segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Home Sweet Home


De novo em casa...

Já tinha saudades, mas agora que aqui estou tenho vontade de voltar a sair. Bolas... nunca estou satisfeita! Também chego e começo logo a limpar, arrumar, cozinhar, lavar e tudo o que acaba em ar... não há paciência... detesto os trabalhos domésticos, mas como sou fanática em ter tudo limpo e arrumado... ponho logo mãos á obra.

Estão espantados?! Pois é, se pensam que a minha vida é um glamour de estrela de cinema, enganam-se!!! Em Portugal uma "estrela"da dança não ganha o suficiente para para ter uma "BIMBY" versão doméstica. Sim, faço tudo que uma dona de casa faz, e acho que até bem feito, mas odeio! Enfim...

Tirando esse pequeno grande pormenor, ao chegar de novo, chega também o retomar de tudo o que deixei pendente e pior ainda: a rotinazinha, que é outra coisa que detesto, fazer sempre o mesmo todos os dias. Se isso acontece, começo a ficar histérica, nervosa e insuportável ( o meu marido que o diga) e foi isso mesmo que aconteceu logo no segundo dia que cheguei. NO SEGUNDO DIA, leram bem! Por mim estava sempre a passear... mas como não posso... tenho que ter paciência... só me resta tentar fazer algo diferente todos os dias, vou tentar, mas a minha amiga rotinazinha teima em instalar-se... que chata!!

Irei retornar a dar aulas dia 2 de Setembro, e disto sim tinha saudades. Como já não danço há um mês ( não fiquem espantados, já explico) estou desejosa de voltar a rever e conhecer novas alunas, de ensinar e retomar os shows que vou fazendo.

Este ano sim, carreguei baterias. Como disse há pouco, eu preciso, pelo menos uma vez por ano, afastar-me da dança e música oriental de modo a poder sobretudo descansar. Enganam-se mais uma vez se pensam que estou sempre com vontade de dançar e 24h a ouvir música árabe, não!!! Morria de tédio... a dança é a minha Vida mas a minha Vida não é só dançar. Antes de ser a Sara Naadirah - a bailarina - também sou a Sara - simplesmente a Sara. E é quando sinto saudades que danço melhor, e tenho inspiração para os meus shows e coreografias.

É assim que me sinto neste momento, com muita vontade de dançar, cheia de ideias e força para as concretizar para um ano cheio de trabalho.

Ao contrário do que aconteceu no último. O ano lectivo que passou foi um dos piores anos que já tive. Como há um ano atrás não tive umas boas férias (para mim férias é ter obrigatoriamente sair de onde vivo, por algumas semanas, não basta uns dias) juntando uma crise pessoal enorme, o resultado foi um ano depressivo, sem a mínima vontade de dançar e sem nenhuma inspiração ou força para o que quer que fosse. Tive de me recolher mais, não quis ter a exposição que normalmente tinha, tive de recusar muitos aulas e shows porque simplesmente não tinha força física mas principalmente psicológica. Só tinha vontade de estar deitada, sem pensar em nada...

De certeza que não estão a compreender, mas imaginem: durante seis anos que luto pela dignificação da Dança Oriental no nosso país e digo-vos é uma luta constante contra a maré; todas as vezes que ou estou a dançar ou a dar aulas ou simplesmente a falar de Dança Oriental tenho de estar SEMPRE a provar que SEI o que estou a fazer ou a dizer; com o passar dos anos as ilusões que criámos no inicio da carreira são repensadas e algumas revelam-se verdadeiras desilusões; a luta constante e saturante de tentar não engordar pois sou SEMPRE julgada pela minha aparência cada vez que piso um palco, antes mesmo de apreciarem a minha dança, que isso seria sim o mais importante; a luta que é ser bailarina neste país e conseguir viver disso mesmo casada, com uma casa e contas para pagar como qualquer outra pessoa; levar constantemente com a ingratidão de muitos alunos e ignorância do público; a juntar a tudo isto a nossa vida pessoal ( estou casada á dois anos e o meu marido esteve desempregado praticamente todo o ano), social e familiar. É dose não é?

