quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Atenção: Comunicados!

Informo que:
1º - a Dança Oriental NÃO FAZ CRESCER A BARRIGA!!!!!!!!!!!!!
Não sei de onde saiu este mito, que quase parece um mito urbano. Minhas queridas alunas, praticantes de Dança Oriental e curiosos pensem: enquanto estão a dançar estão a comer? Enquanto estão a dançar estão paradas? Enquanto dançam estam ou não a queimar calorias? Claro que estam a queimar calorias e não a ingeri-las! Daí conclui-se que não estamos a criar barriga estamos a combatê-la, certo?! Mas acontece que a Dança Oriental vai de encontro á fisionomia de cada mulher, que me leva a fazer outro comunicado.
2º - Para os homens e obcecadas: AS MULHERES TÊM VENTRE!!!!!!!!!!!! e uma camada de gordura natural que o envolve.
Certo rapazes e fanáticas do ventre liso?! Na fisionomia da mulher é natural aparecer uma "barriguinha" que normalmente é do umbigo para baixo. Desculpem rapazes mas nascemos assim e não com barriga lisa e abdominais salientes como vocês (alguns, cada vez menos) pois temos ventre, lembram-se? Para sermos mães!
Não percebo porque é que as mulheres, muitas vezes por imposição masculina ( não se esqueçam que a moda é criada 90% por homens) teimam em rejeitar o que é natural. Não digo com isto que tenhamos peso a mais ou gordura a mais na zona abdominal, até porque essa é a gordura mais prejudicial, mas daí a ser liso!!! Por favor...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dinheiro - é realmente um mal necessário?

Quantos de nós já esteve na situação de querer uma coisa ou ambicionar fazer algo mas não consegue. Não porque não possa ou porque não tem capacidade, simplesmente porque não tem dinheiro para o fazer ou ter. Quantos de nós já não dissemos ou pensámos: " se me saísse o euro milhões..." fazia e acontecia os nossos mais secretos desejos. O dinheiro é realmente um "mal necessário" que muitas vezes "compra" sonhos, mas será que estamos preparados para os concretizar ou seria milhões na mão de uma criança e quando estivesse-mos a viver o que tanto queríamos, eles não virariam pesadelos?
O que é que nós realmente sabemos para a nossa vida? Será que muitas vezes o que nós tanto queremos não é simplesmente um capricho?
Eu nunca fui e não sou uma pessoa materialista, para mim o mais importante na vida não é trabalhar para ter um carro ou a casa com piscina, etc... para mim o mais importante é Viver e sentir que estou a fazer algo que não desperdice a minha vida. Alguns dos meus sonhos já os realizei, outros estou a realizar e muitos ainda estão a por concretizar, mas há um em particular, que poderia mudar completamente a minha vida, dando-lhe mais sentido, que está a custar muito a concretizar-se por simplesmente não ter dinheiro.
O que me faz reflectir porquê.
Sempre conquistei o que queria e o dinheiro necessário para tal sempre "apareceu" como se o universo conspirasse a favor e tudo se realiza de forma natural e fluída sem precisar de grandes batalhas mentais para arranjar o tal "mal necessário".
Há um ano que luto por um dos meus maiores sonhos na vida e não há maneira de ele se realizar, parece bloqueado, o universo para este não quer conspirar a favor e o dinheiro é o grande entrave, mas porquê que desta vez não "aparece" como das outras vezes? Será que esse bloqueio financeiro é o reflexo de algo mais profundo que eu não esteja a perceber? Será que não está na altura de o realizar e teimo em querer já? Será que não é para mim esse sonho? Serei eu o problema que impede a realização desse mesmo sonho? Será que devia lutar mais por ele? Será que estou a ser preguiçosa e pessimista? Será... será...
Não sei... só sei que tenho projectos e ambições que estão na "gaveta" á espera que a fada madrinha dê um toque com a sua varinha...
Que ela apareça, e depressa pois a ansiedade é grande e as constantes tentativas frustradas na luta vão cansando...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

As Minhas Memórias - 3ª parte - A Descoberta do Oriente


A Vida ás vezes traz-nos surpresas que nunca imaginámos, nem nos nossos sonhos mais ousados.

