terça-feira, 27 de abril de 2010

Quando o desrespeito começa a ser intolerável

Cena da última noite de um espaço onde costumo dançar.
Estava a fazer a minha performance quando oiço um grupo, que estava confortavelmente sentado e em grande "galhofa", bem á minha frente, a falar bem alto como se nada se passasse, fulana diz:
- então não vem cá empregado nenhum para saber o que queremos tomar?
Outra fulana responde:
- acho que só vem alguém quando esta parar de dançar...
E a primeira fulana responde:
- fogo!!! que seca...
Juro que me apeteceu parar de dançar naquele preciso momento e perguntar-lhe:
- se não gosta de ver dança, e não lhe apetece esperar que eu acabe o meu trabalho, porque é que veio? Ou não leu á entrada: Hoje - Dança Oriental com Sara Naadirah? Sim tenho nome e não é "esta"!!!
Claro que continuei a dançar sempre o melhor que consigo, ignorando e fingindo que não ouvia muita da audiência, infelizmente não só aquele grupo, a falar alto e sem ligar a mínima ás minhas performances. Pensam que não custa? Custa sim, e muito...
Primeiro porque, se não apreciam dança, particularmente, Dança Oriental para que é que vão a espaços onde a há?
Segundo porque, já que lá estão e há consumo mínimo, então porque não aproveitam tudo o que o espaço oferece?
Terceiro porque, todas as pessoas que estão a executar o seu trabalho merecem o respeito devido, independentemente, se gostam ou não. E no meu caso, que o trabalho é dançar, o respeito que esse público deveria ter era no mínimo estar calado.
Muitos que irão ler isto, pensarão: "que convencida, é mesmo egocêntrica, agora queria que as pessoas que lá estão parassem de conviver, só porque está a dançar..."
Não! O que peço é o que qualquer artista (também) deseja: RESPEITO.
Aceito que não gostem de Dança Oriental, aceito que não apreciem ver-me dançar, até aceito que nem me estejam a ver, mas que fiquem calados. Para mim, estarem a falar (ainda por cima elevam o tom de voz, pois a música está mais alta) enquanto danço, ou qualquer outra minha colega dança, ou qualquer outro artista mostra a sua arte, seja ela qual for, é uma forma de desrespeito para com essa pessoa. O mesmo que se passássemos por um varredor de rua e atirássemos, á sua frente, lixo para o chão.
Consigo habituar-me a quase tudo, menos isto! E cada vez mais fico chocada com a falta de sensibilidade e respeito pelo próximo. Ainda no passado sábado fui ao cinema, e por três vezes tive de mandar calar a senhora que estava ao meu lado. Ela de certeza que pensou que estava a ver o filme em dvd, na sua casa (até o telemóvel atendeu!) e tive de recordar-lhe que não, mas para ela incomodar os outros parecia um dever... começa a ser mesmo ridículo...
E perguntam-me: se não gostas que te façam isso, então porque vais dançar em espaços propícios a conversa?
Porque apesar de tudo há sempre alguém a prestar atenção, que realmente aprecia o que vê, calado e emocionando-se. E por essas pessoas, vale a pena... mas que revolta, à isso revolta!

6 comentários:

  1. Querida Sara, realmente há pessoas que não respeitam ninguém. Concordo contigo, não tem a ver com gostar ou não, mas respeita-se a pessoa e a dança neste caso. Chama-se a isso uma tremenda falta de educação. São pessoas tão egocêntricas que acham que o Universo gira à volta do seu umbigo.
    As faltas de educação são tão irritantes, porque para ti parece óbvio e parece que falam línguas diferentes (no fundo têm percepções mesmo diferentes).
    Não sou católica, mas quando entro numa igreja católica, tento não fazer barulho e respeitar a fé das outras pessoas. Porque se eu fui lá tirar fotos e conhecer o local, há pessoas que foram lá para terem um momento de oração.
    "But what goes around, comes around", recebe-se a triplicar o que se semeia.
    Curioso porque ia perguntar-te como desligas quando o público tem atitudes parvas.
    O que conta é que para alguém nessa plateia, foi um momento especial e que de alguma forma tocaste o coração de alguém, certo?
    E isso aplica-se a todas as formas de arte.
    Beijinhos.

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  2. A falta de educação é algo que me irrita profundamente. cada vez mais, as pessoas não estão a saber viver em sociedade e isso assusta-me muito. Não respeitar o outro é um reflexo da nossa própria falta de auto-estima...

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  3. Curioso que só nas casa de fado é que mandam calar "porque se vai cantar o fado". Não percebo porque é que não se faz o mesmo nos outros sítios!

    Às vezes também dou um cochicho, também comento o que estou a ver, do género "reparaste naquele movimento?" ou até "bolas que agora desafinou que se fartou", mas fico-me por aí, não desenvolvo altos diálogos. Mas isso sou só eu... e nem sei se tem a ver com educação, tem a ver também com a forma como se encaram e respeitam as várias artes.

    Beijinho

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  4. Comentar e cochichar, não é grave, desde que não incomode. O que falo é mesmo falta de respeito!

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  5. Olá Sara, percebo que o sucedido foi de facto de muito mau tom, a falta de civismo e discernimento das pessoas atinge níveis que fazem perder a paciência a um santo.
    Mas não quero deixar de salientar que toda essa revolta interna que se gera em cada um de nós apenas nos desgasta e de nada vale contra indivíduos sem um mínimo de princípios, por mais que nos custe a ignorância é que temos de melhor para retribuir. Nós não podemos mudar o mundo em franca decadência de princípios e valores, podemos sim direcionar as nossas energias em coisas positivas e não a desperdiçar com quem não merece uma linha da nossa dedicação.
    Td de bom, boas performances!

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  6. Olá Sara!
    Há pessoas que nem dois dedos de testa tem...
    desrespeitam porque não tem educação... A isso que lhe fizeram eu chamo-lhe uma grande falta de educação...
    Ninguém merece...
    Aquelas pessoas acho que quando estão a fazer qualquer coisa , também gostavam de ser respeitadas...
    Mas pronto..
    Ainda bem que teve muita energia e força e continuou a dançar..
    Assim é que tem que ser e força nesses momentos!!

    Beijinhus
    Sara Biscainho...

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