quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O meu espetáculo "Simplesmente Dançando..."


Tenho o orgulho de dizer que o meu último espectáculo foi um sucesso!

Recebi criticas e comentários fantásticos. Muitos que foram assistir chegaram mesmo a dizer que foi um dos melhores que realizei, se não o melhor. O que me deixa extremamente feliz, pois assim sei que continuo a evoluir como bailarina e artista, e se assim não fosse todo o meu trabalho e vida não estariam a fazer sentido.

Senti neste espectáculo uma evolução. Não falo só da dança em si, pois essa parte vou evoluir para o resto da minha vida, mas acho evolui na interacção com público, num espectáculo melhor construido. Tímida por natureza, senti que estou a conseguir quebrar uma espécie de "parede invisível" que há entre o publico e o artista. Senti que o público estava ali curioso e de coração aberto o que me facilitou essa mesma interacção. Até mesmo os mais desconfiados, desarmaram e deixaram-se encantar, através de mim, pela Dança Oriental. E as palmas soaram maravilhosamente no meu ouvido!

Adorei, como sempre adoro, todo o processo de realização de um espectáculo. Desde a ideia, passando pela escolha das musicas, trajes, ensaios, nervos, duvidas, enfim... todo o processo criativo até á sua concretização e mais uma vez tenho o orgulho de poder dizer, que sou a única no nosso país a idealizar, realizar e a ter coragem de fazer um espectáculo deste tipo: a única a dançar (não é nada fácil aguentar todo um espectáculo onde sou a única bailarina que vai dançar), intimista ( o publico não está distante, mas ali á minha frente onde eu sinto toda a energia) e muito egípcio (nada de fusões e outras complicações, dança oriental na sua mais pura vertente).

Adoro imaginar e sonhar, mas depois realmente por esses mesmos sonhos em prática. E este show foi mais um sonho posto em prática que dediquei ás centenas de alunas que já passaram por mim: as que gostam de mim, que me respeitam e admiram e também aquelas que me detestam, dizem mal e fizeram-me a vida negra. Todas elas e alguns eles fizeram com que chegasse onde estou hoje e por isso eu agradeço. Claro que algumas alunas são especiais (elas sabem quem são) e a essas a dedicatória foi emais sentida!

A ti, meu Amor, cada vez que eu danço, é para ti.... e tu sabes disso!

Estou ansiosa por próximos projectos, novos sonhos, e já tenho umas ideias em mente...

"Me aguardem..."
PS: assim que tiver as fotos irei colocá-las na minha página de facebook e algumas partes no youtube.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Fazer omeletes sem ovos

