quarta-feira, 30 de março de 2011

Ai Meu Deus!!!!



Vi um programa de televisão no outro dia, que me deixou completamente abismada, triste e desiludida.
Era sobre a transformação de imagem de uma candidata que não se sentia bem com o seu corpo.
Confesso que não tenho a mínima paciência para este tipo de programas mas, este em especial chamou-me a atenção. A candidata era uma, assim a apresentadora referiu, bailarina de dança do ventre.
Bom... vi o programa e em todo ele o meu queixo foi caindo, completamente horrorizada com e principalmente, a ignorância e o imaginário estereotipado que os leigos na materia têm sobre esta dança e, pior ainda, os supostos profissionais na área mostram.

Primeiro que tudo tenho de esclarecer um ponto de uma vez por todas: não se chama dança do ventre, chama-se DANÇA ORIENTAL. Este foi o nome originalmente designado pela responsável da dança que todas nós fazemos hoje. Cabe a cada bailarina profissional e aluno/a saber isso e fazer questão de "educar" o publico.

Segundo:  Sendo esta dança um reflexo da nossa atitude de vida (dançamos os que somos, esta é a verdadeira realidade quer queiramos ou não), como é que esta profissional de DANÇA ORIENTAL faz disto vida, se não se sente bem com o seu corpo? Finge quando está a dançar ou a ensinar?
Sinceramente não entendo. Se fosse uma aluna, uma curiosa que não fizesse disso profissão, até compreenderia pois, ainda estaria em processo de redescoberta do seu corpo e recuperação da sua auto-estima. Mas uma bailarina que se diz profissional?!!! Que tem alunos a ensinar?!!! Que tem um publico que a vê!!! E não tem auto-estima????!!!!!...
Vou esclarecer este segundo ponto, com base no meu próprio percurso e experiência profissional que somam já dez anos. A DANÇA ORIENTAL é em primeiríssimo lugar uma ARTE que vai ao encontro da ESSÊNCIA FEMININA. Nesta essência, entre muitas outras coisas, há uma exigência em expor acima de tudo uma AUTO-ESTIMA SOLIDA e CONFIANTE, que passa não só mas também, em aceitar o nosso corpo tal como é, o nosso CORPO REAL, SAUDÁVEL, que é ÚNICO e BELO. A exposição física tão característica desta dança, é uma consequencia desse reencontro. É um processo que funciona como uma terapia, de dentro para fora, totalmente espiritual e que pode demorar anos. 
Para 90% das bailarinas em todo o mundo e publico em geral, essa exposição física, está associada a um erotismo, sedução e necessidade em prender audiências exibindo um corpo padronizado por "modas" ilusórias. Choca-me ver tantas colegas e alunas, tão longe da verdadeira essência feminina, autenticas escravas na busca dessa imagem "perfeita" como se disso, a qualidade da sua dança e sensualidade dependesse.
Mas, o que é ser FEMININA??? O que é ser SENSUAL???
Eu não tenho definições concretas, não há uma verdade absoluta. Cada mulher saberá, ou melhor, sentirá e definirá estes conceitos tão em voga. Mas, acho que não passa por reduzir tudo a ter um peito com tamanho tal, o peso tal sem gorduras localizadas, roupas, cabelos, maquilhagens "xpto". Esta rapariga sofreu a uma mudança  fantasiosa que, a transformou numa boneca estereotipada, igual a todas as Barbies da moda. Dizem os responsáveis por essa mudança, ficou mais feminina e sensual que por sua vez, a vai ajudar como bailarina de dança do ventre... AI MEU DEUS!!!! Lindo de facto o exterior ficou... mas e o interior? Será que um peito renovado, não ter gorduras localizadas, novas roupas e cor de cabelo, serão suficiente para agora realmente, ter a auto-estima que deseja e levar a dança a outro nível?...
Eu acho que não basta... a verdadeira sensualidade de uma mulher (e não falo aqui no termo mais superficial deste conceito)  vem de dentro. Vem de uma atitude que se exterioriza, numa bailarina, em forma de dança. Não se explica, sente-se... Não se transforma, simplesmente se redescobre...

