quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Minha Viagem ao Cairo - 4ªparte - A Dança no Cairo


Cada vez que vou ao Egipto aprendo sempre algo, é impossível que seja diferente e quanto mais vezes lá vou mais aprendo ou melhor compreendo a dança. Á medida que vou conhecendo melhor a cidade, as bailarinas, os locais onde ir vê-las, os professores, algumas perguntas que sempre questionei acerca da dança vão-me sendo reveladas.
Desta vez, percebi que no mundo árabe, mais precisamente no Egipto/Cairo existe dois tipos de dança: o folclore e a dança clássica/oriental.

O folclore ou a dança tradicional é completamente adorada por todos, é aquela que realmente vai ás origens do povo egípcio, é acessível e dançada por todos e toca no coração de toda a gente. Muitos dizem que essa é que é a verdadeira dança árabe e a que hoje vulgarmente conhecemos como dança do ventre não passa de uma exibição "barata" de vaidade e luxuria.
Eu adoro o folclore árabe. Tive a sorte de ir ver um espectáculo de Derviches (um género de dança folclórica dançada e tocada por homens) no palácio El Khoury, no mercado Khan el Khalili e aí é que pude assistir a um verdadeiro show de dança e música, simplesmente fantástico! Como eu gostava de partilhar convosco o talento que vi destes homens, são bailarinos e músicos que sem formação nenhuma montam um show de uma qualidade fora do vulgar. Adoraria mostrar-vos como os homens dançam maravilhosamente bem, sem imitações "abichanadas" como muito vemos por aqui. Só vendo...
O público marioritariamente estrangeiro mas também com muitos egípcios, vibraram com o poder e a riqueza que a dança folclórica transmite e foi só um estilo... também já assisti a um espectáculo (não nesta viagem, na anterior em 2007) da Reda Troup (companhia de folclore que actua não só no Egipto mas um pouco por todo o mundo, fundada pelo lendário Mahmoud Reda bailarino que deu a conhecer e dignificou a dança árabe no mundo) onde mostrava os vários estilos da dança floclórica e mais uma vez não há palavras para descrever a variedade que existe, é obrigatório ir ver! Um dia que tenham essa oportunidade não a percam, vale mesmo a pena ver como os movimentos, roupas, sons mais simples criam um efeito avassalador em todos que assistem.

A dança clássica, de cabaret, a que nós conhecemos como a dança do ventre ou Dança Oriental como é correcto dizer, surgiu numa evolução natural de haver a necessidade de requintar a dança folclórica, de modo a ser mais vistoso aos olhos de tantos estrangeiros que, na altura (estamos a falar do início do séc.xx), começavam a descobrir as riquezas do Egipto e claro que a dança não ficou indiferente.
E até hoje isso se mantém, ou seja, a Dança Oriental não é adorada e muito menos assecível à população em geral. Muitos acham a Dança Oriental pecaminosa e as bailarinhas prostitutas sem moral, que vão contra as leis islâmicas, simplesmente pelo facto de mostrarem o corpo em público.
É sim bastante consumida por turistas, que ainda têm a máxima de que, quando vão ao Egipto, têm de ver dança do ventre como quando vão a Roma têm de ver o papa. Assim, a Dança Oriental, no Cairo (e também pelo país fora) é dançada em night clubs de hotéis, nos famosos cruzeiros (barcos) muitos deles transformados também em night clubs, e em festas principalmente casamentos, como uma mais valia de entretenimento, que propriamente um espectáculo como nós imaginamos.Os egípcios que vão ver são normalmente pessoas com algum poder económico (estes espaço são caríssimos para a maior parte da população) e marioritariamente homens, que infelizmente, antes de ver a dança, vão ver a bailarina - mulher.
Durante alguns anos recusei-me a admitir que isto seria verdadeiro, mas é a mais pura e crua realidade. Não quero dizer que não apreciem a dança e que elas são mais streappers que bailarinas. Não! Eles realmente gostam de ver a dança mas apreciam mais o flirt que a bailarina faz e, com trajes que cada vez mais mostram o corpo, é impossível que eles não vejam a mulher. Percebem?
O pior são elas (bailarinas) e eles (managers e gerentes dos espaços) sabendo disto, aproveitam-se dessa carência social para chamar "clientela" a assistir aos shows. E como tudo no Cairo é negócio, se querem ver corpos dêem-lhes o corpo, a arte? Qual arte? O que interessa é ganhar dinheiro.... porque se não houver público, não há show, que por sua vez não há pagamentos a elas, aos seus músicos, managers e gerentes. E perguntam-me, não há o amor á arte de dançar por dançar? Não!! Há interesses...
Então vale tudo no mundo da dança no Cairo. Muitas delas perdem valores morais e deixam-se "vender" por estatutos e lugares nos melhores locais para dançarem (ou seja onde ganham mais dinheiro), algumas ainda vão com a ilusão de dançar pelo amor que têm á dança, mas logo se apercebem que ou entram no "esquema" ou são engolidas não tendo hipóteses nenhumas, outras valem-se do corpo que têm e encontram na dança o caminho para fugirem á pobreza, etc... há de tudo!
O público estrangeiro não percebe nada do que se passa e quando vão ver um show acabam por ficar com a ideia já pré-concebida de que a Dança Oriental é mesmo para seduzir. O público egípcio quer é ver o corpo, se por acaso até dançarem alguma coisa de jeito, melhor. E a dança no meio disto tudo não fica em segundo lugar, fica mesmo em último, sendo mais um pretexto para haver negócio, interesses, ilusões. É realmente desanimador...

