sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Saber dizer NÃO!

A vida tem-me ensinado que dizer NÃO, é das melhores formas de me proteger e valorizar.
Vivemos numa sociedade que parece mal dizer: "Não obrigado", a um assedio feroz em fazer com que aceitemos tudo que nos "vendem", seja material, ilusões, sonhos e vontades que não são as nossas. Siceramente, já tive imensas situações em que não queria ou sentia que não me iria fazer bem mas, só para não desagradar, acabava por ceder, fazendo a vontade dos outros e não a minha.
Fui-me também apercebendo, que uma das formas de nos controlarem, é responderem ao nosso "Não!" com:"de certeza?" ou "não quer pensar no assunto" ou ainda "queres sim!". Parece-vos familiar?... Não respeitam a nossa decisão, vamos cedendo e sem nos aperceber vamos deixando os outros tomar as rédeas da nossa vida.
Acho que a grande diferença dos meus vintes para os trintas é realmente esta: colocar-me em primeiríssimo lugar, e respeitar acima de tudo a minha vontade, não tendo vergonha ou problema de consciência em dizer NÃO, mesmo que cause embaraço ou não pareça bem.

Não! Não quero comer esse bolo ou essa comida! Prefiro esta...
Não! Não me apetece sair! Quero ficar sossegada...
Não! Não gostei desse filme...
Não! Não quero comprar isso ou aquilo! Por mais que seja o melhor produto do ano, simplesmente não quero por isto ou por aquilo...
Não! Não me apetece dançar essa música! Prefiro outra, mesmo que não agrade tanto aos outros...
Não! Vai tu por aí, que eu vou por aqui, que este é o meu caminho, mesmo que vá sozinha...
Não! Esse sonho não é o meu...
Não! Essa não é a minha vontade...
Não!...

Experimentem, e vão sentir controlo da vossa própria vida!
Pois, todos temos gostos, interesses, valores diferentes uns dos outros e muitas vezes o que é bom para ti, não é para mim... e eu não tenho de me prejudicar por isso.
Tenho descoberto também que é difícil dizer NÃO. A tentação e a pressão é grande. Noto isso principalmente no mundo consumista, que nos envolve com vãs necessidades e falsas ilusões. Quase que somos "obrigados" a comprar isto e aquilo, a subscrever tais produtos só porque sim... e quando dizemos "Não, obrigado!" quase que estamos a cometer o maior pecado do mundo.
E quando nos dizem para fazer assim e assado e recusamos, fazendo o que a nossa consciência manda, ou seja o oposto? "Faz aquilo que eu digo, que sou mais velho" ou "Eu é que sei! Faz isto! Vais ver que tenho razão!". Quando toca à vida dos outros todos têm uma opinião e eles é que sabem. Pois sim... se fosse ceder aos "conselhos" que não pedi, ou aos comentários que me fazem, já tinha deixado de dançar à muito, estava em casa a cuidar do marido e/ou com um emprego detestável, a sujeitar-me a ganhar uma miséria só porque tinha um contrato de trabalho efetivo e ainda por cima com uma dúzia de filhos... sim, é que acham que sou uma extra-terrestre por dizer que ainda não quero ter filhos, mesmo com quase quatro anos de casamento.
Enfim... saber dizer NÃO protegeu-me em diversas situações e traz-me qualidade de vida, embora não agrade a todos...Temos pena...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Joaquin Cortés




Na passada terça feira, fui ver o espectáculo "Calé", do famoso bailarino de flamenco: Joaquin Cortés.
Bom... para descrever o quanto admirei o seu trabalho vou contar-vos o que me aconteceu:
Antes do espectáculo fui com o meu amor jantar, deliciei-me com um hamburger de frango com tudo que tenho direito - batatas fritas, maionese, mostarda, etc... terminando com um fabuloso petit catu. Finalizamos o jantar e dirigimo-nos para o show. Quando estavamos a entrar, o Fernando vira-se para mim e exclama: Sara!! Tens a cara toda vermelha!!!
Realmente, estava a sentir uma certa comichão... fui a correr para a casa de banho e deparo-me com a cara em "erupção", pulsos e pescoço... eu nem queria acreditar! Tinha feito uma alergia a alguma coisa que comi...
Bem, como não me estava a sentir mal, pensei: "não me vou embora! Já que aqui estou, quero ver o espectáculo!"
Vou a correr para o meu lugar, afim de ninguém olhar para mim e se assustar!!! O Fernando só se ria... Depois do show tratava daquilo... não queria nem saber, queria era ver a dança do famoso bailarino.
Ele é tão bom (em todos os sentidos da palavra, se é que me entendem... ;p ) e montou um show tão fantástico, gostei tanto que me passou a alergia durante o espectáculo!!

