terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Lições de Vida e de Dança III - Entrega

Há um ditado popular que me encaixa perfeitamente: 
"Nós fazemos planos e Deus ri-se deles."
Imagino o quanto Deus ri-se de mim todos os anos, quando, por volta desta altura, faço planos para o próximo ano. 
Mas, acho que desta vez não vai ter sorte comigo... Não tenho tido outro remédio senão ENTREGAr-me. Entregar-me à Vida, e ao que esta me reserva sem "espingardar" muito,  sem fazer planos que nunca saem como planeei.
Acontecimentos recentes na minha vida, forçaram-me a pensar MUITO - talvez até demasiado - neste conceito de entrega a aquilo que não conseguimos (nem era suposto) controlar, que, para uma control freak como eu, é complicado. 
Sim, custa-me não ceder à ilusão do controle, que é o que realmente é: uma ilusão.
Então decidi (talvez esteja eu de novo a controlar) não me iludir mais. Simplesmente, deixei de teimar impondo o que penso que é bom para mim e entreguei-me ao que Deus tem planeado para mim (se é que tem alguma coisa planeada). 
Em vez de desconfiar e ter a prepotência de que Eu é que sei, estou literalmente - e talvez pela primeira vez na minha vida - a confiar e a deixar-me levar por algo superior. 
Chegamos a um ponto, que não temos outra alternativa senão submetermo-nos. Quando já fizemos de tudo, esgotamos todas as nossas cartas, só nos resta mesmo ENTREGAR e CONFIAR.
Surpreendentemente a coisa resulta numa paz indescritível e é impressionante como, de alguma forma, tudo se resolve e o resultado é muito melhor que alguma vez espetado. 
Claro, que já o faço há muito na dança. Aliás foi ela que primeiro me despertou para esta atitude. Entrego-me cada vez que piso o palco, cada vez que dou uma aula, cada vez que escrevo neste blog. Não planeio, não penso muito. Simplesmente FAÇO, simplesmente DANÇO numa entrega sagrada que faço a mim própria e ao meu publico. 
A sensação de alívio quando o faço é indescritível. E esta escolha - que é uma escolha - de entrega à vida e à dança não custa assim tanto... exige antes uma superação dos nossos preconceitos, crenças impostas e medos.
Por isso sugiro: dê um presente a si própria neste Natal, ENTREGUE-SE.

BOM NATAL E QUE 2014 SEJA O ANO... da ENTREGA e da ESPERANÇA.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Lições de Vida e de Dança II - Viver Despenteada

O Facebook tem destas coisas. Estava eu a passar a vista pelo mural quando dou por este texto, muito inspirador.
Mais uma vez, tanto na Dança como na Vida, há que "despentear" afim de se sentir, usufruir, enfim... Viver. 
Confesso que gosto de entrar num palco - seja ele qual for - toda "arrumadinha". Sou extremamente vaidosa e exigente com a minha imagem. Mas gosto mais de sair dele completamente despenteada, suada e a ferver. 
Viver e Dançar com garra realmente abala o politicamente correcto. Destroi o que tomamos por certo. Descontrola o que julgamos controlar.
Mais uma vez, pensa e Vive/Dança Despenteada:

"Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, 
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade… 
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. 
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa ideia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos
eu vou estar com o cabelo bagunçado…
mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir
Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,
toda arrumada por dentro e por fora,
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,
coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria…
e talvez deveria seguir as instruções, mas
quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita
eu tenho que me sentir bonita…
A pessoa mais bonita que posso ser!
O único que realmente importa é que ao me olhar no espelho,
veja a mulher que devo ser.
Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:
Entregue-se, Ame, Coma coisas gostosas, Beije, Abrace,
dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule,
durma tarde, acorde cedo, Corra,
Voe, Cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável,
Admire a paisagem, aproveite,
e acima de tudo, deixa a vida te despentear!!!!"

Desconheço o autor


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lições de Vida e de Dança I - RESPEITO

RESPEITO.
Palavra tão simples mas carregada de complexidade. Ter-me respeito e fazer-me respeitar é, provavelmente, a melhor e a mais difícil lição que a Dança Oriental me proporciona.
Durante todos estes anos, percebi o quanto a D.O. me respeita e exige respeito, como se uma entidade superior se tratasse. Este grande mestre (D.O.) mostra-me, em cada dança, tanto a ensinar como a actuar, o poder que tenho de ME agradar, de ME seduzir, de ME mimar, de ME fazer sentir bem com o meu corpo e na minha pele. O mestre, através de movimentos tão singulares, despertou em mim uma energia adormecida devolvendo-me um amor próprio que nunca tinha sido estimulado. Ensina-me a amar-me, dá-me a conhecer e potencia as minhas virtudes, mas sobretudo transforma os meus defeitos.
A D.O. respeita o meu tempo, o meu espaço, as minhas vontades.
A D.O. aceita-me.
A D.O. adapta-se ao meu pensamento, ao meu sentir, ao meu corpo físico e espiritual. 
Mas em contrapartida, como os dois lados da moeda, exige-me que a dignifique. Que a use com alma e humildade. Com carisma e personalidade (muitas vezes erradamente confundido com arrogância e manias de diva).


