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A mostrar mensagens de 2021

Oriental Dance Festivals - My Experience - parte II

Como prometido no post anterior, vou continuar a falar-vos da minha experiência nos Festivais de Dança Oriental, no Cairo. Neste, especificamente, falar-vos-ei dos workshops inseridos no festival. Vou ser directa e sincera: não foi técnica que aprendi nas aulas dos Festivais, aliás, rapidamente percebi que iria aprender muito mais... ora vejamos:  1º - As aulas aconteciam em espaços pouco (ou nada) preparados para uma aula de dança. Eram em salões de banquetes ENORMES com um mini "palco" improvisado onde o professor ficava e sem espelho. 2º - Ou tu chegavas bem cedo ao workshop ou já não conseguias lugar à frente perto do "palco". Isso significava o conseguires ver e ouvir em condições... mínimas. 3º - Não estava completamente à vontade... estava rodeada de dezenas - e nos workshop com os professores "cabeça de cartaz" eram centenas - de... histéricas. Sim, é esta a descrição. Eu não tenho paciência para histéricas, cada uma mais espampanante que a

Oriental Dance Festivals - My Experience - parte I

A minha experiência com os Festivais de Dança Oriental... É um tema que acho, nunca escrevi. Vou abordar especificamente os que participei no Cairo. Festivais estes, a meu ver, pioneiros. Neste post (primeiro de três) vou falar do porquê de participar neles. O primeiro festival que participei foi em Junho de 2006 no lendário "Ahlan Wa Sahlan". E posso dizer que o que teve de grandioso teve de inspirador. Na altura, os Festivais não estavam na moda, nem aconteciam assim tantos como hoje em dia. Havia este e poucos mais espalhados pelo mundo. Este, era o mais mediático. Criado pela visão (a meu ver, muito inteligente) da Raqia Hassan - antiga bailarina da Reda Troup e mentora de muitas bailarinas ainda no activo - para este festival vinham bailarinos de todo o mundo aprender, conviver e "competir" onde chegavam a ser mais de quatro mil participantes. Era algo grande e impactante. E eu, sempre quis ir aprender à "fonte" e este festival conseguia reunir uma

Os Meus Professores - Parte III

Nos posts anteriores falei-vos da importância das professoras que mais tiveram impacto na minha vida e, nos que actualmente me ajudam a ganhar forma e também, de certa maneira, a descomprimir a minha rotina. E neste post quero falar-vos daqueles que directa e indirectamente influenciam o meu percurso. Eles são, todos os artistas que de alguma forma me inspiram. Sejam eles actores, pintores, escritores, outros bailarinos... os artistas influenciam-me sempre que a sua Arte me impacta. E isso é muito importante: que nós artistas, não nos fechemos na nossa bolha. Que vejamos o trabalho dos outros para também abrirmos os horizontes. É muitas vezes neles que encontro estímulo para criar, pois o caminho de uma bailarina e professora de Dança Oriental é solitário, que facilmente cai na monotonia e acomodamo-nos.  Por isso todo o estímulo que me faça sair da minha zona de conforto, desde que seja para evoluir, é bem-vinda. Outra grande influência para mim são todos os bailarinos (e professo

Os Meus Professores - Parte II

 Abel Salazar, médico entre muitas outras profissões disse: " O médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe." e eu, pego na frase dele e digo: " A *bellydancer que só sabe de *Bellydance, nem de *Bellydance sabe."  Pessoal: ninguém é excelente na sua área fechado na sua bolha. Podes até ser bom. Mas não és memorável. Com isto quero dizer que, quanto mais fizerem, observarem, refletirem, aprenderem, experimentarem outras coisas, outras maneiras de ver, de sentir, de pensar, de conhecimento melhores pessoas serão e claro, excepcionais na vossa área. Seja ela qual for.  Por isso, e desde sempre, percebi que praticando outras modalidades ajudariam na minha dança. Quando fazia Ballet, e embora a Dança Clássica fosse o meu foco, fiz questão (decisão que tomei na altura de forma intuitiva) ir também aprender outras danças que, de certa maneira, complementavam a minha formação no clássico. E, foi através dessa minha vontade de estar atenta ao que me rodeava que che

