Avançar para o conteúdo principal

Pergunta 7 - O que menos te entusiasma no teu trabalho?

 As infinitas horas que passo a promover e a arranjar trabalho.

Só para deixar bem definido: Eu sou bailarina. Mas não uma bailarina incluída numa companhia de dança. Sou bailarina freelancer. Não tenho agente, empresa ou assistente, ou seja, sou eu que me represento, promovo, agencio, angario e gere. E é grande, ou melhor, a maior parte do meu tempo é a fazer isso mesmo: trabalhar 1000% para conseguir 10% de dança propriamente dita.

As pessoas não sabem o trabalho que dá, nos dias de hoje, ser bailarina a freelancer. E digo nos dias de hoje porque há quase 20 anos atras, nos meus primeiros anos profissionais, não precisava de estar tanto tempo em frente a um pc ou agarrada às redes para conseguir onde dançar e para quem ensinar. Era mais simples. Talvez mais eficaz. Agora, trabalho muito mais na net que no palco. Ensino mais online que no estúdio. Tornou-se obrigatório estar na rede, coisa que há uns anos atrás era opcional. E isso consome horas do meu dia e muitas vezes partes da noite. E não. Não é entusiasmante.

Sinceramente, houve um tempo que recusei-me a entrar nesta espirar virtual. Não queria "perder" tempo sentada a uma secretária ou ter um telemóvel de última geração. Mas, percebi, que hoje são ferramentas fundamentais para uma bailarina como são as suas sapatilhas. O desafio está no equilíbrio, porque não deixo de ser bailarina e o que gosto mesmo de fazer é Dançar, Ensinar, Partilhar, Motivar e Inspirar OLHOS nos OLHOS. Não - só - atrás de um pc ou de tlm para centenas de seguidores… virtuais.

Todo o trabalho virtual, de gestão de redes sociais, de actualização das plataformas online, o facto de estar "ligada" nas dezenas grupos das mais variadas aplicações faz com que esteja SEMPRE a trabalhar. Porque sim, pessoal, não é lazer... é trabalho, para poder ter trabalho. Porque eu gero o meu próprio trabalho. E gerar trabalho consome... Tudo é estruturado, pensado, estudado e não tenho ninguém a ensinar-me ou a orientar. Sou eu que faço TUDO. Consome sim... horas e horas de mim, da minha energia, da minha criatividade, do meu pensamento.

Não me estou a queixar. Faz parte. Eu sei. Eu escolhi que assim fosse. Mas hoje, curiosamente, "descanso" e quase - quase - que o meu lazer é dar aulas, treinar ou dançar. Como tudo se inverteu... comecei, para conseguir alunas, a distribuir panfletos nas caixas de correios nos prédios perto do estúdio onde dava aulas. 90% do trabalho que tive nessa altura foi graças a esses mesmos panfletos que duravam meses. Agora um post tem a duração de umas horas na selva que é a net... e isso sim é exaustivo e para mim, que gosto é de presença, é o que menos me entusiasma no meu trabalho de sonho. Porque apesar de tudo, eu vivo o meu sonho.


Comentários

Mensagens populares deste blogue

OnLine, O "Novo" Palco

Pois é... Resisti bastante. Adiei muito. Desisti algumas vezes. Até que a vida nos atropela - com uma pandemia (quem diria?!...) - e, foi neste atípico momento que percebi: ou é agora ou não é mais. Não há dúvidas, tudo OnLine ganhou uma vida própria e veio para ficar e há quem diga que entramos numa nova Era... Falo, claro, da minha lendária resistência às novas tecnologias e plataformas digitais.  Resisto porque na verdade não controlo e isso chateia-me... muito. Gosto de dominar e entender o que faço. Mas, de uma vez por todas, mergulhei no fascinante mas manhoso mundo da internet. Afinal o OnLine, já faz parte da nossa vida há algum tempo mas, atrevo-me a dizer, não com a força que tem hoje. E, ou tu te adapatas, ou "desapareces". E eu tive de me adaptar e depressa. Mas esta rapidez, sinceramente, assusta-me... toda a conjuntura que vivemos potenciou uma dependência no virtual como se de um bem essêncial se tratasse.  O virtual tornou-se uma realidade paralela que ganhou

Depois da Revelação

Falar e expor-me, em ambiente de aula perante mulheres que anseiam aprender comigo, intimida-me. E sempre me intimidou. Porque sei o peso da responsabilidade. Ensinar esta arte é muito, mas muito mais que "passar" técnica. É conseguir ir ao encontro da alma bailante que cada aluna tem, inspirá-la e motivá-la sobressair.  Confesso que estava nervosa. Acho que nunca, mesmo já tendo passado tantos anos, deixo de me sentir insegura e apreensiva. Não quero aplicar mal as palavras, não quero confundi-las, quero que a mensagem seja clara. Falar em publico é-me ainda, constrangedor. Mas, quando o fazemos com verdade, com sinceridade, de mulher para mulher, algo mágico acontece e tudo flui. Acho que foi isso que aconteceu na formação d`O Ventre em Nós: magia. Vi mulheres carentes de respostas que gritam por companheirismo. Querem sentir que não estão sozinhas e que afinal, nós, profissionais somos humanas tal como elas. Poder, nestas ocasiões especiais, passar as minhas exp

Conversas & Danças no Feminino - Edição Especial

CONVERSAS & DANÇAS NO FEMININO  Edição Especial Quarentena A DANÇA ORIENTAL E O ISOLAMENTO by  Sara Naadirah Method * 25 ABRIL 2020 * 16h  * ON-LINE * Da carência de mais do que só a partilha de técnica coreografica, nasce CONVERSAS & DANÇAS NO FEMININO .  Esta é uma formação teórica e prática de Dança Oriental , indicado para todos os níveis de aprendizagem, aspirantes a profissionais e a bailarinas que estejam no activo.  Nesta EDIÇÃO ESPECIAL QUARENTENA , e porque continuar a prática da dança em casa é diferente e pode ser um desafio,  A DANÇA ORIENTAL e o ISOLAMENTO:  TÉCNICO E SOCIAL   será o tema principal, reflexo dos tempos que vivemos. Programa: * INTRODUÇÃO  -  Ligarmo-nos virtualmente e dar-nos a conhecer umas às outras. Podemos não estar fisicamente mas vamos na mesma formar um "circulo" de mulheres e com ele, um circuito interactivo; * 1ª PARTE - TEÓRICA   - Breve reflexão do impacto dos tempos que vivemos;