Para mim, durante muitos anos, a dança resumia-se a uma única modalidade: o Ballet. E foi precisamente no último ano que fiz ballet e que iria desistir de dançar, que de repente ouvi uma música diferente...

Eu era rececionista na escola de dança que frequentava: Academia de Dança de Lisboa que infelizmente já não existe, e reparei, que nesse ano lectivo (Setembro de 2001) ia haver uma nova modalidade: Dança Oriental. Nunca tinha ouvido falar em semelhante dança, juro que não fazia ideia do que se tratava e só pelo nome não me suscitava nenhum interesse. Aconteceu que numa das vezes que estava na recepção, sem fazer quase nada, começou uma aulas da tal dança e oiço a música. Foi magia! Aquela melodia entrou em mim como um suspiro que fez com que acordasse de um sono profundo. Não sei explicar, mas aquele tipo de música era-me familiar, e ressuscitou-me de tal maneira que fui espreitar a aula.

Claro que passar de espectador a praticante foi um passo. Comecei as aulas logo de seguida e tinha assim começado uma nova era na minha vida. Não fazia a mais pequena ideia do quanto me iria mudar e influenciar.

As primeiras aulas foram dramáticas. Parecia sei lá o quê a dançar, era um cubo de gelo e mesmo com 16 anos de dança não conseguia fazer praticamente nenhum movimento digno de Dança Oriental. Conseguia imitar bem a professora, até tinha coordenação, mas detestava ver o efeito quando me via ao espelho (é-vos familiar esta sensação?) sentia-me gorda, mal feita, feia, sem jeito nenhum. Mas não desistia, havia qualquer coisa divina que me mantinha nas aulas e acho que sempre foi a música. Adorava (e adoro) música árabe...

Lá fui continuando as aulas (mantendo as aulas de ballet ao mesmo tempo) e nelas fui-me obrigando a realmente ver-me no espelho, não só olhar, mas Ver-me. Á medida que ia aprendendo e fazendo os movimentos mais básicos da Dança Oriental, ia-me sentindo. E aos poucos fui percebendo que já não era assim tão má a figura que fazia, afinal não estava assim tão gorda, não estava assim tão feia, até é bem bonito estes movimentos em mim... fui-me apercebendo do incrível corpo que tinha, o quanto era bela, e o quanto é fascinante dançar.

Curiosamente, tantos anos de dança clássica e eu nunca tinha realmente dançado. Fazia exercícios, passos de dança, executava lindamente coreografias, mas dançar!? Foi nas aulas de Dança Oriental que comecei a dançar, sentir a música, expressar-me através daqueles movimentos tão simples mas complexos que, devido á carga energética que continham, "obrigaram-me" a desabrochar como uma flor na Primavera. Mas se pensam que este processo durou umas aulas, não, durou mais de um ano e esse desabrochar continuou e após 8 anos ainda continua... E foi precisamente nesse ano, que tinha o meu mais difícil exame de ballet (Junho de 2002), onde iriam avaliar a nossa capacidade de transmitir não só a técnica mas também Arte, que eu o "patinho feio", através do trabalho interno que a dança oriental me fez, consegui transmitir mais que um mero exercício, consegui transmitir dança, o que me fez passar no tal exame.

Por isso digo a todas as alunas: a Dança Oriental escolhe cada uma de vocês, não é por acaso que estão a praticá-la, muitas de vocês nem sabem bem o porquê que gostam tanto. Não quer dizer que todas tenham de ser bailarinas profissionais como eu, não! Isso é só para quem tem esse "chamado", esse "dom" ou essa "missão" nesta vida. A Dança Oriental escolheu-vos (como um dia escolheu a mim) pois tiveram a sorte de ter a oportunidade na vida, de descobrirem as deusas e os seres especiais que são. Se puserem de lado vaidades, egos, medos e comodismos, irão perceber como esta dança dá-vos o poder de se transformarem em cisnes, dá-vos força interior, faz-vos crescer espiritualmente, obriga-vos a dar um sentido na vida. E o mágico de tudo isso é que se vai reflectir em tudo e em todos que vos rodeiam.