Mas apesar desta triste realidade, a dança sobrevive e evolui como uma espécie em extinção que teima a adaptar-se e não a desaparecer. Embora no meio de tantos interesses, ainda se consegue ver, nalgumas bailarinas (cada vez menos), verdadeira dança. Conseguem, apesar de tudo que são sujeitas, ter verdadeiro talento e mostrarem criatividade e dança. São elas, que fazem a dança evoluir, reinventando, transformando, criando... e com elas adoro aprender e ver dançar, pois consigo ver para além de lantejoulas, pernas e ventres despidos, peitos quase de fora, maquilhagens berrantes, vejo dança... se todos vissem assim, principalmente os homens e também muitas mulheres, talvez as coisas mudassem. Mais uma ilusão...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Minha Viagem ao Cairo - 3ª parte - A Condição das Bailarinas

O que dizer das bailarinas/colegas que frequentaram o curso comigo e o que comentar das que fui assistir ao vivo... Todas nós de uma maneira ou outra definimos o que é a Dança Oriental nos dias de hoje, que é bem diferente de á uns anos atrás e será de certeza diferente no futuro.


Bom... Começo com as experiências contadas pelas minhas colegas nas longas horas de jantar, e o que eu descubro, surpreendente mente, é que a condição que tenho como bailarina cá, é igual em qualquer parte do mundo e que tudo depende da nossa atitude enquanto dançamos.


É verdade... sempre tive a ideia que trabalhar no estrangeiro, principalmente Europa é que seria bom, que em Espanha, França, Inglaterra, USA, e até mesmo no Egipto é que tinham verdadeiras condições e apoios para se ser bailarina. Tinham sempre bons locais onde dançar, com bons camarins, público educado que aprecia a dança e o nosso trabalho, não nos confundindo com uma stripper, como estava enganada... à medida que iam falando, revia-me totalmente nas suas experiências e pensava: "afinal não sou a única, todas elas passam o mesmo!"
A mesma luta de tentarem dignificar a dança (não se esqueçam que todas eram profissionais nos seus países com algum senso de auto-crítica senão não se dariam ao trabalho de se deslocarem até ao Cairo e pagar um curso bastante caro afim de aprender cada vez mais), a mesma guerra para que consigam ensinar convenientemente, a mesma desilusão quando o público é deselegante, a mesma força de tentar seguir sonhos, mesmo quando temos de dançar em locais menos próprios (para mim, todas as bailarinas deveriam dançar em espaços minimamente preparados para haver shows de dança, que como todos sabem não acontece com maior parte de nós), equiparmos em casas-de-banho imundas, andar sempre com a mala atrás com todo o equipamento, aturar a ignorância e ainda por cima assistir á imcompetencia de muitas mulheres que ainda usam a dança para se exibirem e seduzirem audiências masculinas sem perceberem um passo de dança.


