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O Tabu do Corpo Feminino - Parte I

Vou contar-vos um episódio que aconteceu comigo: A minha filha tinha cerca de um ano e meio quando, finalmente, tive a possibilidade de uma "nigth out". Ia, com o meu marido, jantar a casa de uns amigos. Deixei tudo preparado - não fazem ideia a logística que é necessária - para deixar a Raquel (já a dormir, pois só adormecia ao meu colo) com os meus sogros e poder ir socializar fora do circuito das "recem-mamãs". Era a minha primeira saída à noite em mais de ano e meio... Comprei roupa nova, maquilhei-me, arranjei o cabelo e lá fui super entusiasmada. Tudo corria bem durante o jantar. Estavam lá amigos de longa data e conheci outros. Até que um dos participantes, do nada, vira-se para mim e para o meu marido, em alto e bom som e diz: "Oh Sara?!... Tu estás muita gorda!!! Como é que isso aconteceu?? Oh pá... Talvez o Fernando goste! AhAhAhAh!!!!"       Não. Não estam a imaginar a minha cara... caiu-me tudo... não tive reação e só me apeteceu enterrar-me
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Pergunta 15 - Qual o teu balanço deste ano?

E assim chegamos à última pergunta desta série Tu Perguntas / Eu Respondo e, ao final deste ano... e que ano... Óbvio que foi um ano atípico onde o mundo se virou de cabeça para baixo. O planeta deu-nos um abanam. A natureza reagiu à nossa inconsciência. O ser humano viu-se "à rasca". Não preciso de dizer que foi um ano desafiante que levou muitos ao limite. Tirar-nos o tapete assim, de repente, é lixado. Confesso que no início tive receio por mim e pelos meus, mas tive também muita esperança que seria agora que algo começaria a mudar. Tem mesmo de mudar. Vai mesmo mudar. E quem não se adaptar... morre. Vivemos algo assustador sim, mas único, muito mais profundo do que inicialmente imaginei. Quis saber mais e quando comecei a compreender o que realmente se passava o medo desapareceu. Adaptei-me ao momento e novas oportunidades se abriram para mim. Talvez, e mais uma vez, o poder que a Dança Oriental tem em mim agiu e improvisei ao minuto tirando o melhor partido de cada etapa

Pergunta 14 - Nos dias de hoje, achas que é mais fácil ou mais difícil ser bailarino de D.O.?

É difícil ser bailarino. É muito difícil ser bailarino no nosso país. É muito, muito difícil ser bailarino de D. O. É muito, muito, muito difícil ser bailarino de Dança Oriental no nosso país... e no mundo. Antes, hoje e desconfio, no futuro. Porquê? Porque a nossa era (e eras passadas, se analisarmos a História da D.O.) não está preparada para o potencial da D.O. Porque o preconceito continua de era para era, de sociedade para sociedade, de geração para geração. E, atrevo-me a dizer, de bailarino para bailarino, de professor para aluno, de público para bailarino... Porque muitos (bastantes até) de nós - bailarinos, alunos, amadores, curiosos - trabalhamos com D.O. e não PARA a D.O. Servimo-nos, mas não dignificamos. Perpetuamos, talvez sem dar conta, comportamentos que deturparam completamente a verdade da D.O. Porque a D.O. mexe com o feminino. O mais íntimo do que é ser Mulher. Conceito que está, ainda, perdido. Fechado. Atrofiado. Deturpado. Porque um bailarino de D.O. tem um vocab

Pergunta 13 - Qual foi a maior lição de vida que a Dança Oriental te deu?