Depois de tanto lutar, no último ano fui-me abaixo. E não tenho vergonha de dizer que tive vontade de deixar de dançar, dar aulas, enfim... desistir dos meus sonhos. Hoje chego á conclusão que foi normal essa passagem - a passagem pelo deserto - como lhe chamo ( falarei melhor disto num outro texto), mas já passou e estou renovada!

Que este ano seja magnifico!!!! E vai ser...


O Badoca Safari Park


Não vos posso deixar de falar de um parque que visitei duas vezes e que me fascinou: Badoca Safari Park: é um parque no litoral Alentejo, que alberga animais selvagens em completa liberdade (dentro dos limites do parque claro!) e que nos proporciona um dia mágico perto deles.

Fiquei encantada com a temática particular deste parque (muito diferente de um jardim zoológico normal) e da maneira como os animais lá são tratados. Embora estejam em cativeiro, estes animais são respeitados e extremamente acarinhados por todos os tratadores que lá trabalham.

Tenho de destacar três actividades das muitas que nos proporcionam:

- A Alimentação dos Lémures ( uma espécie de primatas de Madagáscar) - adorei ter a oportunidade de "entrar" no espaço deles e poder ter o privilégio, de eles virem á minha mão, comer. São animais amorosos, curiosos e muito sociaveis, bem melhor que muitos da espécie humana.

- O Safari - muito, mas mesmo muito divertido! Entramos numa espécie de comboio atrelado a um tractor, e vamos passear por uma parte do parque onde se vê centenas de animais, completamente em liberdade e onde também temos o privilégio de tocar neles, se eles assim o permitirem. O guia era "passado" e durante mais de uma hora tive a sensação de estar em plena África.

- O Show das Aves de Rapina - foi o que mais gostei, simplesmente fantástico. Nunca tinha visto este tipo de show, onde estas aves são verdadeiras artistas. O trabalho, dedicação e amor que o tratador tem para com estas aves e a ligação que estas têm para com ele é comovente. É simplesmente incrível como elas são "treinadas", ao ponto de um simples assobio do tratador e elas aparecem não sei bem de aonde. É imperdível!

Quando puderem, visitem! Estar perto destes animais dá-nos uma sensação de paz e harmonia para connosco e para com o nosso planeta, que está cheio de espécies incríveis, que nos aceitam com uma generosidade, quase inexistente na espécie humana. Estes animais relembram-nos o quanto somos pequenos e egoístas. Mas, deixam-nos uma mensagem de esperança e sobretudo suplicam-nos: "Ajudem-nos a não extinguirmos! Respeitem-nos, que nós em troca vos amaremos de uma forma incondicional." www.badoca.com

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Agora é que descobri o verdadeiro paraíso





Menti-vos!
No outro dia, estava eu a alimentar o meu vício, lendo uma revista cor-de-rosa, quando deparei num artigo: Tal famoso artista gasta 2000€ por noite num resort em Porto Santo. Pensei: "deve ser lindo lá... era bom era...".

Pois é! Perdi a cabeça, e achei que também eu (também artista, mas não famosa a ponto de sair nas revistas) merecia ir para um resort e fui com o meu Amor para um que abriu á pouco mais de um mês.

Digo-vos que, agora é que encontrei o paraíso e ele chama-se: ZMAR Eco Camping Resort. Um parque de campismo totalmente ecológico.
Só tenho uma palavra para o descrever: FANTÁSTICO!!!!!!!!!!
Como um verdadeiro resort tem: hotemóveis (um mimo); chalets (engraçadíssimos); Balneários e WC completamente equipados (um luxo); piscina interior de ondas (divertidíssimo); piscina exterior (que belas braçadas dei lá); zona aventura (aqui ia "morrendo"muito difícil mas diferente); supermercado (carote); restaurante take away (aqui não resisti e quebrei a minha dieta);spa (indescritível); etc... vejam por vocês: www.zmar.eu
Adorei os dois dias que lá passei, e tudo isto por 30€ a noite, nós os dois! Então quem é o verdadeiro artista: o tal o tal famoso que gastou 2000€ ou eu?
Bom... eu tive de levar uma tenda e dormir no chão... mas isso é um pormenor, não acham?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Terei sido uma "cigana"?

