quinta-feira, 29 de abril de 2010

Comemorações e/ou hipocrisias?

Quem me conhece sabe que sou directa, sincera e honesta. Já perdi muito por não conseguir ser cínica, e há quem ache que sou muitas vezes indelicada naquilo que digo e/ou pense. Simplesmente detesto fingimentos, o politicamente correcto, o abraço dissimulado para depois nos apunhalarem pelas costas. Como diz uma colega minha: se fosse burra, estúpida e hipócrita as coisas eram muito mais fáceis... mas não sou! Graças a Deus! E assim, as dificuldades, os obstáculos, as decepções são lições de vida que me tornam forte e cada vez com menos receio de desafiar-me e aceitar o que a Vida me traz.
Digo isto porque acho, muito sinceramente, o dia da dança uma tremenda hipocrisia... como o dia da mãe, pai, trabalhador, mulher, periquito, etc...
É só nestes dias que se lembram de "comemorar" o facto de ser mãe, pai, mulher? Quantos milhares de mães, mulheres, pais, trabalhadores precisavam de uma ajuda real, todos os dias, e não um só dia, que é simplesmente "comemorativo".
Assim é igual o dia da Dança. Hoje todos comemoram dançando, que é excelente!
Muitas pessoas lembram-se que há muito não dão um pezinho de dança, outros decidem que é agora que vão começar, outros recomeçar, é uma festa na televisão, mostram bailarinos, companhias de dança, escolas... lembram como é importante dançar, como é uma Arte tão velha quanto o próprio Homem, enfim... tudo dança... fantástico... mas amanhã a dura realidade e luta de muitos bailarinos talentosissímos sem trabalho e sem oportunidades continua.
Preferia mil vezes não haver o dia da Dança e em vez disso haver uma real ajuda e reconhecimento do sacrifício e dedicação cega que milhares de bailarinos tem às suas artes. Que não só num dia lembram-se de dançar, mas que lutam diariamente pela dignificação, criação e ensino das mais variadas disciplinas da dança, sem ajudas nem apoios, simplesmente porque amam Dançar... não só no dia 29 de Abril.
Esta é a minha opinião verdadeira, não é o que é politicamente correcto... mas é o que sinto...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Quando o desrespeito começa a ser intolerável

Cena da última noite de um espaço onde costumo dançar.
Estava a fazer a minha performance quando oiço um grupo, que estava confortavelmente sentado e em grande "galhofa", bem á minha frente, a falar bem alto como se nada se passasse, fulana diz:
- então não vem cá empregado nenhum para saber o que queremos tomar?
Outra fulana responde:
- acho que só vem alguém quando esta parar de dançar...
E a primeira fulana responde:
- fogo!!! que seca...
Juro que me apeteceu parar de dançar naquele preciso momento e perguntar-lhe:
- se não gosta de ver dança, e não lhe apetece esperar que eu acabe o meu trabalho, porque é que veio? Ou não leu á entrada: Hoje - Dança Oriental com Sara Naadirah? Sim tenho nome e não é "esta"!!!
Claro que continuei a dançar sempre o melhor que consigo, ignorando e fingindo que não ouvia muita da audiência, infelizmente não só aquele grupo, a falar alto e sem ligar a mínima ás minhas performances. Pensam que não custa? Custa sim, e muito...
Primeiro porque, se não apreciam dança, particularmente, Dança Oriental para que é que vão a espaços onde a há?
Segundo porque, já que lá estão e há consumo mínimo, então porque não aproveitam tudo o que o espaço oferece?
Terceiro porque, todas as pessoas que estão a executar o seu trabalho merecem o respeito devido, independentemente, se gostam ou não. E no meu caso, que o trabalho é dançar, o respeito que esse público deveria ter era no mínimo estar calado.
Muitos que irão ler isto, pensarão: "que convencida, é mesmo egocêntrica, agora queria que as pessoas que lá estão parassem de conviver, só porque está a dançar..."
Não! O que peço é o que qualquer artista (também) deseja: RESPEITO.
Aceito que não gostem de Dança Oriental, aceito que não apreciem ver-me dançar, até aceito que nem me estejam a ver, mas que fiquem calados. Para mim, estarem a falar (ainda por cima elevam o tom de voz, pois a música está mais alta) enquanto danço, ou qualquer outra minha colega dança, ou qualquer outro artista mostra a sua arte, seja ela qual for, é uma forma de desrespeito para com essa pessoa. O mesmo que se passássemos por um varredor de rua e atirássemos, á sua frente, lixo para o chão.
Consigo habituar-me a quase tudo, menos isto! E cada vez mais fico chocada com a falta de sensibilidade e respeito pelo próximo. Ainda no passado sábado fui ao cinema, e por três vezes tive de mandar calar a senhora que estava ao meu lado. Ela de certeza que pensou que estava a ver o filme em dvd, na sua casa (até o telemóvel atendeu!) e tive de recordar-lhe que não, mas para ela incomodar os outros parecia um dever... começa a ser mesmo ridículo...
E perguntam-me: se não gostas que te façam isso, então porque vais dançar em espaços propícios a conversa?
Porque apesar de tudo há sempre alguém a prestar atenção, que realmente aprecia o que vê, calado e emocionando-se. E por essas pessoas, vale a pena... mas que revolta, à isso revolta!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Tudo tem o seu tempo...


