sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O que quero para 2013

PAZ, PAZ e mais PAZ...

Nunca esta palavra me fez tanto sentido. Anseio PAZ. Não que 2012 não tenha sido um ano bom. Foi... durante o primeiro semestre, porque o segundo foi de fugir.
Durante este último ano que passou, entrou na minha vida (em Março) o ser mais fantástico que conheço: adotei a Nikita, a minha cadelinha que tem sido a alegria lá de casa - e concretizei um sonho muito esperado em Maio - o meu espectáculo "Nos Meus Sonhos" no Museu do Oriente.
O que dizer destes últimos seis meses... muitas noites sem dormir com preocupações, ter de lidar com frustrações, desilusões e outros "ões" que nem vale a pena recordar. 
Só posso dizer que foi difícil... em termos pessoais, emocionais e espirituais. Profissionalmente está a ser duro. Esta "crise" afectou MUITO toda a classe artística deste país.
Pensei seriamente em desistir e ir embora mas... quem me conhece sabe que só me permito desesperar por uns momentos. Sim... desespero, choro, entro em depressão e também tenho crises... sim, sou humana como todos vocês. Não sou a supermulher e muitas vezes - por um curto período de tempo - passa-me pela cabeça mandar tudo pelos ares. Depois, seco as lágrimas, sacudo a juba (não fosse eu Leão), dou uma boa gargalhada, durmo e sonho.
Como o Sonho comanda a minha vida!... E é por isso que acredito que 2013 será um EXCELENTE ano. 
Não pelo que ouço nos meios de comunicação, não pela crise financeira que teima ficar, não pelas previsões do horóscopo, não pelo fado instalado no nosso país. Mas porque acredito em mim e na minha capacidade de dar a volta por cima. Porque depende só de mim ser feliz. Porque são as minhas decisões intuitivas e do coração que irão atrair prosperidade em tudo que tocar. Porque dependo da minha dança e talento.
Depende de mim atrair PAZ e será esta a minha resolução para 2013.

Desejo-vos para o novo ano todas as cores do arco-íris, a força da água e a inspiração do vento. 



quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Conferência "Cultura, Música e Dança Egípcia"


Conferência-Tertúlia - Dia 26 de Janeiro, Lisboa.

Foi com imensa alegria que decidi convidar algumas das pessoas que mais acarinho no panorama da Dança Oriental em Portugal para um serão de CONVERSA, PARTILHA de ideias, perspectivas, experiências e - espero - novas direcções que conduzam ao crescimento desta Arte que nos une.

A Conferência-Tertúlia terá ENTRADA LIVRE e será dirigida por mim - partindo do tema: "Cultura, Música e Dança Egípcia" no passado, presente e futuro mas contará com a colaboração destes Artistas e amigos e do próprio público que é convidado a QUESTIONAR, PENSAR, SENTIR e SURPREENDER-SE connosco.

Lá os esperamos a todos para um chá quente e descobertas:

DIA 26 DE JANEIRO, DAS 18H ÀS 21H NA INIMPETUS (Lisboa (Rua de Campolide, 27 A - Lisboa)
Telf: 213 157 815
Para saber mais sobre os Artistas que participarão
 na Conferência-Tertúlia:

Sara Naadirah abordará o tema:  "O meu percurso pela dignificação da Dança Oriental em Portugal"

*Sobre Sara Naadirah:

Sara Naadirah é bailarina, professora, coreógrafa e um dos nomes mais respeitados e conceituados na Dança Oriental em Portugal. Começou o seu percurso na dança clássica com apenas quatro anos, tendo-se formado com distinção na Royal Academy of Dance. Ao longo dos anos, e como complemento àsua formação como bailarina clássica, estudou os mais variados tipos de dança até que, em 2001, experimentou a dança oriental que consegue arrebatá-la por completo.
Apesar de licenciada em Arquitectura, abdica do curso e passa a dedicar-se exclusivamente à prática profissional, ensino e divulgação/dignificação da Dança Oriental em Portugal. Desde finais de 2003, lecciona nos mais variadíssimos espaços de ensino em Lisboa, é convidada a dar workshops/cursos um pouco por todo o país e foi a primeira bailarina portuguesa a ser escolhida para a realização de um DVD de ensino e demonstração desta Arte.
Desloca-se regularmente ao Cairo, (capital da dança oriental), a fim de aperfeiçoar a sua especialização junto dos melhores bailarinos e mestres desta arte. Com quase 10 anos de carreira, Sara Naadirah criou um estilo próprio, já inconfundível, produzindo e realizando os seus próprios espectáculos, cursos e workshops. 