Permitam-se mergulhar neste oceano, não tenham medo de sentir ou aperceberem-se de certos aspectos negativos na vossa vida que já se tinham resignado. Não! Saiam da vossa zona de conforto e cegueira e permitam que a dança vos melhore, transforme, dê-vos qualidade de vida interior.

Foi o que fiz, deixei-me levar para onde a dança me quis e como a minha vida se transformou! Eu que era uma pessoa forte mas insegura, que sentia mas não expressava de maneira nenhuma, que se tapava toda por vergonha do seu corpo, o "pãozinho sem sal" como me chamavam conseguiu ultrapassar todos os medos e mais alguns e aqui estou.

Parece um conto fantasioso, um processo fácil e rápido, mas não é! Tem sido uma viagem extremamente difícil e muitas vezes dolorosa mas digo-vos que vale a pena. Foi pela dança que consegui estar onde estou e ser a pessoa que sou hoje. Mas o processo continua, ainda tenho muito que desbloquear para que a minha dança se torne ainda melhor, mas principalmente, o conhecimento de mim própria seja cada vez mais profundo e a minha Vida progrida de dança para dança.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Mais um balde de água fria...

Pois é! Se há coisa que eu detesto e me deixa irritadíssima é apanhar com "um balde de água fria", e vocês estarão a perguntar: "do que é que ela está a falar?"
Passo a explicar: levar com um balde de água fria para mim é: ter uma boa proposta para dançar num evento, está tudo acertado quanto ao local, duração da actuação, depois de um bom regateio os cachet estão combinados e dizem-me "então tudo bem, depois dir-lhe-ei as horas". Fico toda contente, pois o que eu mais gosto é levar a minha arte junto das pessoas. Começo a pensar nas músicas mais adequadas para o tal evento, a escolher os fatos, adereços e a imaginar como será a actuação para que seja inesquecível. Pareço uma criança que lhe prometeram um chocolate... e ando toda entusiasmada á espera do dia D, tudo isto para um dia antes, enviam-me uma mensagem a dizer " muito obrigado, mas já não vamos precisar mais dos seus serviços." Já perceberam o que é "um balde de água fria"?...
Mas, mais do que ficar chateada por não ter recebido o meu chocolate e ter tido a oportunidade de me ter deliciado com ele, fico indignada, passada, amuada, e tudo o que acaba em ada com alguns pormenores relactivos à dispensa dos meus "serviços":
1º- Serviços???!!! Mas eu sou o quê? Funcionária das finanças? (com todo o respeito aos belíssimos funcionários que nós temos no nosso serviço público!), relembro que sou Bailarina, uma artista, não presto serviços, demonstro Arte!
2º- Através de uma mensagem??!! Bolas! Pelo menos, falavam comigo! Mesmo que seja por telefone, mostrando respeito, pois quando precisaram telefonaram e falaram!
3º- "Ok! esperamos por si na festa" É pá! Se não tinham a certeza que me queriam a dançar, não me dá-vam o OK. Poderiam dizer: "vamos pensar no assunto" ou "depois digo-lhe se sim ou não", é sempre melhor do que nos porem o rebuçado na boca e depois tirarem...
4º- O pior é que percebi o porquê de acabar por não ir dançar no evento. Claro que não me dizem, mas como já tenho uns anitos disto, percebi através da conversa que, acharam o cachet que pedi muito alto. É incrível, e é com isto que me passo mesmo. Querem que uma bailarina dance e geralmente gostam de a ver dançar, mas esquecem que para ela dançar teve de investir na formação, teve também de investir em roupa e acessórios, já para não falar na deslocação, e querem pagar quase nada ou mesmo nada?! Só porque acham que é pouco tempo de dança para o valor pedido?! Se precisam de um médico pagam a consulta e nem respingam o valor, se querem um advogado também pagam e não é pouco, ás vezes pagamos por uma refeição num restaurante um notão, etc... querem ver dança e acham que não têm de pagar por isso!!! Não entendo... quando compro um bombom de alta qualidade pago muito por pouca quantidade, mas esse bombom vale esse preço, com a minha dança é o mesmo, a duracção é o suficiente para o contexto que se insere, mas a qulidade supera qualquer cachet.
Para perceberem ainda melhor, dou-vos o meu exemplo: comecei a minha formação em Dança Oriental á 9 anos numa das escolas de dança mais caras do país na altura; cada curso que faço no Egipto são 1600€ + a viagem 500€ + a estadia e alimentação 500€ = 2600€; cada traje de dança que lá compro não é menos que 400€, nos acessórios e maquilhagens já perdi a conta... Percebem porque é que não posso dançar de borla? Não me importava... mas para além deste investimento, eu vivo da dança! Pago a renda da minha casa, a minha alimentação, a minha roupa, os meus impostos, água, luz, gás, carro... com o meu trabalho! E o meu trabalho é ser Bailarina! Não sou médica e como hobby sou bailarina! Não! Sou bailarina a full-time, a part-time, e o meu hobby adivinhem é: Bailarina!
Se me rejeitam porque não gostam do meu estilo de dança, não gostam da minha dança pura e simplesmente ou acham outra bailarina mais interessante, fere-me o ego mas aceito humildemente, agora, porque acham que é muito dinheiro por 10 ou 15 minutos de dança, pensem no que está por detrás e na qualidade desses mesmos minutos. Se reflectirem bem, não há preço que pague, mais do que o investimento monetário, o investimento psicológico e pessoal que está por de traz de uma dança.
Enfim... mais um balde para a colecção... isto de ser bailarina é ter de também apanhar com uns bem geladinhos... e às vezes em pleno Inverno!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

