terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Lições de Vida e de Dança III - Entrega

Há um ditado popular que me encaixa perfeitamente: 
"Nós fazemos planos e Deus ri-se deles."
Imagino o quanto Deus ri-se de mim todos os anos, quando, por volta desta altura, faço planos para o próximo ano. 
Mas, acho que desta vez não vai ter sorte comigo... Não tenho tido outro remédio senão ENTREGAr-me. Entregar-me à Vida, e ao que esta me reserva sem "espingardar" muito,  sem fazer planos que nunca saem como planeei.
Acontecimentos recentes na minha vida, forçaram-me a pensar MUITO - talvez até demasiado - neste conceito de entrega a aquilo que não conseguimos (nem era suposto) controlar, que, para uma control freak como eu, é complicado. 
Sim, custa-me não ceder à ilusão do controle, que é o que realmente é: uma ilusão.
Então decidi (talvez esteja eu de novo a controlar) não me iludir mais. Simplesmente, deixei de teimar impondo o que penso que é bom para mim e entreguei-me ao que Deus tem planeado para mim (se é que tem alguma coisa planeada). 
Em vez de desconfiar e ter a prepotência de que Eu é que sei, estou literalmente - e talvez pela primeira vez na minha vida - a confiar e a deixar-me levar por algo superior. 
Chegamos a um ponto, que não temos outra alternativa senão submetermo-nos. Quando já fizemos de tudo, esgotamos todas as nossas cartas, só nos resta mesmo ENTREGAR e CONFIAR.
Surpreendentemente a coisa resulta numa paz indescritível e é impressionante como, de alguma forma, tudo se resolve e o resultado é muito melhor que alguma vez espetado. 
Claro, que já o faço há muito na dança. Aliás foi ela que primeiro me despertou para esta atitude. Entrego-me cada vez que piso o palco, cada vez que dou uma aula, cada vez que escrevo neste blog. Não planeio, não penso muito. Simplesmente FAÇO, simplesmente DANÇO numa entrega sagrada que faço a mim própria e ao meu publico. 
A sensação de alívio quando o faço é indescritível. E esta escolha - que é uma escolha - de entrega à vida e à dança não custa assim tanto... exige antes uma superação dos nossos preconceitos, crenças impostas e medos.
Por isso sugiro: dê um presente a si própria neste Natal, ENTREGUE-SE.

BOM NATAL E QUE 2014 SEJA O ANO... da ENTREGA e da ESPERANÇA.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Lições de Vida e de Dança II - Viver Despenteada

O Facebook tem destas coisas. Estava eu a passar a vista pelo mural quando dou por este texto, muito inspirador.
Mais uma vez, tanto na Dança como na Vida, há que "despentear" afim de se sentir, usufruir, enfim... Viver. 
Confesso que gosto de entrar num palco - seja ele qual for - toda "arrumadinha". Sou extremamente vaidosa e exigente com a minha imagem. Mas gosto mais de sair dele completamente despenteada, suada e a ferver. 
Viver e Dançar com garra realmente abala o politicamente correcto. Destroi o que tomamos por certo. Descontrola o que julgamos controlar.
Mais uma vez, pensa e Vive/Dança Despenteada:

"Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, 
por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade… 
O mundo é louco, definitivamente louco…
O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. 
O sol que ilumina o teu rosto enruga.
E o que é realmente bom dessa vida, despenteia…
- Fazer amor, despenteia.
- Rir às gargalhadas, despenteia.
- Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia.
- Tirar a roupa, despenteia.
- Beijar à pessoa amada, despenteia.
- Brincar, despenteia.
- Cantar até ficar sem ar, despenteia.
- Dançar até duvidar se foi boa ideia colocar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que nos vejamos
eu vou estar com o cabelo bagunçado…
mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida.
É a lei da vida: sempre vai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, que aquela que decide não subir
Pode ser que me sinta tentada a ser uma mulher impecável,
toda arrumada por dentro e por fora,
O aviso de páginas amarelas deste mundo exige boa presença:
Arrume o cabelo, coloque, tire, compre, corra, emagreça,
coma coisas saudáveis, caminhe direito, fique séria…
e talvez deveria seguir as instruções, mas
quando vão me dar a ordem de ser feliz?
Por acaso não se dão conta que para ficar bonita
eu tenho que me sentir bonita…
A pessoa mais bonita que posso ser!
O único que realmente importa é que ao me olhar no espelho,
veja a mulher que devo ser.
Por isso, minha recomendação a todas as mulheres:
Entregue-se, Ame, Coma coisas gostosas, Beije, Abrace,
dance, apaixone-se, relaxe, Viaje, pule,
durma tarde, acorde cedo, Corra,
Voe, Cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortável,
Admire a paisagem, aproveite,
e acima de tudo, deixa a vida te despentear!!!!"

