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Pergunta 10 - Em todo o teu percurso, oque mais te incomoda?

 Que, vezes sem conta, tenham tentado "sabotar" a minha essência. Passo a explicar: eu desde muito, mesmo muito nova, sabia o que queria fazer. Queria ser bailarina. Sempre o soube. E, sempre o verbalizei. E sempre me tentaram dissuadir dessa ideia. Desde pequena. Ouvia: isso não é profissão; isso é só para alguns; não tens corpo para isso; tens é de estudar; isso não é nada; como assim bailarina?; isso depois passa-lhe; não tens talento; podes dançar desde que faças outra coisa... outra coisa séria; não consegues ir longe com a DO; não te metas no meu caminho que eu esmago-te; ensinar...?; talvez só nível iniciado, mais não consegues. E muito mais... teria aqui uma lista infinita. Sim. Durante toda a minha vida não acreditaram que tinha nascido artista, bailarina de essência. Podia aprender a dançar e actuar mas,... desde que... ouvi de tudo. O que mais me custa é ouvir da minha família. Sim, nunca gostaram. Acabaram por respeitar "esta minha estranha forma de vida"
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Pergunta 9 - Depois de teres sido mãe, o que mudou como bailarina?

Tudo e Nada... O que mudou foi a minha mente. As minhas prioridades. O meu tempo. A minha disponibilidade. Física ou tecnicamente nada mudou. Não fui daquelas mulheres que adorou estar gravida, nem daquelas bailarinas que amou dançar com um barrigão. Pelo contrário... resguardei-me porque aquele estado, aquele bébé que se gerava era meu. Só meu. Não quis partilha-lo dançando. Dei aulas sim até ao 7 mês e posso dizer que havia movimentos que notava ou melhor, sentia, que ela não gostava. Ela não gostava que me mexesse muito... incomodava-a. Actuações fiz só uma, estava quase de quatro meses... foi bom... mas senti que não ousava, não estava completamente entregue aquela dança e aquela atuação. Foi aí que decidi que queria resguardar-me. Depois do parto, tive de me dar tempo. Ter um filho é duro. E para bailarinas ainda mais. Há uma cura física que demora e nessa altura, pensei mesmo que nunca mais conseguiria dançar... não sentia o meu ventre como antes... os movimentos não fluíam..

Pergunta 8 - O que mais te entusiasma no teu trabalho?

 A infinita possibilidade e a total liberdade para criar. Nasci artista. A criatividade é-me inata. Adoro o processo de criação. Seja no que for. Ideias surgem-me quando menos espero, resultado da observação atenta que faço de tudo que me rodeia. Depois vem o trabalho de estruturação para colocar essas mesmas ideias em projectos. E, depois, o trabalhão que dá concretizar esses projectos.  Independentemente do julgamento que sempre vou ter, nunca me rendi ao obvio, às modas ou ao que esperam de mim. Sinto-me EU, que me respeito e honro sempre que faço aquilo que me apetece. Tento sempre, isolar-me do ruído externo para conseguir ouvir-me e perceber o que quero ou como me sinto. E, nesta fase da minha vida, não luto contra, simplesmente aceito. Deixo fluir. A meu ver, esta liberdade que conquistei, esta consciência de mim (resultado do meu percurso e valores éticos que nunca subestimei) é o que me dão suporte para criar. E é a criar que me sinto verdadeiramente livre. E é esta liberd

Pergunta 7 - O que menos te entusiasma no teu trabalho?