Esta é uma das lições de vida que mais me custa a aprender.
Eu sou fogo, ansiosa por natureza, quero tudo para ontem, e por isso precipito-me inúmeras vezes, arrependendo-me mais tarde. Não custa nada esperar pelos momentos certos, mas saber esperar é que me custa. Saber qual o momento certo é-nos revelado nesse mesmo instante e assim tudo flui...

Queremos e queremos e, não deixamos o Tempo/Universo abençoar-nos com as suas dádivas muito mais sábias que nós poderíamos adivinhar.
Realmente tudo tem o seu tempo, mas não é o nosso tempo. É quando pode ser. É quando estamos preparados para tal.
Não é fácil percebermos e aceitarmos que há algo muito superior a nós que nos guia e ensina, pois também para isso precisamos de tempo. Ás vezes o tempo de uma vida inteira.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Primeiro Festival em Portugal...


Finalmente conseguiu-se realizar, graças á coragem de alguns, o 1º Festival Internacional de Dança Oriental em Portugal. O nosso país já merecia algo assim, e devo confessar que achei fantástica a iniciativa do qual me propus desde o inicio em colaborar.

Realizar um projecto destes em Portugal não é difícil, é dificílimo!!! A ajuda por parte de entidades que podem disponibilizar espaços e condições técnicas não colabora em nada e se puderem ainda atrapalham. Só o facto de convidar "estrelas" internacionais a vir cá dar show e workshops é de uma responsabilidade e de um encargo financeiro enorme. Se corresse mal, o nosso país e as organizadoras ficariam com o nome manchado... dá para imaginar...

Por isso é de louvar o trabalho que a Filipa e a Cris desenvolveram e acho que foi importantíssimo ter havido este primeiro festival, semelhante ao que acontece internacionalmente, os amantes da Dança Oriental em Portugal precisam de alargar os seus horizontes e ver os diferentes estilos.


Na minha opinião os workshops correram muito bem, e pessoalmente adorei os do Khaled. Simplesmente porque ele tem o estilo e o conhecimento que mais aprecio: o egípcio. O que gostei mais dele foi o interesse que ele teve em realmente ensinar e passar um pouco da "história" da Dança Oriental. Tirou-me algumas dúvidas, que muito boa gente nos meus cursos no Cairo não conseguiam responder. Achei-o fantástico e uma excelente pessoa.


O espectáculo acabou por correr bem, apesar de inúmeras falhas técnicas que mancham o nosso país aos olhos dos estrangeiros. Infelizmente, como disse à pouco, os responsáveis e técnicos dos espaços não colaboram, o interesse é ganharem dinheiro. Quem vai lá para cima do palco que se desenrasque. É mesmo assim...


Adorei rever algumas colegas de quem eu admiro e respeito e ex-alunas de que tenho muitas saudades.

Enfim, foi divertido, enriquecedor, mas com muitas arestas a limar, uma iniciativa excelente para quem não tem oportunidade de sair do país, a fim de ter mais conhecimentos de Dança Oriental.

Espero que haja mais...

terça-feira, 13 de abril de 2010

www.ANDO.com.pt - Torne-se sócio!