***
AdiraGram abordará o tema: A Dança Oriental e a sua Sensualidade"
*Sobre AdiraGram:

Formação Académica Complementar:
-Formação académica na área de Contabilidades Administração e Gestão de Empresas
-Curso de Introdução a Astronomia
-Curso da História da Música
-Curso de Astrologia
-Curso de Tarot
-Curso da Leitura de Aura(em estudo)

Formação Artística:
-Curso de Pintura na S.N. Belas Artes
-Curso de Introdução em Fotografia na Fundação C. Gulbenkian
-Curso de História de Esculturas no Museu de Arte Moderna -Sintra
-Formação em Dança Indiana - Moçambique, Índia e em Portugal
-Formação em Dança Oriental - Lisboa e Egipto

Aulas:
- De 2005 a 2012, ensino de Dança Oriental, com interrupção em 2011
- 2008 a 2010 ensino de Dança Indiana.


Exposições e Actuações:
-Desde 1993 até 2012 tenho participado anualmente em exposições de Pintura colectivas e algumas Individuais
-Desde 2004 até 2012 tenho dançado esporadicamente em público.

***


Yolanda Rebelo abordará o tema: Desenvolvimento pessoal através da Dança Oriental

*Sobre Yolanda Rebelo:

 Licenciada em Política Social, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa, estudou também teatro, música e dança, e frequentou a Escola Superior de Dança durante 2 anos.
Teve formação em Danças Tradicionais de diversos países com vários professores, em Portugal e no estrangeiro, e em Dança Clássica, Contemporânea e Jazz em Portugal. Foi no Tango Argentino e na Dança Oriental que aprofundou a sua formação e expressão artística, tendo trabalhado com diversas Escolas e Companhias de Dança.

Actualmente desenvolve o seu trabalho como bailarina, professora e coreógrafa no Projecto YolandaDance, que tem como objectivo a inovação e o desenvolvimento pessoal através da dança 
nas áreas da Dança Oriental e Fusão, Flamenco-Árabe e Tango Argentino.
Mais informações sobre Yolanda Rebelo no website: www.yolandadance.com


***
Américo Cardoso abordará o tema: "Os Novos Valores da Música Árabe"

*Sobre Américo Cardoso:

Inicia-se aos 12 anos ma Orquestra Preparatória de S. Paulo em Almada.
Durante 4 anos fez estudos de percussão clássica no Conservatório Nacional de Lisboa com Profº Júlio Campos (percussionista da Orquestra Gulbenkian)
Frequentou a Escola de Jazz do Hot Club de Lisboa.
Curso de Introdução á História da Música do séc. xx e Composição com falecido compositor Jorge Peixinho.
Curso História da Música com Profº Manuel Pedro Ferreira -JMP
1º Workshop de percussão árabe pelo bailarino Shokry Mohamed
Workshop de percussão árabe para dança oriental com Hossam Ramzy em Barcelona.
Fundador do grupo Al-madan
Realização de concertos a solo
Lecciona percussão árabe no Lods antiga Sétima Posição e estúdio Mahtab em Lisboa.
Inúmeros workshops, cursos e aulas em localidades como Vila Franca de Xira, Barreiro, Faro, Loulé, Lagoa, Porto, Coimbra, Corroios.
Trabalha com as mais prestigiadas bailarinas de dança oriental portuguesas em concertos, espectaculos, workshops, acompanhamento de aulas etc.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Feliz Natal 2012

Que este Natal seja diferente...

seja com menos prendas e mais Amor;

seja com menos risos forçados e mais Honestidade;

seja com menos barulho e mais Silencio;

seja com menos morte e mais Vida;

seja com menos infelicidade e mais Alegria;

seja com menos comida e mais Alma;

seja... seja... uma verdadeira Celebração com mais otimismo.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

LISBOA - Aulas de Dança Oriental Jan.a Jul.13


Aulas de Dança Oriental - LISBOA
Janeiro a Julho 2013

Novidade para todos que desejam aprender/redescobrirem-se com as minhas mágicas aulas de Dança Oriental:
Para além das aulas nas instalações do Estudio Mahtab e Dança Livre,  estarei com uma nova turma de nível intermédio/avançado no:

Espaço DANÇATTITUDE
(Travessa Escola Araújo 3ªA, Estefânia, Lisboa)

