segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O meu maior critico: EU

Quantos são os dias que acordo, olho no espelho e acho-me a mulher mais feia do mundo? Muitos dias...
Quantos vezes me acho gorda? Imensos dias...
Quando é que depois de uma actuação me sinto bem com a mesma? Quase nunca...
Sinto insegurança cada vez que vou dar uma aula? Sempre...
Medo dos desafios? Em todos eles...
Sinto-me corajosa a toda a hora? Claro que não...
Julgo-me mais que os outros sobre mim própria? Infelizmente SIM...
Dou muito crédito ao que pensam de mim? Não, mas dou crédito a mais do que penso de mim própria.
AI SARA: CRESCE!!!!!!
Por vezes acho que sou duas (ou mais) personalidades a viver num só corpo. Corpo este que estupidamente teimo, influenciada ou não, a pressionar para ser o que não é suposto ser. Ainda hoje, sendo um daqueles dias que me sentia a mais feia, a mais gorda, a mais desajeitada, levo com um "um murro na cara" quando vejo um documentário na tv sobre anorexia e bulimia. Vendo aquelas raparigas a, literalmente, matarem-se à fome porque constantemente se criticam, pensei logo: afinal não sou feia, desajeitada muito menos gorda. Sou uma mulher fisicamente normal (já o psicológico...) mas então, porque é que, só quando nos é escarrapachado a desgraça dos outros é que nos damos conta da sorte que temos. Porquê?
Sinceramente estou cansada da pressão que eu própria me inflijo e que vejo muitas alunas a fazer o mesmo cada vez que se olham ao espelho. 
Gostava de conseguir relaxar mais e não ser tão obcecada por aspectos que não têm a mínima importância. Despendo preciosa energia criticando-me por não conseguir uma perfeição ilusória, é ou não é ridículo? 
Com isto não digo que não tenhamos algum senso comum, ou até mesmo "olhos na cara", mas onde está o equilíbrio entre ambição, perfeição, critica e a verdadeira realidade? Será que não estamos todos iludidos por imagens fabricadas e irreais? Será que não pedimos demais a nós próprios como se de uma lavagem cerebral imposta diariamente? Até que ponto temos de ser as maiores e melhores, mas... as mais magras. Até que ponto o sucesso pessoal se confunde com a imagem que projectamos?...

Neste Natal peço que tenha alguma destas resposta, para de uma vez por todas, possa viver em pleno cada vez que me olho no espelho, cada dança, cada vez que ensino ou aprendo, cada experiência de vida, cada vez que estou com o meu Amor. Quero PAZ, comigo própria.
E o que querem vocês para o Natal?

2 comentários:

  1. Acho que a grande exigência que temos para connosco próprias se deve principalmente às pressões sociais. Todos os dias levamos com modelos lindas e magras nos anúncios, nos filmes, nas revistas. Tudo aquilo é mentira, eu sei. O photoshop faz milagres, sei bem disso. Mas mesmo assim é-nos impossível não pensarmos que gostavamos de ser assim.

    Ficamos constantemente inseguras, sentimo-nos feias, deitamo-nos abaixo... Mas no fundo, beeeem no fundo queremos é ser aceites. É assim que entendo as coisas porque foi assim que cresci. Habituei-me a que me chamassem feia, gorda, monte de banha. Acabei por eu própria acreditar nisso. Por mais que hoje veja que não sou nada disso fica sempre o medo de ser rejeitada pelo meu aspecto.

    Só acho curioso o facto dos rapazes que conheço gostarem de raparigas "boas", como eles dizes, com uma imagem cuidada e "tudo no sítio" e depois eles próprios não fazem nada para se porem decentes nem diminuirem a barriga.

    Enfim. Que venha o Natal.

    O que quero eu? Felicidade e amor. "Só". :)

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  2. Concordo que temos sim pressões sociais, mas no fundo como bem dizes só queremos ser aceites. E aceites por nós próprias.
    Saber desprendermo-nos disso é um Arte que acho que leva uma vida a desenvolver... espero que uma só vida (a que tenho agora) chegue. ;)

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