sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

A Crueldade das Palavras

É do conhecimento publico que os artistas têm tendências estranhas, gostos esquisitos mas, sobretudo uma sensibilidade apurada. Eu acho que somos pessoas normais, comuns, com a diferença que não nos importamos de assumir o que não é convencional. Sempre fui assim, a "esquisita" da família. Forte, impetuosa, mas, sensível. 
É também do conhecimento geral que os bailarinos têm uma vida de entrega, sacrifício e disciplina para que, em poucos minutos, consigam brilhar no palco. Eu fiz a minha entrega à Dança Oriental anos atrás e, o sacrifício dessa escolha é diária, com uma disciplina que se revela mais a nível emocional que físico.



Tenho reparado, ultimamente, na influencia que certas atitude mas, especialmente, palavras têm em mim. Durante anos bloqueei as energias negativas que se deparavam à minha frente - e pelas minhas costas - não dando ouvidos à mais mesquinha das entranhas humanas mas, reforço: sou uma pessoa normal, que SENTE. O cansaço e desgaste de tanta mesquinhice conseguiu rachar a minha bolha de protecção e assim, deixar-me abalar. 
É impressionante a crueldade do ser humano. Quase que não é humano. Acho que não é mesmo. Não pode ser humano, prefiro pensar assim.
Reparei que as palavras mais requintadas de crueldade - e aquelas que dói na alma - não são de estranhos, são dos nossos mais chegados (fantástico!!!). A família com que nós convivemos diariamente é do piorio...Ui!!! Se sabem magoar!! E, aqueles "amigos" que pensamos ingenuamente que o são, mas revelam-se... pequenos monstros. Esses então acabam por ser mestres na arte da simulação, deveriam ganhar prémios!
Claro que aos que valem a pena - apesar de tudo -, acabo por perdoar. Muitas das vezes faço o esforço de tentar perceber (se é que existe uma explicação) para atitudes que "não lembra o diabo" e, concluo que, não consigo controlar palavras e comportamentos dos outros, por mais que nos iludamos em achar que conhecemos bem essa ou aquela pessoa. 
A única coisa que consigo controlar (e já dá MUITO trabalho) são as minhas palavras, as minhas atitudes e garantir que a minha bolha de protecção não rache facilmente.
Manter a integridade intacta neste mundo não é para humanos... é para super-humanos. Seria mais fácil partir para a estupidez, para a amargura, ser azeda e vingativa, mas não. Escolho não o ser. 
Sei quem sou e há valores meus que não corrompo. As atitudes desconcertantes, a energia negativa, as palavras cruéis dos outros fica com eles. Por mais próximos que me sejam, por mais convivência que tenha e por mais que os ame, não os consigo/posso controlar e assim, LIBERTO-ME desse peso (morto).
Liberto-me principalmente da magoa, rancor e do desejo de retaliação. Energeticamente e espiritualmente, simplesmente afasto-me. É uma escolha. Mais uma vez, escolho-ME. 
Sim... ser bailarina impera a disciplina, e é isso que faço: disciplino a minha mente, coração, alma.



PS: deveria também haver fotos destas, bem giras e diferentes, de bailarinas de Dança Oriental. Se tiverem enviem-me! ;)

1 comentário:

  1. Oh, é normal que sejam os mais próximos quem mais nos magoa, precisamente por esperarmos deles apoio incondicional. Mas são humanos, sim, por isso erram. Eu tb erro mta vez e gosto sempre de ser perdoada. Claro que há coisas que não se podem esquecer, mas gosto sempre de acreditar que não foi por mal. :)

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