Costumo dizer que a D.O. é para todos mas nem todos são para a D.O.
Infelizmente a maior parte de quem está a ler este texto não entende o que está escrito, simplesmente, porque nunca parou para pensar (e sentir) que, a grande vantagem em se deixar abraçar por esta Arte não é a alimentação de egos, vaidades superficiais e orgulhos. A grande ferramenta que esta dança nos disponibliza é poder conhecer-mo-nos a fundo e aceitar-mo-nos. Se bem adquirida, esta (dança) torna-nos fortes e intuitivos, com uma visão da Vida muito para além da mera superficialidade.
Infelizmente muitos de vós, não quer ir ao fundo da questão, porque custa. Sim custa muito admitir as nossas falhas, sim custa muito saber que não sabemos tudo. Sim custa ser humilde e pedir ajuda. Sim custa ter olho critico sobre nós próprios. É sim, bastante mais fácil, iludir-mo-nos. É sim muito mais confortável ficar-mo-nos pelo mais básico.
Mas não se enganem: é impossível iludir a D.O. e pior, iludir com a D.O.
Quer queiram ou não, está na vossa dança reflectido - como se de um espelho se tratasse - o tamanho de vosso respeito por vocês, pelos outros e pela Dança.

Na Vida, e na prática, curiosamente, não é muito diferente que na aula e no palco.
O respeito que fui adquirindo (sim, é algo que se vai conquistando) através da minha experiência como bailarina, traduz-se diariamente no meu quotidiano. Vivo com confiança em mim e na minha intuição. Aprendi a colocar-me em primeiríssimo lugar. Ganhei coragem em saber dizer NÃO, àquilo que iria contra os meus valores ou vontade só porque seria mais fácil ou conveniente. Digo SIM, aos desafios, ao desconhecido, à improvisação que a VIDA nos impõe. A ter PAZ, mesmo quando tudo parece desmoronar.
A D.O.  - porque quis e continuo a procurar nela muito mais para além do óbvio - acordou em mim a vontade de VIVER a VIDA. Com todas as suas dificuldades mas uma vida plena, verdadeira, real. 
A D.O. exigiu-me verdade. Comigo própria e para com os outros, mas deu-me a coragem de ser EU com toda a minha originalidade. Permitiu-me não ser mais uma. Nem mais uma bailarina, nem simplesmente mais uma cidadã. Permitiu-me contribuir, para este mundo, com a minha autenticidade. Se assim não fosse jamais conseguiria ter a criatividade que tenho no palco. Jamais conseguiria reinventar-me em cada dança. Jamais aguentaria uma carreira. 
Para mim isto é RESPEITO... que palavra tão simples.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

CARTA ABERTA a todos os alunos: Lições de Vida e de Dança

Sou sincera: eu comecei a dar aulas de dança por pura obrigação. 
Imaginava - quando comecei a aventura de viver da dança - que bastava viver dos sonhos e dos palcos. Percebi, logo de imediato, que não... os sonhos, infelizmente, não têm o lado prático que a vida exige. Precisava de pagar contas e comprar bens indispensáveis do quotidiano. Ganhar ( como toda a gente) dinheiro e assim decidi começar a dar aulas afim de conseguir ter algum money mais regular.
Surpreendentemente, adorei e adoro a  experiência. 
Durante estes últimos 10 anos que lecciono, passaram por mim milhares de simpáticas e talentosas alunas e alguns alunos que, me ensinaram mais sobre as relações humanas que de outra forma seria impossível. Para o bem e, muitas vezes, também para o mal, sinto que tenho um doutoramento em sociologia e psicologia. Desenvolvi - e continuo a desenvolver - aspectos da minha personalidade que pensava que seriam impossíveis de adaptar ao complexo mas, interessante trabalho que é leccionar. 
Ensinar a dançar é totalmente diferente que simplesmente dançar. Numa aula, a minha preocupação é passar o conhecimento que adquiri e principalmente conseguir que, aquela pessoa que faz questão de aprender comigo, dance pelas suas próprias pernas com toda a sua individualidade e criatividade. 
Eu não "fabrico" clones. Mostro os meios para despertar a alma dançante que cada aluna/o tem.
É um processo que exige tanto de mim como de quem está a aprender. Eu não sou uma professora de dança convencional. Sou extremamente exigente e rigorosa. Eu ensino com a mesma proporção de seriedade e respeito que tenho da Dança Oriental, ou seja, muito, muito a sério. Devo esse cuidado às alunas, devo-lhes essa consideração.
As minhas alunas sabem que eu provoco-lhes, faço-lhes pensar, tiro-lhes da zona de conforto, faço-lhes trabalhar e suar. E neste processo, muito físico e prático, faço questão de passar as experiências que fui tendo ao longo dos anos que me fizeram amadurecer como pessoa e bailarina.  Assim como esta dança mudou a minha vida e me deu e dá alicerces para ser quem sou hoje, também desejo que esta (D.O.) vos toque na alma. 
São estas Lições de Vida e de Dança, que vos quero partilhar de coração aberto.
Leiam, meditem e apliquem na vossa vida e na vossa dança.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Ainda sobre Dança: Arte ou Competição...

