quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

As minhas favoritas - Dina e Randa Kamel

Em todas as áreas temos sempre alguém que vemos como exemplo a seguir, alguém que nos mostra o quanto brilhante se pode ser. Na dança não é diferente e eu como todas as bailarinas tenho os meus exemplos preferidos.
Para mim, adoro a Dina e a Randa Kamel. São duas bailarinas extraordinárias, de estilos e técnica muito diferentes mas bem egípcias como eu gosto.

Começo com a Dina:

A Dina é a bailarina mais conceituada, no activo neste momento e já á alguns anos que tem o título de "estrela".
Todos no Cairo, fora e pelo mundo conhecem o seu nome e a sua dança. Uns adoram-na outros acham-na péssima, eu pessoalmente acho-a genuína.
Já tive o prazer de estar com ela em vários workshops e vê-la em shows. Desta última vez, no show que vi dela, tive a oportunidade de estar bem á frente e reparar como realmente sabe o que está a fazer.
Já com os seus quarentas e muitos está em excelente forma, melhor que muitas mais jovens, técnicamente não é muito forte, mas tudo o que faz, faz com uma intuição que me deixa deliciada. Bastante controvésia, muitas bailarinas detestam-na, dizem que não dança, só mostra o corpo em trajes ridículos e faz um descarado jogo de sedução com o publico masculino. De certa maneira é verdade, aparece muitas vezes com trajes que eu nunca usaria e já vi sim esse flirt que também acho pavoroso. Mas, também já a vi a dançar para um publico marioritáriamente de bailarinas e professores e digo-vos que foi maravilhoso, foi a única bailarina que me conseguiu emocionar e arrepiar o tempo todo.
Infelizmente é péssima professora, simplesmente não consegue ensinar... ela é bailarina e não professora. As suas coreografias só ela consegue executá-las não porque os movimentos são difíceis, mas porque a interpretação que faz da música é muito pessoal e ninguém consegue imitar, mas são nos workshops, sem maquilhagem, sem corpo á mostra, despenteada que se vê o quanto dança bem.
Adoro as suas explicações de como ouvir a música e adoro os seus ximys e como os aplica na música.
Não é por acaso que chegou onde chegou, pode ter sido por muitos meios, mas sabe mesmo dançar e emocionar quem a vê.


A Randa Kamel:

A Randa é de uma geração mais recente e uma brilhante bailarina. Muito diferente da Dina, ela conseguiu um lugar nas "mais conceituadas". Vingou pelo "ar fresco" que deu á dança num tempo que estava um pouco estagnada.
Tem uma técnica exemplar e fora do comum para uma egípcia (todos sabemos que as egipcias não desenvolvem muito a técnica) que funde com coreografias criativas e bem pensadas.
Ao contrário da Dina é uma excelente professora, consegue ensinar bastante bem e é com ela que aprendo variações técnicas muito interessante, postura de braços e como me deslocar em palco.
Os seus shows são brilhantes e divertidos mas de uma energia tão grande que chega a cansar. Também ela (como todas infelizmente para conseguirem sobreviver no meio) têm de fazer o joguinho sedutor mas tirando isso consegue-se ver dança e trabalho. Adoro!!!!

Para mim, a bailarina perfeita seria a junção destas duas: a técnica criativa com a genuína alma egípcia. E é com elas que mais tiro lições para construir o meu estilo, e que ajuda me têm dado.
Aconselho a todos a irem vê-las, ao vivo, serão surpreendidos.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sem espaço com frio, dor de barriga e fumo...