Eu acho que noutra vida devo ter sido ou cigana, ou pertencia a alguma tribo que saltava de terra em terra! Eu gosto, ou melhor eu ADORO viajar, conhecer culturas novas ou simplesmente estar noutros locais que desconheço, mas se há coisa que AMO fazer no Verão é acampar! E este não foi excepção. Para mim acampar significa voltar às minhas raízes, sentir o vento, o sol, a chuva sem ter paredes, sentar e dormir no chão, pisar de pé descalço a terra, ouvir a Natureza... tenho tal necessidade disso, como se a minha Alma implorasse esse retorno. O facto é que passando uns dias em (quase) pleno "estado selvagem" sinto-me renovada, com as baterias recargadas e inspirada para mais um ano de dança...
Mas, bom... quando digo "estado selvagem" não é bem assim... tenho algumas condições e luxos que não prescindo, claro!!! Ora bem: tenho de ir para um parque de campismo 5 estrelas, tem de haver casas-de-banho e limpas (acho que não preciso de dizer mais nada), restaurante ou refeitório (sim, recuso-me a cozinhar no meio do mato), padaria (claro que preciso do meu pão fresco logo de manhã), super mercado ( já não sei viver sem esta personagem) e café/bar ( não prescindo do meu chá às horas que me apetecer). Se o parque tiver uma praia privativa, onde posso pôr a minha tenda mesmo de frente para o mar, numa falésia, longe de todos os outros para ter total privacidade, então estão reunidas todas as condições que exijo para me tornar, por uns dias uma "verdadeira" cigana.
Depois, de já há 7 anos, acampar anualmente, e de ter investigado a maior parte dos parques que reúnam estas premissas, encontrei o meu parque de campismo ideal: Parque de Campismo da Praia da Galé (Alentejo). Isto aqui é o paraíso! Reparem bem:
. acordo às 7 da manhã com o meu despertador preferido, os passáros;
. sento-me, abro a tenda e dou bom dia ao oceano que está mesmo á minha frente (estou acampada na falésia, se der uns 5 passos, caio por ali abaixo parando na praia);
. calço depressa os chinelos e vou a correr á casa de banho (não preciso dizer para quê, já devem ter adivinhado) que está a meio quilometro da tenda, começo aqui a minha caminhada diária (quando estamos a acampar andamos quilómetros para qualquer sítio, este é um inconveniente);
. volto ( mais meio quilometro), visto uma roupa qualquer, bebo o meu leite de soja, troco os chinelos pelos ténis, fones nos ouvidos e desço até à praia;
. 7h30 - na praia, ainda com o sol a nascer, e completamente deserta (mesmo deserta, só eu e as gaivotas) começo o meu exercício favorito, caminho durante uma hora. Este é um verdadeiro privilégio percorrer um areal lindo da costa alentejana...
. 8h30 - já de volta á tenda troco de vestimenta: ponho o biquíni e vestido de praia, e vou calmamente tomar o pequeno almoço - passo pelo super mercado e compro fruta, manteiga, queijo e fiambre, passo pela padaria e compro pão e o meu pecado quando aqui estou (um belo bolo, sendo o meu preferido daqui o croiassant com doce de ovos), passo pela papelaria e compro o meu vício: revistas e mais revista... (um dia vou-me curar num centro de reabilitação prometo-vos), sento-me no sítio das merendas e delicio-me...
. 9h30 - volto á tenda, pego no saco da praia (com 500 cremes protectores para apele e cabelo, água, toalha e o meu vício) e lá vou eu mais uma vez ravina abaixo, deitar-me a apanhar sol;
. 13h30 - retorno á tenda arrebentada depois de subir pela segunda vez no dia a falésia, que digo-vos: esta subida é impropria para cardíacos (se quiserem tonificar as pernas, subam e desçam esta falésia várias vezes, por uns quinze dias, e verão que ficam com pernas como as da Heidi Klum), descanso um pouco à sombra, (pois agora o sol está a pique), recupero o fôlego, troco de novo de roupa (sempre muito fashion ;P) pego no portátil e vou almoçar;
. 14h00 - depois de andar mais um quilometro (bolas que aqui farto-me de andar) compro no café uma bague te vegetariana (descrevo: pão com alface, cenoura, milho e tomate), encho-a de maionese (pois isto não devia dizer) e delicio-me mais uma vez... de seguida compro um gelado (estou de férias não estou?!);
. 15h00 - sento-me na explanada em frente da piscina e "mergulho" na net... meu novo passatempo (espero não criar vício), vejo mails, facebook, actualizo o blog, falo com amigos, etc... ter um portátil e net sem fios revolucionou muita coisa e faz com que nunca nos desliguemos do mundo;
. 17h30 - desligo a realidade virtual, retorno à realidade física e vou tomar banho ( trouxe tudo o que era necessário quando vim almoçar, assim evito andar mais um quilometro):
. 18h30 - retorno á tenda depois de ter experenciado, mais uma vez, a aventura que é tomar banho numa casa de banho pública, tentem imaginar... não consigo descrever! Esta é a hora que mais gosto de estar deitada, na tenda a ver o mar e a ler um livro. O sol já não está tão quente e a brisa é fantástica;
. 20h30 - depois de ver um lindo pôr do sol da "varanda da minha casa" vou jantar: uma sopinha no refeitório e é só!
. 22h00 - regresso á tenda depois de ter visto um pouco da animação que há sempre... crianças a chorar pois estão com sono; uma enorme variedade de cães a cheirar tudo e todos; o belo do portuga a falar alto como se não estivesse mais ali ninguém; sai café atrás de café; começa alguém a cantar; casais a discutir; namorados a namorarem, enfim... o nosso belo Portugal no seu melhor ( não tenho paciência para assistir a esta animação, dirijo-me para o concerto em que tenho bilhete para a primeira fila, vou escutar o som das ondas...);
. 22h30 - despeço-me das estrelas, deito-me e adormeço a ler ainda ao som do mar.
É ou não é um paraíso? Bom... por 10€ de estadia, acho que sim...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Quando o que mais tememos acontece quando menos esperamos