É indescritível o carisma, elegância, pose, o poder de improvisação, a capacidade de envolver o publico que este bailarino tem. Só mesmo vendo. Ao observá-lo, foi como se fosse uma aula para mim. Claro que a dança é diferente, nem tenho intenções de ir fazer flamenco, mas a essência é muito parecida com a Dança Oriental.
Adorei!!!!
E ainda por cima descobri o remédio para alergias... basta ir ver um espectáculo de Joaquin Cortés!!!!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os meus "camarins"!!!

Eu devia fazer um álbum de fotos, ou melhor de cromos, dos diversos "camarins" por onde já passei. Eu nem sei se camarim é a palavra certa para espaços onde... cada um é pior que o outro!!!
O último cromo foi no passado sábado, onde fui especialmente convidada a dançar, para um grupo de pessoas num jantar de anos.
Comecei logo a rir quando me deparei (e mais uma vez) com um corredor para dançar. Quem me contratou garantiu-me que o restaurante tinha imenso espaço, pois sim... quem não dança decididamente não sabe o que é espaço para dançar. Enfim... véu e bastão só um cheirinho... e pensei logo: "imagino onde me vou vestir!!!"
Não, não imaginava...
Dirigem-me para a cozinha, onde tinha umas escadas íngremes, cheias de gordura, subo e vou ter a uma recadação tipo sótão, cheio de tralha, com um espaço livre que só dava para pousar a mala da roupa! E para completar o cenário, estava lá outra bailarina (a que dança nesse restaurante) também a vestir-se!!!!
Lá nos entendemos e nos ajeitamos com o pouco espaço, começo-me a trocar e percebo que tenho de que ter cuidado com os olhares dos cozinheiros, pois o nosso "camarim" não tinha porta!!!!
Desta vez solto uma gargalhada...
É indescritível os locais por onde já me troquei... só vendo mesmo, até numa tenda onde não dava para me por de pé!!!
Claro que já me habituei e agora decido rir das situações mais caricatas que vou passando... e se isso influencia a qualidade da minha dança? Não!!! Aliás quanto mais caricato, mais forte é a minha exibição. Quem está ali para me ver, não tem culpa das condições. Apesar e acima de tudo sou uma profissional e honro a Dança Oriental, sem desculpas!

Acho piada...

Quando me perguntam como é que consigo fazer coreografias não sabendo o espaço em que vou dançar... e como consigo dançar em espaços minúsculos...

Vou de uma vez por todas desmistificar este quase "mito urbano": não são coreografias, são simplesmente... improvisações! Pois é assim a minha dança!!! Sentir a musica e deixar o corpo fluir, para mim não faria sentido de outra maneira.
E depois é também por uma questão prática. A menos que seja em palco (e mesmo assim... tenho sempre surpresas...) eu nunca sei como vai ser o espaço, ambiente, qualidade do som, publico, muito menos onde me vou vestir. É sempre uma improvisação em tudo, inclusive a dança.
Imaginem que fazia uma coreografia pensada para um determinado espaço (e publico), chego ao evento e deparo-me com um ambiente completamente diferente daquele que tinha imaginado, onde a coreografia era impossível de ser realizada e não causaria o mínimo impacto... o que fazia? Ia-me embora? Não... atiro-me às feras improvisando cada segundo.
Claro que escolho cuidadosamente as músicas, que faço questão de as ouvir e conhecer ao pormenor antes de as dançar, é aí que a improvisação começa, no saber Ouvir a música. Também pela experiência que tenho dos inúmeros espaços e festas por onde já passei, sei qual o género de musica árabe que mais se adequa e causa impacto em determinado tipo de evento. O espaço é sempre uma incógnita. Posso ter sorte ou (o que acontece normalmente) deparo-me com corredores ou quadrados de de um metro por um metro para dançar e com as pessoas coladas a mim.
Como consigo brilhar dançando parecendo que é um espaço enorme, sem tocar em ninguém com bastões e véus... não faço a mais pequena ideia... acho que é o poder da improvisação e da própria Dança Oriental...