Devo reforçar: 
Não há nada de mal nos concursos de dança (falo Dança Oriental), se eles forem encarados, por quem promove e por quem concorre, como uma ferramenta para elevar o nível da Dança Oriental.
Eles (concursos) têm o seu mérito na dinamização da D.O. e, é de louvar quem tem a coragem, paciência e o trabalho de os promover e organizar. Acredito que não seja fácil coordenar concorrentes, nomear um júri e lidar com os familiares das bailarinas... oh GOD, não é fácil!!!
Cabe é, a cada um que aceita embarcar neste desafio (promotores, júris, concorrentes), que o façam em verdade e com o objectivo de se superar seja no que for.
Eu própria incentivo as minhas alunas, caso parta delas, a participarem. Mas, relembro-lhes, que só faz sentido, se encarem o evento como uma plataforma de trabalho, experiência, companheirismo, respeito e humildade em ter a sabedoria de tirar o melhor partido do todo o processo. Ter como expectativa não ter expectativas... fazerem-no com autenticidade e curtir enquanto durar.
Vaidade, ego, ignorância e a ilusão que um título é tudo... é simplesmente isso: ilusão, que um dia acabará por cair por terra e a frustração em lidar com isso é lamentável.
O respeito e validação de um publico, vem não de uma só dança, mas de centenas delas. Não é o traje, maquilhagem, cabelo xpto e truques para show que pesam mas sim, o carisma, dedicação, talento, humildade. Se uma bailarina/o transparece respeito e aceitação por ele mesmo, aí está um vencedor, e o "sucesso" vêm não no espaço de minutos mas a longo prazo. 
Reforço: a Arte e a Criação de algo Original e Autentico, não é como colocar algo no micro-ondas que em minutos está pronto... demora... até onde tiver que ser.
Não queiram apressar e comprometer a vossa própria evolução como bailarinas/os e pessoas. Aceitem que a Dança é mais e mais... que serve para elevar-nos a outros níveis bem mais profundos que a mera superficialidade. Que serve para pensarmos no que realmente queremos da Vida.
Deixo-vos aqui duas perguntas;  porque pratico e o que pretendo da Dança Oriental?
Meditem...

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dança: Arte ou Competição

No outro dia, em conversa com algumas alunas, falávamos, entre muitos assuntos, sobre concursos de dança (Oriental, of course). A meio, eu confesso - para espanto delas - que nunca entrei num concurso. E para meu espanto, uma delas, pergunta-me:
"Mas, assim como conseguiste construir um nome e fazer carreira???"
COMO??? 
Com esforço, talento, inteligencia, trabalho e persistência.
A minha surpresa foi, constatar, que a nova geração de bailarinas, acha que se faz uma carreira baseada no sucesso (ou não) que se tem em concursos. 
NÃO!!!
O nome de uma bailarina constrói-se, não através de uma dança para um júri, mas através de centenas de danças para um publico que é mais implacável que qualquer júri. A carreira de uma artista - que é isso que uma bailarina com letra grande é - tem como alicerces um forte e incontrolável talento, que transparece através de MUITO trabalho e convicção. Ela usa a sua sábia intuição sob a forma de uma invulgar inteligencia que reflecte um carisma nato. Ela arrisca não uma mas, dezenas de vezes confiando somente em si.
Eu não tenho nada contra os concursos, se eles forem sãos. Se servirem para "vir ao de cima" o melhor que cada "concorrente" tem. Se for uma partilha de conhecimentos e experiências entre colegas e amigos. Se for para celebrar a dança e a vida. Se for divertido e ético.
O problema é que se pode tornar num vicio, uma busca incessante por uma vitória. Ser rotulada com um titulo e pior: tornar uma dança tão intima numa competição superficial onde, infelizmente, a fantasia - já ridícula - que ainda envolve a Dança Oriental acaba por prevalecer.

