sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A Dança Oriental como eu gosto




Ano após ano, show após show, dança após dança, movimento após movimento, cada vez chego mais à conclusão que o que realmente encanta, a quem nos assiste, é a alma com que a bailarina dança.
Ela até pode usar véus, bastões, leques, fazer o pino, mas o que fica na memória foi como ela sentiu aquela música e o transmitiu através do movimento do seu corpo.
Isso é que é dançar! E esse é que é o princípio da Dança Oriental.
Adoro adereços, aprecio algumas fusões, divirto-me a inventar, mas cada vez mais estou adepta de não levar nada e ser só eu, a música e o publico. Esse é que é o grande desafio de uma bailarina, conseguir transmitir Arte superando o seu próprio corpo, transcendo o espaço e transparecendo a música. Mostrar Dança Oriental "pura e dura", sem fusões ou outras complicações!
Claro que não é para todos... infelizmente vejo muitas bailarinas, com grande potencial, mas escondidas atrás de um véu, por exemplo. Ou (isto é que me deixa mais abismada) fazem todo o tipo de fusões, artes circenses, tribalismos, movimentos impecávelmente executados, mas sem expressão ou sentimento nenhum. Parecem máquinas... Vê-se hoje em dia tanta coisa, mas Dança Oriental no seu estado mais puro... nem vê-lo!
Não me interpretem mal, acho muito interessante tudo o que se faz, eu própria sou fã do movimento modernista para onde a D.O. naturalmente evoluiu. Mas acreditem em mim, não vale a pena seguir por mil e um caminhos se não se sabe o caminho original, pois vão acabar por se perder.
O que vejo muito é uma falta de solidificação da base da Dança Oriental (e percebam, a base da D. O. não é só saber os movimentos mais básicos, há toda uma teoria a solidificar esses mesmos movimentos), e isso é o mais importante se querem ser bailarinas com consistência.

Por isso, deixei de me preocupar com adereços só para iludir ou escolher músicas que achasse que as pessoas iriam mais gostar. Planear estratégicamente tudo e depois, não poder fazer nada daquilo que tinha ensaiado, pois ou o espaço não o permite ou não era aquele publico que estava à espera.
Não! Primeiro que tudo, cada exibição é para mim própria com músicas árabes que me inspirem e se me apetecer uso um ou outro adereço, sempre na base do improviso, pois dançar é isso mesmo, sentir cada momento adaptando-me ao espaço e tipo de publico que é sempre uma surpresa!
Quem gostar gosta, quem não gostar... temos pena! Se querem ver circo, sabem onde ir. Agora se querem ver Dança Oriental, podem-me ver a mim e muitas outras colegas minhas que sabem daquilo que falo.

2 comentários:

  1. ... eu por exemplo não gosto da dança oriental tipica.
    Aqui a questão não está no estilo mas naquilo que cada um sente.

    Quanto a circo, acho insultuoso que uma bailarina, não tenha abertura suficiente para respeitar as outras bailarinas, mas isto claro é a minha opinião.

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  2. Percebo que nem todos gostemos da mesma coisa. Aceito perfeitamente que não goste de D.O. tipica, mas sempre que se dança seja qual for o estilo tem de haver uma carga emocional senão não resulta. E o que noto é essa falta de sentimento.
    O que quis dizer acerca do circo foi, que hoje em dia usa-se tudo para quase camuflar a verdadeira dança, e quando digo verdadeira dança é praticamente a ausência dela numa performance. Respeito e adoro ver todas as bailarinas/nos que conseguem fundir estilos sem deixarem de realmente dançar e sem se deixarem esconder por detrás de adereços. A elas e eles tenho o todo o meu respeito.

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