quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sou sim maluquinha pelos animais e com muito orgulho

Há três anos e meio, escolhi, ter um animal de estimação. Um cão. 
Não sabia nada sobre eles, aliás, tinha medo deles. Mas mesmo assim, decidi, com o meu marido termos um. 
Apesar de toda a minha ignorância sobre o assunto, sabia que, ao entrar um ser vivo em minha casa (que não pediu para lá entrar), ele seria da minha inteira responsabilidade bem como o seu bem-estar. Sabia que o teria para o resto da vida e teríamos que nos adaptar a este novo ser.
Apesar também de ter uma tendência para gostar mais da raça labrador, nunca me fez sentido ter de "comprar" um animal... para mim, uma vida não se compra... adopta-se e assim foi, procuramos várias associações e a Nikita uma rafeirinha linda, aparece nas nossas vidas.  
Hoje sei que não fomos nós que a escolhemos, ela nos escolheu. Estava lá à nossa espera e na altura certa, nós vimo-la e nos arrebatou. Até hoje não consigo explicar a "química" que tenho com ela que foi desde o primeiro olhar.
Nunca tinha pegado num cão... nunca me tinha aproximado de um cão... nunca tinha passeado, alimentado, tocado num cão (parece impossível mas é verdade)... a Nikita, ensinou-me tudo acerca do universo canino com uma paciência e compaixão que nenhum humano consegue ter.  O convívio diário com ela  tornou-me melhor pessoa. É o meu anjo da guarda. Adoro-a!

Mas, o grande ensinamento que ela dá-me é fazer-me tomar consciência do modo egoísta que vivemos e da crueldade que infligimos aos animais a toda a hora. 
Já nem falo da industria barbara que é a produção e consumo de carne e derivados de animais... Já nem falo da industria de os usar como entretenimento... Já nem falo da industria de reprodução e trafico de animais exóticos e domésticos. Falo da ignorância e na estupidez só porque sim de "donos" (para mim este termo está desatualizado ninguém é dono de ninguém, temos sim à nossa responsabilidade outros seres) de animais de estimação que optaram por tê-los mas, "que afinal dão muito trabalho..." e acabam por depositar todas as suas frustrações nesse animal e por fim abandoná-los.
Há tanta, mas tanta crueldade mascarada de bondade nesses "donos" que me mete nojo. Hoje em dia não há, aliás nunca houve, desculpa para terem um animal amarrado, espancado, esfomeado, cheio de doenças, cheio de sede, à mercê de humanos doidos, egoístas e egocentristas. Os maltratos aos animais ultrapassam a minha imaginação e está estampado em todo o lado. 
A Nikita, sensibilizou-me para essa realidade que, sempre existiu, mas que eu escolhia ignorar. Só não vê quem não quer. Chamo a atenção que maltratar um animal é, também, desrespeitar a sua essência e a sua individualidade. É privá-lo da sua liberdade, necessidades, amor e respeito. Ter a nosso cargo um animal envolve amá-lo, ter paciência, ter consciência, ética e não "desistir" deles só porque tornou-se inconveniente ou porque não sabemos lidar com eles. 
Apesar de não conseguir salvar todos, salvei a Nikita. E deixei de ignorar a realidade estampada na nossa cara. Através do meu exemplo, atitudes e acções posso influenciar positivamente quem está ao meu redor. Não me é indiferente um cão ou gato de rua... posso dar-lhe um pouco de atenção, água e comida. Posso denunciar os maltratos. Posso assinar petições. Posso sensibilizar outros "donos" à esterilização, à importância das adopções e não à compra de animais independente se são de raça ou não, à educação dos mesmos e à sua psicologia, etc... há imenso que podemos fazer em prol destes seres que coabitam connosco e por todos os outros.
Sim... escolho não ficar indiferente.
Sim... escolho tentar fazer alguma coisa.
Sim... escolho não comer carne.
Sim... sou "maluquinha pelos animais"... cada vez mais e com muito orgulho.


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Assim foi na Terra Encantada...

Eu acredito que há um momento certo para tudo. E, acredito que há anjos que abençoam esses momentos certos. Assim foi o meu mais recente espectáculo TERRA ENCANTADA: na hora certa, rodeada de anjos e um muito particular.
Como em tudo que faço, senti o meu instinto gritar que conseguiria idealizar e realizar um espectáculo, que fosse um resultado directo do meu coração e que viesse das profundezas da minha alma, baú onde fui resgatar memorias. 
Queria que fosse diferente de tudo que já tivesse feito e que se tornasse muito especial. E assim foi... especial onde tive a sorte de reunir não só na plateia, como em palco, pessoas muito especiais a quem eu agradeço profundamente. 
Consegui. A fasquia subiu. As portas abriram-se para um novo e mais exigente publico. 
Há muito que um projecto não me dava tanto prazer, tanto gozo onde todas as ideias fluíram e, onde em palco, criamos uma energia que contagiou e, não deixou ficar ninguém que estava a assistir indiferente. Onde e sobretudo, o objectivo é elevar a estatuto de Arte e sempre dignificar esta dança que me escolheu.
Senti-me Feliz, Realizada, Agradecida e isso transpareceu.
Ao meu lado, e em todo o processo, tive o tal anjo muito particular: o viajante que encontra esta Terra Encantada. Encantou e deixou-se encantar. O Emanuel Vicente foi o braço direito que me ajudou com o seu talento e optimismo. Obrigou-me a sair da minha zona de conforto e o resultado foi este... as imagens valem por mil palavras:
























Grata à Yolanda Rebelo, Judite Dilshad, à Dilshadance e ao Grupo Dançattitude, pelo vosso empenho e talento.
Terra Encantada estará para sempre no meu coração como um dos meus melhores e mais maduros espectáculos que fiz até hoje. Feliz por ainda - depois de doze anos como bailarina profissional de Dança Oriental e dez espetáculos realizados - conseguir surpreender-me e surpreender um publico que me segue há anos. Agradecida por conquistar novos públicos e palcos cada vez mais exigentes. Realizada por saber que todos estes anos não foram em vão e, muito otimista pois ainda tenho muito para dar e, ainda há muito por fazer no caminho da dignificação da Dança Oriental em Portugal e no mundo.