Mas o grande "wake up" para mim, foi quando tive o privilégio de ir cumprimentar a Randa Kamel no seu camarim, antes do seu show no famoso Nile Maxim. Nem queria acreditar quando entrei... pior que muitos sítios onde já me vesti, fiquei mesmo de boca aberta. Era numa cave, num compartimento tipo arrecadação, com uma mesa e espelho pequenino improvisado, com uma cadeia e pouco mais. Esta foi mesmo uma chapada! Também quando assisti ao show da Dina, percebi onde se estava a trocar, para no final ir cumprimentá-la e o que vejo: trocava-se num escritório também improvisado. De novo outra chapada...

Imaginava: Randa Kamel, Dina, etc... divas da Dança Oriental, essas sim devem ter condições, a todos os níveis... mas não... enfrentam igualmente a mesma guerra que todas nós e pensam que o público é melhor só por serem elas?... irei noutro post contar-vos a luta que elas também travam.


Sinceramente senti um certo alívio e juro que nunca mais me irei queixar quando tiver de fazer omeletes sem ovos, afinal, fazem-nas um pouco por todo o mundo, até as divas...


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A Minha viagem ao Cairo - 2ª parte - O Curso


Ir ao Cairo significa para mim, entre outras coisa, ir beber da fonte (ou seja ir fazer aulas) e assistir a shows das minhas bailarinas preferidas.

A meu ver, quando se pratica uma modalidade, neste caso dança, de um país ou de uma cultura diferente da nossa, só se consegue progredir e compreendê-la quando vamos directamente a esse país ver como ela é e como é praticada na realidade.


A senhora Raqia Hassan, antiga bailarina da Reda Troup, percebeu á cerca de uma década atrás, isso mesmo, o quão importante e vantajoso seria criar um festival que reunisse vários bailarinos e professores maioritariamente egípcios, a fim de que centenas de profissionais por todo o mundo fossem directamente ao Egipto aprender a verdadeira Dança Oriental e assim levarem consigo essa aprendizagem e ensinarem/mostrarem aos milhares de alunos e curiosos que existe de por todo o mundo.


A ideia era fantástica e visionária. Já que a Dança era praticada por todo o lado, não só no Cairo, e já que tinha uma aderência por parte do público muito grande e quase imediata, porque não chamar esses bailarinos lá á fonte, ensiná-los, e depois irem pelo mundo fora mostrar a cultura árabe em forma de dança. Os árabes têm um orgulho muito grande da sua dança, e acham que eles melhor que ninguém é que sabem dançá-la, ou melhor senti-la, e não há melhor professor de Dança Oriental que um egípcio. Assim, já que querem dançá-la ao menos aprendam connosco! Era, e é esta a filosofia dos festivais organizados pela Raqia, mas como tudo no mundo árabe uma boa ideia vira um excelente negócio... e se dá certo então á outros xicos espertos a copiar essa mesma ideia e logo ela vira um pretexto para uma "guerra" que o objectivo é ganhar muito dinheiro e derrubar o adversário.

Infelizmente é o que se passa actualmente no Cairo. Quando à uma década atrás só havia um festival pequenino, com pouco apoio por parte de professores e bailarinos, existe agora vários festivais, workshops, cursos onde se pode aprender/aperfeiçoar a dança numa batalha declara, para ver quem consegue o maior número de "profissionais" e curiosos por todo o mundo adiram a tal festival ou curso.


Existe vários grupos que organizam eventos mas a guerra está instalada principalmente entre os dois maiores grupos: a organização da Raqia, que foi a pioneira e o Nile Group que lhe seguiu os passos.


