terça-feira, 23 de abril de 2013

Perguntam-me, muitas vezes, se vivia se não dançasse

Perguntam-me muitas vezes se vivia se não dançasse. 
Resposta: vivia.

A dança faz parte da minha vida, da minha personalidade, é a minha melhor forma de expressão e comunicação mas não me define por inteiro.
Eu acredito - porque o sinto na pele - que ser bailarina e depender da dança para viver requer muito mais que paixão pela mesma. Requer um amor incondicional por esta Arte, mas sobretudo requer uma constante dádiva a tudo que me rodeia, uma constante procura que vem de dentro.
Estar fechada num estúdio e dançar de manhã à noite não me preenche em nada. Passar o dia a ver vídeos do youtube de performances ou estar constantemente a ouvir musica árabe seria tortura para mim. Não é a fechar-me num mundinho da fantasia criado por mim que irei dançar melhor.
A minha dança define-se em TUDO que faço em cada segundo. 
As minhas ideias para shows tenho-as a ver um filme, a ler uma revista enquanto como um belo bolo. A minha forma de fazer exercício é a passear a minha cadelinha. Medito enquanto brinco com ela e com os seus amiguinhos caninos.
É a resgatar um animal perdido e fazer reencontrar o seu dono (como o fiz no outro dia), é em ajudar um idoso no supermercado, é em participar em manifestações em prol do que achamos justo, é FAZER em vez de somente clicar nos "likes" do facebook, é PARTICIPAR e APOIAR os meus colegas indo aos seus espectáculos, é visitando outros países e vendo outras artes que arranjo FORÇA e VONTADE para continuar a dançar profissionalmente passados 10 anos. 
É assim que me consigo reinventar ano após ano, dança após dança com coreografias 100% improvisadas. A minha imaginação não tem fim porque crio um poço - dentro de mim - de experiencias vividas que  transparecem quando danço.
Eu simplesmente vivo e só faço aquilo que me apetece, e apetece-me muita coisa sem ser só a dança.
Por isso, vivia sim se não dançasse... mas não era, de certeza, a mesma coisa.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

dancer ON FIRE


Já disse mil vezes e torno a dizer: dançar é mais que simplesmente despejar graciosos movimentos. 
Ser bailarina é mais que um corpo em movimento... é ter a capacidade de querer  "voar" sem rede, é nunca ficar acomodada no seu ego, é saber que tem um fogo dentro de si que nunca quererá sentir apagado. É sobretudo amar VIVER.


Na minha dança, está reflectido 33 anos de experiências. 
Quando danço, não tenho máscaras, não represento. Mostro aquilo que sou e aquilo que sinto no momento. Não pretendo agradar multidões, nem públicos específicos.  Sou antes de mais fiel a mim própria, e por isso enquanto danço, há numa "conversa" sincera numa linguagem universal com quem me assiste. 
Transmito energia dançando e, quer sejam portugueses, egípcios, americanos, chineses, etc... são antes de mais seres humanos, raça a que pertenço e que sente - embora muitas vezes negue - essa energia.
Essa linguagem pura, simples e universal que vai muito além das demagogias se é egípcio, árabe, moderno, clássico, fusão... é dança. E é com a MINHA dança que consigo chegar à Alma de quem assiste como uma flecha de guerreiro.



Perguntam-me muitas vezes se a minha dança é coreografada. Não, não é! Não consigo coreografar-me... improviso, na dança e na Vida. Saboreando cada segundo, mesmo que nem todos os minutos sejam bons. Há horas terríveis que questionamos tudo e todos... faz parte da chama ardente de um bailarino, de um artista. Há dias frustrantes, como muitas vezes tenho performances que ME são uma desilusão, mas os anos têm sido fantásticos!



I`m on fire! Ontem, agora e espero sempre, só assim faz sentido dançar, viver.