A Vida realmente tem um poder de nos surpreender, que por vezes é inacreditável.

Vou-vos contar o que me aconteceu ontem:

Estou de férias, a acampar no meu parque de campismo favorito (num outro texto descreverei o meu dia a dia desta cigana), deitada na minha tenda, quase a dormir a minha sexta antes do jantar, eis que o telemóvel toca. Pensei ser os meus pais a ligarem-me (pois já os tinha ligado 500 vezes mas sem sucesso), estava á espera que me retornassem a ligação a fim, de me confirmarem que tinham chegado a casa do meu avô, onde iam passar alguns dias, em Seia, na Serra da Estrela. Era realmente, como esperava, o meu pai:

Eu (deitada e sonolenta) - "oi... então já chegaram?"

Pai (com uma voz esquisita) - " já chegamos... (em tom irónico) olha, telefona aos pais do Fernando (o meu marido) se podem vir ter ao hospital de Santarém."

Eu (despertando e pondo-mo sentada) - "Hospital? Mas porquê? O que é que aconteceu?"

Pai - "Tivemos um acidente..."

Eu (já a sair da tenda e a começar a transpirar) - "Acidente?!! Mas... mas estás bem? A mãe? E o miúdo? ( os meus pais levavam uma criança que adoptaram quase como filho, é quase meu irmaozinho, depois conto-vos...) estão bem?"

Pai (meio atrapalhado e confuso) - "Sim... pede aos pais do Fernando se podem vir aqui ter para levarem a bagagem... o carro ficou desfeito."

Eu (já mesmo a transpirar de aflição) - " Está bem... Hospital de Santarém... mas estão mesmo bem? Como é que isso aconteceu?"

Pai ( a despachar) - " Um pneu arrebentou e o carro capotou. Tivemos muita sorte de estar bem... Não posso falar muito aqui, liga-lhes!"

Eu ( já mal disposta) - "Está bem."

Comecei a andar de um lado para o outro, completamente nervosa, enquanto tentava perceber o que se tinha passado. Nos meus pensamentos só passava: os meus pais tiveram um acidente... grave... e estavam no hospital!!!! Mas se estão bem para quê hospital?! Será que o meu pai me esconde alguma coisa? Estava cá com uma voz!!! E eu aqui sozinha sem carro para ir lá ( o Fernando estava a trabalhar, incontactável naquele momento e a minha irmã estava no Algarve com o meu primo, por isso é que o meu pai falou nos meus sogros, pois eram os únicos que estavam em Lisboa e que poderiam ir lá ter).

