quinta-feira, 31 de julho de 2014

A poucas horas dos meus 35 anos...


"A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver cerca de 70 anos. Porém, para chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão. Aos 40 anos, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas, das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo, se curva. Apontando contra o peito, estão as asas, envelhecidas e pesadas, em função da grossura das penas, e, voar, aos 40 anos, já é bem difícil! Nessa situação a águia só tem duas alternativas: deixar-se morrer... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá recolher-se, em um ninho que esteja próximo a um paredão. Um lugar de onde, para retornar, ela necessite dar um vôo firme e pleno. Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa atitude acarreta. Espera nascer um novo bico, com o qual irá arrancar as suas velhas unhas.Com as novas unhas ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses, "renascida", sai para o famoso vôo de renovação, para viver, então, por mais 30 anos.
Muitas vezes, em nossas vidas, temos que nos resguardar, por algum tempo, e começar um processo de renovação. Devemos nos desprender das (más) lembranças, (maus) costumes, e, outras situações que nos causam dissabores, para que continuemos a voar. Um vôo de vitória. Somente quando livres do peso do passado (pesado), poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz."
Autor Desconhecido

Eu não sei se este texto é verdade ou não, mas, resume o meu trigésimo quarto ano de vida.
A poucas horas de completar 35 anos faço, como sempre, uma retrospectiva da minha vida e concluo que, tal como a águia, tive a necessidade  - ou melhor urgência - neste último ano de me resguardar para não morrer. Tão simples como a águia, voei para o meu ninho interior... Recolhi-me, Aprofundei-me e Renovei-me para poder VIVER ( no sentido pleno da palavra).
Foi um ano de total isolamento com um afastamento consciente de tudo e todos que poluíam a minha mente e alma. Foi um ano de reflexão do que fiz, de quem sou, do que quero através de  uma profunda meditação com direito a lágrimas, dor e desespero. 
Foi duro... é violento quando não negamos um processo de cura e percebi que, é quando aceitamos a dor e abraçamos o nosso próprio sofrimento que conseguimos ultrapassar esse momento mais facilmente. 
Mais uma vez, foi nos instantes em que dançava que a cura acontecia e lembrava-me que, como em tudo, os momentos de dor também passam. 


Dizem também os entendidos no assunto que, aos 35 anos, completamos e damos início a uma nova etapa de sete anos nas nossas vidas. Com ela, enterramos um velho EU (velhos hábitos, atitudes, pensamentos) e nasce uma nova verdade. 
Acho que têm razão. Ao atravessar por este processo de renovação pelo qual TINHA de passar, sinto que uma nova ERA nasceu para mim. Aquilo que tinha de me aperceber, apercebi-me. Aquilo que tinha de ver, agora vejo. Aquilo que tinha entalado na minha garganta/alma, agora grito.
Interiorizei o que é AMAR-ME. O que é VALORIZAR-ME. Mergulhei ainda mais fundo em saber quem SOU. 
Com todos os meus defeitos e virtudes, sei agora que SABER VIVER, SER FELIZ e ser completamente responsável pelas minhas decisões e opções - ou seja, SER UMA MULHER LIVRE - ofende muita gente mas, FINALMENTE, percebi que não isso não é um problema meu. É de quem se sente incomodado pela minha liberdade / vida / felicidade.
Desresponsabilizei-me de qualquer culpa de ser quem sou e de fazer o que faço e, com esta nova e restruturada atitude, o meu foco nunca foi tão preciso e claro.
Após 150 dias, a águia voou forte, com plena saúde e vigor.
Eu, após 365 dias, "voei do ninho" limpa e renovada. Dançarei a dança da vida, com mais sabedoria, maturidade e felicidade.
Parabéns a mim!!!


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Aulas - Época 2014/2015


Aulas Dança Oriental
OEIRAS e LISBOA
2014 . 2015

1 Outubro 2014 a 30 Julho 2015

Destinado a todos que pretendem aprender dignamente a arte milenar que é a  Dança Oriental.
O meu método, reconhecido e eficaz é o resultado de 11 anos de ensino a centenas de alunos.

ATREVA-SE A EXPERIMENTAR E SURPREENDA-SE!!