Vou contar-vos a odisseia que foi o meu sábado passado.
Comecei cedo com um workshop para crianças, que correu lindamente, os mais pequeninos têm um sentido de descontracção que é belo, dançam com uma pureza que só se vê mesmo nestas idades... a seguir ensaio com o meu querido amigo Américo Cardoso, para o meu show dia 21, até aqui tudo bem...
Vou para casa, almoço, preparo a mala com fatos e adereços para a longa noite de trabalho que irei ter: dançar num jantar de aniversário de um VIP e serão no Al-Sahara.
Descanso toda a tarde pois nunca sei como será a noite!
Preparo-me (maquilhagem e cabelos) e lá vamos (eu e o meu amor, fiel manager) em rumo ao restaurante onde estava a decorrer o tal jantar de aniversário. Começa a aventura...
Primeiro que estacione é um tormento, começa aí os meus nervos, tinha de lá estar às 21h30, eram 21h35 e ainda andávamos à procura de lugar, já irritada peço-lhe para estacionar na rotunda. Assunto arrumado! Se apanhar multa logo se verá...
Vamos a correr para o restaurante, chego, combino tudo com a pessoa que me contratou e só nessa altura é que sei para quem é a festa, é para o pessoa famosa com pessoas também famosas, fiquei um pouco apreensiva... os nervos começaram-me a subir pelas pernas... lição numero um da noite: nunca se sabe quem vamos encontrar! (por questões de respeito á privacidade de quem me contratou não vou poder dizer quem fazia anos ).
Dei o meu cd com as duas musicas que iria dançar e peço para experimentarem não vá o cd não dar... e lá puseram o cd enquanto me fui vestir, esperando que me dessem sinal para começar a dançar (era uma surpresa, ninguém da festa sabia que iria dançar). Esperei e esperei enquanto não conseguiam pôr a bendita da musica do início... já me estava a passar... tinha de me despachar que ainda tinha de ir para outro lado... bom, lá conseguiram e lá fui eu... e aqui é que começo a fazer as "omeletes sem ovos".
A música estava baixíssima e ainda por cima, estava lá um grupinho de crianças que quando me viram ficaram histéricas, não me deixando ouvir nada. Primeiro que tudo ficasse em silencio, já tinha passado quase metade da primeira musica e eu a dançar... sem espaço nenhum, tive me colar ás pessoas e agora imaginem: tinha a melaya e o véu. Tive de desistir logo destes dois adereços... e continuar sem espaço, sem ouvir a musica mas a ouvir os comentários que faziam... e aprendi a lição numero dois da noite: ainda em Portugal confundem strippers com bailarinas orientais. Que desgosto, mesmo assim, continuei com a consciência que tinha de brilhar e brilhei. Fiz uma omelete... fantástica e não sei como. Sem ouvir a musica, crianças e adultos a falarem, sem espaço... não sei como consegui! Só sei que no final todos me aplaudiram e os "terroristazinhos" já nem queriam que fosse embora.
Missão cumprida e omelete feita, despeço-me e lá vou para para o outro local fazer outra omelete.
De novo desespero para estacionar. Conseguimos e lá vou eu para mais uma maratona de quatro danças repartidas até ás 1h30 da manhã.
No bar, nada de novo, mas nesse dia as pessoas estavam particularmente histéricas, e não se calavam. Ao dançar a primeira musica só pensava: "é pá fumam lá uma xixazinha para se acalmarem." mas os meus pensamentos não bastaram, lá tive de dançar de novo com barulho de fundo e (esta foi nova) chão escorregadio (estava a chover lá fora e quando entravam traziam um pouco da chuva para dentro). Esta omelete foi mais difícil pois ia dando um tralho de todo o tamanho. A noite estava complicada, e eu a ficar sem paciência...
Lá dancei as outras músicas, mas pedi para porem bem alto, pode ser que assim percebam que está alguém a executar uma dança e se calem. Lá resultou... mas dançar mais uma vez colada ás pessoas não é lá muito confortável e ainda por cima com os pés no chão que continuava molhado, sem aquecer e sem alongar minimanente o corpo... Mais uma vez não sei como consegui...
Fim da noite! Vou vestir-me na casa de banho já completamente suja e faço uma ginástica esquisita para ver se consigo não sujar os meus trajes, resultado: ia incendiando um véu! Por sorte não queimou o traje que estava por cima!
Volto para o carro completamente esgotada física, mental e emocionalmente. E penso: vou para casa finalmente!!!
Chego ao carro, e imaginem: ele não pega! "f..., só me faltava mais esta!!!" Disse eu.
Digam lá que não é uma odisseia... mas as omeletes ficaram boas... isso é o que interessa. Como as faço acho que começa a ser obra divina.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Confissão...


O meu espectáculo de dia 21 de Novembro está a chegar e confesso que estou cheia de medo...


Medo que não apareça ninguém...

Medo que faça má figura...

Medo de dançar mal...

Medo que me achem gorda e sem jeito...

Medo de desiludir as minhas fiéis alunas...

Medo de falhar...

Medo de não surpreender...

Medo que não gostem do show...

Medo...


Também tenho muitas inseguranças, principalmente antes de cada show. Não é fácil expor-nos desta maneira, mas é o meu trabalho, a minha paixão. Antes de dançar digo para mim mesma "para quê que me meti nisto, devia é ter ficado quieta!" mas depois tudo acontece e desejo sempre voltar a repetir.

Que vida a minha...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

As Minhas Memórias - 4ªparte - Arquitectura ou Dança?