Início a 8 Janeiro até final de Julho

Terças Feiras:
Intermédio/Avançado – 19h30 às 20h30

Inscrição:
7,5€ - para seguro

Mensalidade: 30€


Como garantir a sua vaga:
Envie um e-mail – saranaadirah@gmail.com , ou telefone-me (914258256) ou envie-me uma mensagem através do Facebook (procure Sara Naadirah) e indique os seguintes dados:
- Nome
-Idade
- Morada e Código Postal
- E-mail
- Nº de telemóvel
e
Efetue uma transferência bancária (avisando-me de seguida que o fez) do valor da primeira mensalidade e valor da inscrição para o nib:
BES - 0007.0271.00150604809.65



Regulamento:
. qualquer aluno no seu primeiro dia de aulas terá de assinar a ficha de aluno onde lê e concorda com todo o regulamento;

. qualquer aluno, para garantir a sua vaga, terá de efectuar o pagamento do valor da primeira mensalidade e valor de seguro, desde o mês que começa à professora Sara Naadirah;

. qualquer aluno fica comprometido ao pagamento - à professora Sara Naadirah - da devida mensalidade desde o mês que começa até ao final do ano lectivo em curso (Julho inclusive, que deverá ser pago em Maio) sem excepções ou reembolsos;

. o pagamento das mensalidades deverão ser efectuadas até ao dia 5 do mês correspondente, por transferência bancária (avisando sempre que o fizer) ou em dinheiro à professora, caso não respeite este prazo perderá a sua vaga sem aviso prévio;

. qualquer aluno em caso de lesões físicas ou doença prolongada, devidamente comprovadas com atestado médico, pagará metade do valor total da mensalidade afim de garantir a sua vaga;

. aconselha-se que todos os pertences do aluno permaneçam com ele na aula, em caso de extravio ou perda é da responsabilidade total do aluno;

Informações ou dúvidas contacte:

saranaadirah@gmail.com   914258256
facebook.com/sara.naadirah

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

As Minhas Memórias - última parte - Arquitectura ou Dança?



Escolher entre a profissão académica e a profissão do coração, foi uma das decisões mais difíceis, se não, a mais difícil que tive de tomar até hoje.
A escolha que acabei por seguir, não a decidi de um dia para o outro, demorei anos a perceber que um caminho, embora bem visto pela sociedade, me levaria á frustração e o outro, completamente mal interpretado, me desafiaria ao longo da minha Vida.
Como todos sabem, segui o que o coração me gritava: Dançar.

Como todos os adolescentes, tive imensas dúvidas, principalmente a partir do 9ºano, do que queria fazer quando fosse adulta. Embora soubesse que a minha paixão fosse a dança, cresci a ouvir dizer que isso não era profissão, que a Arte em geral não enchia barrigas, não pagava contas e o pior: era mal visto. Desde a pintura, á escultura, ás artes gráficas, ao teatro, etc... não era um trabalho, era qualquer coisa... menos uma profissão digna. Todas menos Arquitectura.
Como sempre percebi que não poderia seguir dança ( a clássica) pensei sempre em seguir alguma coisa relacionada com Artes e claro só tinha uma hipótese digna de satisfazer a sociedade, ou melhor, os meus pais, se é Artes, só pode ser Arquitectura. E lá fui eu! Todos (pais) super orgulhosos e eu completamente iludida a entrar na faculdade...

Muitos perguntam-me ou ficam admirados por:
1º ter um curso superior - uma bailarina de dança oriental formada?!!!
2º Arquitectura - não é um curso qualquer, dizem muitos, é uma formação respeitável!
3º e agora danças... Dança Oriental?!!! - o que se passou pela minha cabeça, ter uma licenciatura e trocar isso por dança?!!