Já contei aqui como, de vez em quando (cada vez mais), faço as melhores omeletes do mundo sem ovos, ou seja, cada vez mais tenho situações e locais completamente desenquadrados para haver um bom show de Dança Oriental.
Já me aconteceu e apareceu um pouco de tudo, mas, lá se vai dando o jeito... bem ou mal, sempre se faz a bendita omelete.
Mas ainda á sempre uma primeira vez para tudo, e no meu último trabalho tive algumas "estreias" e mais uma vez, nessa noite relembrei o amor que tenho á dança e o prazer que tenho em mostrá-la, "no matter what"...
Imaginem:
- todos se aperceberam do frio que se tem feito sentir, mas, mesmo assim não é justificação para eu ou outra bailarina dançar com uma "burka" cheia de camisolas por dentro, continuamos com os nossos trajes característicos como se estivesse 40 graus, mas não está! E até mesmo dentro de uma sala continua frio, e que frio... não aquecia nem um pouquinho, não sentia calorzinho nenhum, tive de dançar gelada o que não é brincadeira, é horrível;
- em consequência desse friozinho, estava tão gelada que me deu dor de barriga, acreditam? Pois eu não queria acreditar no que estava a sentir. Ainda bebi um chá, mas fez-me pior, além de me ter continuado a doer ainda fez que me inchasse o ventre... digo-vos que não achei piadinha nenhuma dançar com frio, dores e ainda por cima com uma barriga que parecia de 3 meses, foi péssimo para a minha auto-estima;
- a juntar á festa e para não variar, tive de dançar num espaço mínimo e colada ás pessoas, o que não é nada agradável, pois não só não tenho espaço para dançar á vontade mostrando o esplendor dos movimentos e adereços, como sei que quem está a ver, está mais a observar pormenores corporais do que propriamente dança. Os homens, nem disfarçavam, prestavam atenção ao que mais lhes interessava (acho que não preciso de explicar, é óbvio) e as mulheres procuravam perceber se tinha celulite, estrias, se o meu peito era mesmo verdadeiro e quase que ouvia os pensamentos delas: "que barriguinha..." enfim, sem comentários;
-para me enterrar ainda mais, podia-se fumar na sala e eu simplesmente ODEIO fumo de cigarro e pareceu-me que toda a gente estava ali fumava, então havia no ar uma nuvem de fumo que mais parecia nevoeiro, insuportável.
Conclusão: passo um frio de rachar, tenho de dançar com a minha dor de barriga bastante incomoda, respirando um fumo insuportável e praticamente "em cima" do publico.
Dá para imaginar?
Acho que desta é que mereço uma medalha, não acham?
Mesmo assim tive de sorrir e dançar maravilhosamente bem... é minha obrigação como profissional não passar nada disso para o público e é meu dever sempre que danço publicamente dignificar a Dança Oriental fazendo o meu melhor, mesmo que só tenha uma pessoa a prestar realmente atenção á dança e não ao corpo.
Pensam que é fácil?... o que fariam numa situação destas?
Já não basta gostar de dançar, tem de se amar a dança.

ANDO - Associação Nacional de Danças Orientais

Pela primeira vez no nosso país, foi criado a ANDO - Associação Nacional de Danças Orientais, da qual eu faço parte como sócia.
Aconselho a todas as pessoas interessadas em Dança Oriental, quer dancem ou não a se fazerem sócios e assim terem direito a todos os benefícios.
Para mais informações: www.danças-do-mundo.com

East Fest Portugal 2010

Vai decorrer em Lisboa, dias 9, 10, 11 de Abril, o primeiro festival de Dança Oriental em Portugal!
São 3 dias fantásticos de dança oriental com os melhores profissionais!

No panorama internacional:
Khaled Mahmoud, mestre egípcio residente em Inglaterra, que arrasta multidões para os seus workshops em festivais de dança!!
Nour, uma das mais requisitas e bailarinas de topo no Cairo, que ensina com mestria e considerada por muitos como uma das melhores bailarinas do mundo!
Yasser, cantor incomparável e excelente coreógrafo que ensinará uma temática nunca antes leccionada no nosso país!
Nuriel El Nur, das mais acarinhadas bailarinas Brasileiras cujos workshops enchem em Portugal!!!!!!!

Profs Nacionais: Cris Aysel, Filipa Nawaar, Sofia Franco, Ágata, Judite Dilshad, Yolanda, Elsa Sham's, Jaqueline, Américo Cardoso, Sara Naadirah...

O melhor do Oriente em Lisboa dias 9, 10 e 11 de Abril 2010 num programa estrondoso no Lisboa Ginásio Clube (Anjos), onde pode encontrar salas espaçosas que garantem o conforto das participantes enquanto dançam!

Bazar onde poderá comprar acessórios e roupas de dança oriental!

Garanta a sua vaga!!

Regulamento disponível em:
www.eastfestportugal.com e/ou eastfestportugal.blogspot.com... Estamos tb no facebook!!

Não perca esta oportunidade única de aprender com excelentes profissionais!!!