Nós, Bailarinas e os nossos Pet`s

Há anos que estou para escrever sobre a relação que, nós bailarinas, temos com os nossos bichinhos de estimação. Hoje, provocado por um acontecimento recente na minha família fez-me repensar toda esta relação que construímos com os nossos pet`s. E acho que a palavra que melhor define o que acontece entre uma bailarina e um pet é mesmo esta: relação. Uma relação de amor profundo. De cumplicidade. De entendimento. De aceitação. De amizade. De ensinamento. Ter um animal na nossa vida é ter um companheiro leal, fiel, sem julgamentos. Para mim são Anjos da Guarda.  Na nossa família, "havia" três. A Nikita - a minha cadelinha, a Ashy - a cadelinha da minha irmã e o Brownie... que também era da minha irmã. E digo era porque faleceu de forma fulminante e sem ninguém estar à espera há poucos dias. Nunca, mas nunca pensei que doesse tanto. E não era o cão que vivia comigo... mas a ligação que construí com ele desde o primeiro dia que o vi (que foi antes da minha irmã ficar com ele) ia

Os Meus Professores - Parte I

 Em sequência do texto anterior neste, quero falar dos meus professores de dança. Ao longo de toda a minha vida, tive muitos mas vou destacar dois que tiveram mais impacto no meu percurso: a minha professora de Ballet e a de Dança Oriental. Tive 16 anos de Dança Clássica, passei por algumas professoras mas A MINHA professora, aquela que mais me marcou, ensinou e ajudou a ser também a professora que sou hoje, foi a Cristina Filipe. Lendária professora de ballet. Assertiva, líder, ética, uma autêntica professora (das antigas) de ballet e uma das mulheres mais inteligentes que conheço. Ensinou-me muito mais que técnica de ballet clássico. Ensinou-me a usar a inteligencia emocional e a dar voz às minhas opiniões. Ensinou-me que, se não nasceste com o "rabinho virado para a lua" tens mesmo de ir à luta e que há valores que não são negociáveis. Foi com ela, na sua academia, que tive o meu primeiro trabalho como rececionista e aí, fui aprendendo todos os bastidores de um negócio. Fo

Recomeçar... 1, 10, 100, 1000... Vezes

O que for necessário. É uma das condições de ser Artista. De ser Bailarina. Freelancer. E de ser Professora de Dança. Perdi a conta de quantas alunas passaram por mim ao longo destes anos todos. Vão e vêm. Já disse e repito: todas foram e são especiais. Cada uma, à sua maneira, deixou marca e contribuiu para a profissional que sou hoje.   Cada aluna é um recomeçar... é uma folha em branco para inspirar. Para trabalhar. Para fazer sobressair. É uma responsabilidade maior que dançar no maior palco do mundo. O público de uma sala de aula - quer presencial, quer agora mais recentemente, online - é o mais exigente, o mais desafiador mas pode ser o mais recompensador. Atraí-lo não é fácil. Mantê-lo exige criatividade e muito amor à Dança e à condição de ser Professora. Não escondo a desilusão que algumas vezes também é. Quando damos tudo a uma aluna, com verdade, com honestidade e ela... simplesmente não dá valor. No início da minha carreira custava-me muito isso. O sentir a desvalorização d

Aqueles que nos espreitam...

Há pouco tempo, contactou-me uma rapariga que queria fazer as minhas aulas regulares online. Depois de breves trocas de mensagens, diz-me que já me conhece há anos... Perguntei como porque não estava a reconhecer quem era. E diz-me: "eu, a caminho da minha aula de ballet em pequena, parava sempre à porta da tua aula e espreitava o que fazias. Desde aí que sempre tive vontade de praticar Dança Oriental." Também, para participar num dos workshops que tenho dado online neste último ano, contacta-me uma outra rapariga que foi minha aluna, anos atrás, ainda adolescente. E, mais recentemente, outra que tinha feito aulas comigo ainda na faculdade, na Cidade Universitária e nunca as esqueceu, que agora retoma. Se me dissessem, há 18 anos atrás quando comecei a fazer actuações e a ensinar, que iria impactar desta forma não acreditaria. Saber que consegui plantar uma sementinha no coração de centenas de pessoas é maravilhoso. E saber que, de alguma maneira, cada aluna que passou por

