo e consequentemente desenvolverá expressão enquanto dança.

- Respeitar o seu ritmo: cada um tem o seu próprio tempo de aprendizagem. Lembre-se que o que não consegue hoje irá conseguir amanhã. É uma viagem, um processo, onde o fim é infinito. Respeite o seu ritmo e a dança irá de certeza fluir.

- Sentir prazer a dançar: não vale a pena dançar se não lhe apetece, forçar movimentos, enfim, não sentir prazer naquilo que se está a fazer. Na dança não há obrigações, mas compromisso. Compromisso consigo acima de tudo, em querer uma melhor qualidade de vida emocional, espiritual e de auto-estima. Dançar faz com que, obrigatoriamente, tome contacto simultaneamente com o seu corpo e emoções. Faz com que não fujamos deles, pelo contrário, que deixemos de ter medo de sentir e expressar esse sentimento.

Creio no fundo do meu coração que a D.O. escolhe cada um que a pratica. Se sente vontade de aprender é porque foi escolhida…

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A Dança Oriental como eu gosto




Ano após ano, show após show, dança após dança, movimento após movimento, cada vez chego mais à conclusão que o que realmente encanta, a quem nos assiste, é a alma com que a bailarina dança.
Ela até pode usar véus, bastões, leques, fazer o pino, mas o que fica na memória foi como ela sentiu aquela música e o transmitiu através do movimento do seu corpo.
Isso é que é dançar! E esse é que é o princípio da Dança Oriental.
Adoro adereços, aprecio algumas fusões, divirto-me a inventar, mas cada vez mais estou adepta de não levar nada e ser só eu, a música e o publico. Esse é que é o grande desafio de uma bailarina, conseguir transmitir Arte superando o seu próprio corpo, transcendo o espaço e transparecendo a música. Mostrar Dança Oriental "pura e dura", sem fusões ou outras complicações!
Claro que não é para todos... infelizmente vejo muitas bailarinas, com grande potencial, mas escondidas atrás de um véu, por exemplo. Ou (isto é que me deixa mais abismada) fazem todo o tipo de fusões, artes circenses, tribalismos, movimentos impecávelmente executados, mas sem expressão ou sentimento nenhum. Parecem máquinas... Vê-se hoje em dia tanta coisa, mas Dança Oriental no seu estado mais puro... nem vê-lo!
Não me interpretem mal, acho muito interessante tudo o que se faz, eu própria sou fã do movimento modernista para onde a D.O. naturalmente evoluiu. Mas acreditem em mim, não vale a pena seguir por mil e um caminhos se não se sabe o caminho original, pois vão acabar por se perder.
O que vejo muito é uma falta de solidificação da base da Dança Oriental (e percebam, a base da D. O. não é só saber os movimentos mais básicos, há toda uma teoria a solidificar esses mesmos movimentos), e isso é o mais importante se querem ser bailarinas com consistência.

Por isso, deixei de me preocupar com adereços só para iludir ou escolher músicas que achasse que as pessoas iriam mais gostar. Planear estratégicamente tudo e depois, não poder fazer nada daquilo que tinha ensaiado, pois ou o espaço não o permite ou não era aquele publico que estava à espera.
Não! Primeiro que tudo, cada exibição é para mim própria com músicas árabes que me inspirem e se me apetecer uso um ou outro adereço, sempre na base do improviso, pois dançar é isso mesmo, sentir cada momento adaptando-me ao espaço e tipo de publico que é sempre uma surpresa!
Quem gostar gosta, quem não gostar... temos pena! Se querem ver circo, sabem onde ir. Agora se querem ver Dança Oriental, podem-me ver a mim e muitas outras colegas minhas que sabem daquilo que falo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Cilclo de Workshops de Dança Oriental com Sara Naadirah

Outubro 2010 a Julho de 2011

Depois de sete anos a dançar e a leccionar dezenas de workshops, com as mais variadas matérias, um pouco por toda o país, decidi, pela primeira vez, criar um ciclo de workshops que compilasse os temas mais procurados e essenciais para uma excelente aprendizagem e real complemento de Dança Oriental.

Assim, com base na minha experiência como professora e bailarina profissional, idealizei:

10 workshops/10 Temas/1 Curso Intensivo

Durante dez meses, um sábado por mês, poderá de uma forma prática, objectiva, fácil e acessível financeiramente, frequentar o curso completo ou escolher as matéria que mais lhe convir e interessar.

IDEAL a todos, ESSÊNCIAl aos iniciantes, IMPERDÍVEL a quem deseja ensinar ou é profissional, FUNDAMENTAL a quem não se acomoda e quer levar mais longe os seus conhecimentos. FINALMENTE, se não tinha tempo para frequentar aulas semanais, tem aqui a sua oportunidade e aprender D. Oriental como sempre desejou!!!

INSCREVA-SE e ENRIQUEÇA A SUA DANÇA, LEVANDO-A A OUTRO NÍVEL!

Prometo, que de uma vez por todas, irá esclarecer aquelas dúvidas e desbloquear aqueles movimentos de modo a transformar a maneira como dança!!!!

Programa do curso: Sábados, das 10h30 às 13h00

Local: Dança Livre, escola de dança, Rua Marquês de Fronteira, nº76, Campolide, Lisboa

23 Outubro – Introdução/ O que realmente é Dança Oriental. aula prática de introdução ao curso e á D. Oriental, imperdível para quem está a iniciar ou para profissionais que estejam a iniciar a sua carreira como professores e bailarinos. Neste workshop vou abordar a postura, respiração e atitude a ter quando se dança, afim de poder aprendê-la com mais eficácia e dançá-la divinamente. Abordarei também os principais grupos de movimentos e ritmos existentes, que será complementado com uma aula teórica sobre a história da D. Oriental.