1ª - Apreciar e viver no momento; 2ª - Saber usar a intuição; 3ª - Comunicar. Na verdade não foi uma, nem duas mas muitas lições... mas estas três foram as mais marcantes. 1º - A Dança Oriental ensinou-me a perceber que há o momento presente. Não focar nem no passado, nem futuro. Saborear o presente. Percebi isso na própria dança em si, quando me exigia constantemente concentração no passo que estava a executar.  Percebi que a D.O. é um conjunto de movimentos e o que estamos a executar é o resultado do anterior e o preparativo do próximo. Isso fez-me entender que o  momento do agora é que é precioso. Transportei isso para a minha vida, pois a de uma bailarina acaba por ser uma dança. O passado deixou legado, e o futuro resulta de um presente bem vivido. 2º - Para improvisar - primeiro na dança e depois na vida - tive de desenvolver a intuição. Todos temos intuição, ou o sexto sentido como quisermos chamar, mas silenciamo-lo. A dança desperta esse sentido e, se assim nos permitirmos, de

Pergunta 12 - Como Preparas Aulas e Actuações?

Não tenho um guião específico. Tenho é uma bagagem de anos de experiência. E a intuição como matriz. Uso-os a meu favor. Simples. Parece, não é?! Mas na verdade não o é. Falhei muitas e muitas vezes. Perdi outras vezes. Desiludi tantas vezes mas, quase 20 anos de prática regular a dar aulas e a actuar dá "escola" e cada vez menos erras.  Tanto nas aulas, como nas actuações, percebo rápido quem tenho à minha frente e adapto-me à situação, ambiente e objectivo. Acaba sempre por ser um improviso com base na experiência que colecionei. E, tenho uma regra: ser eu. Desde sempre. Entrego-me 10000%. Aquele publico - sejam alunas ou espectadores - merecem que dê o meu melhor. Que mostre a minha melhor versão. Sempre. E é assim, também, uma das minhas maneiras de dignificar a Dança Oriental. Claro que sei sempre, previamente, o objectivo daquela aula. Ou o porquê daquela actuação e, também, com base nisso escolho estrategicamente, músicas, figurinos, estilos de dança, temas e o que vou

Pergunta 11 - #saranaadirahmethod, o que é?

Sara Naadirah Method, é o resultado de 18 anos dedicados à Dança Oriental. São 18 anos a dançar como profissional, são 18 anos a ensinar, são 18 anos a coreografar, a mentorear, a pesquizar, a falar sobre, a desenvolver um método com a minha visão da Dança Oriental. Com a minha assinatura. É o meu legado. Um método só meu onde público e alunos cofiam. Um método com verdade e eficácia onde espelha a minha maneira única de partilhar o meu amor e respeito por esta Arte. Nele, estão anos de trabalho técnico diário. Anos de experiência. Todo o meu percurso. Todas as dores e alegrias. Todas as descobertas e decepções. Todos os erros, quedas mas também vitórias e conquistas. Todos os meus sonhos. Todas as pessoas que conheci. Todas que me virão e aprenderam comigo. Todos os mestres com que me cruzei. Este método criado por mim, sou eu. Inteira. A dar tudo de mim para quem quiser conhecer o meu trabalho, a minha dança. Para quem quiser simplesmente me conhecer.

Pergunta 10 - Em todo o teu percurso, oque mais te incomoda?

 Que, vezes sem conta, tenham tentado "sabotar" a minha essência. Passo a explicar: eu desde muito, mesmo muito nova, sabia o que queria fazer. Queria ser bailarina. Sempre o soube. E, sempre o verbalizei. E sempre me tentaram dissuadir dessa ideia. Desde pequena. Ouvia: isso não é profissão; isso é só para alguns; não tens corpo para isso; tens é de estudar; isso não é nada; como assim bailarina?; isso depois passa-lhe; não tens talento; podes dançar desde que faças outra coisa... outra coisa séria; não consegues ir longe com a DO; não te metas no meu caminho que eu esmago-te; ensinar...?; talvez só nível iniciado, mais não consegues. E muito mais... teria aqui uma lista infinita. Sim. Durante toda a minha vida não acreditaram que tinha nascido artista, bailarina de essência. Podia aprender a dançar e actuar mas,... desde que... ouvi de tudo. O que mais me custa é ouvir da minha família. Sim, nunca gostaram. Acabaram por respeitar "esta minha estranha forma de vida"