Avançar para o conteúdo principal

CARTA ABERTA a todos os alunos: Lições de Vida e de Dança

Sou sincera: eu comecei a dar aulas de dança por pura obrigação. 
Imaginava - quando comecei a aventura de viver da dança - que bastava viver dos sonhos e dos palcos. Percebi, logo de imediato, que não... os sonhos, infelizmente, não têm o lado prático que a vida exige. Precisava de pagar contas e comprar bens indispensáveis do quotidiano. Ganhar ( como toda a gente) dinheiro e assim decidi começar a dar aulas afim de conseguir ter algum money mais regular.
Surpreendentemente, adorei e adoro a  experiência. 
Durante estes últimos 10 anos que lecciono, passaram por mim milhares de simpáticas e talentosas alunas e alguns alunos que, me ensinaram mais sobre as relações humanas que de outra forma seria impossível. Para o bem e, muitas vezes, também para o mal, sinto que tenho um doutoramento em sociologia e psicologia. Desenvolvi - e continuo a desenvolver - aspectos da minha personalidade que pensava que seriam impossíveis de adaptar ao complexo mas, interessante trabalho que é leccionar. 
Ensinar a dançar é totalmente diferente que simplesmente dançar. Numa aula, a minha preocupação é passar o conhecimento que adquiri e principalmente conseguir que, aquela pessoa que faz questão de aprender comigo, dance pelas suas próprias pernas com toda a sua individualidade e criatividade. 
Eu não "fabrico" clones. Mostro os meios para despertar a alma dançante que cada aluna/o tem.
É um processo que exige tanto de mim como de quem está a aprender. Eu não sou uma professora de dança convencional. Sou extremamente exigente e rigorosa. Eu ensino com a mesma proporção de seriedade e respeito que tenho da Dança Oriental, ou seja, muito, muito a sério. Devo esse cuidado às alunas, devo-lhes essa consideração.
As minhas alunas sabem que eu provoco-lhes, faço-lhes pensar, tiro-lhes da zona de conforto, faço-lhes trabalhar e suar. E neste processo, muito físico e prático, faço questão de passar as experiências que fui tendo ao longo dos anos que me fizeram amadurecer como pessoa e bailarina.  Assim como esta dança mudou a minha vida e me deu e dá alicerces para ser quem sou hoje, também desejo que esta (D.O.) vos toque na alma. 
São estas Lições de Vida e de Dança, que vos quero partilhar de coração aberto.
Leiam, meditem e apliquem na vossa vida e na vossa dança.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Os Primeiros 24 Meses do Resto da Minha Vida

Foram precisos dois anos para conseguir escrever este post.  24 + 9 meses intensos e transformadores. Tal como no texto anterior - Assim Nasceu uma Mãe - precisei de tempo, distancia e lucidez para que estas palavras que aqui vou escrever sirvam-me como uma catarse. Partilho-as porque sim. Porque é preciso dar voz. Porque sinto que há mulheres a precisar de lê-las, de homens a precisar de compreender e uma sociedade a precisar de ter consciência. Porque muito se fala sobre o "cor-de-rosa" da maternidade mas pouco sobre o seu "cinzento". Eu irei partilhar o meu "cinzento" com toques "cor-de-rosa" que nada mais é que somente a MINHA verdade, sem pretender ter comparações, competições ou julgamentos que resultem em criticas ou conselhos (des)construtivos.
Há pouco tempo, enquanto a minha filha brincava num parque infantil, eu, desabafava chorando para a amiga que estava comigo. Por momentos, tive a impressão que muitas das mulheres que ali estavam tam…

E assim Nasceu... uma MÃE.

Ela dorme profundamente. Está silencio e, só agora, passado oito meses desde o nascimento da minha filha é que consigo - FINALMENTE - sentar-me com calma ao computador e retomar o blog. Não escrevo desde Junho. Não consegui. Disse que o voltaria a fazer em Novembro passado... antes de ela nascer disse tanta coisa... pensei tanta coisa... e já se passou tanta coisa. Precisei de tempo. Tempo para criar alguma distancia e assim ter capacidade de raciocínio e destreza emocional para este post. É um texto que me é difícil, mas que me exigi escrevê-lo. Escrevo-o para mim, para recordar, arrumar pensamentos, acalmar sentimentos e para pôr em palavras como foi e como é esta minha nova vivência. Ao partilhá-lo espero que chegue ao coração de muitos e à alma de de quem é mãe.
Eu demorei 36 anos a querer ter um filho. Nunca entendi o tal "relógio biológico a dar horas"(aliás, ainda hoje não percebo o que isso é) e desejo de engravidar. Muito pelo contrario! Fugia "a sete pés" de…