Escolher entre a profissão académica e a profissão do coração, foi uma das decisões mais difíceis, se não, a mais difícil que tive de tomar até hoje.
A escolha que acabei por seguir, não a decidi de um dia para o outro, demorei anos a perceber que um caminho, embora bem visto pela sociedade, me levaria á frustração e o outro, completamente mal interpretado, me desafiaria ao longo da minha Vida.
Como todos sabem, segui o que o coração me gritava: Dançar.
Como todos os adolescentes, tive imensas dúvidas, principalmente a partir do 9ºano, do que queria fazer quando fosse adulta. Embora soubesse que a minha paixão fosse a dança, cresci a ouvir dizer que isso não era profissão, que a Arte em geral não enchia barrigas, não pagava contas e o pior: era mal visto. Desde a pintura, á escultura, ás artes gráficas, ao teatro, etc... não era um trabalho, era qualquer coisa... menos uma profissão digna. Todas menos Arquitectura.
Como sempre percebi que não poderia seguir dança ( a clássica) pensei sempre em seguir alguma coisa relacionada com Artes e claro só tinha uma hipótese digna de satisfazer a sociedade, ou melhor, os meus pais, se é Artes, só pode ser Arquitectura. E lá fui eu! Todos (pais) super orgulhosos e eu completamente iludida a entrar na faculdade...
Muitos perguntam-me ou ficam admirados por:
1º ter um curso superior - uma bailarina de dança oriental formada?!!!
2º Arquitectura - não é um curso qualquer, dizem muitos, é uma formação respeitável!
3º e agora danças... Dança Oriental?!!! - o que se passou pela minha cabeça, ter uma licenciatura e trocar isso por dança?!!
Pois posso dizer toda orgulhosa que sou licenciada em Arquietctura pela faculdade Lusíada, e não me arrependo nada de ter estudado e ter ido para a faculdade. Mas não amava Arquitectura, não sonhava em ser arquitecta, eu nem sequer sabia bem o que isso era... fui porque tinha de ir, não queria desiludir os meus pais, e pensava, vou aprender e vou acabar por gostar e seguir uma grande profissão!
Durante os seis anos (chumbei logo no primeiro ano, para verem a ilusão que estava metida) de faculdade "sofri" uma das maiores transformações: passei de criança a adulta e foi lá que, através da própria formação, colegas, e extraordinários professores que tive o privilégio de ter aulas, percebi que não adianta lutar contra a nossa natureza e o mais importante é seguir o que nos vai na alma, nem que para isso choque tudo e todos á nossa volta.
Foi isto que aprendi na faculdade: armas para lutar pelos meus sonhos.
No início do curso percebi logo que não achava muita piada aquilo, fazia por pura obrigação, já que lá estava tinha de continuar... a meio do curso já um pouco desesperada por nunca mais terminar, conheci o meu marido (a faculdade também serviu para isso, além de me encontrar a mim própria, encontrei o Amor da minha Vida) e foi ele que me ajudou a continuar. Nos últimos dois anos, só pensava em desistir, tinha começado a ter as aulas de Dança Oriental, que me fez repensar naquilo que realmente queria para a minha vida, já não aguentava mais aquele curso e aquela faculdade.
No último ano pensei mesmo em sair, mas como estava a terminar, decidi (e ainda bem que o fiz) terminar, embora, no meu intimo já tivesse decidido que acabava o curso mas nunca mais pegaria num projecto. E foi isso que aconteceu! Acabei a faculdade á seis anos e o meu último projecto foi o meu trabalho final de curso... e digo-vos que não tenho saudades nenhumas!
Queria ser bailarina, o meu sonho de criança... e imaginem quando disse isto aos meus pais... não, não imaginam!
Gostaria muito de vos dizer que os meus pais aceitaram lindamente, aplaudiram de pé e me disseram: força filha!!! Claro que isso não aconteceu, muito pelo contrário...
A desilusão de eu não seguir uma profissão "digna" e que tanto projectaram para mim foi grande, e ainda hoje, embora a uma outra escala, acham que não trabalho, faço algumas coisas... mas não é trabalho com futuro.
Se é ou não, não sei, mas pelo menos tive a coragem de seguir aquilo que realmente queria e ninguém me pode dizer que fui "obrigada" a dançar. Segui o meu coração, mas foi muito difícil enfrentar o estigma da sociedade, pais e até os meus próprios preconceitos e tabus.
Só depois de ter começado a dar aulas e a apresentar-me em público é que comecei a entender o difícil caminho que tinha escolhido, pois de de inicio pensei que tudo iria ser mar e rosas. Mais uma vez iludida!!! Tive e tenho de trabalhar muito e provar muito a muita gente que não era uma decisão por puro capricho de menina mimada.
E provei!!! Embora os meus pais continuem a achar que não é profissão e que não trabalho, aparentemente, respeitam a minha decisão, mas não aprovam... e ainda hoje sinto uma mágoa por isso... queria muito que entendessem...
Incrível, mas a única pessoa que me entendeu e apoiou, foi o meu marido. Embora quando abordei o assunto de que "se calhar não é arquitectura que quero fazer" ele tenha reagido mal e não tenha percebido na altura, eu querer "jogar fora" anos de estudo.
Namorávamos na época, e ajudou-me em todo o processo inicial, principalmente quando tinha grandes discussões com os meus pais. Apoiava-me indo aos locais onde ia dançar e chegou mesmo a aprender um pouco de percussão para me acompanhar em exibições!!!
Muito me disseram que me ia arrepender, e não desminto que já houve momentos que pensei: " o que fiz da minha vida, devia ter feito o estágio e estar num atelier", mas são só momentos. Adoro a minha Vida e adoro o que faço, sinto-me orgulhosa de ter sido eu, na altura certa, ter pegado nas rédeas do meu futuro, e ter ouvido o meu coração, não me deixando influenciar por preconceitos, opiniões, experiências de vidas, o que dá dinheiro, estabilidade, etc... Escolhi dançar, escolhi sentir-me bem naquilo que faço, embora seja difícil o caminho, mas pelo menos é o Meu caminho.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O absurdo do desequilíbrio que há no mundo