As Minhas Memórias - 2ªparte - O Ballet

Desde os quatro anos que danço e desde que fiz a minha primeira aula nunca mais parei! Acredito que nascemos com certos dons e eu tive a sorte de descobrir o meu bem cedo... o dom de me expressar através da dança.
Não tem sido um caminho fácil, pessoalmente, tem sido um processo que já vem de pequena e acho que vai continuar para o resto da minha vida e tudo começou com o Ballet. Eu simplesmente só não gostava desta dança, eu ADORAVA o Ballet, eu respirava Ballet, só pensava nisso. A minha obessessão era tão grande que pedia bonecas com temáticas de bailarina, compravam-me livros sobre a dança onde fica horas a ver as fotos dos bailarinos, tive uma verdadeira fixação por sapatilhas de pontas ao ponto de pedir a toda a gente que me comprassem umas mesmo ainda não tendo idade para usá-las, enfim... era o meu mundo e sempre desde pequena me lembro de dizer que queria ser bailarina.
Como puderam ler nas "As Minhas Memórias parte 1" comecei cedo com as aulas no colégio que frequentava, e já de pequena me sacrificava em prol da dança. Na aula absorvia tudo o que me ensinavam e lembro-me de me esforçar ao máximo. Desde cedo tive consciência que só se consegue alguma coisa na dança trabalhando muito, não bastando o talento, trabalhava o triplo das outras pois percebi também que infelizmente ou felizmente, não tinha corpo para bailarina clássica. Como todos sabem, para ser bailarina clássica ou se nasce com o corpo ou não. E eu não o tinha, e durante os 16anos que pratiquei ballet foi uma luta constante com isso e muita desilusão tive, mas também algumas recompensas, vou-vos contar as lembranças que mais me marcaram:
- Lembro-me que as aulas eram no intervalo do almoço, antes de comer, ia para a aula e via as outras a correr para irem almoçar e de seguida irem brincar. Eu ficava sem a brincadeira, mas não me importava, a minha distracção era a dança.
- Era sempre eu que queria fazer ballet: lembro-me que quando tinha 11, 12 anos podíamos alternar a aula de ballet com uma de modern jazz, as minhas outras colegas gostavam mais da outra modalidade, ás tantas só queriam o modern jazz. Chegava á aula toda contente e a professora, pressionada pelas outras decidia, mais uma vez, ser a aula de modern jazz. Ficava para morrer... mas lá fazia a aula e assim tinha contacto com outras modalidades, mas embirrava que não gostava.
- As minhas colegas não entendiam a minha obessessão, nem eu! Mas cheguei ao ponto de exigir que em vez de me chamarem Sara me chamassem bailarina. Nunca percebi esta paranóia, acho que já naquela altura procurava um nome artístico.
- A minha primeira grande desilusão foi quando tive a triste ideia, de querer fazer uma audição para entrar no Conserva tório Nacional de Dança. Como queria porque queria ser bailarina, arranjaram-me a tal audição. Foi um desastre! Ainda me lembro da sala, da professora, do piano mas principalmente de umas sapatilhas de pontas que estavam no parapeito de uma das janelas. Lembro-me de passar por elas e quere-las para mim. Lembro-me dos exercícios e foi ali que percebi que não tinha preparação suficiente para "competir" com as outras. Olhando para as elas, reparei que não tinha corpo para tal. Não que fosse gorda, não tem haver com isso, mas as outras controssiam-se todas, já faziam pontas, faziam esparregatas e posições que eram impossíveis para mim. Mesmo assim, tentei, fiz todos os exercícios que me propunham, mas não entrei... fiquei triste, mas continuei as aulas... sabia que era aquilo que queria, se não tinha sido desta seria para uma próxima tentativa.