(RE) lembro: DANÇA NÃO É UM DESPORTO, É UMA FORMA DE ARTE. Não consegue ser uma competição que é avaliada ao milímetro. Não é matemático e racional. Um júri, por mais correcto que possa ser, NUNCA vai ser completamente imparcial, porque não se pode atribuir um numero a uma dança/bailarina e ser completamente justo.
SIM. Eu nunca participei num concurso. Para mim, não me faz sentido pois eu SÓ compito comigo própria. A minha prova de fogo é cada aula que ministro, cada evento que sou convidada a actuar, cada espectáculo que crio. Cada palco que piso. 
Esses são os meus "concursos" que vão de encontro ao que quero da Dança Oriental. São eles que fazem o meu nome/carreira.



segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Ser Mulher:

Ser MULHER é:

Ser feminina e masculina;
É ser anjo e ser diabo;
É ser meiga e ser agressiva;
É ser a criatura mais bela e a mais feia;
É ser divino e é ser um monstro;
É ser vítima e ser culpada;
É ser frágil e ser forte;
É ser leoa e é ser uma serpente;
É ser sonhadora e provocar pesadelos;
É ser heroína e um ser cobarde;
É ser amiga e inimiga;
É inteligente e é tão ingénua;
É corajosa e é medrosa;
É activa e é passiva;
É livre e é escrava;
É paz e guerra;
É serenidade e caos;
É de estremos onde a busca pelo equilíbrio é uma odisseia...

É...
Uma incógnita...
É hormonal; 
É lunar;
É sábia;
É intuitiva... 
É estrogênio e testosterona;
É um ser acordado e tão adormecido;
É do verbo Fazer e do verbo Sentir;
É do verbo Amar;
É do verbo Odiar;
É ser criadora e destruidora;
É gerar Vida e Morte;
É a essência deste mundo;
É a alma esquecida desta sociedade;

É um ser simples e ao mesmo tempo um ser tão complexo;

É um enigma... talvez o mais misterioso do universo.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Entrevista à In Dancing Shoes

http://www.indancingshoes.com/2013/09/a-conversa-comsara-naadirah-e-o-que-o.html

À Conversa com...Sara Naadirah "É o que o meu trabalho é: Precioso e uma Escolha Rara!"


Sara Naadirah nasceu em 1979 em Portugal e desde cedo teve contacto com a dança, frequentando aulas de ballet. Foi aí, na academia onde tinha aulas de ballet, que Sara se sentiu atraída por uma melodia diferente... a música árabe! E assim o ballet foi trocado pela dança oriental.

Sara Naadirah, este nome surgiu como?
Quando comecei a minha carreira como bailarina profissional, senti a necessidade de ter um nome artístico que refletisse a minha dança. Assim, escolhi Naadirah (Sara é o meu nome verdadeiro).

O que significa Naadirah?
Significa Preciosa ou Escolha Rara. É o que o meu trabalho é: precioso e é uma escolha de vida rara.

Do ballet para a dança oriental...era uma mudança inevitável?
Curiosamente não foi a dança oriental que me chamou primeiro a atenção mas a musica árabe. Foi por esta que me apaixonei primeiro e claro, consequentemente, veio a dança. Foi como um chamamento que mudou, literalmente, a minha vida, o meu sentir, o meu estar. Encantamento esse que dura até hoje.

E porquê a dança oriental?
E porque não? Sempre soube, desde criança, que o meu dom era a dança. Fiz diversos estilos mas foi a Dança Oriental que mais me cativou. Senti uma identificação fora do comum com este estilo desde as primeiras aulas. Encaixava-se perfeitamente no meu corpo e na maneira de me expressar. Esta dança desafia-me de tal maneira - fisicamente, psicologicamente e espiritualmente - que nunca me deixa acomodar. Hoje, como bailarina/artista permite que minha sede de criação não tenha limites. É realmente uma dança que me provoca, e faz-me ir mais além do que o óbvio. Foi sempre isso que quis como bailarina.

Sendo oriundo de uma cultura completamente diferente da nossa, existe muito preconceito relacionado com este estilo de dança?
Quando comecei, há 12 anos atrás, era praticamente desconhecida. E como em tudo, o que não se conhece, julga-se com base na ignorância que gera preconceito.
Sinto uma grande diferença desde essa altura para os dias de hoje. Está melhor, mas a Dança Oriental em Portugal, como no resto do mundo, ainda tem um longo caminho a percorrer até ser completamente aceite e respeitada.
Na minha opinião e experiência, a dança está intimamente ligada à condição que a mulher impõe a ela própria, ou seja, se eu não me respeito, como ser humano e mulher, então não dignificarei a minha dança, pois esta é o espelho da minha alma, e estarei a contribuir para esse saco de ignorância e criticas.

Qual a importância da identificação com a cultura árabe para quem pratica dança oriental?
A Dança Oriental, neste momento, é universal. Expandiu-se para fora da sua cultura. Pessoalmente, não acho que tenhamos de nos identificar completamente com a cultura árabe. Mas, claro que se se sentir alguma afinidade com a cultura árabe melhor, pois mais profundamente irá assimilá-la e compreende-la.

