Avançar para o conteúdo principal

A Dança Oriental como eu gosto




Ano após ano, show após show, dança após dança, movimento após movimento, cada vez chego mais à conclusão que o que realmente encanta, a quem nos assiste, é a alma com que a bailarina dança.
Ela até pode usar véus, bastões, leques, fazer o pino, mas o que fica na memória foi como ela sentiu aquela música e o transmitiu através do movimento do seu corpo.
Isso é que é dançar! E esse é que é o princípio da Dança Oriental.
Adoro adereços, aprecio algumas fusões, divirto-me a inventar, mas cada vez mais estou adepta de não levar nada e ser só eu, a música e o publico. Esse é que é o grande desafio de uma bailarina, conseguir transmitir Arte superando o seu próprio corpo, transcendo o espaço e transparecendo a música. Mostrar Dança Oriental "pura e dura", sem fusões ou outras complicações!
Claro que não é para todos... infelizmente vejo muitas bailarinas, com grande potencial, mas escondidas atrás de um véu, por exemplo. Ou (isto é que me deixa mais abismada) fazem todo o tipo de fusões, artes circenses, tribalismos, movimentos impecávelmente executados, mas sem expressão ou sentimento nenhum. Parecem máquinas... Vê-se hoje em dia tanta coisa, mas Dança Oriental no seu estado mais puro... nem vê-lo!
Não me interpretem mal, acho muito interessante tudo o que se faz, eu própria sou fã do movimento modernista para onde a D.O. naturalmente evoluiu. Mas acreditem em mim, não vale a pena seguir por mil e um caminhos se não se sabe o caminho original, pois vão acabar por se perder.
O que vejo muito é uma falta de solidificação da base da Dança Oriental (e percebam, a base da D. O. não é só saber os movimentos mais básicos, há toda uma teoria a solidificar esses mesmos movimentos), e isso é o mais importante se querem ser bailarinas com consistência.

Por isso, deixei de me preocupar com adereços só para iludir ou escolher músicas que achasse que as pessoas iriam mais gostar. Planear estratégicamente tudo e depois, não poder fazer nada daquilo que tinha ensaiado, pois ou o espaço não o permite ou não era aquele publico que estava à espera.
Não! Primeiro que tudo, cada exibição é para mim própria com músicas árabes que me inspirem e se me apetecer uso um ou outro adereço, sempre na base do improviso, pois dançar é isso mesmo, sentir cada momento adaptando-me ao espaço e tipo de publico que é sempre uma surpresa!
Quem gostar gosta, quem não gostar... temos pena! Se querem ver circo, sabem onde ir. Agora se querem ver Dança Oriental, podem-me ver a mim e muitas outras colegas minhas que sabem daquilo que falo.

Comentários

  1. ... eu por exemplo não gosto da dança oriental tipica.
    Aqui a questão não está no estilo mas naquilo que cada um sente.

    Quanto a circo, acho insultuoso que uma bailarina, não tenha abertura suficiente para respeitar as outras bailarinas, mas isto claro é a minha opinião.

    ResponderEliminar
  2. Percebo que nem todos gostemos da mesma coisa. Aceito perfeitamente que não goste de D.O. tipica, mas sempre que se dança seja qual for o estilo tem de haver uma carga emocional senão não resulta. E o que noto é essa falta de sentimento.
    O que quis dizer acerca do circo foi, que hoje em dia usa-se tudo para quase camuflar a verdadeira dança, e quando digo verdadeira dança é praticamente a ausência dela numa performance. Respeito e adoro ver todas as bailarinas/nos que conseguem fundir estilos sem deixarem de realmente dançar e sem se deixarem esconder por detrás de adereços. A elas e eles tenho o todo o meu respeito.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula34

 Querido Diário, Foi no passado sábado que aconteceu a terceira aula presencial (e última) desta época lectiva. Estas aulas extraordinárias são importantes. Essenciais para podermo-nos conectar sem o filtro do OnLine. Como já tinha dito anteriormente, por uma questão prática - e não só - as aulas online são eficazes e resultam mas, nada substitui o estar, o “olho no olho”, o toque, o sentir no presencial. O ser humano é um bicho social que precisa desta troca energética e, na dança é fundamental. Por isso, estas aulas esporádicas tornaram-se um encontro ainda mais especial. Porque ali, naquele espaço seguro, aproveitamos ao máximo cada momento. Cada riso. Cada movimento. Cada silêncio reflectido num olhar. Cada palavra traduzida numa dança. Saímos com a alma leve. Com a sensação que valeu cada minuto. Nestas aulas, faço questão de levar a minha filha, que vê e aprende, sem pressões ou espectativas, a minha arte. Assiste ao respeito que nutro pelas alunas neste ...

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula33

 Querido Diário, O nosso estado de espírito influencia a qualidade da nossa dança. Sempre senti isso. Junho, sol, feiras populares é sinónimo de boa disposição que se reflecte logo na dança. Foi nesse espírito que aconteceu a #aula33 e foi uma aula 5 estrelas. Houve disponibilidade para a criatividade onde a Improvisação - com método - foi rainha. É impressionante como é na prática que se consegue (também) os resultados. Com regularidade nas aulas, as alunas estão cada vez mais, à vontade para Improvisar e, a fazê-lo bem. Como já disse várias vezes, Improvisar custa. Não é algo óbvio ou intuitivo. Não basta ter talento. Tem de haver investimento de tempo a ir às aulas. Disciplina para cumprir um método de trabalho técnico e, muita vontade. De superar desafios, metas e até, crenças.   Segue-se, uma aula presencial... estou ansiosa para estar com as alunas e partilhar energias e claro, dança... muita dança. Depois conto-vos tudo!

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula32

 Querido Diário, E chegámos ao final do mês de Maio e a #aula32 acontece numa data muito particular para mim... Foi o dia que comemorei 18 anos de casamento. Sim. 18 anos. Enquanto dava a aula - online, no meu estúdio em casa - o meu marido cuidava e, preparava algo especial e diferente para nós usufruirmos depois da aula terminar e a filhota dormir. A presença e o incentivo por quem nos conhece e acompanha é fundamental no sucesso de quem escolhe uma vida artística. De uma maneira diferente de há mais de 20 anos atrás, hoje, o meu também marido, continua a respeitar e a apoiar o meu percurso que é muito mais do que se vê nos “palcos”. Os bastidores deles são de uma brutalidade inexplicável que só quem os vive sabe. E o meu companheiro de há 25 anos, sabe. Ele vive, e viveu, todos estes espaços e momentos comigo. Todos os altos e baixos. Para bem e para o mal. Talvez seja isso que é verdadeiramente um casamento. Na festa, precisamente há 18 anos atrás, dancei... e o...