Em terceiro, a equipa responsável pela transformação era: uma nutricionista, um cirurgião plástico, uma cabeleireira e uma consultora de imagem.
Pergunto: e um psicólogo? Ou alguém minimamente credivel para perceber a verdadeira razão de ela se sentir com a auto-estima tão em baixo? Muda-se o exterior... e o interior não tem que acompanhar essa mesma mudança?!!!
Estes profissionais do programa afirmam que, com o novo exterior a alma também ficará renovada!
Pois eu afirmo: TRETAS!!!!!!!!!  Ela fica sim renovada... MAS SÓ DURANTE ALGUMAS SEMANAS! 
Pela minha própria experiência, eu digo que, se o interior não for trabalhado em primeiro lugar, o exterior, que é fácil de transformar, mais tarde ou mais cedo volta ao que era e pior: a nossa percepção dele nunca mudou.
Ele (o nosso corpo e imagem externa) é uma consequencia directa do nosso estado de alma constante e não do momento presente. Tal como a nossa dança é um reflexo directo da nossa atitude de vida.
Centenas de mulheres já passaram pelas minhas aulas, onde vi dezenas a submeterem-se a mudanças extraordinárias e realmente sentiram-se muito bem. Mas, poucas semanas depois, voltavam a ter o mesmo comportamento anterior à transformação "milagrosa". Mesmo com o tal corpo e imagem desejada a auto-estima estava exactamente na mesma, continuaram a sentirem-se os "patinhos feios" numa procura infinita de mais defeitos a mudar, porque, assim que os transformarem, aí sim... seriam de novo felizes.
A MUDANÇA TEM DE SER DE DENTRO PARA FORA!!!!!!!!!!!!

Para finalizar:
. no final do programa, as pessoas que não sabem o que é, e até mesmo aquelas que têm algum conhecimento de DANÇA ORIENTAL, ficaram com a impressão que, para se dançar o melhor é mesmo ter um corpo "ideal" senão até as profissionais se sentem mal! AI MEU DEUS, mais uma ilusão massificada e tão longe do que é realmente DANÇA ORIENTAL. Desperdiçou-se mais uma excelente oportunidade de publicamente se desmistificar esta  incompreendida forma de Arte.

. eu nada tenho contra as mudanças de visuais, cirurgias plásticas, etc... desde que elas não sirvam de "desculpa" para não viver. Vou ao cabeleireiro todos os meses, arranjo as unhas todas as semanas, controlo o meu peso, além da dança corro várias vezes por semana para me manter em forma, tento comer o mais saudável possível, enfim... cuido muito do meu corpinho mas, EU DEIXEI DE LUTAR CONTRA O MEU CORPO, ACEITO-O COM TODOS OS "DEFEITOS" E "QUALIDADES", RECUSANDO-ME A TORNAR MAIS UMA BONECA IMPOSTA POR UM IDEAL UTÓPICO! Sou uma MULHER REAL, COM UM CORPO REAL, COM UMA FEMININALIDADE E SENSUALIDADE QUE VEM DE DENTRO, QUE SE EXTERIORIZA EM CADA SEGUNDO QUE VIVO E DANÇO. 
De muitas lições que esta dança - DANÇA ORIENTAL - me ensinou, talvez esta tenha sido a mais significativa e a que me trouxe mais qualidade de vida. 
Claro que a minha auto-estima não está sempre lá em cima.Tenho dias que me sinto uma Cleópatra e outros que me sinto uma Gata Borralheira, mas nunca deixo de ter intimidade com o meu Amor, com luzes bem acesas, só porque não tenho a depilação feita ou nota-se a gordurinha localizada... ele "tá-se borrifando" para isso! Ele quer é que o ame e eu ser amada! 
Assim um publico quer é ver DANÇA e ALMA numa bailarina. É isso que prende uma audiência, o corpo fica completamente em segundo plano.

.Irrita-me profundamente a dinâmica destas transformações. Estes programas metem-me raiva pela ilusão que vendem. Aqueles profissionais falam em terem o conhecimento de tornar uma mulher feminina e sensual, mas eles próprios têm uma definição superficial e limitada destes conceitos, bem longe do que é ser realmente MULHER.
Quero deixar bem claro que eu nada tenho contra a bailarina em causa. Se ela sentiu que era por ali o caminho, ok... agora, espero sinceramente que não se fique pelo "embrulho" e que sua dança seja o reflexo da transformação interna que também tem de acontecer, para brilhe sempre que pisar um palco e consequentemente ter o sucesso que merece.
Lembrem-se:
.Uma cara e corpo bonito é fácil esquecer, mas o carisma que vem do espírito de uma bailarina é inesquecível.

quarta-feira, 16 de março de 2011

É sempre uma escolha...

Viver é também, saber escolher.
Se analisarem, temos sempre duas hipóteses de "caminho": podemos seguir A, B ou até mesmo inventar uma C.  
Na busca da opção racionalmente mais certa, pensamos demais, receamos demais, reclamamos demais, imaginamos demais, desencorajamo-nos demais, orgulhamo-nos demais!
E se adicionássemos a voz do nosso instinto? Optamos ouvi-la, ou simplesmente cala-se num amontoado de sons externos, provocados já por uma formatação social estabelecida, óbvia e esperada?
Eu penso que, é nas escolhas mais instintivas que fazemos no quotidiano, que nos torna pessoas mais felizes ou infelizes.
Por isso:
Eu escolho estar alegre, mesmo quando tudo esmorece.
Eu escolho rir quando o cenário é para chorar.
Eu escolho amar quando apetecia odiar.
Eu escolho humildade quando o orgulho tenta prevalecer.
Eu escolho ter esperança quando não parece have-la.
Eu escolho não irritar-me quando me chateiam.
Eu escolho falar mesmo quando me viram as costas.
Eu escolho ir em frente mesmo que tenha de inventar o caminho.
Eu escolho ouvir a voz do meu instinto mesmo quando ele fala baixinho.
Eu escolho no meu no meu dia a dia estar bem, tirando o máximo prazer em tudo que faço, aprendendo em cada situação.
Eu escolho sempre ser feliz... mesmo que, para isso, não opte pelo caminho mais óbvio... mesmo que não agrade a todos... mesmo que "desamigue" muitos "amigos".
Eu escolho ser eu mesma... não é fácil... mas é uma escolha!