Quais as principais dificuldades que sentes no dia-a-dia?
A maior dificuldade que encontro é impor ao público o respeito que tenho de mim através da minha arte. Quebrar séculos de preconceitos que estão fortemente enraizados na nossa sociedade através da arte/dança, sem cair na comum vulgaridade que tristemente se vê, esse sim é o grande desafio e dificuldade.

É difícil sobreviver nesta área?
Se é difícil sobreviver? Sim é, como qualquer artista que ame a sua arte. É lutar diariamente na instabilidade se há trabalho ou não e lutar a cada dança pela sua dignificação.

O que poderia ser feito para ajudar a Dança Oriental a ganhar visibilidade em Portugal?
Melhores e mais sérios profissionais de Dança Oriental. Não adianta ir dançar para os media, espetáculos, eventos, festas e dar mil e uma aulas se o exemplo de quem se diz bailarino de Dança Oriental não reflete seriedade, compromisso e saber. Subestima-se muito o público, mas ele não é “parvo” e só se deixa encantar se sentir profundo profissionalismo e alma daquela bailarina/o.

Quais os teus próximos projetos?
Encantar quem me vê e aprende comigo! Todo o meu trabalho vai estando publicitado no meu site www.saranaadirah.com e blog www.saranaadirah.blogspot.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Dez anos, dez ciclos

Foi há precisamente 10 anos que comecei a actuar e a ensinar, aquela que viria a ser a paixão da minha vida: Dança Oriental.
Dez anos... dez ciclos... que dariam dez livros, dez lições de vida, dez intensas experiencias que não trocaria por nada.
Há dez anos atrás, contra tudo e todos (literalmente), extremamente ingenua mas com uma força que desconhecia, decidia: QUERO FAZER AQUILO QUE GOSTO.


E fiz. Decidi agarrar a minha vida, tomar e responsabilizar-me pelas minhas opções, sempre como guia o meu coração e a minha intuição. 
Claro, que não foi o caminho mais obvio e esperado. Ser feliz requer coragem e personalidade. Foram sim dez anos duros, dez ciclos sem rede e dez amadurecimentos. Ser bailarina (por vocação e não por vaidade) é isto... foram dez danças viscerais, dez improvisações profundas, dez mortes e dez renascimentos.


Depois de umas férias... que diria que foram... desintoxicantes, finalmente, consegui acordar de um estado de zombie que me encontrava.
Recuperei o meu objectivo, refoquei-me e toda a minha atenção será, em primeiríssimo lugar, para uma unica pessoa: EU.
Hoje começa um novo ano, um novo ciclo... não faço ideia do que me espera, já deixei há muito de fazer planos. Na dança como na vida, improviso... mas com uma certeza: estou bem mais otimista que há um ano atras. Sinto-me mais viva e amadurecida que nunca.
Que mais uma época comece e que mais uma dança se inicie: YALLA!!!!


sexta-feira, 26 de julho de 2013

O meu trigésimo terceiro ano:

  Quem me segue, aqui pelo blog, sabe que no final de cada época lectiva (que coincide com a passagem de mais um aniversário meu) faço um balanço do que foi o último ano.
Posso dizer que: se o ano passado tinha sido o ano da desilusão e difícil, este foi o ano do desencantamento e bem duro.

Sempre ouvi dizer que, tudo que é belo, tem de passar pelo fogo. Que este purifica. Torna mais autentico. 
Foi pelo Fogo que que passei este meu trigésimo terceiro ano de vida... e, com muita dificuldade, lágrimas, incertezas, desencantamentos, quase a rastejar (muitas das vezes) consegui sobreviver. 
Esta é a palavra certa: SOBREVIVI!

Quem me conhece sabe, que não me mascaro com relatos que a minha vida (apesar de fazer o que quero) é só glamour e facilidades. MUITO PELO CONTRÁRIO!!! Quando decidi - há 10 anos atrás - que iria seguir o meu destino, não imaginava a coragem e determinação que precisaria de ter.
Decidir não seguir a "carneirada" (tanto como bailarina e como cidadã deste mundo) tem o seu preço que não é fácil pagá-lo... é um processo que exige um amadurecimento fora do vulgar e adiantado para a minha idade.
Nunca me ensinaram a lidar com o improviso que é o meu dia a dia - curiosamente a Dança ajudou-me nisso - o meu quotidiano ensinou-me que, tudo tem uma consequência e o que plantas - em ações, palavras e pensamentos - colherás. 
Eu semeei durante todo este ano. 
Estive mais recolhida a observar, a ponderar, a processar, a sentir as chamas a passarem por mim e ter a tentação de querer sair delas vendo o caminho mais fácil e obvio.
Sobrevivi, e agora sinto-me GRATA por ter conseguido passar por tudo sem deixar de ser EU. Apesar de ter-me ido abaixo psicologicamente, espiritualmente e principalmente fisicamente, consegui ser-me fiel.
Passei pelo Fogo, saí chamuscada mas nunca estive tão lucida das minhas capacidades. E, curiosamente, nunca dancei tão bem como agora. Sinto que ultrapassei obstáculos que me impediam de sentir a plenitude que é DANÇAR sem constrangimentos, medos ou preconceitos. Pela primeira vez, olho para a minha dança e vejo DANÇA, vejo ARTE, VEJO-ME.
Foi preciso passar pelo fogo do deserto para subir os degraus que estavam bloqueados, e tornar a minha passagem por este mundo mais genuína e verdadeira. Transformei-me e sinto-me ORIGINAL, com a certeza do que quero.
Muitos poucos compreenderão o que quero dizer. Infelizmente, a ilusão baseada num encantamento mundano continua a ser mais forte e daí, dar GRAÇAS a DEUS por ter-me desiludido e desencantado em TODOS os o níveis da minha vida, tanto profissional como pessoal.