Mais uma vez estou a fazer uma dieta...
Quando me forço a passar um pouco de fome, a privar-me da abundância e variedade de alimentos que me rodeia, penso no desequilíbrio que há no mundo, pois não muito longe daqui há países e pessoas que davam tudo para ter os alimentos de que me privo.
Meio mundo obeso e meio mundo a passar fome...
Não é absurdo?!

Gratidão/Ingratidão

Para pensar:

"Se queres ver Deus a rir, mostra-Lhe os planos que tens para a tua Vida."

Que sabemos nós do nosso futuro...

Desde a última sexta feira até precisamente à pouquinho, o conceito de gratidão / ingratidão tem-me passado pela frente com exemplos bem explícitos e em tempo real, fazendo-me reflectir mais uma vez sobre a minha Vida.

Cada vez mais tenho procurado estar grata primeiro pela minha Vida e depois por tudo que tenho e acontece, mesmo que por vezes aconteçam episódios menos bons ou achemos que temos azar.

Acredito cada vez mais que tudo acontece por uma razão, nem que seja para acordarmos de um sono ou ilusão. Não é fácil sermos gratos quando as coisas não nos correm da maneira que queremos ou imaginamos. Passamos muito tempo da nossa preciosa Vida a iludir-mo-nos com planos cuidadosamente arquitectados para o nosso futuro, quando num "virar de olhos" tudo pode mudar pelas mais variadas razões e aí, em jeito de "birra" culpamos a sorte, Deus e o mundo.

Porque não agradecermos ou pelo menos não lutar contra, quando essas mesmas mudanças acontecem, pois lá mais á frente vamos perceber que se calhar foi melhor assim... Porque não agradecer (achamos nós) o pouco que temos... as alegrias que invadem a nossa Vida que não são assim tão poucas como parece... e estarmos gratos pelas "bênçãos" que nos vão acontecendo.

Acho sinceramente que somos ingratos... pela Vida, por tudo e todos que nos rodeiam...

Com as escolhas, pensamentos, atitudes que fazemos diáriamente, vamos contruindo a nossa Vida e o nosso destino vai-se revelando.

Tenho a sorte de ter pessoas á minha volta que me mostram rigorosamente o poder da gratidão / ingratidão e digo-vos que, quando vejo exemplos de pessoas que ficam tão gratas por pequenos gestos ou acontecimentos penso como vale a pena sentir-mo-nos gratos por tudo na nossa Vida . E, quando essa gratidão é sincera, a Vida, o Universo, Deus envia-nos um sentimento de Paz indescritível (obrigado Cecília por mostras-me a gratidão que sentes por tudo que te rodeia e acontece, como vês eu aprendo mais com as minhas alunas do que vocês comigo...)

Não faço a mais pequena ideia como será o meu futuro, já desisti de fazer planos para Deus rir! Mas uma coisa tenho a certeza: quando me liberto do poder destrutivo da ingratidão, a minha vida flui naturalmente e quando dou, sem expectativas de vir a receber, é aí que as bênçãos acontecem...