 As infinitas horas que passo a promover e a arranjar trabalho. Só para deixar bem definido: Eu sou bailarina. Mas não uma bailarina incluída numa companhia de dança. Sou bailarina freelancer. Não tenho agente, empresa ou assistente, ou seja, sou eu que me represento, promovo, agencio, angario e gere. E é grande, ou melhor, a maior parte do meu tempo é a fazer isso mesmo: trabalhar 1000% para conseguir 10% de dança propriamente dita. As pessoas não sabem o trabalho que dá, nos dias de hoje, ser bailarina a freelancer. E digo nos dias de hoje porque há quase 20 anos atras, nos meus primeiros anos profissionais, não precisava de estar tanto tempo em frente a um pc ou agarrada às redes para conseguir onde dançar e para quem ensinar. Era mais simples. Talvez mais eficaz. Agora, trabalho muito mais na net que no palco. Ensino mais online que no estúdio. Tornou-se obrigatório estar na rede, coisa que há uns anos atrás era opcional. E isso consome horas do meu dia e muitas vezes partes da

Pergunta 6 - O que as alunas significam para ti?

Tudo. São elas o motor de todo o meu trabalho. Há 18 anos que ensino e posso dizer que já passaram por mim, centenas de alunas (houve uma altura que tinha, entre vários locais, mais de 100 alunas) e todas elas, de uma certa maneira, me ensinaram ou marcaram. Posso também dizer que "cresci" com elas. Motivam-me, desafiam-me, entregamo-nos, inspiramo-nos. Nas minhas aulas, apesar de estar eu a orientar, há uma troca de energias e uma partilha. Eu partilho a minha dança, experiências, momentos de vida e elas a sua vontade de aprender, as suas visões e a sua amizade. É um círculo de mulheres que se juntam em nome da Dança Oriental que engloba muito mais que técnica de dança. Algumas delas, tornaram-se amigas para a vida. Outras ainda hoje me enviam mensagens embora já não as veja há anos. Pequeninas bailarinas que ensinei anos atras não se esqueceram de mim e muitas, mesmo muitas, ainda se lembram de citações, observações que fazia (e faço) nas aulas que lhes serve para a vida. F

Pergunta 5 - Qual é a tua maior inspiração?

 A VIDA. As minhas vivencias. Experiências. Boas e Más.  Sei que esperavam que dissesse que seria uma bailarina, um mestre, um familiar, um amigo... mas não. São as experiências que tenho com todos eles. Porque a dança aprende-se no estúdio mas dançar aprende-se com a Vida.   São também os filmes que assisto, as pinturas que observo, os concertos que oiço, os espectáculos que me marcam. São as viagens que faço. São o contacto com outras culturas que adoro. É VIVER, é estar atenta, é ouvir, é observar, é pensar, é sentir. É explorar o meu Eu. É ser Eu própria. E acabo por ser a minha maior inspiração. Porque tudo depende de mim. Mas, posso dizer que quando vou dançar, seja em aula, seja no palco ou no meu recanto, a música acorda algo em mim. Esta suporta os meus movimentos e justifica a emoção que transparece neles. Não há dança sem música e toda a música é embelezada pela dança. É o meu estado de espírito - que vem dessas minhas vivencias - que faz escolher uma determinada musica mas

Pergunta 4 - Porquê a Paragem?

Esta questão, mais que uma pergunta, suscitou e suscita muita curiosidade. É verdade que, durante um período, parei. De ensinar, de dançar, de aparecer. Porque assim teve de ser. Eu não queria, mas a Vida impôs-me. Tive actividade intensa durante 14 anos seguidos. E quando digo intensa quero dizer várias horas por dia a dar aulas, quase todos os fins de semana a dançar em eventos, mentoria de workshops e cursos pelo país. Foi mesmo muito trabalho a abrir caminhos e a dar a conhecer a Dança Oriental, numa época onde as redes sociais e o "online" ainda não eram uma moda. Chegou a um momento, que sinceramente... estava exausta. Física e psicologicamente. Nós bailarinas, para além do trabalho físico que todos "aparentemente" entendem, temos uma pressão enorme em arranjar trabalho, alunos, eventos, etc... nada, mas mesmo nada nos cai do céu e nós acabamos por ser as nossas próprias empresárias e promotoras. Este trabalho de bastidores é... exaustivo e muitas vezes frustr