Avançar para o conteúdo principal

Nos Dias Difíceis...

Na generalidade, pensa-se que um artista é alguém meio louco e esquisito. Que tem as suas regras e vive no seu mundo. É sempre criativo e está sempre bem. Que vive do ar... de graça ou de favores. Mas digo-vos, um artista, é uma pessoa como todas as outras.

Talvez mais intuitivo ou mais sensível. Talvez mais introvertido ou muito extrovertido. Talvez não tenha receio de viver segundo valores esquecidos. Mas é uma pessoa. Que também tem os seus dias e momentos. Onde, grande parte das vezes, só a sua arte não basta, mas pode ser o suficiente para não desmoronar de vez e continuar. Vivo.

Como bailarina, revejo-me e poucos são aqueles que têm acesso ao outro lado de um artista. O seu lado sombra como costumo dizer. Normalmente só o veem através da sua Arte, mas poucos são os que  acompanham, entendem e apoiam ou veem o seu lado sombra. 

Eu admito que é sou frágil. Não sou a supermulher. E como toda a gente, tenho dias difíceis. E mesmo nesses dias, escolho o meu lenço para a anca e, bora lá! Eu escolho a minha Arte porque é ela que me alimenta mesmo quando não tenho vontade. É um compromisso. Porque o que eu tenho com a Dança Oriental é uma relação de amor. E como todas as relações, dão trabalho e exigem resiliência. Vivemo-las ao máximo e não desistimos à primeira.

Nesses dias difíceis, experimentem usar a vossa Arte - porque acredito que todos nós temos um talento, basta descobri-lo - como combustível ou como super poder. Quem sabe, novos artistas surjam. E com eles, um mundo mais sensível. Sim, eu sei… só uma eterna sonhadora… sou bailarina.



 



Comentários

Mensagens populares deste blogue

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula36

 Querido Diário, E “just like that” entrei em contagem decrescente para o final desta época lectiva. Aconteceu a antepenúltima aula e senti nela um acumular de todos estes meses. Acusei já algum cansaço e nas alunas também. Completamente normal para esta altura do ano. Confesso que, mais do que descansar, preciso de sair da minha rotina. Não ter horários nem compromissos. Preciso de me afastar. De acalmar. Acho que a sensação é geral. Já temos os meses de Verão programados e só já pensamos em praia, mar e boa comida. Pelo menos, é o que eu penso. Mas, há que finalizar. Há que terminar com o mesmo cuidado com que se começou e assim, estas últimas aulas são descontraídas, mas autenticas. Leves, mas com rigor. Vai-se com preguiça, mas sai-se com o sentido de “dever cumprido”. Porque, acredito no que sempre ouvi: o mais importante não é como se começa, mas  como acaba. No Palco e na Vida.

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula37

 Querido Diário, Penúltima aula. Com muito, muito, muito calor. Confesso que gosto de calor mas, não este calor que se fez sentir. Dançar nestas temperaturas é, para mim... doloroso. Mas, não é a primeira vez e, não será a última. Já passei por ensaios e espectáculos em condições de temperatura semelhantes e, aqui estou. Porque na verdade, nunca temos as condições ideais. Há sempre algo que nos faz apetecer recuar ou ter a desculpa perfeita para desistir. Como sempre digo, há que contrariar e, pela minha experiência, criar - grande parte das vezes - as condições. E assim, a #aula37 acontece. E, como todas as outras desta época lectiva, foram criadas as condições.   Não as ideais, mas as possíveis para que a minha visão e método de Dança Oriental fosse continuado.   E continuou. Que se refletiu nesta aula. E, mais do que tudo, refletiu-se vontade e dedicação. Também, grande parte das vezes, são só estas as condições que bastam.

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula38

 Querido Diário, #aula38. Última desta época 24/25. Às minhas lindas alunas devo o sucesso deste ano. A elas eu agradeço profundamente a confiança, compromisso e a dedicação que demostraram ao longo dos meses. O companheirismo que se gerou e a companhia que me fizeram. Aprendo mais que ensino... sempre foi assim. São as alunas que constroem as aulas e as impulsionam. São elas que dão continuidade e as divulgam com orgulho. São o testemunho real da Dança Oriental. Para mim, foi um privilégio . Como sempre é. Esta última aula foi de partilha, riso, descompressão, brincadeira e, despedida. Saber parar é um dos movimentos mais difíceis de executar. Talvez o mais desafiante. Não dá para coreografar. Só sentir. Reagir e deixar impactar.   É tempo de pausar. Descansar. Reflectir. Sem promessas. Finalizar este ciclo. Até Já!