Avançar para o conteúdo principal

Pergunta 10 - Em todo o teu percurso, oque mais te incomoda?

 Que, vezes sem conta, tenham tentado "sabotar" a minha essência.

Passo a explicar: eu desde muito, mesmo muito nova, sabia o que queria fazer. Queria ser bailarina. Sempre o soube. E, sempre o verbalizei. E sempre me tentaram dissuadir dessa ideia. Desde pequena. Ouvia: isso não é profissão; isso é só para alguns; não tens corpo para isso; tens é de estudar; isso não é nada; como assim bailarina?; isso depois passa-lhe; não tens talento; podes dançar desde que faças outra coisa... outra coisa séria; não consegues ir longe com a DO; não te metas no meu caminho que eu esmago-te; ensinar...?; talvez só nível iniciado, mais não consegues. E muito mais... teria aqui uma lista infinita.

Sim. Durante toda a minha vida não acreditaram que tinha nascido artista, bailarina de essência. Podia aprender a dançar e actuar mas,... desde que... ouvi de tudo. O que mais me custa é ouvir da minha família. Sim, nunca gostaram. Acabaram por respeitar "esta minha estranha forma de vida" - já dizia Amália - mas não apoiaram... e isso custou muito e, ainda custa porque pouco mudou. E sim, só houve uma pessoa que acreditava que poderia ser uma bailarina de Dança Oriental. Mais ninguém. Tive de provar, e ainda provo, sempre.

Temos de acreditar muito em nós para conseguir dar a volta. Amadurecer para ter coragem de assumir quem somos. Eu conheco-me porque me oiço. Tento perceber como me sinto e medito sobre isso. A nossa Alma grita para que SEJAMOS. 

Incomoda-me não acreditarem em mim. Incomoda-me porem em causa a minha vida. Incomoda-me o constante verbalizar de opiniões que não pedi. E tudo isso mina. Vai deixando a sua marca. Há momentos que vacilo... quase que acredito na versão que queriam que eu fosse. Mas relembro. Volto sempre a mim. À minha visão. À minha versão. Porque uma vez conhecido, nunca esquecemos quem somos.

PS: Para ilustar tudo isto, deixo aqui o link de um vídeo lindo de uma bailarina que nem a doença a faz esquecer quem é: https://www.youtube.com/watch?v=6m29-qK752w 

 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

E assim Nasceu... uma MÃE.

Ela dorme profundamente. Está silencio e, só agora, passado oito meses desde o nascimento da minha filha é que consigo - FINALMENTE - sentar-me com calma ao computador e retomar o blog. Não escrevo desde Junho. Não consegui. Disse que o voltaria a fazer em Novembro passado... antes de ela nascer disse tanta coisa... pensei tanta coisa... e já se passou tanta coisa. Precisei de tempo. Tempo para criar alguma distancia e assim ter capacidade de raciocínio e destreza emocional para este post. É um texto que me é difícil, mas que me exigi escrevê-lo. Escrevo-o para mim, para recordar, arrumar pensamentos, acalmar sentimentos e para pôr em palavras como foi e como é esta minha nova vivência. Ao partilhá-lo espero que chegue ao coração de muitos e à alma de de quem é mãe. Eu demorei 36 anos a querer ter um filho. Nunca entendi o tal "relógio biológico a dar horas"(aliás, ainda hoje não percebo o que isso é) e desejo de engravidar. Muito pelo contrario! Fugia "a sete p...

O Primeiro Festival em Portugal...

Finalmente conseguiu-se realizar, graças á coragem de alguns, o 1º Festival Internacional de Dança Oriental em Portugal. O nosso país já merecia algo assim, e devo confessar que achei fantástica a iniciativa do qual me propus desde o inicio em colaborar. Realizar um projecto destes em Portugal não é difícil, é dificílimo!!! A ajuda por parte de entidades que podem disponibilizar espaços e condições técnicas não colabora em nada e se puderem ainda atrapalham. Só o facto de convidar "estrelas" internacionais a vir cá dar show e workshops é de uma responsabilidade e de um encargo financeiro enorme. Se corresse mal, o nosso país e as organizadoras ficariam com o nome manchado... dá para imaginar... Por isso é de louvar o trabalho que a Filipa e a Cris desenvolveram e acho que foi importantíssimo ter havido este primeiro festival, semelhante ao que acontece internacionalmente, os amantes da Dança Oriental em Portugal precisam de alargar os seus horizontes e ver os diferentes estil...

Mais um ano a ensinar...

Ser bailarina não é só dançar, é também passar os seus conhecimentos a alguém que tem o desejo de aprender. Desde que comecei a minha carreira como bailarina que comecei logo a ensinar, e durante estes últimos sete anos, passaram por mim centenas de alunas (e uns alunos), proporcionando-me uma contra-aprendizagem, que direi... no mínimo... interessante e complexa. Dar aulas é tão ou mais desafiante que ter de dançar publicamente. Conseguir transmitir esta Arte não é tarefa fácil mas é extremamente compensador! Para mim, ver uma aluna a "crescer" na dança, é como um pouco ver um filho crescendo... e é com orgulho que as vejo a "gatinhar", dar os "primeiros passos" e depressa começam a "correr"! Normalmente divido-as em duas categorias: as especiais e as de passagem. Estas categorias não têm a haver com o grau de aprendizagem, mas sim com a intensidade, dedicação e objectivo com que querem aprender. As "especiais" são aquelas que realme...