Telefonei logo de seguida à minha sogra, explicando o que se passava, ela prontificou-se logo ir ao hospital com o meu sogro e telefonar-me assim que chegasse para me dizer se estavam realmente bem. Também informei a minha irmã, que estava a comer ostras numa esplanada ficando logo com uma dor de barriga...

Agora imaginem a minha aflição, sem saber se estava mesmo tudo bem com eles!!!! Tive de esperar uma hora... que angustia... fiz logo uma oração agradecendo estarem vivos e pedindo que estivessem o melhor possível. Como sou Reikiana, tratei logo de enviar-lhes energia de bem estar e calma.

Graças a Deus (e digo-o literalmente) estava tudo bem, só tinham alguns arranhões. O carro realmente tinha ficado de "pernas para o ar", indo directamente para a sucata. O miúdo conseguiu sair logo e o meu pai também, só a minha mãe não, teve de ser com a ajuda dos bombeiros que por sua vez, tinham sido chamados assim que o acidente ocorreu por um casal (curioso, colaboradores do INEM) que seguiam um pouco atrás e tinham presenciado o acidente. Foram levados para o hospital, fizeram os exames obrigatórios e da praxe e quando tiveram alta do médico regressaram a Lisboa com os meus sogros. "Que ricas férias!" disse-me a minha mãe... pois, realmente não ganharam para o susto. Eles e eu!!!!

Estou-vos a relatar este acontecimento por uma simples razão: não tomem por certo que iremos ter os nossos entes queridos e a amigos para sempre, e que acidentes, doenças, infortunos, só acontecem a quem não conhecemos. Não! Ontem podia ter perdido os meus pais e irmão do coração, num segundo. Sim... foi mesmo um segundo!

Percebi o quão pequeno se tornam brigas e conflitos que surgem num seio familiar e interiorizei que posso de repente, nunca mais os ver. Por isso, se há muito (ou não) não falam com os vossos familiares e amigos, falem... telefonem... mandem um mail... perguntem-lhes como estão... digam que sentem saudades... que vão marcar um almoço para pôr a conversa em dia... não deixem para amanhã... vá agora!!! Daqui a pouco pode ser tarde. Lembrem-se disso!

