quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A Minha Viagem ao Cairo - 1ªparte - A Cidade


Esta minha última viagem ao Cairo foi simplesmente fantástica. Não tenho palavras para descrever a sensação que sinto sempre que vou para lá, muito menos todas as sensações que tenho quando chego e lá estou. O Egipto é o meu segundo país, a sua gente e cultura são algo que me diz muito e por mais voltas que dê á cabeça não tenho explicação para a atracção que sinto por esta cultura.

Impossível descrever o Cairo. Por mais adjectivos que surgem na minha cabeça são infinitamente pobres para descrever esta cidade, por isso não vale a pena estar aqui a escrever grandes textos, vou sim "falando" e adjectivando o melhor que conseguir.

À medida que vão lendo este post, vão encontrar uma lista de palavras em letra grande, aconselho a transcrevê-las num papel e no fim terão uma vaga ideia do que é o Cairo.


Esta minha quinta experiência de estar quinze dias sozinha onde o IMPREVISTO é regra correu fantasticamente bem.

Passaram-se dois anos desde a minha última ida ao Egipto e desta vez o avião foi directo!!! O que foi para mim uma grande alegria e descanso (não fazem ideia as secas que já apanhei em ter de estar a mudar de avião) cerca de cinco horas depois de me ter sentado, desembarco e para minha grande surpresa, encontro um terminal novinho em folha. Assim, fica a dica para quem quer visitar o Egipto: a Tap está a fazer voos directos e vão encontrar um terminal limpo e organizado, bem diferente das outras vezes... é a ordem a chegar ao Cairo, será? Bom, duvido! Esta cidade é a DESORDEM total!

Assim que saio do aeroporto, a caminho do hotel onde iria ficar, começo a reconhecer o CAÓTICO Cairo de sempre mas desta vez e para minha surpresa, muito pouco já me CHOCA e SURPREENDE.

O BARULHO constante, os CHEIROS, as CORES, o ÁRABE falado muitas vezes bastante alto já me é familiar e sorrio com muitas coisas que vou vendo neste trajecto para o hotel, coisas que nas primeiras vezes ficava de boca aberta.

A única coisa que realmente me surpreendeu durante toda a minha estadia, foi a sensação que não tinham passados dois anos. Foi como se estivesse lá estado toda a minha vida, senti-me em casa, completamente á vontade. Graças a Deus, apanhei sempre bons taxistas que não chateavam muito em querer conversa e aceitavam quase de imediato o valor que propunha, até os regateios no mercado correram bem. Estarei eu a tornar-me egípcia? Bom, maior parte das vezes confundiam-me como uma.


Tenho dois dias livres antes de começar o curso.

No primeiro, aproveito para encomendar os meus trajes nos ateliers que já conheço e ir para a um dos meus locais preferidos no Cairo - Khan al-Khalili - o famoso mercado. Odiado por muitos, adorado por outros este "CENTRO COMERCIAL CAÓTICO" a céu aberto para mim é lugar simplesmente MÁGICO directamente tirado dos livros de fantasia. Passo lá a tarde comprando e rindo das babuseiras que vou ouvindo, já não perco tempo a ficar ofendida com os assédios, simplesmente ignoro. É CÓMICO observar os vendedores nas "lojas" e ambulantes enquanto aprecio um chá e fumo uma xixa, parece mesmo que estou dentro de uma BANDA DESENHADA, é INCRÍVEL como existe uma certa ordem, para nós ocidentais INCOMPREENSÍVEL, na desordem que aparentemente existe. Eles lá se entendem, muitas vezes melhor que nós cá.

Depois das minhas obrigações comerciais feitas, decido que no dia seguinte iria rever as PIRÂMIDES e passar a tarde na CITADELA.


Como disse, é a quinta vez que aqui venho e é a segunda que vou ás pirâmides. Senti uma necessidade de ir vê-las e rever, o porquê de elas serem um dos monumentos mais fascinantes de todo o mundo. Mas em vez de me lembrar desse fascínio, relembro do porquê de nunca mais lá ter ido, é que mais uma vez tal como da primeira, este passeio revelou-se uma verdadeira DESILUSÃO. É verdade, ia lá para meditar um pouco, admirar as belas obras que elas são, estar sossegada com os meus pensamentos, mas isso torna-se impossível quando se tem de cinco em cinco minutos "melgas" a chatearem-te por tudo e por nada. Simplesmente os vendedores, guias, os que te oferecem passeios de camelo ou a cavalo, crianças não te largam seduzindo com tudo e mais alguma coisa. Acho que não entendem a frase "não, muito obrigado" e melgam até cedermos ou perceberem que não estamos para brincadeiras. São muito, muitos chatos e demasiadamente inconvenientes, piorando se percebem que estamos sozinhos, já para não falar se estás sozinha e és mulher (mulher estrangeira que passeia sozinha é igual, na cabeça dos árabes, prostituta á procura de clientes). Como relembrei a desilusão que é ver as pirâmides...


De tarde fui a outro local que também só tinha ido uma vez, a Citadela. Este local, para mim é LINDO, de lá temos uma vista panorâmica para toda a cidade, e aí tem-se uma pequena noção do quão GRANDE é. Nota-se também que o Cairo está assente no deserto e a POEIRA que se vê a pairar no ar misturado com a extrema POLUIÇÃO que existe é constrangedor para qualquer habitante deste planeta, mas os egípcios estão-se "borrifando" para este tipo de problema ocidental. O que vejo também deste terraço são as construções todas monocromáticas, muitas inacabadas e sujas, mas mesmo assim, não deixa de ter algo MÍSTICO nesta paisagem... só vendo. A Citadela foi a "casa" dos governantes egípcios por mais de 700 anos, começando a ser construída a 1176 dc por Saladino, onde se encontra lá uma das MESQUITAS mais bonitas que alguma vez vi. Mais uma vez o assédio para que compres alguma coisa é grande, mas o que achei mais interessante neste local foi o CONTRASTE entre PROFANO e RELIGIÃO. Para entrar na mesquita tinha de estar toda coberta e descalça, mas assim que punha os pés fora, esqueciam o lugar sagrado que estávamos e o que interessava era que eu comprasse algo... dá que pensar... esta atitude fez-me lembrar uma passagem bíblica que fala sobre os vendedores no templo. Acho que se Jesus fosse lá enfurecia-se mais uma vez em ver tanta hipocrisia: lá dentro tens de ser santo, cá fora podes ser o maior sacana... enfim...

Os restantes dias foram passados a ter as aulas, a ir ver as bailarinas que gosto e espectáculos de folclore.

É realmente uma cidade que deveria ser obrigatório todos irem. O meu conselho é aventurarem-se. O Cairo é uma cidade que se ADORA ou se ODEIA, surpreendam-se em ir conhecê-la. De uma coisa tenho a certeza, vai superar qualquer ideia que tenham dela. Eu adoro...

1 comentário:

  1. É um dos meus destinos de eleição, sem dúvida! Era ficar lá um mês para poder ver tudo que só vi em livros, principalmente o museu do Cairo, que sei que é enooooooorme! :)

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