O que notei também, neste ano que passou, foi que as semente que plantei no passado deram frutos pelas vias que menos esperava:
- desta segunda vez que tentei fazer um espectáculo no Museu do Oriente, as portas abriram-se que nem o mar vermelho se abriu para Moisés. Confiaram no meu trabalho e este "Da MULHER" correu melhor que o primeiro;
- a grande surpresa, para mim, foram as minhas alunas. Elas não imaginam que a minha maior recompensa foi ver que a semente dos meus ensinamentos - que são mais que meros passos de dança - deu frutos! E que frutos saborosos!!! Conquistas nos três primeiros lugares em concursos a nível nacional e tenho o orgulho de saber que quem aprende comigo APRENDE dança e a andar pelas suas próprias pernas;
- o prazer que foi estar mais próxima de colegas que respeito e adoro! Saber que não estou sozinha embora, o caminho da dança seja na maior parte das vezes solitário. Ter a sensação de ser respeitada e também admirada pelo meu trabalho é reconfortante.

LEÃO o meu signo

Agora, à semelhança dos outros anos, vou descansar. Desintoxicar-me com água salgada e fortalecer-me com o sol e natureza. O que se sucederá no meu próximo ano de vida? Não faço ideia, mas já nem ouso planear... o que vier será bem vindo, mas por favor: chega de provação...!


PS: deixo aqui o link de uma das minhas muitas danças deste ano. Mais do que palravas, a minha comunicação corporal diz muito mais: 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Aulas Semanais . Época Setembro 13 a Julho 14

Aulas de Dança Oriental 
 Sara Naadirah

15 Set.13 / 25 Jul.14

Destinado a todos que pretendem aprender dignamente a arte milenar que é a  Dança Oriental.
O meu método, reconhecido e eficaz é o resultado de 10 anos de ensino a centenas de alunos.

ATREVA-SE A EXPERIMENTAR E SURPREENDA-SE!!

OEIRAS E LISBOA



OEIRAS
Espaço InSoul
(Rua Melvin Jones, nº 1, loja 1A, Nova Oeiras - 21 441 13 73 / 93 842 15 43)

Inicio a 18 Setembro até 23 Julho

Quartas Feiras:
Nível Iniciado– 19h30 às 20h30
Nível Intermédio– 20h30 às 21h30

Mensalidade: 35€
(sem valor de inscrição)

Informações e inscrições contacte: saranaadirah@gmail.com ou 914258256



LISBOA, Estefânia
Espaço Dançattitude
(Travessa Escola Araújo, nº3 A)

Inicio a 17 Setembro até 22 Julho

Terças Feiras:
Nível Iniciado– 19h às 20h – 35€
Intermédio/Avançado– 20h às 21h30 – 37,5€
(inscrição: 7,5€ para seguro)

Informações e inscrições contacte: saranaadirah@gmail.com ou 914258256



LISBOA, Campolide
Dança Livre

Segundas Feiras:
Nível Aberto – 19h às 20h30

Preços e inscrições: contactar a escola Dança Livre:
(rua marquês de fronteira, 76, Campolide)
213 894 190




saranaadirah@gmail.com   914258256
facebook.com/sara.naadirah

terça-feira, 25 de junho de 2013

Eventos de final de ano a não perder!