Para quem tenha curiosidade e pretenda ir frequentar algum dos cursos, pessoalmente, e pelo o que oiço de várias pessoas que já frequentaram os festivais dos dois grupos, prefiro o que a Raqia organiza. Por três razoes: primeiro porque tendo sido a pioneira ainda detém os melhores professores, segundo porque vão lá ensinar e dançar nas galas as bailarinas mais conceituadas do momento (muitas temem a madame Raqia) e terceiro porque que já conheço a Raqia, os seus colaboradores e como funcionam, assim consigo o que quero sem ter de me chatear (muito). Este grupo só tem um grande incoveniente: é muiiiiiiiiito caro... quase o dobro do que o Nile group organiza. Estão a perceber a guerra, cada vez mais os festivais da Raquia têm menos pessoas, o que para mim é uma vantagem, quanto menos galinhas num capoeiro melhor e o Nile group vai cada vez mais ganhando terreno com mais alunos, por ser mais barato.


Também para que não sabe, a Raqia organiza três eventos por ano: o curso de folclore em Abril, o festival mundialmente conhecido e o que deu origem a tudo isto "Ahlan wa Sahlam" em Junho, e o curso para profissionais em Dezembro. O Nile group organiza por ano quatro festivais: um em Fevereiro, outro em Maio, outro em Setembro e outro em Novembro. Ou seja, há sempre algum a decorrer, para quem deseja ir lá e beber da fonte basta escolher de acordo com seus objectivos e finanças.


Como o meu objectivo é mais do que aprender coreografias ou movimentos novos, é compreender e assimilar a alma desta dança, prefiro, embora caríssimo, o curso que acabei de fazer aos festivais mais mediáticos.


É a segunda vez que faço este curso: Curso Intensivo para Profissionais, da Raqia Hassan. Não é um curso perfeito mas bastante completo e como o nome indica bastante intensivo. Trata-se de três workshops com a duração de três hora cada, com três professores diferentes. Ou seja estamos a falar de nove horas de dança por dia, com três coreografias diferentes de mais de cinco minutos cada uma, durante dez dia seguidos... é dose!!! Infelizmente, é impossível fazer todo o curso. Chega a uma altura que nem tens físico nem cabeça para aprender mais nada. A minha estratégia foi escolher os professores que fazia questão de participar nos seus workshops, assim, não me cansava com os que estavam ali só mesmo para encher horário. Como já conhecia quase todos, pude desta vez, assimilar mais do que que a primeira vez que fiz o curso e não ter ficado esgotada.


Foi muito bom... adorei cada professor que escolhi e conhecer outros. Recomendo vivamente!!!! É muitíssimo importante para quem quer fazer uma carreira séria de Dança que conheça e experimente vários estilos, mas quando de apaixona por um desses estilos continue a aprender com os melhores nessa área, e isso muitas vezes significa fazer sacrifícios e ir á procura fora do nosso país. A recompensa pessoal é grande e gratificante, garanto...


Também tive uma sorte enorme nas colegas de "turma". Algumas delas já conhecia do curso passado e as que conheci eram extremamente simpáticas, não houve atritos típicos de mulheres, até era bastante divertido quando saíamos juntas... éramos de quase todas as nacionalidades e mantemos contacto através do facebook! O que mais gostei, ao falar com elas, foi saber como é a condição das bailarinas de Dança Oriental um pouco por todo o mundo e as suas próprias experiências. Ficávamos ao jantar horas a falar... É incrível o que descobri! Conto no próximo post...






quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Minha Viagem ao Cairo - 1ªparte - A Cidade


Esta minha última viagem ao Cairo foi simplesmente fantástica. Não tenho palavras para descrever a sensação que sinto sempre que vou para lá, muito menos todas as sensações que tenho quando chego e lá estou. O Egipto é o meu segundo país, a sua gente e cultura são algo que me diz muito e por mais voltas que dê á cabeça não tenho explicação para a atracção que sinto por esta cultura.

Impossível descrever o Cairo. Por mais adjectivos que surgem na minha cabeça são infinitamente pobres para descrever esta cidade, por isso não vale a pena estar aqui a escrever grandes textos, vou sim "falando" e adjectivando o melhor que conseguir.

À medida que vão lendo este post, vão encontrar uma lista de palavras em letra grande, aconselho a transcrevê-las num papel e no fim terão uma vaga ideia do que é o Cairo.


