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Mensagens

Depois da Revelação

Falar e expor-me, em ambiente de aula perante mulheres que anseiam aprender comigo, intimida-me. E sempre me intimidou. Porque sei o peso da responsabilidade. Ensinar esta arte é muito, mas muito mais que "passar" técnica. É conseguir ir ao encontro da alma bailante que cada aluna tem, inspirá-la e motivá-la sobressair.  Confesso que estava nervosa. Acho que nunca, mesmo já tendo passado tantos anos, deixo de me sentir insegura e apreensiva. Não quero aplicar mal as palavras, não quero confundi-las, quero que a mensagem seja clara. Falar em publico é-me ainda, constrangedor. Mas, quando o fazemos com verdade, com sinceridade, de mulher para mulher, algo mágico acontece e tudo flui. Acho que foi isso que aconteceu na formação d`O Ventre em Nós: magia. Vi mulheres carentes de respostas que gritam por companheirismo. Querem sentir que não estão sozinhas e que afinal, nós, profissionais somos humanas tal como elas. Poder, nestas ocasiões especiais, passar as minhas experiencias, re…
Mensagens recentes

Revelação

Não é novidade que estive afastada de actuações durante os últimos três anos.Tive de o fazer.
Catorze anos de actividade intensa entre aulas, workshops, mentorias, espectaculos e atuações nos mais variados espaços, desfoca. E pior, há o perigo de nos tornamos máquinas. Chegou a um ponto que aquela vontade, estimulo e vigor tinham desaparecido... estava cansada, esgotada, sem a força que me caracteriza... física e psicologicamente. Parar, na altura, não me era opção (julgava eu) e assim a vida dá um twist obrigando-me mesmo a fazer uma pausa. Essa pausa tem o nome de maternidade. Gerei e criei a minha obra prima. E todo este tempo estive focada na minha pequena Raquel. Custou-me muito estar afastada mas, agora entendo que foi necessário. Tive o tempo e o espaço que precisava para pensar, ou melhor, sentir, qual seria o meu caminho na dança de entre tantos que hoje em dia o universo desta arte "permite". Depois de achar que nunca mais voltaria a dançar, dei por mim a ter saudade…

O Ventre Em Nós . Mais do que um simples evento

"THE MOST IMPORTANT THING IS TO TRY AND INSPIRE PEOPLE SO THAT THEY CAN BE GREAT IN WHATEVER THEY WANT TO DO"
 Kobe Bryant

Este é o meu lema, desde que comecei a lecionar Dança Oriental, há 17 anos atras.
Para bem - e para mal porque há sempre o reverso da medalha - a Dança Oriental, está espalhada e implementada um pouco por todo o mundo. Partiu da fonte, ramificou-se e hoje em dia existem milhares de bailarinos e com eles, mil e uma possibilidades de ensino e aprendizagem. 
Há festivais, palestras, workshops, escolas, espetáculos, competições, viagens, encontros, etc, sem contar com todas as plataformas digitais disponíveis hoje em dia. Mas, pergunto: será que a qualidade é constante?... Claro que sim, mas também tenho a certeza que não. E não vale a pena dizer-se o contrário.
Eu, como disse anteriormente, já anda nisto há algum tempo e, falando do mercado em Portugal que é onde estou inserida, venho-me apercebendo o quanto a nova geração de bailarinos sente falta de uma proxim…

Entrevista à FantasticTV

Ao longo dos anos, foi rara a vez que dei uma entrevista. Mas eu gosto muito de responder a perguntas que me façam pensar. Esta entrevista que dei à Fantastictv.pt pela mão da Rita Pereira, foi-me desafiante. Adorei e  assim terminei o ano 2019 da melhor maneira.
Aqui está: http://www.fantastictv.pt/2019/12/fantastic-entrevista-sara-naadirah.html?m=1&fbclid=IwAR19q9nlttVjErmFUFzNCQHntyEyAo8jv0xfFFtpRVxOEqJ4eCFthJuoEic




E foi num piscar de olhos...

E foi num piscar de olhos que chego aos 40 anos. É verdade. E sou daquelas que não esconde a idade. Amanhã, dia 1 Agosto faço anos, quarenta primaveras. Acho que não é uma idade qualquer. Ao fazer 40 anos deixo para trás a primeira metade da minha vida. E foi MARAVILHOSA. Apesar de todas as dificuldades, obstáculos e desafios - esta última década foi lixada - faria tudo de novo (talvez alguns twists pelo caminho) mas não me arrependo de nada. Tive momentos e alturas que me fizeram o que sou hoje e que me marcaram para a vida, se calhar, para várias vidas. Tenho saúde e a minha família também, estou viva e tenho tudo o que necessito. Não tenho do que me queixar. Começa agora a segunda metade. Já mais madura e calma, naturalmente passei a agir com ponderação. Continuo intuitiva, com "fogo no rabo" como se costuma dizer mas mais sensata. Penso no que digo, no que escrevo e danço como se fosse última vez, porque pode ser sim a última vez. Passei a ter noção que a vida se vai ex…

Porque máquina, eu não sou!

Eu, não escolhi ser bailarina. A Dança me escolheu, disso, tenho a certeza. Nasci assim. Inquieta, criativa, intuitiva. Não gostava (não gosto) de falar, gosto de comunicar com o corpo. E é isso que a Dança é para mim: um dialogo. Mas há na nossa vida, momentos de recolhimento que convidam à introspecção. Eu estou nesse momento. Assim o intui, e como sempre, faço o que quero. Esta é uma das grandes lições que a Dança Oriental me ensinou: fazer respeitar a minha vontade. Depois de 15 anos de vida profissional intensa como bailarina, professora, etc... senti a necessidade de fazer uma pausa. Durante essa pausa nasceu a minha filha - a minha criação mais audaciosa e exigente - e com ela tudo mudou. O nosso corpo transformasse, a nossa mente ganha outras prioridades, o nosso espirito amadurece, o nosso ego arrefece. Hoje sou outra pessoa. Durante estes últimos (quase) três anos mantive-me quieta, observando e refletindo - e esta é outra grande lição que a D.O. me mostrou: OUVIR, VER e PE…

Os Primeiros 24 Meses do Resto da Minha Vida

Foram precisos dois anos para conseguir escrever este post.  24 + 9 meses intensos e transformadores. Tal como no texto anterior - Assim Nasceu uma Mãe - precisei de tempo, distancia e lucidez para que estas palavras que aqui vou escrever sirvam-me como uma catarse. Partilho-as porque sim. Porque é preciso dar voz. Porque sinto que há mulheres a precisar de lê-las, de homens a precisar de compreender e uma sociedade a precisar de ter consciência. Porque muito se fala sobre o "cor-de-rosa" da maternidade mas pouco sobre o seu "cinzento". Eu irei partilhar o meu "cinzento" com toques "cor-de-rosa" que nada mais é que somente a MINHA verdade, sem pretender ter comparações, competições ou julgamentos que resultem em criticas ou conselhos (des)construtivos.
Há pouco tempo, enquanto a minha filha brincava num parque infantil, eu, desabafava chorando para a amiga que estava comigo. Por momentos, tive a impressão que muitas das mulheres que ali estavam tam…