Avançar para o conteúdo principal

Terei sido uma "cigana"?

Eu acho que noutra vida devo ter sido ou cigana, ou pertencia a alguma tribo que saltava de terra em terra! Eu gosto, ou melhor eu ADORO viajar, conhecer culturas novas ou simplesmente estar noutros locais que desconheço, mas se há coisa que AMO fazer no Verão é acampar! E este não foi excepção. Para mim acampar significa voltar às minhas raízes, sentir o vento, o sol, a chuva sem ter paredes, sentar e dormir no chão, pisar de pé descalço a terra, ouvir a Natureza... tenho tal necessidade disso, como se a minha Alma implorasse esse retorno. O facto é que passando uns dias em (quase) pleno "estado selvagem" sinto-me renovada, com as baterias recargadas e inspirada para mais um ano de dança...
Mas, bom... quando digo "estado selvagem" não é bem assim... tenho algumas condições e luxos que não prescindo, claro!!! Ora bem: tenho de ir para um parque de campismo 5 estrelas, tem de haver casas-de-banho e limpas (acho que não preciso de dizer mais nada), restaurante ou refeitório (sim, recuso-me a cozinhar no meio do mato), padaria (claro que preciso do meu pão fresco logo de manhã), super mercado ( já não sei viver sem esta personagem) e café/bar ( não prescindo do meu chá às horas que me apetecer). Se o parque tiver uma praia privativa, onde posso pôr a minha tenda mesmo de frente para o mar, numa falésia, longe de todos os outros para ter total privacidade, então estão reunidas todas as condições que exijo para me tornar, por uns dias uma "verdadeira" cigana.
Depois, de já há 7 anos, acampar anualmente, e de ter investigado a maior parte dos parques que reúnam estas premissas, encontrei o meu parque de campismo ideal: Parque de Campismo da Praia da Galé (Alentejo). Isto aqui é o paraíso! Reparem bem:
. acordo às 7 da manhã com o meu despertador preferido, os passáros;
. sento-me, abro a tenda e dou bom dia ao oceano que está mesmo á minha frente (estou acampada na falésia, se der uns 5 passos, caio por ali abaixo parando na praia);
. calço depressa os chinelos e vou a correr á casa de banho (não preciso dizer para quê, já devem ter adivinhado) que está a meio quilometro da tenda, começo aqui a minha caminhada diária (quando estamos a acampar andamos quilómetros para qualquer sítio, este é um inconveniente);
. volto ( mais meio quilometro), visto uma roupa qualquer, bebo o meu leite de soja, troco os chinelos pelos ténis, fones nos ouvidos e desço até à praia;
. 7h30 - na praia, ainda com o sol a nascer, e completamente deserta (mesmo deserta, só eu e as gaivotas) começo o meu exercício favorito, caminho durante uma hora. Este é um verdadeiro privilégio percorrer um areal lindo da costa alentejana...
. 8h30 - já de volta á tenda troco de vestimenta: ponho o biquíni e vestido de praia, e vou calmamente tomar o pequeno almoço - passo pelo super mercado e compro fruta, manteiga, queijo e fiambre, passo pela padaria e compro pão e o meu pecado quando aqui estou (um belo bolo, sendo o meu preferido daqui o croiassant com doce de ovos), passo pela papelaria e compro o meu vício: revistas e mais revista... (um dia vou-me curar num centro de reabilitação prometo-vos), sento-me no sítio das merendas e delicio-me...
. 9h30 - volto á tenda, pego no saco da praia (com 500 cremes protectores para apele e cabelo, água, toalha e o meu vício) e lá vou eu mais uma vez ravina abaixo, deitar-me a apanhar sol;
. 13h30 - retorno á tenda arrebentada depois de subir pela segunda vez no dia a falésia, que digo-vos: esta subida é impropria para cardíacos (se quiserem tonificar as pernas, subam e desçam esta falésia várias vezes, por uns quinze dias, e verão que ficam com pernas como as da Heidi Klum), descanso um pouco à sombra, (pois agora o sol está a pique), recupero o fôlego, troco de novo de roupa (sempre muito fashion ;P) pego no portátil e vou almoçar;
. 14h00 - depois de andar mais um quilometro (bolas que aqui farto-me de andar) compro no café uma bague te vegetariana (descrevo: pão com alface, cenoura, milho e tomate), encho-a de maionese (pois isto não devia dizer) e delicio-me mais uma vez... de seguida compro um gelado (estou de férias não estou?!);
. 15h00 - sento-me na explanada em frente da piscina e "mergulho" na net... meu novo passatempo (espero não criar vício), vejo mails, facebook, actualizo o blog, falo com amigos, etc... ter um portátil e net sem fios revolucionou muita coisa e faz com que nunca nos desliguemos do mundo;
. 17h30 - desligo a realidade virtual, retorno à realidade física e vou tomar banho ( trouxe tudo o que era necessário quando vim almoçar, assim evito andar mais um quilometro):
. 18h30 - retorno á tenda depois de ter experenciado, mais uma vez, a aventura que é tomar banho numa casa de banho pública, tentem imaginar... não consigo descrever! Esta é a hora que mais gosto de estar deitada, na tenda a ver o mar e a ler um livro. O sol já não está tão quente e a brisa é fantástica;
. 20h30 - depois de ver um lindo pôr do sol da "varanda da minha casa" vou jantar: uma sopinha no refeitório e é só!
. 22h00 - regresso á tenda depois de ter visto um pouco da animação que há sempre... crianças a chorar pois estão com sono; uma enorme variedade de cães a cheirar tudo e todos; o belo do portuga a falar alto como se não estivesse mais ali ninguém; sai café atrás de café; começa alguém a cantar; casais a discutir; namorados a namorarem, enfim... o nosso belo Portugal no seu melhor ( não tenho paciência para assistir a esta animação, dirijo-me para o concerto em que tenho bilhete para a primeira fila, vou escutar o som das ondas...);
. 22h30 - despeço-me das estrelas, deito-me e adormeço a ler ainda ao som do mar.
É ou não é um paraíso? Bom... por 10€ de estadia, acho que sim...