Mais infos:
www.eastfestportugal.com ; eastfestportugal.blogspot.com ; eastfestportugal@gmail.com
Filipa: 96 353 28 02
Cris: 93 696 12 60

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Workshop Dança Oriental - Coreografia Moderno Árabe



Workshop de Dança Oriental com Sara Naadirah

“Coreografia Moderno Árabe”

06 de Março (sábado) – 10h30 às 13h00


Local:
escola de dança Dança Livre
Rua Marquês de Fronteira, nº76, Campolide

Programa :
Aprendizagem de uma coreografia, de estilo moderno e puramente egípcio.
Com a sua experiência de já sete anos de ensino de Dança Oriental e da sua mais recente formação no Cairo, Sara Naadirah idealizou uma coreografia onde irá poder perceber movimentos e a ligação destes com a música pop, que o mundo árabe faz hoje em dia.
Atreva-se a experimentar novos estilos!!!!

Nível Aberto:
- para todos os níveis.

Será entregue:
- certificado de participação e cd com a música do workshop.

Preço: 45€

Inscrições:
- para se inscrever terá de fazer o pagamento de no mínimo 25€;
- através de transferência bancária para o nib: 0007 0271 0015 0604809 65 (BES);
- os 20€ restantes terá de os entregar á professora no dia do workshop;
- se preferir pode fazer a transferência do valor total;
- quando tiver feito a transferência, terá de avisar para o e-mail: saranaadirah@mail.pt ou 91 425 82 56 informando o seu nome, telemóvel, e o valor que transferiu.

Dúvidas e mais informações contacte:
-
saranaadirah@mail.pt
- 914258256
- facebook.com/sara.naadirah
- http://saranaadirah.hi5.com

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dança ou Comida?


Captar a atenção do um público e mantê-lo interessado toda a nossa exibição, acho que é para todos os artistas, um desafio.

Se o público não aprecia especialmente a exibição que iremos fazer, o desafio ainda se torna maior.

Mas se esse mesmo público, estiver esfomeado, então captar a atenção dele não é um desafio difícil, mas sim uma tarefa impossível!

Durante todos estes anos que tenho dançado, já perdi a conta dos inúmeros e mais variados locais e festas que actuei um pouco por todo o país. Neles enfrentei variadíssimos desafios para conseguir brilhar e fazer com que o público que está á minha frente desfrute de uma exibição fantástica, mas competir com comida não há show que leve a melhor.

Foi o que percebi no meu último trabalho. Uma empresa contratou-me para dançar durante um almoço comemorativo. Não me tinham era avisado que esse almoço seria buffet e que eu iria dançar na mesma hora que os esfomeados iriam se servir.

Resultado: dancei para um grupo de pessoas de costas voltadas para mim, que se atropelavam para ver quem conseguia mais comida, tendo como únicas pessoas que me estavam a prestar atenção os meus dignos assistentes: a minha irmã e o meu marido que nem queriam acreditar no que estava a acontecer, rezando para que eu não me passa-se e saí-se dali para fora.

Bem fiz de tudo para perceberem que estava ali alguém a dançar, mas o vinhosinho e a comidinha eram muito mais aliciantes. Conclusão: fiquei com uma neura de todo o tamanho!!! Tinha saltado da cama às oito da manhã, feito quase duzentos quilómetros (o almoço era em Aveiro) para isto!!!

Qual bailarina e qual Dança Oriental...

Foi simplesmente horrível a experiência, isto porque se não houver um feedback da audiência, quer boa quer má, não há dança, há um aglomerado de movimentos desprovidos de sentimento. Se a dança (principalmente dança oriental) é uma troca de sensações entre o publico e a bailarina numa espécie de magia que se cria entre os dois, então ali não houve nada... não consegui transmitir nada e foi isso que me deixou mais chateada, pois sabia que no meio de golo e uma garfada, olhavam para mim e viam uma rapariga muito descoberta a fazer umas coisas, ignorando profundamente e muito menos se preocupando em perceber o quê!

Prefiro mil vezes que não gostem da minha dança que ignorá-la, é simplesmente frustrante.

Lição: não dá para competir com comida!

Enfim... valeu-me os meus assistentes, que mais uma vez animaram a viagem, e só para nos vingarmos do total desprezo, compramos duas caixas de ovos moles e deliciamo-nos numa espécie de doce vingança... Bolas, a comida leva mesmo sempre a melhor!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Actuações e Workshop - Fevereiro 2010

Como sabem, normalmente, actuo em festas privadas, mas este mês irei estrear-me no Marrakech Bar em Palmela, para quem quiser assistir.
Serão nos dias: 13 e 27 deste mês, a partir das 22h30.
Apareça!
Também dia 20 irei estar na Dança Livre a ministrar um workshop, de nível iniciado, das 11h às 12h30, 15€.
Inscrições na recepção da escola Dança Livre.