As Minhas Memórias - 1ªparte - A infância, o meu desejo de ser bailarina

Não tenho muitas recordações da minha infância, o que guardo comigo são breves flashbacks de situações que de alguma forma me marcaram. Em geral, posso dizer que os meus primeiros anos de vida foram excelentes! Era uma criança alegre que tinha a bênção de ter os meus pais junto comigo, que me proporcionavam uma mão cheia de mimos e atenções. Tive também uma ama, uma jóia de pessoa, que me mimava mais que os meus pais, e que cedo percebeu a minha “queda” quase obsessiva em gostar de ouvir música.
Segundo me contam, gostava de toda a música para crianças, mas havia uma em especial que falava em camelos (não sei se se recordam), que simplesmente adorava (será que era uma premonição?). Havia também um tipo de música ou melhor, um cantor que eu era completamente fanática, imaginem qual? Não imaginam! Pois eu digo-vos, mas prometam-me que fica só entre nós: eu por volta dos dois, três anos de idade era completamente apaixonada pelo Roberto Carlos!!! Pois é! Não se riam, por favor!!! Grandes birras, me contam, que fazia sempre que me apetecia ouvir o “rei” e não estava disponível, é que não me bastava ouvir o disco, tinha de haver alguém a representá-lo, fazendo um playback irrepreensível. Que paranóia a minha, nesses momentos os meus pais devem ter percebido que sou de ideias fixas, e quando ouço um cantor exijo a sua presença!!!
Também tive uma queda muito especial para ouvir Pink Floyd, grupo que o meu pai muito ouvia por também estar muito em voga na altura (devo lembrar que nasci em 79, por isso estamos a falar da década de 80), gostava especialmente da música que eu intitulava “ a das crianças” música esta que falava da opressão que se fazia nas escolas…. devem saber qual é a que estou a falar (acho que aqui revelei ter uma predisposição para a revolta). Mas foi quando, aos quatro anos, fui para a escolinha, que a minha educadora descobriu o meu fascínio ainda mais obsessivo: o meu amor pela dança.
Segundo também me contam, (eu não me lembro), houve um acontecimento que despoletou a atenção da minha educadora (a Maria): uma noite, deu na RTP2 um bailado (época que ainda só havia dois canais e o 2 passava programas mais culturais), que bailado era não me sabem dizer, mas lembram-se na maneira compenetrada que assisti a todo o programa. Devem-se estar a perguntar: "o que é que isso tem demais para ter ficado na memória dos pais dela e da tal Maria?" Eu tinha quatro anos, o bailado estava a dar a horas bem tardias, horas essas que deveria estar a dormir, mas não o quis, fiquei a ver toda da dança quase sem penestejar. O mais engraçado foi o que aconteceu, no dia a seguir na escola, sozinha como se num mundo à parte, reproduzi, para espanto da minha educadora, todo o bailado. Claro que não o ballet integral, como é óbvio, mas reproduzia em passos de dança bem esquisitos o que mais me tinha fascinado, explicando e ensinando á minhas coleguinhas a história do ballet que tinha visto. Era ou não era uma premonição da minha vida futura!?
Bom, a Maria ficou tão espantada que decidiu procurar a professora de Ballet do colégio (sim… andei num colégio até ao 9ºano... por favor, mais uma vez peço-vos que fique só entre nós, ok?) para que fosse experimentar uma aula, já que eu também não me calava a dizer que queria fazer ballet, “mas ela só tem quatro anos, ainda é muito nova!” dizia a professora ( a Teresa), “sim, mas deixe-a experimentar para ver se se cala um bocadinho!” dizia a Maria. O facto é que lá fiz a aula e passei com distinção ao olhar incrédulo da prof. Teresa. E assim, com meus tenros anos era tratada como uma verdadeira “artista”: tinha uma “manager” (que luxo!!!) a Maria, descobriu-me, tratando logo de me arranjar uns produtores (luxo ainda maior!), para investirem na minha formação, os meus pais, que por sua vez inscreveram-me logo nas aulas, e um mestre, a minha querida professora Teresa que acreditou que tinha um talento dando-me a oportunidade de aprender a lidar com esse mesmo talento. Assim, tornei-me a bailarinazinha mais pequenina da escola. Tive muita sorte. Quantos de vós, tiveram ou têm talentos que ainda não foram descobertos e investidos? Tive mesmo sorte!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

As Minhas Memórias - Introdução

Há anos que não escrevo!
Nos meus tempos de faculdade escrevia (muito pouco confesso) e desenhava como forma de libertação. Libertação de tudo o que sentia, que não conseguia expressar de uma outra forma. Como pouco falava e muito poucos amigos tinha, era na escrita e no desenho que exteriorizava o que pensava e sentia.
Entretanto, descobri que dançar, produzia o mesmo efeito de quando escrevia ou desenhava. Através de um longo e difícil processo, percebi, na Dança Oriental o poder de não só conseguir “deitar cá para fora” aquilo que me aprisionava, mas percebi que havia também um processo de cura, sentia uma paz interior, uma certeza que não havia experênciado em nenhuma outra forma de expressão.
Tinha descoberto, ou melhor redescoberto o caminho que iria seguir na minha vida: ser bailarina, mais que uma profissão seria a paixão da minha vida…