Esta minha quinta experiência de estar quinze dias sozinha onde o IMPREVISTO é regra correu fantasticamente bem.

Passaram-se dois anos desde a minha última ida ao Egipto e desta vez o avião foi directo!!! O que foi para mim uma grande alegria e descanso (não fazem ideia as secas que já apanhei em ter de estar a mudar de avião) cerca de cinco horas depois de me ter sentado, desembarco e para minha grande surpresa, encontro um terminal novinho em folha. Assim, fica a dica para quem quer visitar o Egipto: a Tap está a fazer voos directos e vão encontrar um terminal limpo e organizado, bem diferente das outras vezes... é a ordem a chegar ao Cairo, será? Bom, duvido! Esta cidade é a DESORDEM total!

Assim que saio do aeroporto, a caminho do hotel onde iria ficar, começo a reconhecer o CAÓTICO Cairo de sempre mas desta vez e para minha surpresa, muito pouco já me CHOCA e SURPREENDE.

O BARULHO constante, os CHEIROS, as CORES, o ÁRABE falado muitas vezes bastante alto já me é familiar e sorrio com muitas coisas que vou vendo neste trajecto para o hotel, coisas que nas primeiras vezes ficava de boca aberta.

A única coisa que realmente me surpreendeu durante toda a minha estadia, foi a sensação que não tinham passados dois anos. Foi como se estivesse lá estado toda a minha vida, senti-me em casa, completamente á vontade. Graças a Deus, apanhei sempre bons taxistas que não chateavam muito em querer conversa e aceitavam quase de imediato o valor que propunha, até os regateios no mercado correram bem. Estarei eu a tornar-me egípcia? Bom, maior parte das vezes confundiam-me como uma.


Tenho dois dias livres antes de começar o curso.

No primeiro, aproveito para encomendar os meus trajes nos ateliers que já conheço e ir para a um dos meus locais preferidos no Cairo - Khan al-Khalili - o famoso mercado. Odiado por muitos, adorado por outros este "CENTRO COMERCIAL CAÓTICO" a céu aberto para mim é lugar simplesmente MÁGICO directamente tirado dos livros de fantasia. Passo lá a tarde comprando e rindo das babuseiras que vou ouvindo, já não perco tempo a ficar ofendida com os assédios, simplesmente ignoro. É CÓMICO observar os vendedores nas "lojas" e ambulantes enquanto aprecio um chá e fumo uma xixa, parece mesmo que estou dentro de uma BANDA DESENHADA, é INCRÍVEL como existe uma certa ordem, para nós ocidentais INCOMPREENSÍVEL, na desordem que aparentemente existe. Eles lá se entendem, muitas vezes melhor que nós cá.

Depois das minhas obrigações comerciais feitas, decido que no dia seguinte iria rever as PIRÂMIDES e passar a tarde na CITADELA.


Como disse, é a quinta vez que aqui venho e é a segunda que vou ás pirâmides. Senti uma necessidade de ir vê-las e rever, o porquê de elas serem um dos monumentos mais fascinantes de todo o mundo. Mas em vez de me lembrar desse fascínio, relembro do porquê de nunca mais lá ter ido, é que mais uma vez tal como da primeira, este passeio revelou-se uma verdadeira DESILUSÃO. É verdade, ia lá para meditar um pouco, admirar as belas obras que elas são, estar sossegada com os meus pensamentos, mas isso torna-se impossível quando se tem de cinco em cinco minutos "melgas" a chatearem-te por tudo e por nada. Simplesmente os vendedores, guias, os que te oferecem passeios de camelo ou a cavalo, crianças não te largam seduzindo com tudo e mais alguma coisa. Acho que não entendem a frase "não, muito obrigado" e melgam até cedermos ou perceberem que não estamos para brincadeiras. São muito, muitos chatos e demasiadamente inconvenientes, piorando se percebem que estamos sozinhos, já para não falar se estás sozinha e és mulher (mulher estrangeira que passeia sozinha é igual, na cabeça dos árabes, prostituta á procura de clientes). Como relembrei a desilusão que é ver as pirâmides...


