quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sem espaço com frio, dor de barriga e fumo...

Já contei aqui como, de vez em quando (cada vez mais), faço as melhores omeletes do mundo sem ovos, ou seja, cada vez mais tenho situações e locais completamente desenquadrados para haver um bom show de Dança Oriental.
Já me aconteceu e apareceu um pouco de tudo, mas, lá se vai dando o jeito... bem ou mal, sempre se faz a bendita omelete.
Mas ainda á sempre uma primeira vez para tudo, e no meu último trabalho tive algumas "estreias" e mais uma vez, nessa noite relembrei o amor que tenho á dança e o prazer que tenho em mostrá-la, "no matter what"...
Imaginem:
- todos se aperceberam do frio que se tem feito sentir, mas, mesmo assim não é justificação para eu ou outra bailarina dançar com uma "burka" cheia de camisolas por dentro, continuamos com os nossos trajes característicos como se estivesse 40 graus, mas não está! E até mesmo dentro de uma sala continua frio, e que frio... não aquecia nem um pouquinho, não sentia calorzinho nenhum, tive de dançar gelada o que não é brincadeira, é horrível;
- em consequência desse friozinho, estava tão gelada que me deu dor de barriga, acreditam? Pois eu não queria acreditar no que estava a sentir. Ainda bebi um chá, mas fez-me pior, além de me ter continuado a doer ainda fez que me inchasse o ventre... digo-vos que não achei piadinha nenhuma dançar com frio, dores e ainda por cima com uma barriga que parecia de 3 meses, foi péssimo para a minha auto-estima;
- a juntar á festa e para não variar, tive de dançar num espaço mínimo e colada ás pessoas, o que não é nada agradável, pois não só não tenho espaço para dançar á vontade mostrando o esplendor dos movimentos e adereços, como sei que quem está a ver, está mais a observar pormenores corporais do que propriamente dança. Os homens, nem disfarçavam, prestavam atenção ao que mais lhes interessava (acho que não preciso de explicar, é óbvio) e as mulheres procuravam perceber se tinha celulite, estrias, se o meu peito era mesmo verdadeiro e quase que ouvia os pensamentos delas: "que barriguinha..." enfim, sem comentários;
-para me enterrar ainda mais, podia-se fumar na sala e eu simplesmente ODEIO fumo de cigarro e pareceu-me que toda a gente estava ali fumava, então havia no ar uma nuvem de fumo que mais parecia nevoeiro, insuportável.
Conclusão: passo um frio de rachar, tenho de dançar com a minha dor de barriga bastante incomoda, respirando um fumo insuportável e praticamente "em cima" do publico.
Dá para imaginar?
Acho que desta é que mereço uma medalha, não acham?
Mesmo assim tive de sorrir e dançar maravilhosamente bem... é minha obrigação como profissional não passar nada disso para o público e é meu dever sempre que danço publicamente dignificar a Dança Oriental fazendo o meu melhor, mesmo que só tenha uma pessoa a prestar realmente atenção á dança e não ao corpo.
Pensam que é fácil?... o que fariam numa situação destas?
Já não basta gostar de dançar, tem de se amar a dança.

5 comentários:

  1. Ui, dançar com dor de barriga deve ser do melhor, deve! :S

    **

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  2. Olá Sara! Antes de mais, um desejo muito grande para que no dia 19 em Palmela, provavelmente já chegará tarde este desejo, a sua performance seja no mínimo igual, às que já tive o privilégio de assistir. Se assim for, dificilmente alguém ficará indiferente à sua Dança!
    Li com alguma atenção “ Os pensamentos de uma bailarina”!
    Nos vários pensamentos escritos, concordo com uns, noutros nem tanto e se compreendo as dores de barriga, em situações de performance e principalmente em momentos que se tem que falar para uma plateia, e as palavras se enrolam porque o discurso não foi preparado devidamente, ou os tais imprevistos do outro lado acontecem.
    Por várias razões e para não lhe ocupar mais tempo na leitura dos meus escritos, não me sentiria bem comigo mesmo sem abordar uma coisa que escreve, e que estou totalmente em desacordo. No entanto, creio que foi um desabafo relativamente aquele momento.
    Tem a ver “ Sem espaço com frio, dor de barriga e fumo…”
    Generalizou bastante a questão do observar pormenores corporais, no que respeita aos homens e arriscaria também em relação às mulheres.
    Penso que não é isso que se passa na grande maioria dos homens e mulheres, que assistem às danças, no caso particular das orientais.
    Já agora e para terminar, quando acontece, acho que são as mulheres que menos disfarçam!
    Um renovar do desejo de um Grande Show, com uma performance à sua altura!

    Beijinhos

    Agostinho Rodrigues

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  3. A sua falta de humildade é gritante.
    Uma boa bailarina tem que ser acima de tudo humilde, em todos os seus posts vejo uma arrogância que roça a vulgaridade...

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  4. Uma boa bailarina é acima de tudo verdadeira consigo própria em primeiríssimo lugar, essa é a verdadeira hulmildade de quem dança.
    E uma boa e construtiva critica só tem o seu valor quando identificada.

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  5. Eu penso que uma bailarina deve ser verdadeira com os seus pensamentos e principalmente com o seu modo de dançar.

    Não vejo arrogância neste post, vejo antes uma profissional que soube fazer o seu trabalho apesar das dificuldadades que se faziam sentir no momento.

    Mais, a haver arrogância e falta de humildade, nem sequer haveria este post pois nele estão identificados "dramas" que uma bailarina está sujeita...neste caso, o frio, as dores de barriga e até mesmo o inchaço da mesma, que como sabemos, para nós mulheres, é algo muito problemático.

    Gostei do facto de teres assumido que, tal como todas nós, também tu tens dores, sentes frio e mais, que por vezes te incha a barriga...isso só demonstra humildade.

    Beijinhos

    Ângela

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