Decidi escrever estas memórias, também, por três razões específicas:
1º - É um desafio para mim escrever, e eu ADORO desafios (como poderam ler no texto anterior). Faz-me sentir viva! Mas, de longe pretendo ser escritora ou que estes textos sejam um livro, não tenho essa presunção, muito menos o dom da escrita! Desculpem-me vocês, entendidos das palavras se vos ofendo com frases mal construídas e vocabulário mal colocado. Tentarei fazer o meu melhor, prometo!!! Mas, sobretudo decidi escrever estas memórias pela necessidade, fora do comum, que tenho tido ultimamente de realizar uma retrospectiva da minha vida. Ao recordar memórias que estão como fechadas dentro de mim, numa espécie de caixinha a sete chaves, irá ajudar-me a fazer um ponto de situação do meu estado actual, e assim, perceber melhor que caminho tomar, forçando-me a lembrar, fortes valores e objectivos que tracei no começo da minha carreira profissional;
2º - Será uma “terapia” escrever, que necessito fortemente de fazer, afim de não esquecer daquilo que sou, mas principalmente lembrar do que quero ainda realizar. Chegamos a um certo ponto na nossa vida (e o meu foi agora aos 29 anos) que precisamos de nos situar e relembrar, afim de não nos deixarmos “enredar” na grande teia social tão bem arquitectada que o mundo nos impõe, esquecendo do meu dom e o respeito que tenho pela dança, transformando a minha Arte numa forma de sobrevivência num mundo cheio de regras, preconceitos e imposições, tentando não “me vender”ao deslumbramento ilusório que muitas vezes nos passam pelos olhos;
3º - Porque não partilhá-las com vocês!? Amigos, alunos, admiradores, colegas, curiosos. Tenho a certeza que será uma preciosa ajuda, para tantas pessoas que nem posso imaginar. Quantos de vocês não se virão descritos nestas memórias e perceber que é possível seguir um sonho na vida. Se eu conseguir, através deste testemunho, fazer com que vocês reflictam na vossa própria vida e tenham a coragem e sensatez, para perceber, para que nasceram e que destino têm neste mundo e nesta vida, será uma verdadeira alegria para mim!
Peço-vos que leiam com o coração aberto, não vão ler um conto de fadas, uma vida perfeita, vão sim ler um testemunho real e assim espero inspirador.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

O meu novo desafio...


Devo confessar que não sou adepta nem fanática de tecnologia. Mas também confesso que cada vez mais estes "bichos urbanos" - telemóveis, pc, plays... - vão tomando conta do nosso dia a dia, de tal forma que parece, como se nunca tivesse- mos vivido sem eles.

Sempre disse que não iria aderir a estas "modernices" de blogs, sites, mails, facebooks, etc... pois nunca me apeteceu perder tempo agarrada a estes bichinhos, mas, aqui estou eu a escrever o meu primeiro texto para o meu blog, totalmente criado por mim! Sem nenhuma espécie de ajuda dos "cromos" que falam línguas estranhas e que vivem no planeta da tecnologia. Fiquei surpreendida comigo própria, foi mais fácil que ir ao dentista...

Como devem ter lido no meu perfil, sou inquieta por natureza, andando sempre á procura de algo que me desafie, e a ideia de ter um blog desafia-me de duas maneiras:

1ª- obrigou-me a enfrentar esta "fera", que sempre evitei, que é este novo meio de comunicação. Há uns tempos atrás eu teria pedido a alguém do planeta da tecnologia que criasse o blog por mim, mas não! Desta vez quis ser eu a fazê-lo. Quem não me conhece deve estar a pensar: " qual é o receio dela, isto é tão fácil, que parvoíce", mas quem me conhece está a pensar de certeza: " não acredito que ela conseguiu enfrentar a fera". É verdade estou a perder o medo e a preguiça e aos poucos vou percorrendo este "novo mundo" para mim;

2º- irá obrigar-me a escrever, uma forma de comunicação que evito ao máximo, ainda não consegui perceber porquê. Desenvolvi outras formas de comunicação como o desenho, a pintura, principalmente desenvolvi a expressão corporal em forma de dança, há uns anos para cá falo cada vez mais (o dar aulas obrigou-me a isso), mas a escrita fui sempre deixando...

Aqui está a oportunidade de aliar a escrita com o que observo á minha volta, e o que penso disso e o mais importante: pôr-vos também a pensar e comentar. Desejo que este blog fosse uma espécie de "conversa escrita" sobre os textos que vou lançando, por isso, comentem o que vou escrevendo, nem que seja para dizer mal, mas expressem as vossas opiniões...

Não irei só escrever sobre dança ou só sobre Dança Oriental, irei escrever, sobre o ponto de vista de uma bailarina que sou de profissão e Alma, tudo que me desperta interesse e que ache que vale a pena pensarem.

Estou habituada a dançar os meus sentimentos, neste blog irei descrever os meus pensamentos... Eu aceito este desafio e vocês querem-se juntar a mim?