Desconheço o autor


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Lições de Vida e de Dança I - RESPEITO

RESPEITO.
Palavra tão simples mas carregada de complexidade. Ter-me respeito e fazer-me respeitar é, provavelmente, a melhor e a mais difícil lição que a Dança Oriental me proporciona.
Durante todos estes anos, percebi o quanto a D.O. me respeita e exige respeito, como se uma entidade superior se tratasse. Este grande mestre (D.O.) mostra-me, em cada dança, tanto a ensinar como a actuar, o poder que tenho de ME agradar, de ME seduzir, de ME mimar, de ME fazer sentir bem com o meu corpo e na minha pele. O mestre, através de movimentos tão singulares, despertou em mim uma energia adormecida devolvendo-me um amor próprio que nunca tinha sido estimulado. Ensina-me a amar-me, dá-me a conhecer e potencia as minhas virtudes, mas sobretudo transforma os meus defeitos.
A D.O. respeita o meu tempo, o meu espaço, as minhas vontades.
A D.O. aceita-me.
A D.O. adapta-se ao meu pensamento, ao meu sentir, ao meu corpo físico e espiritual. 
Mas em contrapartida, como os dois lados da moeda, exige-me que a dignifique. Que a use com alma e humildade. Com carisma e personalidade (muitas vezes erradamente confundido com arrogância e manias de diva).


Costumo dizer que a D.O. é para todos mas nem todos são para a D.O.
Infelizmente a maior parte de quem está a ler este texto não entende o que está escrito, simplesmente, porque nunca parou para pensar (e sentir) que, a grande vantagem em se deixar abraçar por esta Arte não é a alimentação de egos, vaidades superficiais e orgulhos. A grande ferramenta que esta dança nos disponibliza é poder conhecer-mo-nos a fundo e aceitar-mo-nos. Se bem adquirida, esta (dança) torna-nos fortes e intuitivos, com uma visão da Vida muito para além da mera superficialidade.
Infelizmente muitos de vós, não quer ir ao fundo da questão, porque custa. Sim custa muito admitir as nossas falhas, sim custa muito saber que não sabemos tudo. Sim custa ser humilde e pedir ajuda. Sim custa ter olho critico sobre nós próprios. É sim, bastante mais fácil, iludir-mo-nos. É sim muito mais confortável ficar-mo-nos pelo mais básico.
Mas não se enganem: é impossível iludir a D.O. e pior, iludir com a D.O.
Quer queiram ou não, está na vossa dança reflectido - como se de um espelho se tratasse - o tamanho de vosso respeito por vocês, pelos outros e pela Dança.

Na Vida, e na prática, curiosamente, não é muito diferente que na aula e no palco.
O respeito que fui adquirindo (sim, é algo que se vai conquistando) através da minha experiência como bailarina, traduz-se diariamente no meu quotidiano. Vivo com confiança em mim e na minha intuição. Aprendi a colocar-me em primeiríssimo lugar. Ganhei coragem em saber dizer NÃO, àquilo que iria contra os meus valores ou vontade só porque seria mais fácil ou conveniente. Digo SIM, aos desafios, ao desconhecido, à improvisação que a VIDA nos impõe. A ter PAZ, mesmo quando tudo parece desmoronar.
A D.O.  - porque quis e continuo a procurar nela muito mais para além do óbvio - acordou em mim a vontade de VIVER a VIDA. Com todas as suas dificuldades mas uma vida plena, verdadeira, real. 
A D.O. exigiu-me verdade. Comigo própria e para com os outros, mas deu-me a coragem de ser EU com toda a minha originalidade. Permitiu-me não ser mais uma. Nem mais uma bailarina, nem simplesmente mais uma cidadã. Permitiu-me contribuir, para este mundo, com a minha autenticidade. Se assim não fosse jamais conseguiria ter a criatividade que tenho no palco. Jamais conseguiria reinventar-me em cada dança. Jamais aguentaria uma carreira. 
Para mim isto é RESPEITO... que palavra tão simples.