quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Lições de Vida e de Dança V - Amor / Paixão

Há 14 anos atrás apaixonei-me. 

Apaixonei-me por aquele colega de faculdade. E esse mesmo rapaz, 7 anos mais tarde casou-se comigo. Foi uma paixão forte, avassaladora, determinada, vermelha e quente como o fogo. Foi... passado, porque essa mesma paixão, depois de vivida, moldou-se... transformou-se.
Depois de tantas experiências sentidas e com o desgaste implacável do tempo, deparei-me com o lado negro da paixão. Veio o desanimo, a desmotivação, a desilusão, as dificuldades (montanhas delas). Essa paixão foi testada, abalada, apagada. Morta... mas Ressuscitada. Essa Paixão deu lugar ao Amor. Sentimento inexplicável, puro, espiritual.

Hoje posso dizer que AMO o meu companheiro, coisa que dizia mas não percebia anos atrás. O Amor é o resultado da passagem pelo fogo. É o equilíbrio entre o frio do gelo e o quente da chama. Não é só vermelho, são todas as cores do arco-iris. O Amor é o resultado do que aprendemos quando nos deparamos com o lado bom e com o lado mau. Não há amor à primeira vista, ele tem de ser conquistado, lapidado, alicerçado. Tem de ser construído e alimentado. 
O Amor dá trabalho... exige tempo, atenção, cuidado. Exige persistência. É um sentimento que é para todos mas nem todos estão preparados para o sentir. Por vezes é cansativo. Apela à nossa capacidade de não desistir. Faz-nos ultrapassar o que julgávamos impossível. Faz-nos descer à terra. Faz-nos procurar mais que o superficial.  Faz-nos alcançar o inalcançável.

Há 12 anos atrás tive outra paixão.
Apaixonei-me pela Dança Oriental. E como descrevi, hoje, também essa paixão transformou-se num Amor profundo, visceral, ancestral.
Amo a Dança Oriental. E é esse amor que me faz continuar a dançar, a ensinar e a partilhar. 
Tenho dois amores... que sortuda que sou!


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Lições de Vida e de Dança IV - Simplicidade

Como conseguem?
07/01/2014 
Como é que ninguém se lembrou de estudar os cães? São eles que têm o segredo da felicidade.
No dia das tempestades dois cães corriam, doidos de tão contentes, pela praia. Perseguiam as farripas de espuma do mar. 
Ao restaurante onde estávamos a almoçar chegaram dois amigos com dois cães igualmente bem-dispostos. Com uma sincronia olímpica estavam os dois a sorrir e a olhar fixamente para os donos. "Estão na expectativa", explicaram-nos. E era verdade. 
Acreditavam que, no futuro imediato, haveria petiscos para eles. Estavam com as duas pessoas de que mais gostam no mundo, à espera de comer qualquer coisita boa. Como é que não poderiam estar optimistas?"Nós não somos assim", disse um dos seres humanos. Pois não. Nós somos neuróticos. 
Pensamos sempre que poderíamos estar melhor: poderia ser Verão; poderíamos ser mais novos; poderíamos ter mais tempo para estarmos uns com os outros. Os cães nunca pensam nessas merdas. Não perdem tempo ou energia mental a contemplar alternativas. Estão cem por cento no aqui e no agora. Acham que as condições actuais são excelentes, que têm imensa sorte de estar ali e que tudo indica que as coisas ainda vão – inconcebivelmente – melhorar. 
Como é que ninguém se lembrou de estudar os cães? São eles que têm o segredo da felicidade. Sabem amar como ninguém e fazem a festa toda com os pequenos gestos de amor que recebem das pessoas que amam. Duas gaivotas palermas divertiam-se a desafiar a ventania, fingindo que estavam imóveis, suspensas por dois fios. Desprezavam a alegria dos cães. Mas faziam mal.
Este simples texto de Miguel Esteves Cardoso, retrata o que vejo todos os dias com a minha cadelinha Nikita e com todos os cães que convivo diariamente.
SIMPLICIDADE gera FELICIDADE. Estes seres, que para mim são anjos na terra, ensinam-me regularmente estes conceitos tão básicos e universais que são esquecidos e distorcidos. 
Porque é que temos a mania de complicar tudo?! Porque é que nunca estamos satisfeitos?! Porque é que julgamos que sabemos tudo?! Porque é que a "galinha da vizinha é sempre melhor que a minha"?! Porque é que exigimos a ilusória perfeição?! Porque é que a dança que fazemos nunca está bem?!... Porque é que...
Porque é que SIMPLESMENTE não gozamos cada minuto, sem estar sempre no sofrimento de nos (pre)ocupar com futuro. Sempre com o passado na mente (e na Alma) assombramos o presente. Porque é que não usufruímos mais cada movimento, agradecemos cada inspiração, deliciamo-nos passo a passo. Homenageamos a VIDA.
É SIMPLES estar bem. É uma escolha. É na SIMPLICIDADE de uma dança que está o poder de encantar e encantarmo-nos. É na SIMPLICIDADE de deixar o nosso coração expressar-se através dela (dança/movimento) que geramos AUTENTICIDADE, CARISMA e CRIATIVIDADE. É na SIMPLICIDADE de escolher a intuição ao invés da razão que mostramos SABEDORIA.
É tão simples... agradecer, pensar, orar, sentir, curtir, escolher AMAR. É tão simples... na VIDA e na DANÇA, a SIMPLICIDADE gera PAZ.