ATITUDE ... na Dança e na Vida

 ATITUDE. O que é?... Como consegui-la?... De onde vem?... É assim tão fundamental?...  Sim. É. Atitude, no momento certo pode fazer a diferença do tudo ou nada. Do muito e do pouco. De um caminho ou outro. Da realização ou da frustração. Decide momentos chave na nossa vida. Alavanca a nossa dança a um patamar difícil de superar. Sim. Ter atitude na Dança e na Vida é essencial. Mas ok... bora lá ter atitude... conseguem?... Pois. Não é assim tão fácil, pois não? Este termo comecei a ouvi-lo com a Dança Oriental, logo nos meus primeiros passos. Pensava: "ok, eu sei o que é ter atitude, vou aplicá-la, agora é que vai ser." E acabava por não ser nada. Pois é.… dizer é fácil. Demonstrar é difícil. Explicar é ainda mais. E eu, como gosto de reflectir, durante anos esmiucei o que é isto de ter atitude porque todos o diziam mas explicar como ter ou o que é... nada.  Mais uma vez, foi na prática diária de Dança Oriental, tanto no palco de sala de aula, como no palco de um espectáculo

A Crítica

Confesso que é algo que não gosto de receber. Sejam as críticas que forem. Gosto de elogios, de feedbacks, de opiniões, até que me corrijam, mas que me critiquem não. Irrita-me. E é logo daquelas coisas que me fazem revirar os olhos. Mas o que é exactamente uma crítica?...  Dir-me-ão que é tudo aquilo que descrevi em cima. Talvez. Mas, há uma variante que, para mim, faz toda a diferença: o tom com que é dito. A meu ver, tudo pode ser dito desde que se coloque o tom certo. E a mim irrita-me o tom da critica. Muito mais que as palavras e piora quando não peço.  Toda a minha vida ouvi críticas. Boas, más, construtivas, maldosas, inocentes, perspicazes, destrutivas, inteligentes. Eu própria já dei muitas... mesmo muitas. E sei o tom com que disse muitas delas. Sei também que certos tons meus feriram alguns. Muitos deles não foram de propósito. Era a única maneira que sabia para tentar elevar algumas dessas pessoas. Foi assim comigo. Não cresci, profissionalmente falando, a passarem-me

O Tabu do Corpo Feminino - Parte II

Quando comecei a praticar Dança Oriental, "há quase um século atrás", deparei-me com dois preconceitos que o público em geral tinha (e muitos ainda têm) em relação à D.O: 1º - alguns movimentos (quase todos) eram encarados como muito sexuais; 2º - dançam muito despidas - barriga à mostra, de sutiã e uma saia... Rápido percebi o escândalo que eram estas duas conjunções: dançar meio despida com movimentos considerados demasiado sensuais. Não podia ser... ou era um ou era outro... os dois juntos ainda por cima com uma música esquisita lá do oriente... OMG!... Escândalo Total! Até hoje não entendo, a meu ver, qual é a obsessão que há pelo corpo feminino. Porque é que o corpo, ou partes dele, nu de uma mulher é motivo de julgamento? Será que uma mulher é mesmo livre de mostrar o seu corpo sem consequências? Não tenho respostas... só sinto que nesta questão ainda há muito para evoluir ou, talvez, respeitar. Vivemos com legados machistas fortes que teimam a ficar e pior, a serem per

O Tabu do Corpo Feminino - Parte I

Vou contar-vos um episódio que aconteceu comigo: A minha filha tinha cerca de um ano e meio quando, finalmente, tive a possibilidade de uma "nigth out". Ia, com o meu marido, jantar a casa de uns amigos. Deixei tudo preparado - não fazem ideia a logística que é necessária - para deixar a Raquel (já a dormir, pois só adormecia ao meu colo) com os meus sogros e poder ir socializar fora do circuito das "recem-mamãs". Era a minha primeira saída à noite em mais de ano e meio... Comprei roupa nova, maquilhei-me, arranjei o cabelo e lá fui super entusiasmada. Tudo corria bem durante o jantar. Estavam lá amigos de longa data e conheci outros. Até que um dos participantes, do nada, vira-se para mim e para o meu marido, em alto e bom som e diz: "Oh Sara?!... Tu estás muita gorda!!! Como é que isso aconteceu?? Oh pá... Talvez o Fernando goste! AhAhAhAh!!!!"       Não. Não estam a imaginar a minha cara... caiu-me tudo... não tive reação e só me apeteceu enterrar-me