De tarde fui a outro local que também só tinha ido uma vez, a Citadela. Este local, para mim é LINDO, de lá temos uma vista panorâmica para toda a cidade, e aí tem-se uma pequena noção do quão GRANDE é. Nota-se também que o Cairo está assente no deserto e a POEIRA que se vê a pairar no ar misturado com a extrema POLUIÇÃO que existe é constrangedor para qualquer habitante deste planeta, mas os egípcios estão-se "borrifando" para este tipo de problema ocidental. O que vejo também deste terraço são as construções todas monocromáticas, muitas inacabadas e sujas, mas mesmo assim, não deixa de ter algo MÍSTICO nesta paisagem... só vendo. A Citadela foi a "casa" dos governantes egípcios por mais de 700 anos, começando a ser construída a 1176 dc por Saladino, onde se encontra lá uma das MESQUITAS mais bonitas que alguma vez vi. Mais uma vez o assédio para que compres alguma coisa é grande, mas o que achei mais interessante neste local foi o CONTRASTE entre PROFANO e RELIGIÃO. Para entrar na mesquita tinha de estar toda coberta e descalça, mas assim que punha os pés fora, esqueciam o lugar sagrado que estávamos e o que interessava era que eu comprasse algo... dá que pensar... esta atitude fez-me lembrar uma passagem bíblica que fala sobre os vendedores no templo. Acho que se Jesus fosse lá enfurecia-se mais uma vez em ver tanta hipocrisia: lá dentro tens de ser santo, cá fora podes ser o maior sacana... enfim...

Os restantes dias foram passados a ter as aulas, a ir ver as bailarinas que gosto e espectáculos de folclore.

É realmente uma cidade que deveria ser obrigatório todos irem. O meu conselho é aventurarem-se. O Cairo é uma cidade que se ADORA ou se ODEIA, surpreendam-se em ir conhecê-la. De uma coisa tenho a certeza, vai superar qualquer ideia que tenham dela. Eu adoro...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Workshop dia 30 Janeiro! Não perca!


Workshop de Dança Oriental com Sara Naadirah
“Aperfeiçoamentos Técnicos do Estilo Egípcio”

30 de Janeiro (sábado) – 10h às 13h30

Local: escola de dança Dança Livre
Rua Marquês de Fronteira, nº76, Campolide

Programa :
Com a sua experiencia de sete anos como bailarina/professora, Sara Naadirah, já lhe habituou a um estilo próprio e inconfundível mas puramente egípcio de Dança Oriental. É o seu desejo, partilhar consigo, os conhecimentos que adquiriu na sua mais recente formação para profissionais no Cairo, Egipto.
Assim, propõe-lhe um workshop dirigido a todos os amantes e curiosos desta arte, a fim de aprender e aperfeiçoar os movimentos característicos desta dança:
1ª parte - introdução/desenvolvimento/ aperfeiçoamento /esclarecimento de dúvidas, da técnica base (círculos, rectas, ximis, deslocações, acentuações, etc) e como aplicar esses mesmos movimentos na música ao mais puro estilo egípcio.
Intervalo – espaço onde pode colocar as suas questões e curiosidades sobre o Universo da Dança Oriental, saboreando um chá tipicamente egípcio;
2ª parte – realização de uma pequena sequencia para sedimentar os conhecimentos adquiridos, que poderá repeti-la com qualquer música .

Nível Aberto:
- para todos os níveis, até mesmo para quem nunca fez e quer experimentar.

Será entregue:
- certificado de participação.

Preço: 45€

Inscrições:
- para se inscrever terá de fazer o pagamento de no mínimo 25€;
- através de transferência bancária para o nib: 0007 0271 0015 0604809 65 (BES);
- os 20€ restantes terá de os entregar á professora no dia do workshop;
- se preferir pode fazer a transferência do valor total;
- quando tiver feito a transferência, terá de avisar para o e-mail: saranaadirah@mail.pt ou 91 425 82 56 informando o seu nome, telemóvel, e o valor que transferiu.

Dúvidas e mais informações contacte:
-
saranaadirah@mail.pt
- 914258256
- facebook.com/sara.naadirah
- http://saranaadirah.hi5.com