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Porque máquina, eu não sou!

Eu, não escolhi ser bailarina. A Dança me escolheu, disso, tenho a certeza. Nasci assim. Inquieta, criativa, intuitiva. Não gostava (não gosto) de falar, gosto de comunicar com o corpo. E é isso que a Dança é para mim: um dialogo.
Mas há na nossa vida, momentos de recolhimento que convidam à introspecção. Eu estou nesse momento. Assim o intui, e como sempre, faço o que quero. Esta é uma das grandes lições que a Dança Oriental me ensinou: fazer respeitar a minha vontade.
Depois de 15 anos de vida profissional intensa como bailarina, professora, etc... senti a necessidade de fazer uma pausa. Durante essa pausa nasceu a minha filha - a minha criação mais audaciosa e exigente - e com ela tudo mudou. O nosso corpo transformasse, a nossa mente ganha outras prioridades, o nosso espirito amadurece, o nosso ego arrefece. Hoje sou outra pessoa.
Durante estes últimos (quase) três anos mantive-me quieta, observando e refletindo - e esta é outra grande lição que a D.O. me mostrou: OUVIR, VER e PENSAR - sobre o que se passava no universo, cada vez mais vasto, da Dança Oriental. Num mundo que não para, vi coisas que gostei e vi outras tantas que odiei. Tive momentos de puro desespero e de inercia. Quis desistir. Acho que por um tempo desisti mesmo. Mas, a Dança não desiste de mim... já tentei afastá-la, mas ela não me larga. Ainda estou a tentar processar o porquê. Acho que está em mim.
Foi muito importante ter parado. Ter mergulhado na minha sombra. Aprendi a dizer NÃO. Aprendi a respeitar o meu tempo. Aprendi a "editar". Aprendi sobretudo que é na ausência do movimento que a melhor dança poderá surgir. 
O que se segue não sei. Só sei aquilo que não quero fazer, e para mim, isso já é um recomeço.


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