- Quando havia as festas de final de ano, havia sempre um show das alunas de dança, claro que eu estava em todas, e digo-vos que ninguém me conseguia acompanhar, participava em todas as danças e sempre com uma atitude de estrela. Adorava o palco, a preparação para tal, as coreografias, enfim, tudo o que tinha a haver com um espectáculo. E ficava mesmo um espectáculo... tenho algumas fotos desses tempos, mas não me atrevo a mostrar!!! Os espectáculos às vezes eram no colégio, outras vezes no Teatro Maria Matos e o meu fascínio pelo palco era tão grande que uma vez, talvez com uns 7 ou 8 anos, depois do um espectáculo ter acabado no Maria Matos, e praticamente toda a gente se ter ido embora, esquivei-me dos meus pais que estavam á entrada do teatro e corri para o palco, sem ninguém e com a plateia completamente vazia, comecei a imaginar o meu próprio espectáculo e as palmas que poderiam surgir, foi um momento mágico, nunca mais me esqueci... claro que um segurança do teatro quando me viu correu comigo.
Continuei as aulas no colégio até ao 9ºano, com 15 anos, mudei de escola (fui para Lisboa, para a escola secundária António Arroio) e com essa mudança comecei a ter aulas de ballet com a melhor professora de dança que já tive: a prof. Cristina Filipe. A ela devo muito do que sou hoje tanto como profissional tanto como professora. Com ela, entrei para o método da Royal Academy of Dance, as aulas eram muito mais exigente e com exames ao final do ano em vez de espectáculos. Nestas aulas a exigência técnica era muito superior ás do colégio, senti aqui que finalmente estavam realmente a "puxar" por mim, adorava e muitas saudades tenho desses tempos. Tenho também saudades da convivência com colegas que conheci que foram verdadeiras amigas, e ir para as aulas não era só ir aprender, era também um encontro de amigas onde nos divertíamos bastante.
Mas, como disse, as aulas eram difíceis. Foi aqui que senti mais a injustiça de querer mas o corpo não dar. Embora a professora não nos distinguisse, trabalhávamos todas na mesma aula e por níveis, sentia claramente a frustração de o corpo não ir mais longe. Trabalhava imenso, mas chegava a um limite que era impossível de ultrapassar. Era, para mim, uma desilusão ver outras a conseguir fazer exercícios num instante quando eu demorava, para fazer o mesmo, ás vezes dias! Mas não desistia, nem a professora permitia isso. As correcções eram duríssimas e lembro-me muitas vezes de sair da aula a chorar de frustração e raiva, mas nunca desistia. Essa perssistencia valeu-me alguns méritos, conto-vos o que mais me marcou: o meu último exame e o mais difícil física e psicológicamente.