Pois posso dizer toda orgulhosa que sou licenciada em Arquietctura pela faculdade Lusíada, e não me arrependo nada de ter estudado e ter ido para a faculdade. Mas não amava Arquitectura, não sonhava em ser arquitecta, eu nem sequer sabia bem o que isso era... fui porque tinha de ir, não queria desiludir os meus pais, e pensava, vou aprender e vou acabar por gostar e seguir uma grande profissão!
Durante os seis anos (chumbei logo no primeiro ano, para verem a ilusão que estava metida) de faculdade "sofri" uma das maiores transformações: passei de criança a adulta e foi lá que, através da própria formação, colegas, e extraordinários professores que tive o privilégio de ter aulas, percebi que não adianta lutar contra a nossa natureza e o mais importante é seguir o que nos vai na alma, nem que para isso choque tudo e todos á nossa volta.
Foi isto que aprendi na faculdade: armas para lutar pelos meus sonhos.
No início do curso percebi logo que não achava muita piada aquilo, fazia por pura obrigação, já que lá estava tinha de continuar... a meio do curso já um pouco desesperada por nunca mais terminar, conheci o meu marido (a faculdade também serviu para isso, além de me encontrar a mim própria, encontrei o Amor da minha Vida) e foi ele que me ajudou a continuar. Nos últimos dois anos, só pensava em desistir, tinha começado a ter as aulas de Dança Oriental, que me fez repensar naquilo que realmente queria para a minha vida, já não aguentava mais aquele curso e aquela faculdade.
No último ano pensei mesmo em sair, mas como estava a terminar, decidi (e ainda bem que o fiz) terminar, embora, no meu intimo já tivesse decidido que acabava o curso mas nunca mais pegaria num projecto. E foi isso que aconteceu! Acabei a faculdade á seis anos e o meu último projecto foi o meu trabalho final de curso... e digo-vos que não tenho saudades nenhumas!
Queria ser bailarina, o meu sonho de criança... e imaginem quando disse isto aos meus pais... não, não imaginam!
Gostaria muito de vos dizer que os meus pais aceitaram lindamente, aplaudiram de pé e me disseram: força filha!!! Claro que isso não aconteceu, muito pelo contrário...
A desilusão de eu não seguir uma profissão "digna" e que tanto projectaram para mim foi grande, e ainda hoje, embora a uma outra escala, acham que não trabalho, faço algumas coisas... mas não é trabalho com futuro.
Se é ou não, não sei, mas pelo menos tive a coragem de seguir aquilo que realmente queria e ninguém me pode dizer que fui "obrigada" a dançar. Segui o meu coração, mas foi muito difícil enfrentar o estigma da sociedade, pais e até os meus próprios preconceitos e tabus.
Só depois de ter começado a dar aulas e a apresentar-me em público é que comecei a entender o difícil caminho que tinha escolhido, pois de de inicio pensei que tudo iria ser mar e rosas. Mais uma vez iludida!!! Tive e tenho de trabalhar muito e provar muito a muita gente que não era uma decisão por puro capricho de menina mimada.
E provei!!! Embora os meus pais continuem a achar que não é profissão e que não trabalho, aparentemente, respeitam a minha decisão, mas não aprovam... e ainda hoje sinto uma mágoa por isso... queria muito que entendessem...
Incrível, mas a única pessoa que me entendeu e apoiou, foi o meu marido. Embora quando abordei o assunto de que "se calhar não é arquitectura que quero fazer" ele tenha reagido mal e não tenha percebido na altura, eu querer "jogar fora" anos de estudo.
Namorávamos na época, e ajudou-me em todo o processo inicial, principalmente quando tinha grandes discussões com os meus pais. Apoiava-me indo aos locais onde ia dançar e chegou mesmo a aprender um pouco de percussão para me acompanhar em exibições!!!
Muito me disseram que me ia arrepender, e não desminto que já houve momentos que pensei: " o que fiz da minha vida, devia ter feito o estágio e estar num atelier", mas são só momentos. Adoro a minha Vida e adoro o que faço, sinto-me orgulhosa de ter sido eu, na altura certa, ter pegado nas rédeas do meu futuro, e ter ouvido o meu coração, não me deixando influenciar por preconceitos, opiniões, experiências de vidas, o que dá dinheiro, estabilidade, etc... Escolhi dançar, escolhi sentir-me bem naquilo que faço, embora seja difícil o caminho, mas pelo menos é o Meu caminho.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

As Minhas Memórias Parte III - A Descoberta do Oriente -



A Vida ás vezes traz-nos surpresas que nunca imaginamos  nem nos nossos sonhos mais ousados.

Para mim, durante muitos anos, a dança resumia-se a uma única modalidade: o Ballet. E foi precisamente no último ano que fiz ballet e que iria desistir de dançar, que de repente ouvi uma música diferente...

Eu era recepcionista na escola de dança que frequentava: Academia de Dança de Lisboa (que infelizmente já não existe), e reparei, que nesse ano lectivo (Setembro de 2001) ia haver uma nova modalidade: Dança Oriental. Nunca tinha ouvido falar em semelhante dança, juro que não fazia ideia do que se tratava e só pelo nome não me suscitava nenhum interesse. Aconteceu que numa das vezes que estava na recepção, sem fazer quase nada, começou uma aulas da tal dança e oiço a música. Foi magia! Aquela melodia entrou em mim como um suspiro que fez com que acordasse de um sono profundo. Não sei explicar, mas aquele tipo de música era-me familiar, e ressuscitou-me de tal maneira que fui espreitar a aula.