Como sabem a Associação Nacional de Danças Orientais - ANDO foi criada a 29 de Dezembro de 2010. Agradecemos a todos os que possibilitaram a concretização deste sonho e vimos, por este meio, informar de alguns eventos que serão desenvolvidos durante o ano 2010-2011.

Contamos, desde já, com a vossa presença! Ao tornar-se sócio terá vantagens no:

- 1º Curso Profissional Ibérico para Profissionais de Dança Oriental (Curso com Yousry Sharif, Mahmoud Reda, Khaled Mahmoud, Nesma, Irene Sham`s, e Juan)

- 1º Curso completo de Dança Oriental de nível iniciado (que contará também com a presença de várias professoras/bailarinas e que será pioneiro no sentido em que será elaborado um manual de nível básico que terá um programa, um vocabulário e uma forma pedagógica uniforme e que será adoptado pelas professoras envolvidas).

- Espectáculo "Symbiosis" que contará com a presença da Companhia Nacional de Dança Oriental e do grupo Al-Banat (Espectáculo único que juntará num mesmo palco profissionais portuguesas e Espanholas para além da presença da Professora/Bailarina Claudia Cenci.

- Festa Let`s Raks de Inverno que promoverá o convívio entre todas as pessoas que tenham vontade de participar e dançar, num espírito de partilha e boa disposição.

- Espectáculo "ANDO a Dançar..." Espectáculo cuja bilheteira reverterá a favor da ANDO de forma a ajudar na prossecução dos seus objectivos.

- Curso Completo de Folclore Egípcio com Shereen Gendy, 1ª bailarina solista na folk Company de Alexandria, tendo representado o Egipto um pouco por todo o mundo.

Outros Assuntos de Relevância:

- Inscrições - As inscrições para se tornar Associado da ANDO e poder usufruir de uma série de descontos e vantagens podem ser feita on-line através do preenchimento de um formulário que se encontra no nosso site http://www.ANDO.com.pt

- Compra Produtos/Serviços ANDO - Brevemente e ainda durante o ano transacto será disponibilizado um serviço que permitirá comprar produtos/serviços da ANDO. A ANDO mais perto de si!

- Parcerias - Lembramos ainda que estamos no momento a avaliar e efectuar algumas parcerias, colocando-nos ao dispor de todas as entidades/particulares interessados para prestar quaisquer esclarecimentos.

VENHA DANÇAR COM A ANDO...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Infelizmente não consigo agradar a todos


Pois, é isso mesmo que leram: Não consigo agradar a toda a gente, infelizmente... ou não...

Era bom que todos concordassem com tudo que fizesse e dissesse, que cada vez que dançasse todos aplaudissem de pé, que o mundo fosse cor-de-rosa e o pai natal existisse.

Mas não é assim...

Vivo com os pés bem assentes na terra e cada vez mais me apercebo que, quando nos mantemos fiéis a nós próprios, sem fingimentos e hipocrisias socialmente correctas, há (sempre) quem não goste.

Paciência... vivi muitos anos calada, fechada no meu mundo, com medo de não ser aceite.

Com receio de me excluírem, ria quando não achava piada, seguia quando achava que aquele não era o caminho, comia o que não gostava, não opinava, chorava e entristecia-me sozinha.

Queria mostrar que estava sempre bem, nada me afectava... pura ilusão, só para parecer bem aos olhos dos outros, até que a dança me mostrou que sou conseguimos ser felizes connosco próprios se formos autênticos, diferentes, mas no fundo iguais, a todos. Originais como só cada um consegue ser...

Neste processo de aprendizagem/descoberta infinita da Dança Oriental percebemos o nosso lugar neste mundo e cumprimos os nosso destino de uma forma verdadeira, honesta para connosco e com o resto que nos rodeia. A dança acima de tudo ensina-nos a Respeitar-mo-nos, primeiro a nós próprios e consequentemente com o mundo.

Para agradar a todos teria de me negar, e ser uma Maria vai com as outras, e isso mataria a minha essência, a minha alma e a minha dança.

Gosto de pegar em assuntos polémicos e graças a Deus que há variedade de opiniões.

