Querido Diário:
Esta é, provavelmente, a última vez que te escrevo.
Eu acredito que ciclos têm de ser fechados para dar espaço a outros que
vão ganhando mais sentido na nossa vida. E, por isso, decidi que as Aulas
Regulares e OnLine chegam ao fim. Encerro assim, uma fase da Vida onde e Ensino
e a Dança foram protagonistas.
Mas, houve uma pergunta que fiz e que a faço de tempos a tempos antes de
tomar qualquer decisão... Faço-a em momentos críticos. Faço-a quando me sinto
inquieta ou acomodada. Faço-a para não me desconectar de mim : “O QUE É QUE ME
APETECE?”
E a resposta, vinda directamente do coração, foi clara: Hoje, a celebrar
47 anos, apetece-me outras coisas. Experimentar outros caminhos e improvisar em
palcos diferentes numa nova fase de vida. Relembrei-me também o que sempre
soube: Um dia, a minha vida como bailarina e professora de dança irá
silenciar-se. Sei que será com respeito, no meu tempo e com dignidade por mim,
pelas pessoas que me acompanham desde sempre e, pela arte da Dança. Em especial
(óbvio) por Aquela que me resgatou, curou e me moldou: a Dança Oriental. Dança
esta que muitos conhecem, mas poucos sabem o seu real poder.
Eu, tive a felicidade de conectar-me com esta Arte Mágica e Ancestral.
Levarei para a vida - seja qual for o rumo - o legado que ela me deixa.
Continuo com a mesma seriedade que demonstro, desde o início, há mais de 25
anos e, o privilégio que tenho em teimosamente ousar em exercer a minha
liberdade faz com que eu - e só eu - seja a responsável pelas minhas escolhas e
tomadas de direção.
Estarei (ainda) a ensinar neste novo caminho. Com a verdade e a
autenticidade a que já habituei e só (como sempre foi) sempre “só” nos moldes que me
apetece e faz sentido.
Não sei o que a vida me reserva mas de uma coisa tenho a certeza:
nasci bailarina e morrerei bailarina. Só o palco é que muda.

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