Claro que passar de espectador a praticante foi um passo. Comecei as aulas logo de seguida e tinha assim começado uma nova era na minha vida. Não fazia a mais pequena ideia do quanto me iria mudar e influenciar.

As primeiras aulas foram dramáticas. Parecia sei lá o quê a dançar, era um cubo de gelo e mesmo com 16 anos de dança não conseguia fazer praticamente nenhum movimento digno de Dança Oriental. Conseguia imitar bem a professora, até tinha coordenação, mas detestava ver o efeito quando me via ao espelho (é-vos familiar esta sensação?) sentia-me gorda, mal feita, feia, sem jeito nenhum. Mas não desistia, havia qualquer coisa divina que me mantinha nas aulas e acho que sempre foi a música. Adorava (e adoro) música árabe...

Lá fui continuando as aulas (mantendo as aulas de ballet ao mesmo tempo) e nelas fui-me obrigando a realmente ver-me no espelho, não só olhar, mas Ver-me. Á medida que ia aprendendo e fazendo os movimentos mais básicos da Dança Oriental, ia-me sentindo. E aos poucos fui percebendo que já não era assim tão má a figura que fazia, afinal não estava assim tão gorda, não estava assim tão feia, até é bem bonito estes movimentos em mim... fui-me apercebendo do incrível corpo que tinha, o quanto era bela, e o quanto é fascinante dançar.

Curiosamente, tantos anos de dança clássica e eu nunca tinha realmente dançado. Fazia exercícios, passos de dança, executava lindamente coreografias, mas dançar!? Foi nas aulas de Dança Oriental que comecei a dançar, sentir a música, expressar-me através daqueles movimentos tão simples mas complexos que, devido á carga energética que continham, "obrigaram-me" a desabrochar como uma flor na Primavera. Mas se pensam que este processo durou umas aulas, não, durou mais de um ano e esse desabrochar continuou e após 8 anos ainda continua... E foi precisamente nesse ano, que tinha o meu mais difícil exame de ballet (Junho de 2002), onde iriam avaliar a nossa capacidade de transmitir não só a técnica mas também Arte, que eu o "patinho feio", através do trabalho interno que a dança oriental me fez, consegui transmitir mais que um mero exercício, consegui transmitir dança, o que me fez passar no tal exame.

Por isso digo a todas as alunas: a Dança Oriental escolhe cada uma de vocês, não é por acaso que estão a praticá-la, muitas de vocês nem sabem bem o porquê que gostam tanto. Não quer dizer que todas tenham de ser bailarinas profissionais como eu, não! Isso é só para quem tem esse "chamado", esse "dom" ou essa "missão" nesta vida. A Dança Oriental escolheu-vos (como um dia escolheu a mim) pois tiveram a sorte de ter a oportunidade na vida, de descobrirem as deusas e os seres especiais que são. Se puserem de lado vaidades, egos, medos e comodismos, irão perceber como esta dança dá-vos o poder de se transformarem em cisnes, dá-vos força interior, faz-vos crescer espiritualmente, obriga-vos a dar um sentido na vida. E o mágico de tudo isso é que se vai reflectir em tudo e em todos que vos rodeiam.

Permitam-se mergulhar neste oceano, não tenham medo de sentir ou aperceberem-se de certos aspectos negativos na vossa vida que já se tinham resignado. Não! Saiam da vossa zona de conforto e cegueira e permitam que a dança vos melhore, transforme, dê-vos qualidade de vida interior.

Foi o que fiz, deixei-me levar para onde a dança me quis e como a minha vida se transformou! Eu que era uma pessoa forte mas insegura, que sentia mas não expressava de maneira nenhuma, que se tapava toda por vergonha do seu corpo, o "pãozinho sem sal" como me chamavam conseguiu ultrapassar todos os medos e mais alguns e aqui estou.

