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Os Primeiros 24 Meses do Resto da Minha Vida

Foram precisos dois anos para conseguir escrever este post.  24 + 9 meses intensos e transformadores. Tal como no texto anterior - Assim Nasceu uma Mãe - precisei de tempo, distancia e lucidez para que estas palavras que aqui vou escrever sirvam-me como uma catarse. Partilho-as porque sim. Porque é preciso dar voz. Porque sinto que há mulheres a precisar de lê-las, de homens a precisar de compreender e uma sociedade a precisar de ter consciência. Porque muito se fala sobre o "cor-de-rosa" da maternidade mas pouco sobre o seu "cinzento". Eu irei partilhar o meu "cinzento" com toques "cor-de-rosa" que nada mais é que somente a MINHA verdade, sem pretender ter comparações, competições ou julgamentos que resultem em criticas ou conselhos (des)construtivos.
Há pouco tempo, enquanto a minha filha brincava num parque infantil, eu, desabafava chorando para a amiga que estava comigo. Por momentos, tive a impressão que muitas das mulheres que ali estavam tam…
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E assim Nasceu... uma MÃE.

Ela dorme profundamente. Está silencio e, só agora, passado oito meses desde o nascimento da minha filha é que consigo - FINALMENTE - sentar-me com calma ao computador e retomar o blog. Não escrevo desde Junho. Não consegui. Disse que o voltaria a fazer em Novembro passado... antes de ela nascer disse tanta coisa... pensei tanta coisa... e já se passou tanta coisa. Precisei de tempo. Tempo para criar alguma distancia e assim ter capacidade de raciocínio e destreza emocional para este post. É um texto que me é difícil, mas que me exigi escrevê-lo. Escrevo-o para mim, para recordar, arrumar pensamentos, acalmar sentimentos e para pôr em palavras como foi e como é esta minha nova vivência. Ao partilhá-lo espero que chegue ao coração de muitos e à alma de de quem é mãe.
Eu demorei 36 anos a querer ter um filho. Nunca entendi o tal "relógio biológico a dar horas"(aliás, ainda hoje não percebo o que isso é) e desejo de engravidar. Muito pelo contrario! Fugia "a sete pés" de…

Até breve...

Não adianta. Esta pequena que cresce dentro de mim (ainda me parece tão estranho), não me dá disposição para mais nada senão cuidar dela e do do seu bem estar. Quer sossego, quer que eu durma o tempo todo, não gosta de esforços e está-me a tirar a memória... nunca andei tão desmemoriada e distraída como agora. Suga-me toda a energia... toda a minha criatividade dirige-se para ela.
Gerar um ser e ter de  continuar a gerir a nossa vida não é fácil... ter de lidar com uma avalanche de emoções, dúvidas, medos e poucas certezas é avassalador. Entrei num universo que é completamente novo. Percebê-lo está a dar imenso trabalho. Ser assaltada com dezenas de concelhos,  sem cair no erro de me deixar de ouvir é exaustivo e grande parte das vezes confuso.  Eu e ela, só queremos silencio... paz. E como já me sinto mãe, faço-lhe a vontade. Os próximos meses irei dedicar-me a este rebento 200000...%. Pergunta: Não te importas que isso aconteça? Resposta: Não. Sei que ela depende totalmente de mim. Eu esco…

Um Estado de Graça ou Engraçado?

Bem... depois de dois meses a vomitar a toda a hora, agora sinto-me bem melhor. Afinal, o que as minhas colegas grávidas me diziam na aula de yoga era verdade: vai passar o enjoo e mal-estar, vais ver! E passou.  Sinceramente, houve alturas que duvidei se teria forças para aguentar mas, nós mulheres, somos feitas de uma fibra divina. Agora percebo porque somos nós a gerar e a dar a luz outros seres humanos. Aguentamos tudo por um bem maior ou melhor: por um filho... A barriga não para de crescer... é estranho mas encantador ao mesmo tempo... sentir um ser dentro de nós tem tão de belo como de assustador.  As emoções, mais uma vez, são comparáveis a uma montanha russa... e o sono... ai o sono... É um estado de graça ou engraçado?... ainda estou a perceber.


A Preparar o Meu Maior Espectáculo

Eu sei... Eu sei... Tenho andado desaparecida. É que a vida é mesmo uma caixinha de surpresas e, quando menos esperamos, ela vem e dá uma volta de 180º virando-nos de cabeça para baixo. É o que me tem acontecido nos últimos meses. Um turbilhão de reviravoltas e emoções. Posso anunciar aqui em primeira mão e para o mundo, que estou a preparar o meu maior espectáculo de sempre! O afastamento foi de proposito, pois estou a criar. E para este espectáculo, o processo criativo está - literalmente - a vir das entranhas. Será diferente, o meu maior projecto, um grande desafio e, um receio enorme. Nele, terei um papel diferente, onde a técnica será puramente intuitiva. Vai todo ele depender totalmente de mim e será memorável... para o resto da vida. Já tem título: VOU SER MÃE ;)

A insegurança

Acho que, o meu pior inimigo é a insegurança. Odeio esta palavra, odeio ainda mais senti-la. Sim. Sou insegura. Há que admiti-lo. O chato da insegurança é que ela tem vários tentáculos. Um deles é o medo, outro é o pessimismo , outro falta de confiança, entre muitos...e, lidar com este bicho é lixado. Se o alimentarmos ele vai engordar de tal maneira que nos engole e aí... desacreditamos-nos. Por uma outra perspectiva, o monstro tem outro lado. Um pouco de insegurança torna-nos humildes, lembra-nos que somos humanos, que falhamos, que caímos mas que nos podemos levantar e corrigir os erros. A insegurança também nos faz andar para a frente. Dá-nos coragem e atitude quando tudo e todos à volta nos tornam inseguros.
O curioso é que ela (insegurança) adapta-se e aparece com várias faces. Na face de um amigo, pai, mãe, irmão, namorado, professor... é mesmo lixada. Como em tudo, onde está o equilíbrio? Como manter a fera bem alimentada mas não gorda demais?  Será que a conseguimos controlar? Ou o…