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Técnica... ou mais do que isso?...

Cresci com aulas de dança. No meio de tutus e sapatilhas. Com a música do piano de fundo. Sempre que podia, "enfiava-me" num estúdio, assistia às aulas das mais velhas, escapava-me para o palco. Absorvia cada minuto. Observava cada segundo. Queria sempre superar-me. Fazer melhor. Ser a melhor. Cada aula, era uma oportunidade. De praticar, evoluir e aprender mais técnica. Era obcecada pela técnica de ballet. Sabia que, para dançar bem precisava de técnica. Mas rápido percebi o que realmente impacta.  Foi num exame de ballet - que tinha no final de cada ano para passar de grau - que o "click" se deu. Tive a maior nota numa dança que tínhamos de apresentar à examinadora. Era uma performance individual e tinha-me "esfalfado" a treiná-la. Sabia-a de "cor e salteado," mas tecnicamente não estava perfeito... eu sabia disso, a professora aconselhou-me a desistir dela e fazer a outra do currículo. Mas não quis. Senti que que era aquela. E porquê? Porque...

O que te apetece fazer?

Esta é a pergunta que te faço: O que é que te apetece fazer? Espera... Não respondas.... Reflete primeiro. A resposta não é imediata. Requer silencio. Porque num primeiro impulso não sabemos os que responder.  Perceber o que realmente me apetece leva tempo. Exige horas de silêncio e outras de solidão. Porque não é na confusão que nos ouvimos. Não é na agitação que nos sentimos. Não é na expectativa que nos percebemos. Saber o que nos realmente apetece exige interiorização. Vontade. É uma viagem à nossa alma. À criança que ainda existe em nós, mas que foi silenciada. Essa criança espontânea, tinha vontades, descomplicava, criava, imaginava, sonhava.  Quando tentas responder à pergunta, muitas das vezes, vais de encontro a essa criança. E lembras-te dos sonhos que tinhas. Todos eles estão lá. Basta acedê-los. E não. Não são patéticos, ilusórios, irreais. Isso foi o que te fizeram pensar. Mas esses sonhos são teus. As tuas vontades. Os teus pensamentos. Os teus sentimentos....

Lembro-me tão bem...

Como se fosse hoje. Mas foi há mais de 19 anos atrás. Lembro-me bem o momento que decidi seguir a minha vocação: ser bailarina. Foi num momento decisivo e impulsivo onde me encontrava saturada de fazer aquilo que não me fazia sentido. Não tinha prazer no que estava a fazer. Senti, que o curso que estava a tirar era pura obrigação. Sim. Estava na faculdade, no último ano e tinha de decidir o que queria fazer realmente quando acabasse os estudos académicos. Era o segundo ano que praticava Dança Oriental. No ano anterior tinha terminado com o ballet. Não tinha hipótese de continuar, mas a minha paixão pela dança intensificou-se com a D.O. e cada vez crescia mais, dentro de mim, a vontade de tornar aquela paixão num modo de vida. E foi numa manhã, sentada numa das cantinas da faculdade - sim, tinha-me "baldado" a uma aula - que parei e pensei: 1º O que estava realmente ali a fazer; 2º Se fazia sentido continuar; 3º O que me apetecia estar a fazer; E esta 3ª pergunta a mim mesma d...

And Just Like That... Another Birthday

E foi assim, que num piscar de olhos, passou-se-me mais um ano de vida. Dia 1 de Agosto - Leão, YES! - faço 42 anos. Eu sou daquelas pessoas que não tenho problema em assumir e dizer a minha idade apesar de, sinceramente, não me agradar o avanço da mesma. Desejo, ilusoriamente, ficar jovem eternamente... Mesmo assim, tenho o maior orgulho no meu número. São 42 anos de vivências, experiências, aprendizagens e muita, muita dança, alegria, desafios, ousadias. Já quase metade da minha vida que faço só o que me apetece, segundo os meus ideais e valores, com a liberdade que sempre desejei desde muito jovem. Sempre quis Viver, com tudo que isso acarreta e é isso que procuro sempre que acordo. Óbvio que estes 42 anos não foram um mar de rosas. Ter e exercer liberdade exige responsabilidade. E um assumir dessa mesma responsabilidade. Também houve muitas lágrimas, dúvidas, chatices, arrependimentos, frustrações e desilusões. Mas, apesar de tudo, chego feliz a este meu aniversário. Acima de tudo:...

Oriental Dance Festivals - My Experience - parte III

Não queria deixar de falar sobre a minha experiência com os Festivais no Cairo sem referir, especificamente, o que mais gostei neles: os espectáculos - o de abertura e, principalmente, o do encerramento. Escrevi, nos posts anteriores, que o espírito que senti nestes Festivais, dificilmente voltaria a encontrar. E, o ambiente que se criava nos espectáculos que lá aconteciam, muito menos. Estes eram algo majestoso, mas para mim em particular, muito inspirador.  Havia actuações todos os dias do Festival, bem como nos Cursos Profissionais, mas o da abertura e o do encerramento eram especiais. Nestes, reuniam todas as participantes para assistir as bailarinas mais "sonantes". Aquelas que eu mais queria ver. E assistir ao vivo, com banda a tocar, é outra coisa... é não só inspirador como aprende-se muito. Eu adorava esses momentos. Aliás, adoro. Ali via como uma bailarina conseguia captar a atenção e entreter quase 5 mil pessoas. E, tenho que lembrar, não eram umas pessoas quaisque...

Oriental Dance Festivals - My Experience - parte II

Como prometido no post anterior, vou continuar a falar-vos da minha experiência nos Festivais de Dança Oriental, no Cairo. Neste, especificamente, falar-vos-ei dos workshops inseridos no festival. Vou ser directa e sincera: não foi técnica que aprendi nas aulas dos Festivais, aliás, rapidamente percebi que iria aprender muito mais... ora vejamos:  1º - As aulas aconteciam em espaços pouco (ou nada) preparados para uma aula de dança. Eram em salões de banquetes ENORMES com um mini "palco" improvisado onde o professor ficava e sem espelho. 2º - Ou tu chegavas bem cedo ao workshop ou já não conseguias lugar à frente perto do "palco". Isso significava o conseguires ver e ouvir em condições... mínimas. 3º - Não estava completamente à vontade... estava rodeada de dezenas - e nos workshop com os professores "cabeça de cartaz" eram centenas - de... histéricas. Sim, é esta a descrição. Eu não tenho paciência para histéricas, cada uma mais espampanante que a...

Oriental Dance Festivals - My Experience - parte I

A minha experiência com os Festivais de Dança Oriental... É um tema que acho, nunca escrevi. Vou abordar especificamente os que participei no Cairo. Festivais estes, a meu ver, pioneiros. Neste post (primeiro de três) vou falar do porquê de participar neles. O primeiro festival que participei foi em Junho de 2006 no lendário "Ahlan Wa Sahlan". E posso dizer que o que teve de grandioso teve de inspirador. Na altura, os Festivais não estavam na moda, nem aconteciam assim tantos como hoje em dia. Havia este e poucos mais espalhados pelo mundo. Este, era o mais mediático. Criado pela visão (a meu ver, muito inteligente) da Raqia Hassan - antiga bailarina da Reda Troup e mentora de muitas bailarinas ainda no activo - para este festival vinham bailarinos de todo o mundo aprender, conviver e "competir" onde chegavam a ser mais de quatro mil participantes. Era algo grande e impactante. E eu, sempre quis ir aprender à "fonte" e este festival conseguia reunir uma ...