segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A Mulher Selvagem - Na Dança como na Vida




Quanto mais DANÇO, quer em publico, quer em privado ou quer em ensinar, quanto mais VIVO apercebo-me do que ainda não vivi e do que ainda me falta aprender, ou, tomar consciência...

"Espiritualidade, é um termo especifico que na verdade significa: lidar com a intuição."
Chogyam Trungpa Rinpoche

Danço à 26 anos e só nos últimos 10 é que percebi a transformação que a dança traz à vida de uma mulher. Mas, o que é e o que é ser mulher? Que transformação é essa?
Por mais que medite, leia, pesquise sobre o que é/ser mulher, mais chego à conclusão que não há uma definição, há milhares e cada mulher que existe neste planeta é uma
dessas possíveis definições.
Mas, ao analisarmos, há algo em comum em todas essas milhares de definições, algo que não conseguimos adjectivar, algo tão transcendente e tão irracional que não há termo que consiga definir.
A isso, eu pessoalmente chamo: MULHER SELVAGEM.

Somos (nós mulheres) seres espirituais, disso não há duvida. Somos instintivas mas sábias, somos delicadas mas fortes, criadora da vida mas provocadora da morte, belas mas... selvagens!
Selvagens... nós agimos, quer conscientemente ou não, conforme o nosso estado de espírito, que por sua vez é "comandado", dir-me-ão, pelas circunstâncias da vida... pois eu digo que é pelas nossas hormonas, produzidas ciclicamente pelos nossos ovários... os órgãos, que a meu ver, mais caracterizam a mulher quanto ser animal que somos.
Podemos ter tecnologias, raciocínio intelectual, roupas, maquilhagens, etc... mas, não nos esqueçamos de onde viemos: do útero da nossa mãe, gritando com o primeiro movimento que demos neste mundo: a primeira respiração, totalmente nuas, completamente LIVRES, SELVAGENS!
Está gravado nas nossas células esse lado primitivo, espiritual, que não é mais que lidar com o nosso instinto. Não sabemos como nem porquê, mas sentimos... todas nós já tivemos essa sensação.
Para mim, dançar é expressar esses sentimentos numa linguagem ancestral.
Nenhum outro tipo de dança exige um tão profundo conhecimento de nós próprios.
Por isso é que a aprender Dança Oriental, é um processo de auto-conhecimento, redescoberta, de LIBERTAÇÃO, de TRANSFORMAÇÃO.
Conforme a minha postura na Vida, assim é a minha postura na Dança. A minha atitude perante a Vida, assim é a minha atitude na Dança.

Dançar Dança Oriental, é materializar essa mulher selvagem que há dentro de nós.
Como bailarina com a experiência de quase toda a minha vida, afirmo e deixo estas frases para meditarem:
É IMPOSSÍVEL DANÇAR SE NA VIDA DOMESTICO A MULHER SELVAGEM QUE HÁ MIM.
A MINHA DANÇA É O REFLEXO DA MINHA VIDA.
DANÇO NÃO COM O MEU CÉREBRO MAS COM OS MEUS OVÁRIOS!

2 comentários:

  1. Querida Sara,
    já era para falar contigo acerca do que vou dizer, mas não posso deixar passar este post sem comentar.
    Ultimamente (desde o Workshop mais concretamente) retomei ânimo e fôlego pelas aulas. Deve ter também a ver com o teu próprio processo interno, mas a verdade é que adoro a nova dinâmica das aulas:
    Dançar fazendo movimentos descontrolados, soltar o cabelo, criar cenários em que nos soltamos e deixamos ir + um pouco, em que fazemos movimentos, pondo de lado a técnica e por aí fora.
    Adoro isso, acho fundamental a nível geral. Quanto a mim, sinto que é mesmo o que preciso, que sem ser à força e inconscientemente, ponho o pé fora da minha zona de conforto. (Quando me vejo forçada a dançar para alguém assistir e tenho de improvisar, a minha reacção inicial é ficar em tensão e não me sair nada de jeito, parece ser tudo mental).
    A nova dinâmica das aulas assenta-me que nem uma luva, aí sinto que me comecei a soltar uma pouquinho e é tão bom sair da zona de conforto e voltar e ter prazer em dançar e a divertir-me!!
    Só agora me apercebi que já não me divertia a dançar, que corria tentando apanhar o comboio e as coreografias.
    Estava a perder a essência da Dança em mim.
    Neste momento, sinto que as coreografias não são do que preciso, mas sim exactamente disto!
    Adorei o teu texto. Quero que me ajudes a soltar a minha mulher selvagem, que está algures cá dentro e foi amordaçada pela vida.
    Quero que me ensines a dançar com os ovários, com a alma, coração e libertar essa mulher selvagem que está acorrentada dentro de mim.
    Mais uma vez agradeço ao Universo por ser tua aluna, os nossos caminhos se cruzarem.
    Obrigada por tudo o que já viveste comigo e pelo que viveremos a seguir.
    Retomei as raízes da Dança em mim, sinto que é por aqui.
    Beijinhos.

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  2. Olá Sara :),
    acho que esta tua nova abordagem é fantástica. Claro que a técnica é essencial, mas tu sentiste a energia que estava na sala no sábado passado...
    Acho apenas que é uma ferramenta poderosa, na realidade um veículo que ao ser usado pode libertar a técnica. Quando o fizemos ontem, senti a energia das colegas mudar (a minha também). E é uma forma muito agradável de sair da zona de conforto, o que nos ajuda a crescer na Vida e na Dança.
    Acho que este veículo de libertação, não meu, mas de todas nós pode ser utilizado pelo menos uma vez por aula, prepara-nos para a aula propriamente dita.
    Beijinhos, até amanhã.

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