Na turma tínhamos os "cisnes"- as que tinham corpos indicados para o ballet e adoradas pela professora e os "patinhos feios"- onde eu me incluía, as não preferidas e aquelas que não tinham muita esperança que passassem no exame. Tendo consciência disso, preparei-me como nunca para esse exame e como sabia que não era forte técnicamente, trabalhei mais a parte da dança do que própriamente executar perfeitamente a técnica. Dei tudo por tudo e enquanto as preferidas eram elogiadas e mimadas, eu não recebia nenhum elogio, nenhum incentivo... mas continuei a preparar-me, ensaiava, ensaiava e ensaiava... e quando chegou o exame, o patinho feio passou e os cisnes chumbaram! É verdade, foi a maior lição que alguma vez tive: Não adianta elogios, ser perfeita, ter todos os incentivos e apoio por parte dos maiores profissionais se nós próprios não nos revelamos verdadeiros "guerreiros" para chegar onde queremos. A minha alma de bailarina, nesse exame e em todo o processo, sobressaiu e teve mais impacto que a técnica e essa foi outra lição: Não adianta executar tudo direitinho se a dança, o sentimento, lá não estiver. Acham que alguém me ensinou isso? Não, percebi sozinha, com as "patadas" que ia levando da professora, que na altura não entendia e revoltavam-me, mas hoje agradeço-lhe, pois foi isso que me fez crescer como pessoa, e conseguir aguentar "as patadas" maiores que vou levando hoje em dia como profissional de dança.
O ballet foi sem dúvida, a disciplina que me ajudou a ser quem sou hoje não só como bailarina mas também como "guerreira" para aquilo que sonho. Claro que nunca poderia ser bailarina profissional de Ballet Clássico por causa das minhas limitações físicas, e no fundo sempre soube disso o que não sabia é que a Vida queria que eu dançasse mas algo bem mais profundo, e foi nesse mesmo ano do tal exame, que tinha decidido deixar de dançar, que comecei as aulas de Dança Oriental. Perceberam que evoluir na dança ou aprender dança, qualquer que seja ela, é sempre um processo interno que não necessita de mais ninguém do que nós próprios. Na Dança Oriental esse processo é ainda mais intenso e foi por, nesse mesmo ano, ter coincidido começar com aulas de Dança Oriental, que me fez apostar mais no sentimento transmitido atravez da dança, e que foi o que me fez passar o tal exame. Foi a Dança Oriental que fez sair de mim a bailarina que estava presa com tanta técnica e pressão de não ter o "corpo". Mas, para dançar, e bem, não precisamos do corpo que dizem perfeito, precisamos sim de Alma.
Encerrava o Ballet para mim, começava a dança para o qual tinha nascido: A Dança do Oriente.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Aulas de Dança Oriental - Horários


Mais uma época irá começar!
Convido-vos a todos a virem ter comigo a fim de aprender, continuar ou recomeçar a dança mais estimulante que existe: a Dança Oriental!
Deixo-vos aqui os horários e contactos para se inscreverem.
Espero por vocês!


E podemo-nos todos encontrar no Facebook e Hi5, adicionem-me!!!


Aulas de Grupo, de Dança Oriental com Sara Naadirah
Época de Setembro de 2009 a Julho de 2010


Dança Livre, escola de dança:
www.dancalivre.com
213894190
(aulas semanais)



Nível Iniciado A - 2ªs e 4ªs, das 13h00 às 14h00

Nível Iniciado B
- 2ªs e 4ªs das 18h00 às 19h00 – dos 10 aos 16 anos

Nível Iniciado C - 2ªs e 4ªs, das 19h00 às 20h00 – a partir dos 17 anos

Nível Intermédio - 2ªs e 4ªs, das 20h00 às 21h00

Nível Avançado - 2ªs e 4ªs, das 21h00 às 22h00

Para Crianças – 2ªs e 4ªs, das 17h às 17h45




Mais informações e se deseja aulas particulares, consulte:

WWW.SARANAADIRAH.COM
saranaadirah@mail.pt
914258256