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OEIRAS

No espaço: Prema Yoga
Rua de Belém, 22A  2780-005 Oeiras . 917768208 / 919195035

4ªs Feiras:
Nível Iniciado– 19h45 às 20h45
Nível Intermédio– 20h45 às 21h45

Mensalidade: 37,5€
Inscrição: 15 inclui seguro


Informações e inscrições contacte: saranaadirah@gmail.com ou 914258256

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LISBOA

Espaço DANÇATTITUDE
Travessa Escola Araújo 3ªA, Estefânia, Lisboa . 965 127 123

3ª e 5º feiras:
Nível Iniciado– 20h às 20h45
Nível Intermédio– 20h45 às 21h30

Mensalidade: 37,5€
Inscrição: 15€ inclui seguro


Informações e inscrições contacte: saranaadirah@gmail.com ou 914258256

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Lições de Vida e de Dança X (e última) - Quero Dançar como EU: Resgate e Ressurreição

Ao longo dos últimos meses, compactei - o que chamei Lições de Vida e de Dança - o que eu achei mais importante da jornada que é viver da e para a Dança.
Nesta última (pelo menos por agora) lição, partilho o que para mim foi e é, a mais importante dádiva que a Dança do Oriente me deu: a RESSURREIÇÃO e RESGATE do meu EU.

Sim, esse meu EU - a minha essência - quando conheci a Dança Oriental, estava morta. Não me reconhecia, não sabia quem eu era, onde me encaixar. Estava completamente perdida.
Ao crescer numa sociedade que nos prepara academicamente - com  a perspectiva que tal profissão nos dará o sucesso (material) esperado - e não espiritualmente, muito menos emocionalmente, experienciei ainda muito jovem a sensação de me sentir anormal por pensar de uma maneira diferente e, excluída por agir e falar o que não era suposto.


A pressão, quando somos jovens é tanta e a nossa preparação interior é tão pouca que, na altura, para ser aceite, deixei-me domar. Anulei-me durante alguns anos afim de me tentar adaptar a um  mundo , que agora vejo, é de um cor-de-rosa sujo, podre e falso.
Tentei ser "normal", tentei incluir-me, fazer o que era esperado e o "correcto" mas não consegui... a Dança e todo o seu processo de aprendizagem resgatou-me do abismo que me estava a atirar. 
Ela (Dança Oriental) obrigou-me a olhar para o meu EU. Obrigou-me a conhecer-me, a amar-me, e deu-me os alicerces para ter a coragem de assumir quem  sou. Sem medo e sem reservas. Finalmente percebi que não sou "anormal"... sou original. E tudo que sentia em jovem não era "mau", simplesmente era a minha verdade a desabrochar a fim de encontrar o meu lugar neste mundo.


O mais engraçado é que, durante o meu percurso na Dança Oriental e quando já bailarina profissional, tentei também ir pelo esperado, pelo óbvio, por aquilo que é mais comercial, negando, mais uma vez, aquilo que realmente sentia e queria.
Experienciei também (como em jovem) a sensação de ter de ser aceite e a angustia de não gostarem da mim ou da minha dança. E, também mais uma vez, não consegui adaptar-me ao que não ia de encontro à minha essência.
Ao negar tal caminho - do esperado e do regulado - mergulhava cada vez mais fundo do que é ser bailarina desta Arte. E isso deu-me a clareza para resgatar-me da minha própria acomodação e de tronos já conquistados e ilusórios.
Percebi o que o minha intuição gritava: que esta Dança é muito mais que, vulgo, a dança do ventre ou bellydance enfeitada com purpurinas e moedinhas nas ancas de egos desfeitos e doentes. 
Encontrei, dentro de mim, um linguagem orgânica e dinâmica que não se traduz em meras coreografias superficiais... Descobri a Dança Ancestral e Sagrada dos nossos antepassados. É a Dança do Oriente. É a minha Dança que não preenche rótulos, modas ou fantasias. Preenche-me a mim. 
Ressuscitei o meu Eu e, criei a minhas próprias directrizes que resulta numa dança original, única e auto-confiante. 

Todas estas experiências a que eu chamo VIVER, deu-me destreza e força para desenvolver um estilo de vida atípico mas real e sincero. 
Todos os dias me lembram que sou estranha, que não sou normal. Que deveria fazer isto e aquilo. O mundo tenta abalar o meu Eu. Mas, cada vez que danço - seja numa aula, palco ou num canto - esta, lembra-me ser fiel a mim própria , à minha individualidade e autenticidade. Cada vez que danço, ressuscito um pouco a minha verdade e fortaleço-me emocionalmente afim de não aceitar pressões que aniquilem - de novo - o meu Eu e que  me desviem da minha missão.


Sim. O caminho da Dança Oriental fez-me querer dançar e viver como eu. Não como o fulano tal e  a não ter nenhum tipo de preconceito ou reserva em partilhar com o mundo.
Sim. Eu danço/vivo como EU - a maior e a mais importante lição que a dança me ensinou.