Aqui vão sugestões:

. 6 Julho, 21h – Gala Final de Ano Dançattitude, no auditório da ADCEO (Encarnação) com a minha participação e a da minha turma – informações: www.dancattitude.com

















. 18 Julho, 21h – espetáculo DRUMZY com Hossam Ramzy e Serena (percussionista mundialmente conhecido e a sua esposa e bailarina), no auditório Orlando Ribeiro (Telheiras) - Informações: www.juditedilshad.com











. 19 Julho, 21h – Espactáculo Final de Ano Mahtab, no autidório Orlando Ribeiro (Telheiras) com a participação da minha turma – Informações: contactar estudio Mahtab -http://www.mahtab.com.pt/



. 20 Julho, 21h – Prémio Dançattitude GRUPOS, no auditório da ADCEO (Encarnação) onde estarão a competir dois grupos de alunas minhas - informações:http://premiodancattitudegrupos.weebly.com/index.html

















E já na próxima época:

SETEMBRO 13 – espactáculo Mahtab "As Mil e Uma Noites"



11,12,13 Outubro 2013– East Fest Lisbon
Toda a informação: www.eastfestportugal.weebly.com







sexta-feira, 14 de junho de 2013

Moderno Oriental???

Afinal o que é isto de Moderno Oriental ou Moderno Árabe? Um estilo novo? Uma dança nova? Uma nova vertente?
Simplifico: é a mais pura e real Dança do Oriente.
Confusos??? 
Ora pensem um pouquinho: 
O que é a D. O. senão a nossa e individual expressão corporal, vinda directamente da alma numa linguagem ancestral e universal?!
A meu ver, o Moderno Oriental ou Árabe (como quiserem chamar) não é mais que o título rotulando a contemporânea tendência desta dança. Mas, que tendência é esta??


Para perceber o que se passa hoje em dia com a D.O. tem de se recuar no tempo e saber o mínimo da história desta e, o mais importante, o que é a essência da D.O.
Se analisarmos bem o percurso da D.O. ao longo dos tempos, percebemos (entre muitos aspectos) dois que acho importante para o assunto:
1º - a essência sagrada que esta possuía foi-se perdendo dando lugar a uma dança - embora rica em movimentos - superficial;
2º - dessa superficialidade evoluiu para uma dança comercial onde o exterior e um amontoado de movimentos bonitos se sobrepõe à sua essência original.
Entendo, que foi importante esta passagem, e teve os seus frutos: de uma dança rural e desconhecida passou a ser mundialmente conhecida e glamorosa. Grande nomes surgiram não só na dança mas também na musica. Estes, contribuíram com grande obras de arte que, ainda hoje são a plataforma de inspiração para as bailarinas e músicos. 
Mas, do outro lado da moeda, surgiu preconceitos que ainda se fazem sentir. A meu ver, tem haver com a absoluta ausência dessa essência original.
Esta "nova" tendência (rotulada como Moderno Oriental) não são as fusões inventadas, nem tem nada haver com os trajes da moda, muito menos haver com espectáculos quase circenses, com um sem numero de adereços. Não! 

O verdadeiro Moderno Oriental, é a tendencia onde bailarinos vão resgatar a tal essência sagrada da dança, tornado-a pessoal e original. É uma fusão entre o movimento, a musica, o corpo e a alma que culmina não só numa mera coreografia, mas numa comunicação sagrada entre o bailarino e o seu publico.

Quando digo "sagrada" obviamente não me refiro ao conceito de religião. Refiro-me ao mergulhar profundamente no que sinto pela dança e elevá-la ao estatuto que merece. É dar-lhe a importância devida, não a desvalorizando vulgarizando-a. 
É sobrepô-la a egos, vaidades, inseguranças e faltas de auto-estima. 
É uma busca incessante pela originalidade que há em nós, através do conhecimento profundo do nosso corpo , os movimentos característicos desta dança e partilhá-la com o mundo. 
Claro, que esta tendência reflecte todo o quotidiano dos dias de hoje, muito diferente de trinta , quarenta anos atrás. Sofre a influencia de vários estilos de musica e dança. Novas mentalidades que com as suas criatividades deram uma lufada de ar fresco, ditando, neste preciso momento, "as novas regras" mas... para interiorizar este conceito de Moderno Oriental, é preciso ter humildade em querer (sobretudo) sempre aprender, tendo esta máxima - que uso para mim própria - como, através da D.O., me posso conhecer melhor e assim tornar-me um ser humano melhor.

BOAS DANÇAS... BOAS DESCOBERTAS...



quinta-feira, 6 de junho de 2013

Partiu... para um descanso mais que merecido

Hoje partiu, aos 94 anos, uma Mulher com letra grande. 
Um ser que soube ser mãe, esposa, avó, amiga dos seus amigos. Um ser que define o que é ser mulher.
Era a minha avó... uma das pessoas mais inspiradoras que tive a honra de conhecer e conviver.
Cuidou de mim nos meus primeiros dias de vida, quando a minha mãe recuperava de uma gravidez difícil e ensinou-me, através do seu exemplo, algumas das minhas maiores lições de vida.
Sou a neta fisicamente mais parecida com ela, mas herdei também a coragem e determinação que possuía sem nunca perder valores e generosidade. Embora nunca me tenha visto dançar, toda a minha dança é um reflexo da força que me passava.
Era uma mulher genuína como há raras hoje em dia... agora está a ter o seu descanso merecido. O seu legado continua vivo comigo e com a minha irmã que passará, de certeza, para os nossos descendentes.
Sei que olhará por mim onde quer que esteja porque, ao despedir-me dela, simplesmente sorriu-me, sem uma unica palavra. 
Um sorriso que ficou gravado na minha alma... esse sorriso foi mais que mil palavras... não foi  de choro ou tristeza... foi de esperança e sentimento de missão cumprida. 
Que sorte que tive de ter tido uma avó assim!