domingo, 6 de março de 2011

Beethoven, Symphony No 7, II Karajan, Berliner Phil


Beethoven... simplesmente genial!!!
Cresci a ouvir musica clássica. Beethoven está no top dos meus compositores favoritos.
Oiçam... respirando fundo, com os olhos fechados e sonhando...

sexta-feira, 4 de março de 2011

És muito boa mas...


Um dia mais tarde, vou gostar de ler todos estes post aos meus bisnetos (sim, tenciono viver muitos anos). Estou mesmo a ver a reacção deles: "é pá... isto é mais uma caderneta de cromos, avó!"
Pois é, tenho mais um "cromo" para partilhar, este foi dos melhores(?!) que me aconteceu...

Resumindo:
Depois de várias pessoas terem recomendado o meu nome, um individuo (fazendo alusão ao último anuncio da MEO ;)))) contacta-me, querendo a minha actuação num evento.
Falamos sobre o tal evento, ele diz-me o que pretendia (quantas danças, a que horas, local, adereços, etc...) e como é óbvio digo-lhe qual é o "orçamento".
Senti logo um silêncio que, já não me é estranho...
Acabamos a conversa, combinando que no dia seguinte me daria uma resposta a confirmar.
Espero um dia, dois e ao fim do terceiro dia sem nenhuma resposta (pelo menos oficial), o meu instinto selvagem brota raivoso e... BOLAS!!!! Se me contactam a pedir, também podem contactar a dizer: "afinal, não muito obrigado!" Era isso que já calculava ( são anos de confirmações nunca feitas nem ditas). Ignorar é que não!!!! Mereço uma resposta, seja ela qual for!
Pois é... como previa... "desculpe não pude telefonar antes... (pois sim...) é que acabamos por decidir que, optamos por uma outra rapariga com um cachet mais baixo, mas...."
Até aqui nada que já não tivesse à espera, ok... sem problema, embora podiam ter logo dito que contavam com um orçamento mais baixo, até que....:
"mas... a Sara é uma excelente bailarina!"
What?!?!?!?!?!
Juro que fiquei uns cinco minutos a olhar para o telefone completamente parva, pensando:
Sou uma excelente bailarina, mas... não vale o dinheiro!

Então quanto dinheiro vale uma excelente bailarina?
Ponho a questão de outra forma:
Quanto dinheiro vale um excelente advogado? Um excelente médico? Um excelente professor doutor? Um excelente juiz? Um excelente engenheiro? Um excelente designer.... So on...
Pelos vistos uma excelente bailarina, não...

Nesse evento, faria das "tripas coração" para que as minhas actuações fossem o ponto alto da festa, porque sei o dinheiro que valho, tal como em todas as outras profissões socialmente valorizadas. Mas, pelos vistos, profissional de dança não faz parte desse grupo.
Iria dançar com a reflexo de 27 anos a aprender e especializar-me.
Iria dançar com a expressividade única de horas, dias, meses, anos de treino.
Iria dançar com a experiência de dezenas de eventos que já fiz iguais aquele.
Iria dançar com trajes e adereços adequados, que não tinham sido comprados na "loja dos chineses"!
Mas o mais importante de tudo... iria encher aquelas almas com ARTE... e isso não tem preço.
Iria generosamente, mostrar toda a minha intimidade mais profunda através de uma dança incompreendida e isso, não há dinheiro no mundo que pague!
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Aceito, quando escolhem outra bailarina em vez de mim, porque apreciam mais o estilo dela. Percebo que, em muitos casos, não haja mesmo orçamento para pagar o justo às bailarinas, ok... Mas eu NUNCA, deixei de dançar, fosse onde fosse, por causa disso.
Quantas danças "pro bono" já não fiz. Quantas e quantas vezes já não baixei os meus cachets, porque percebia que não era, acharem que a minha actuação não valia, mas porque não era mesmo possível pagar esse valor.
Agora, quando sinto que não é esse o caso, e que afinal, não querem Arte, mas puro entretenimento, não lhes apetecendo pagar muito por isso, simplesmente porque acham que não vale........ fico............ olha, como o meu amor diz: "nem me digas nada!"