Parece um conto fantasioso, um processo fácil e rápido, mas não é! Tem sido uma viagem extremamente difícil e muitas vezes dolorosa mas digo-vos que vale a pena. Foi pela dança que consegui estar onde estou e ser a pessoa que sou hoje. Mas o processo continua, ainda tenho muito que desbloquear para que a minha dança se torne ainda melhor, mas principalmente, o conhecimento de mim própria seja cada vez mais profundo e a minha Vida progrida de dança para dança.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

As Minhas Memórias - Parte II - O Ballet



Desde os quatro anos que danço e desde que fiz a minha primeira aula nunca mais parei! 
Acredito que nascemos com certos dons e eu tive a sorte de descobrir o meu bem cedo... o dom de me expressar através da dança.
Não tem sido um caminho fácil. 
Pessoalmente, tem sido um processo que já vem de pequena e acho que vai continuar para o resto da minha vida. Tudo começou com o Ballet. 
Eu simplesmente só não gostava desta dança, eu ADORAVA o Ballet, eu respirava Ballet, só pensava nisso. A minha obessessão era tão grande que pedia bonecas com temáticas de bailarina, compravam-me livros sobre a dança onde fica horas a ver as fotos dos bailarinos, tive uma verdadeira fixação por sapatilhas de pontas ao ponto de pedir a toda a gente que me comprassem umas mesmo ainda não tendo idade para usá-las, enfim... era o meu mundo e sempre desde pequena me lembro de dizer que queria ser bailarina.
Como puderam ler nas "As Minhas Memórias parte 1" comecei cedo com as aulas no colégio que frequentava, e já de pequena me sacrificava em prol da dança. Na aula absorvia tudo o que me ensinavam e lembro-me de me esforçar ao máximo. Desde cedo tive consciência que só se consegue alguma coisa na dança trabalhando muito, não bastando o talento, trabalhava o triplo das outras pois percebi também que infelizmente ou felizmente, não tinha corpo para bailarina clássica. 
Como todos sabem, para ser bailarina clássica ou se nasce com o corpo ou não. E eu não o tinha, e durante os 16 anos que pratiquei ballet foi uma luta constante com isso e muita desilusão tive, mas também algumas recompensas, vou-vos contar as lembranças que mais me marcaram:

- Lembro-me que as aulas eram no intervalo do almoço, antes de comer, ia para a aula e via as outras a correr para irem almoçar e de seguida irem brincar. Eu ficava sem a brincadeira, mas não me importava, a minha distracção era a dança.

- Era sempre eu que queria fazer ballet: lembro-me que quando tinha 11, 12 anos podíamos alternar a aula de ballet com uma de modern jazz. As minhas outras colegas gostavam mais da outra modalidade, ás tantas só queriam o modern jazz. Chegava á aula toda contente e a professora, pressionada pelas outras decidia, mais uma vez, ser a aula de modern jazz. Ficava para morrer... mas lá fazia a aula e assim tinha contacto com outras modalidades, mas embirrava que não gostava.

- As minhas colegas não entendiam a minha obessessão. Nem eu! Mas cheguei ao ponto de exigir que em vez de me chamarem Sara me chamassem bailarina. Nunca percebi esta paranóia, acho que já naquela altura procurava um nome artístico.

- A minha primeira grande desilusão foi quando tive a triste ideia, de querer fazer uma audição para entrar no Conservatório Nacional de Dança.
Como queria porque queria ser bailarina, arranjaram-me a tal audição. Foi um desastre! Ainda me lembro da sala, da professora, do piano mas principalmente de umas sapatilhas de pontas que estavam no parapeito de uma das janelas. Lembro-me de passar por elas e quere-las para mim. 
Lembro-me dos exercícios e foi ali que percebi que não tinha preparação suficiente para "competir" com as outras. Olhando para as elas, reparei que não tinha corpo para tal. Não que fosse gorda, não tem haver com isso, mas as outras controssiam-se todas, já faziam pontas, faziam esparregatas e posições que eram impossíveis para mim. Mesmo assim, tentei, fiz todos os exercícios que me propunham, mas não entrei... fiquei triste, mas continuei as aulas... sabia que era aquilo que queria, se não tinha sido desta seria para uma próxima tentativa.

- Quando havia as festas de final de ano, havia sempre um show das alunas de dança, claro que eu estava em todas, e digo-vos que ninguém me conseguia acompanhar, participava em todas as danças e sempre com uma atitude de estrela. 
Adorava o palco, a preparação para tal, as coreografias, enfim, tudo o que tinha a haver com um espectáculo. E ficava mesmo um espectáculo... tenho algumas fotos desses tempos, mas não me atrevo a mostrar!!!
Os espectáculos às vezes eram no colégio, outras vezes no Teatro Maria Matos e o meu fascínio pelo palco era tão grande que uma vez (talvez com uns 7 ou 8 anos) depois do um espectáculo ter acabado no Maria Matos, e praticamente toda a gente se ter ido embora, esquivei-me dos meus pais e corri para o palco. Sem ninguém e com a plateia completamente vazia, comecei a imaginar o meu próprio show e as palmas que poderiam surgir, foi um momento mágico, nunca mais me esqueci... claro que um segurança do teatro quando me viu correu comigo.