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Que tarde bem passada!

E foi mesmo, o convívio que aconteceu no passado sábado, com direito a sala cheia.
Sinceramente, não pensei que aparecesse tanta caras conhecidas. Desde alguns colegas, a alunas, familiares e amigos falou-se e comentou-se aspectos muitas vezes negligenciados sobre a Dança Oriental, num ambiente informal e de partilha.
Entre chá e bolinhos, todos falaram e expressaram as suas opiniões, enquanto assistiam às performances de algumas das minhas corajosas alunas, que, com um certo receio, expuseram as suas danças simples mas magnificas.

Haverá mais, Prometo!!!!

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Tertúlia/Convívio no estúdio Mahtab

E porque a Dança Oriental não se faz só com profissionais, aqui fica uma sugestão para uma tarde bem passada: 


Muitas vezes esquecemo-nos (nós professores e bailarinos) que os nossos maiores "fans" e apoiantes são os nossos alunos. A eles devemos respeito e também admiração pela coragem que têm em querer aprender esta dança que de fácil não tem nada.
Esquecemo-nos também que muita da dança que se pratica são por eles mesmos. E são eles, que fazem a grande divulgação para um público que, à partida, não está sensibilizado para a Dança do Oriente.
Sempre que posso, gosto de estimular os meus alunos a sair dos seus casulos, mostrarem o que sabem e sentem. Este desafio que lhes lancei é exatamente isso: pô-los a falar e, principalmente, a dançar explicando-lhes a responsabilidade que têm nas mãos sempre que dançam e sempre que espalham o conceito complexo deste universo.
A dança também é feita por milhares de amadores em todo o mundo... e curiosamente, encontro talentos que me agradam muito mais que alguns supostos profissionais. Eu gosto de apoiar e dar valor a estas perolas espalhadas pelo planeta e Portugal não é exceção, como vulgarmente se pensa. 
As minhas alunas são-me pérolas que - embora não tenham consciência disso - dou-lhes um valor incalculável. Serão algumas delas que irão brindar-nos com as suas danças nesta tarde e serão elas, o pretexto ideal para convivermos (professores, alunos e amigos) numa tarde descontraída e informal. Uma celebração da dança, da Dança Oriental.
APAREÇA!!!!

terça-feira, 23 de abril de 2013

Perguntam-me, muitas vezes, se vivia se não dançasse

Perguntam-me muitas vezes se vivia se não dançasse. 
Resposta: vivia.

A dança faz parte da minha vida, da minha personalidade, é a minha melhor forma de expressão e comunicação mas não me define por inteiro.
Eu acredito - porque o sinto na pele - que ser bailarina e depender da dança para viver requer muito mais que paixão pela mesma. Requer um amor incondicional por esta Arte, mas sobretudo requer uma constante dádiva a tudo que me rodeia, uma constante procura que vem de dentro.
Estar fechada num estúdio e dançar de manhã à noite não me preenche em nada. Passar o dia a ver vídeos do youtube de performances ou estar constantemente a ouvir musica árabe seria tortura para mim. Não é a fechar-me num mundinho da fantasia criado por mim que irei dançar melhor.
A minha dança define-se em TUDO que faço em cada segundo. 
As minhas ideias para shows tenho-as a ver um filme, a ler uma revista enquanto como um belo bolo. A minha forma de fazer exercício é a passear a minha cadelinha. Medito enquanto brinco com ela e com os seus amiguinhos caninos.
É a resgatar um animal perdido e fazer reencontrar o seu dono (como o fiz no outro dia), é em ajudar um idoso no supermercado, é em participar em manifestações em prol do que achamos justo, é FAZER em vez de somente clicar nos "likes" do facebook, é PARTICIPAR e APOIAR os meus colegas indo aos seus espectáculos, é visitando outros países e vendo outras artes que arranjo FORÇA e VONTADE para continuar a dançar profissionalmente passados 10 anos. 
É assim que me consigo reinventar ano após ano, dança após dança com coreografias 100% improvisadas. A minha imaginação não tem fim porque crio um poço - dentro de mim - de experiencias vividas que  transparecem quando danço.
Eu simplesmente vivo e só faço aquilo que me apetece, e apetece-me muita coisa sem ser só a dança.
Por isso, vivia sim se não dançasse... mas não era, de certeza, a mesma coisa.