Comentários

  1. Bem, com esses confortos acho que até era capaz de gostar. Mas nunca sozinha! Para além de ter medo do escuro, detesto (mas mesmo mesmo) estar sozinha.

    Bom resto de férias! ;)

    ResponderEliminar
  2. Muito bom... parece-me apetecível... :) Um dia tenho que experimentar isso ;)

    ResponderEliminar
  3. Deliciei-me com este post e, se pudesse, ia já para o Alentejo acampar! Deu-me mesmo de vontade. Ao ler a descrição do teu "dia-tipo", parecia que estava eu a vivê-lo!
    Bons acampamentos e boas danças!
    p.s. já experimentaste (espero poder tratar-'te' por 'tu') dançar de manhâzinha quando não está ninguém, ou mesmo ao fim da tarde, na praia, pra começar/acabar o dia mesmo bem? Fica a sugestão!

    Maria Teixeira

    ResponderEliminar
  4. Olá Sara :) fico muito contente por escreveres e superares este teu desafio pessoal. Estou a gostar de te ler! Continua! Como também tenho alma de nómada, fiquei cheia de vontade de lá ir. O nosso paraíso pessoal é aquele de faz despontar sorrisos e brilho no olhar como tens na foto em que estás de férias com o F.
    Que a vida te brinde com preciosos "tesouros", lições e bençãos.
    Tenho muitas saudades de dançarmos, pareço uma miúda pequena: "É hoje, é hoje!!!".
    Bj.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula36

 Querido Diário, E “just like that” entrei em contagem decrescente para o final desta época lectiva. Aconteceu a antepenúltima aula e senti nela um acumular de todos estes meses. Acusei já algum cansaço e nas alunas também. Completamente normal para esta altura do ano. Confesso que, mais do que descansar, preciso de sair da minha rotina. Não ter horários nem compromissos. Preciso de me afastar. De acalmar. Acho que a sensação é geral. Já temos os meses de Verão programados e só já pensamos em praia, mar e boa comida. Pelo menos, é o que eu penso. Mas, há que finalizar. Há que terminar com o mesmo cuidado com que se começou e assim, estas últimas aulas são descontraídas, mas autenticas. Leves, mas com rigor. Vai-se com preguiça, mas sai-se com o sentido de “dever cumprido”. Porque, acredito no que sempre ouvi: o mais importante não é como se começa, mas  como acaba. No Palco e na Vida.

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula37

 Querido Diário, Penúltima aula. Com muito, muito, muito calor. Confesso que gosto de calor mas, não este calor que se fez sentir. Dançar nestas temperaturas é, para mim... doloroso. Mas, não é a primeira vez e, não será a última. Já passei por ensaios e espectáculos em condições de temperatura semelhantes e, aqui estou. Porque na verdade, nunca temos as condições ideais. Há sempre algo que nos faz apetecer recuar ou ter a desculpa perfeita para desistir. Como sempre digo, há que contrariar e, pela minha experiência, criar - grande parte das vezes - as condições. E assim, a #aula37 acontece. E, como todas as outras desta época lectiva, foram criadas as condições.   Não as ideais, mas as possíveis para que a minha visão e método de Dança Oriental fosse continuado.   E continuou. Que se refletiu nesta aula. E, mais do que tudo, refletiu-se vontade e dedicação. Também, grande parte das vezes, são só estas as condições que bastam.

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula38

 Querido Diário, #aula38. Última desta época 24/25. Às minhas lindas alunas devo o sucesso deste ano. A elas eu agradeço profundamente a confiança, compromisso e a dedicação que demostraram ao longo dos meses. O companheirismo que se gerou e a companhia que me fizeram. Aprendo mais que ensino... sempre foi assim. São as alunas que constroem as aulas e as impulsionam. São elas que dão continuidade e as divulgam com orgulho. São o testemunho real da Dança Oriental. Para mim, foi um privilégio . Como sempre é. Esta última aula foi de partilha, riso, descompressão, brincadeira e, despedida. Saber parar é um dos movimentos mais difíceis de executar. Talvez o mais desafiante. Não dá para coreografar. Só sentir. Reagir e deixar impactar.   É tempo de pausar. Descansar. Reflectir. Sem promessas. Finalizar este ciclo. Até Já!