Há sim muita gente que critica, mas há o dobro que assina em baixo...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Workshop - Coreografia Moderno Árabe

Workshop de Dança Oriental
com
Sara Naadirah

“Coreografia Moderno Árabe”

08 de Maio (sábado) – 10h30 às 13h

Local:
escola de dança Dança Livre

Programa:
Aprendizagem de uma coreografia, de estilo moderno e puramente egípcio.
Com a sua experiência de já sete anos de ensino de Dança Oriental e da sua mais recente formação no Cairo, Sara Naadirah idealizou uma coreografia onde irá poder perceber movimentos e a ligação destes com a música pop.
Poderá também tomar conhecimento do que mais actual se faz hoje em dia no universo da Dança Oriental., que se encontra em constante evolução.

Actualize os seus conhecimentos,
Evolua a sua dança…


Será entregue:
- certificado de participação e cd com a música do workshop.

Preço: 35€

Inscrições:
- para se inscrever terá de fazer o pagamento de no mínimo 20€;
- através de transferência bancária para o nib: 0007 0271 0015 0604809 65 (BES);
- os 15€ restantes terá de os entregar á professora no dia do workshop;
- se preferir pode fazer a transferência do valor total;
- quando tiver feito a transferência, terá de avisar para o e-mail: saranaadirah@mail.pt ou 91 425 82 56 informando o seu nome, telemóvel, e o valor que transferiu.

Dúvidas e mais informações contacte:
- saranaadirah@gmail.com - 914258256
- facebook.com/sara.naadirah
- http://saranaadirah.hi5.com

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Afinal o que é ser humilde...

As bailarinas ouvem muitas vezes a palavra humildade, que temos de ser, viver e actuar com humildade. Concordo plenamente...
Mas o que é humildade? E quem é que pode dizer a outro tu és e tu não és humilde?
Socialmente uma pessoa humilde não ostenta riqueza nem vaidade, procura ser útil mas discreto e pede ajuda fazendo questão de dizer que não sabe tudo. Que pessoa humilde seria esta! E quase perfeita...
Lamento desiludir, mas não tenho todas essas características! Sou humana, tenho defeitos e muitos... como todos vocês!
Para mim, humildade é um valor que se adquire logo na infância e se desenvolve ao longo da vida. Mas acho que há vários graus e muitíssimas definições de humildade. O que pode ser para mim uma acção humilde para outro é algo bem diferente. Quantas vezes agimos ou dizemos algo que pensamos, que é natural aos nossos olhos, mas somos logo julgados: "Não és nada, humilde!"
Penso: como bailarina, posso ser humilde? Vocês dir-me-ão: Claro! Tens mais é que ser humilde!
E eu digo: Claro que tenho de ser e actuar com humildade, mas o que é ter humildade na dança?
É ter vergonha de dizer que tenho talento, que tenho sucesso, que luto todos os dias pelos meus sonhos e sou feliz pelas escolhas que fiz? É refrear os meus sentimentos, medir as minhas palavras, não magoar com a minha escrita, dançar o que querem ver? É negar-me a mim própria para agradar?
Lamento mais uma vez, mas se uma bailarina humilde é isso, então não o sou!
Para mim (e isto é a minha opinião pessoal, não é um valor absoluto) ser uma pessoa, e no meu caso ser uma bailarina humilde é:
- admitir as suas qualidades e virtudes, falhas e defeitos;
- acima de tudo ser fiel a si própria, tenho os meus valores que não os "vendo" só porque fica bem;
- SER realmente bailarina e transmitir ARTE cada vez que danço, não só um amontoado de movimentos, ter a responsabilidade de saber o que se está a fazer;
- é ter esta filosofia: ser fiel á minha intuição, aprender com os erros que vou cometendo e estar atenta ao mundo/pessoas pois tenho muito ainda que aprender;
- respeitar os outros tendo consciência que posso crescer espiritualmente com cada exemplo de vida, boa ou má.
Também se confunde muito a falta de humildade com arrogância?
Ou será muitas vezes se confunde arrogância com a ousadia?
E não será que a ousadia de uns causa a inveja de outros?
E esses outros que acusão tantos outros, de falta de humildade/arrogantes, não serão eles os primeiros a terem esses mesmos "defeitos"?
Será o acto de criticar/julgar um acto de humildade?
"Quem és tu para atirar a primeira pedra..." se calhar são aqueles que realmente têm a verdadeira falta de humildade... digo eu...