20 Novembro - Os Movimentos Circulares/Orgânicos. aula onde pode aprender/relembrar/interiorizar os movimentos de um dos grupos mais importantes em D. Oriental: os movimentos circulares e orgânicos. Com este workshop vai ter uma consciência tão grande deles que nunca mais irá esquecê-los!

11 Dezembro – Os Movimentos Rectos/Secos. aula onde pode aprender/relembrar/interiorizar os movimentos rectos e secos da D. Oriental, que fazem parte de outro grupo de movimentos mais importantes da dança. Compreender as suas dinâmicas e interpretá-los com música, adicionando deslocações será um dos objectivos deste workshop.

29 Janeiro – O Shimy. O movimento de excelência da D. Oriental. Aula onde irá, de uma vez por todas, compreendê-lo e executá-lo, bem como perceber as suas nuances e várias dinâmicas. Com esta aula vai ver o Shimy de outra forma…

26 Fevereiro – Postura/Braços/Mãos. aula somente dedicada ás partes do corpo que “parecem” serem o menos importante, mas que bem colocados transforma qualquer dança. Iremos reposicionar e realinhar a postura, dar atenção aos braços de modo a embelezar a sua dança, bem como trabalhar posição e movimentos de mãos afim de estas deixarem de ser “problema” quando dança.

26 Março – O Clássico / Véu /Asas de Ísis. workshop dedicado ao estilo clássico, onde será abordado as suas principais características e atitude a ter com esta vertente. Será também leccionado a técnica de Véu e Asas de Ísis, adereços essenciais para enriquecer a sua dança (se não os possuir, será emprestado para a aula).

16 Abril - O Folclore / Bastão / Melaya. workshop dedicado ao folclore egípcio com técnica de bastão e melaya, adereços enriquecedores desta particular vertente da D. Oriental. Também aqui irei abordar as suas principais características e postura a ter.

28 Maio – A Percussão. aula para re/descobrir os principais e mais importantes ritmos da música árabe. Saber como interpretá-los e dançá-los através de exercícios especialmente concebidos para o efeito. Prometo que nunca mais sentirá dificuldade em dançar uma música de percussão!

18 Junho – O Moderno Árabe. workshop onde será abordado os movimentos mais recentes, através de uma coreografia ao som da música pop árabe. Vai adorar e aprender algo novo e contemporâneo!!!

16 Julho – Conclusão/Técnicas de Palco. conclusão do curso com uma aula teórica/pratica sobre Técnicas de palco – Exibições Profissionais/ Exibições Pessoais. Através da minha experiência pessoal, confessarei todas as dicas para tornar a sua dança inesquecível em qualquer situação.

Investimento:

Todo o curso/10 workshops – 250

7 workshops / 7 temas - 200€

5 workshops / 5 Temas à escolha – 150

3 workshops / 3 Temas à escolha – 80

1 Workshop / 1 Tema à escolha – 35

Inscrição: para garantir a sua inscrição terá de fazer o pagamento de, no mínimo 50% ou o valor total da modalidade que se inscreve, por transferência bancária para o nib: 0007.0271.00150604809.65 (BES);

. após a transferência, terá de informar o seu nome, telemóvel , o valor que transferiu, quantos e quais os workshops se inscreve para o e-mail: saranaadirah@gmail.com ou 914258256;

. os restantes 50% em falta, serão pagos num dos workshops que se inscreveu, à professora (em dinheiro ou por transferência apresentando o respectivo talão);

. Exemplo: inscreve-se no curso todo (250), decide pagar metade (50% - 125), faz a transferência e de seguida informa para o e-mail ou telemóvel que transferiu 125 como inscrição nos 10 workshops. Os restantes 125 pagará num dos workshops, á sua escolha.

OBS: possibilidade de outras modalidades de pagamento faseado. Contacte Sara N. para combinar a melhor forma.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A minha carta aberta a Deus

Deus:
escrevo-lhe esta carta do fundo do meu coração...
estou cansada... extremamente cansada...
desta sociedade e de como ela nos força a ter de ser quem não somos...
de lutar para seguir o meu caminho não esquecendo os meus valores...
de um mundo que me sufoca com mediocridade, inveja e ignorância...
estou farta...
de ser explorada: pelo governo meu país, pelo comércio, pelos bancos, por quem tem a ilusão que é meu patrão...
de trabalhar, mostrar que sei o que faço e no final poucos dão valor...
do preconceito e desprezo que há pela profissão de bailarina...
dê-me força...
para não desistir de mim própria...
para não ceder à ilusão materialista desta sociedade...
para continuar o meu destino com a mesma garra de que tinha, quando toda esta viagem começou...
para mostrar a todos, mas principalmente à minha própria família, que não sou doida, nem estou enganada...
para ter coragem e enfrentar o que for preciso para realizar os meus sonhos e ir mais além do que alguma vez sonhei...
ajude-me...
a crescer espiritualmente...
a ser sábia nas decisões...
a ter equilíbrio emocional e físico...
a ser forte nas minhas convicções...
a ter oportunidades de dançar e tocar corações...
a ensinar e transformar vidas...
proteja-me...
das ciladas da vida e do lobo vestido de cordeiro...
do amigo que me rodeia mas afinal não o era...
de mim própria...
e agradeço-lhe...
por ser quem sou...
por tudo que tenho...
pelo dom que me deu...
pelos verdadeiros amigos...
pelos alunos e pessoas que me dão valor...
pelos desafios e lutas pois assim não me acomodo...
pelo abrir de olhos que tenho tido...
Obrigado...