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Fazer omeletes sem ovos

Vou contar-vos a odisseia que foi o meu sábado passado.
Comecei cedo com um workshop para crianças, que correu lindamente, os mais pequeninos têm um sentido de descontracção que é belo, dançam com uma pureza que só se vê mesmo nestas idades... a seguir ensaio com o meu querido amigo Américo Cardoso, para o meu show dia 21, até aqui tudo bem...
Vou para casa, almoço, preparo a mala com fatos e adereços para a longa noite de trabalho que irei ter: dançar num jantar de aniversário de um VIP e serão no Al-Sahara.
Descanso toda a tarde pois nunca sei como será a noite!
Preparo-me (maquilhagem e cabelos) e lá vamos (eu e o meu amor, fiel manager) em rumo ao restaurante onde estava a decorrer o tal jantar de aniversário. Começa a aventura...
Primeiro que estacione é um tormento, começa aí os meus nervos, tinha de lá estar às 21h30, eram 21h35 e ainda andávamos à procura de lugar, já irritada peço-lhe para estacionar na rotunda. Assunto arrumado! Se apanhar multa logo se verá...
Vamos a correr para o restaurante, chego, combino tudo com a pessoa que me contratou e só nessa altura é que sei para quem é a festa, é para o pessoa famosa com pessoas também famosas, fiquei um pouco apreensiva... os nervos começaram-me a subir pelas pernas... lição numero um da noite: nunca se sabe quem vamos encontrar! (por questões de respeito á privacidade de quem me contratou não vou poder dizer quem fazia anos ).
Dei o meu cd com as duas musicas que iria dançar e peço para experimentarem não vá o cd não dar... e lá puseram o cd enquanto me fui vestir, esperando que me dessem sinal para começar a dançar (era uma surpresa, ninguém da festa sabia que iria dançar). Esperei e esperei enquanto não conseguiam pôr a bendita da musica do início... já me estava a passar... tinha de me despachar que ainda tinha de ir para outro lado... bom, lá conseguiram e lá fui eu... e aqui é que começo a fazer as "omeletes sem ovos".
A música estava baixíssima e ainda por cima, estava lá um grupinho de crianças que quando me viram ficaram histéricas, não me deixando ouvir nada. Primeiro que tudo ficasse em silencio, já tinha passado quase metade da primeira musica e eu a dançar... sem espaço nenhum, tive me colar ás pessoas e agora imaginem: tinha a melaya e o véu. Tive de desistir logo destes dois adereços... e continuar sem espaço, sem ouvir a musica mas a ouvir os comentários que faziam... e aprendi a lição numero dois da noite: ainda em Portugal confundem strippers com bailarinas orientais. Que desgosto, mesmo assim, continuei com a consciência que tinha de brilhar e brilhei. Fiz uma omelete... fantástica e não sei como. Sem ouvir a musica, crianças e adultos a falarem, sem espaço... não sei como consegui! Só sei que no final todos me aplaudiram e os "terroristazinhos" já nem queriam que fosse embora.
Missão cumprida e omelete feita, despeço-me e lá vou para para o outro local fazer outra omelete.
De novo desespero para estacionar. Conseguimos e lá vou eu para mais uma maratona de quatro danças repartidas até ás 1h30 da manhã.
No bar, nada de novo, mas nesse dia as pessoas estavam particularmente histéricas, e não se calavam. Ao dançar a primeira musica só pensava: "é pá fumam lá uma xixazinha para se acalmarem." mas os meus pensamentos não bastaram, lá tive de dançar de novo com barulho de fundo e (esta foi nova) chão escorregadio (estava a chover lá fora e quando entravam traziam um pouco da chuva para dentro). Esta omelete foi mais difícil pois ia dando um tralho de todo o tamanho. A noite estava complicada, e eu a ficar sem paciência...
Lá dancei as outras músicas, mas pedi para porem bem alto, pode ser que assim percebam que está alguém a executar uma dança e se calem. Lá resultou... mas dançar mais uma vez colada ás pessoas não é lá muito confortável e ainda por cima com os pés no chão que continuava molhado, sem aquecer e sem alongar minimanente o corpo... Mais uma vez não sei como consegui...
Fim da noite! Vou vestir-me na casa de banho já completamente suja e faço uma ginástica esquisita para ver se consigo não sujar os meus trajes, resultado: ia incendiando um véu! Por sorte não queimou o traje que estava por cima!
Volto para o carro completamente esgotada física, mental e emocionalmente. E penso: vou para casa finalmente!!!
Chego ao carro, e imaginem: ele não pega! "f..., só me faltava mais esta!!!" Disse eu.
Digam lá que não é uma odisseia... mas as omeletes ficaram boas... isso é o que interessa. Como as faço acho que começa a ser obra divina.

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