Continuei as aulas no colégio até ao 9ºano, com 15 anos, mudei de escola (fui para Lisboa, para a escola secundária António Arroio) e com essa mudança comecei a ter aulas de ballet com a melhor professora de dança que já tive: a prof. Cristina Filipe. 
A ela devo muito do que sou hoje tanto como profissional tanto como professora. Com ela, entrei para o método da Royal Academy of Dance, as aulas eram muito mais exigente e com exames ao final do ano em vez de espectáculos. Nestas aulas a exigência técnica era muito superior ás do colégio, senti aqui que finalmente estavam realmente a "puxar" por mim, adorava e muitas saudades tenho desses tempos. Tenho também saudades da convivência com colegas que conheci que foram verdadeiras amigas, e ir para as aulas não era só ir aprender, era também um encontro de amigas onde nos divertíamos bastante.
Mas, como disse, as aulas eram difíceis. Foi aqui que senti mais a injustiça de querer mas o corpo não dar. Trabalhávamos todas na mesma aula e por níveis, sentia claramente a frustração de o corpo não ir mais longe. Trabalhava imenso, mas chegava a um limite que era impossível de ultrapassar. Era, para mim, uma desilusão ver outras a conseguir fazer exercícios num instante quando eu demorava, para fazer o mesmo, ás vezes dias! Mas não desistia, nem a professora permitia isso. As correcções eram duríssimas e lembro-me muitas vezes de sair da aula a chorar de frustração e raiva, mas nunca desistia. 
Essa perssistencia valeu-me alguns méritos, conto-vos o que mais me marcou: no meu último exame e o mais difícil física e psicologicamente:
Na turma tínhamos os "cisnes"- as que tinham corpos indicados para o ballet e adoradas pela professora e os "patinhos feios"- onde eu me incluía, as não preferidas e aquelas que não tinham muita esperança que passassem no exame. Tendo consciência disso, preparei-me como nunca para esse exame e como sabia que não era forte técnicamente, trabalhei mais a parte da dança do que própriamente executar perfeitamente a técnica. 
Dei tudo por tudo e enquanto as "preferidas" eram elogiadas e mimadas, eu não recebia nenhum elogio, nenhum incentivo... mas continuei a preparar-me, ensaiava, ensaiava e ensaiava... e quando chegou o exame, o patinho feio passou e os cisnes chumbaram! É verdade, foi a maior lição que alguma vez tive: Não adianta elogios, ser perfeita, ter todos os incentivos e apoio por parte dos maiores profissionais se nós próprios não nos revelamos verdadeiros "guerreiros" para chegar onde queremos. 
A minha alma de bailarina, nesse exame e em todo o processo, sobressaiu e teve mais impacto que a técnica e essa foi outra lição: Não adianta executar tudo direitinho se a dança, a Alma, lá não estiver. 
Acham que alguém me ensinou isso? Não. Percebi sozinha, com as "patadas" que ia levando da professora, que na altura não entendia e revoltavam-me, mas hoje agradeço-lhe, pois foi isso que me fez crescer como pessoa, e conseguir aguentar "as patadas" maiores que vou levando hoje em dia como profissional de dança.

O ballet foi sem dúvida, a disciplina que me ajudou a ser quem sou hoje não só como bailarina mas também como "guerreira" para aquilo que sonho. 
Claro que nunca poderia ser bailarina profissional de Ballet Clássico por causa das minhas limitações físicas, e no fundo sempre soube disso. O que não sabia é que a Vida queria que eu dançasse algo bem mais profundo. 
E, foi nesse mesmo ano - do tal exame - que tinha decidido deixar de dançar, que comecei as aulas de Dança Oriental. 
Perceberam que evoluir na dança ou aprender dança, qualquer que seja ela, é sempre um processo interno que não necessita de mais ninguém do que nós próprios. Na Dança Oriental esse processo é ainda mais intenso e foi por, nesse mesmo ano, ter coincidido começar com aulas de Dança Oriental, que me fez apostar mais no sentimento transmitido atravez da dança. Foi exactamente isso que me fez passar o tal exame. 
Foi a Dança Oriental que fez sair de mim a bailarina que estava presa com tanta técnica e pressão de não ter o "corpo". Mas, para dançar, e bem, não precisamos do corpo que dizem perfeito, precisamos sim de Alma.
Encerrava o Ballet para mim, começava a dança para o qual tinha nascido: A Dança do Oriente.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

As Minhas Memórias - Parte I - O meu desejo de ser Bailarina



Não tenho muitas recordações da minha infância. O que guardo comigo são breves flashbacks de situações que de alguma forma me marcaram. 
Em geral, posso dizer que os meus primeiros anos de vida foram excelentes! Era uma criança alegre que tinha a bênção de ter os meus pais junto comigo, que me proporcionavam uma mão cheia de mimos e atenções. Tive também uma ama, uma jóia de pessoa, que me mimava mais que os meus pais e, que cedo percebeu a minha “queda” quase obsessiva em gostar de ouvir música.
Segundo me contam, gostava de toda a música para crianças, mas havia uma em especial que falava em camelos (não sei se se recordam), que simplesmente adorava (será que era uma premonição?). 
Havia também um tipo de música ou melhor, um cantor que eu era completamente fanática. Imaginem qual? Não imaginam! Pois eu digo-vos, mas prometam-me que fica só entre nós! Eu por volta dos dois, três anos de idade era completamente apaixonada pelo Roberto Carlos!!! Pois é! Não se riam, por favor!!! Grandes birras, me contam, que fazia sempre que me apetecia ouvir o “rei” e não estava disponível. É que não me bastava ouvir o disco, tinha de haver alguém a representá-lo, fazendo um playback irrepreensível
Que paranóia a minha, nesses momentos os meus pais devem ter percebido que sou de ideias fixas, e quando ouço um cantor exijo a sua presença!!!
Também tive uma queda muito especial para ouvir Pink Floyd, grupo que o meu pai muito ouvia, por também estar muito em voga na altura (devo lembrar que nasci em 79, por isso estamos a falar da década de 80). Gostava especialmente da música que eu intitulava “ a das crianças”. Música esta que falava da opressão que se fazia nas escolas…. devem saber qual é a que estou a falar (acho que aqui revelei ter uma predisposição para a revolta). 
Mas foi quando, aos quatro anos, fui para a escolinha, que a minha educadora descobriu o meu fascínio ainda mais obsessivo: o meu amor pela dança.
Segundo também me contam - eu não me lembro - houve um acontecimento que despoletou a atenção da minha educadora (a Maria): uma noite, deu na RTP2 um bailado (época que ainda só havia dois canais), que bailado era não me sabem dizer, mas lembram-se na maneira compenetrada que assisti a todo o espectáculo. 
Devem-se estar a perguntar: "o que é que isso tem demais para ter ficado na memória dos pais dela e da tal Maria?" Eu tinha quatro anos, o bailado estava a dar a horas bem tardias, horas essas que deveria estar a dormir, mas não o quis, fiquei a ver toda da dança quase sem penestejar
O mais engraçado foi o que aconteceu, no dia a seguir na escola, sozinha como se num mundo à parte, reproduzi, para espanto da minha educadora, todo o bailado. Claro que não o ballet integral, como é óbvio, mas reproduzia em passos de dança bem esquisitos o que mais me tinha fascinado, explicando e ensinando às minhas coleguinhas a história do ballet que tinha visto. 
Era ou não era uma premonição da minha vida futura!?
Bom, a Maria ficou tão espantada que decidiu procurar a professora de Ballet do colégio (sim… andei num colégio até ao 9ºano... por favor, mais uma vez peço-vos que fique só entre nós, ok?) para que fosse experimentar uma aula, já que eu também não me calava a dizer que queria fazer ballet. “Mas ela só tem quatro anos, ainda é muito nova!” dizia a professora ( a Teresa), “sim, mas deixe-a experimentar para ver se se cala um bocadinho!” dizia a Maria. 
O facto é que lá fiz a aula e passei com distinção ao olhar incrédulo da prof. Teresa. E assim, com meus tenros anos era tratada como uma verdadeira “artista”: tinha uma “manager” (que luxo!!!) a Maria, descobriu-me, tratando logo de me arranjar uns produtores (luxo ainda maior!), para investirem na minha formação: os meus pais, que por sua vez inscreveram-me logo nas aulas, e um mestre, a minha querida professora Teresa que acreditou que tinha um talento dando-me a oportunidade de aprender a lidar com esse mesmo dom. Assim, tornei-me a bailarinazinha mais pequenina da escola. Tive muita sorte. Quantos de vós, tiveram ou têm talentos que ainda não foram descobertos e investidos? Tive mesmo sorte!