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O Palco

Sempre me imaginei dançar em palcos grandes, dignos, com condições e com um público interessado. Para mim, esse é o lugar dos bailarinos. De todos os bailarinos. E de todas as danças. Rapidamente, assim que enveredei pela Dança Oriental, dei-me conta que, infelizmente, esse privilégio não era para todos, muito menos para todas as danças. Logo, nos primeiros tempos como profissional, senti desmérito até, algum desrespeito e muito preconceito pela Dança Oriental e por ser bailarina de D.O. Começando (e acabando) pela minha própria família, passando por muitos promotores de espectáculos e de eventos. Claro, ir para palcos "dignos" tornou-se tarefa: Missão Impossível. Obstinada como sou, sonhei levar a Dança Oriental para esses palcos. E, dando "o corpo às balas" e por minha conta e risco, consegui alguns. Hoje em dia, depois de muito trabalho trilhado, está mais acessível e há menos impedimentos onde as portas de boas salas de espectáculo estão mais recetivas, mas, ain
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Desenganei-me

Digo, desde sempre: A D. Oriental é para Todos mas, nem Todos são para a D. Oriental. O que achas?... Faz-te sentido? Aos longo dos anos, milhares de alunas já passaram pelas minhas aulas e pude perceber que todas, por uma razão ou outra, quiseram experimentar a magia da D.Oriental mas, poucas se mantinham. Percebia que havia uma motivação inicial que depois dessa "excitação" desaparecer, acabavam por ir embora. Faziam durante algum tempo, mas, mil e uma desculpas depois, desistiam... Honestamente, no início da minha carreira, achava que a culpa era minha. Que era eu que não conseguia ensinar ou motivar decentemente porque, na minha cabeça pensava: "como queres desistir de fazer esta dança? Como?!!" e culpava-me. No meu entender, esta dança era/é tão maravilhosa que, se desistiam, é porque não estava a fazer um bom trabalho como professora.  Hoje em dia, penso de maneira diferente. Percebi que, primeiro: o meu trabalho como professora de dança sempre foi - desde o p

Feliz Ano Novo... Será?

Esta é a pergunta para um milhão... Por tradição (e necessidade) desejamos um Feliz Ano Novo, na esperança que esse novo seja melhor que o anterior. P or defeito, lembramo-nos mais do mau do ano que finda não dando muito valor ao bom que aconteceu. Como seres dramáticos que naturalmente somos, o secreto desejo desse "Feliz Ano Novo" é, sobretudo uma mensagem direcionada para a própria pessoa e, nada mais é que tentar apagar o péssimo por "artes mágicas" a ver se, finalmente, o milagre acontece. O difícil é saber qual é esse milagre que queremos para a nossa vida... se te perguntar, sabes qual é?... 2022, para mim, nem foi frio nem foi quente. Foi morno. E eu detesto coisas mornas. Coisas assim assim. Pela metade. Sem caracter. Personalidade. Que não me façam vibrar. Que não me queimem ou me gelem. Odeio os tons de cinzento. Para mim, ou é preto ou é branco. Preciso de sentir. O tudo ou nada. Sim, sou radical. Por isso, QUERO... não desejo... QUERO que o próx

A Dança Oriental e a AutoEstima

 A Autoestima, é um tema complexo. Não sou psicóloga, nem coach, nem especialista mas, depois de duas décadas a lidar com (maioritariamente) milhares de mulheres, dá-me aqui alguma margem para expressar uma opinião. Acredito - até pelo que tenho observado da minha filha que acompanho desde o seu primeiro momento de vida - não nascemos com "autoestima". Somos uma "tela em branco" onde construímo-la desde o nosso primeiro minuto. Muitos são os factores que contribuem e muito se fala sobre o papel da Dança Oriental na nossa Autoestima. Desde que danço que oiço dizerem: "vem dançar que isso fará com que ganhes autoestima", como se de um milagre se tratasse. Será?! Como sempre, vou ser directa: Sabes o que é que a Dança Oriental faz pela tua Autoestima? NADA. Mas, é na maneira como que encaras a Dança Oriental que vai fazer toda a diferença. Vamos lá ver:  Não é por achares piada (porque ainda é vista por muitos como uma dança exótica e sensual) e aprenderes un

Quase, Quase...

Quase, quase a completar mais um ano de vida. A caminho dos 43 anos. Nem acredito. 43... e que orgulho tenho neles. Sim. olhando para trás, não me arrependo de nada. Até daquilo que, na altura, me pareceu mau ou más escolhas. Hoje percebo o porquê e como tudo fez - e faz - sentido. Continuo, obcecadamente, no comando da minha vida e, orgulhosa a escrever a minha história. Este foi o ano calmo e introspectivo onde a Sara Macedo e a Sara Naadirah se fundiram somente na SARA.  Durante anos fui só a Sara Macedo, a tentar encontrar a minha identidade e lugar no mundo. Depois, veio a Sara Naadirah, completamente leoa, a assumir a minha missão e dança. Agora, encontro somente a SARA, o equilíbrio entre as duas. Equilíbrio esse que estou a construí-lo a pulso através de estratégias para um autoconhecimento profundo. Doloroso por vezes, mas, reconfortante e apaziguante noutras tantas que me faz (re)conhecer-me de uma maneira completamente nova.  Este também foi o ano de confirmação de algo que

Ser Livre

Este post serve-me como uma reflexão pessoal que partilho convosco. Há dias li esta frase: "A liberdade ofende porque é como um espelho reflectindo todas as prisões que a gente vive." Autor desconheço. Verdade... e não consigo perceber - ou melhor consigo - porque é que a liberdade de uns, chateia tanto outros. Mas, pensei também: e quem é que fica mais incomodado, o que exerce a liberdade ou quem a assiste?....  Pensando bem, dei por mim a dar-me conta que, muitas vezes (vezes demais), senti necessidade de pedir desculpa por fazer exercer as minhas escolhas, decisões, vontades... a minha liberdade. E, aposto que muitas de vocês que me estão a ler, também já sentiram isso. Estranho, não é?!... Parece que ficamos constrangidas por fazermos o que nos apetece. Porque sentimos que ofende. Porque parece que não é suposto. Parece errado. Muito mais sendo mulher... uma mulher livre, parece que ofende muito mais... Claro que estou a falar de uma liberdade com responsabilidade. Com bo

Ronin

Ronin, é um termo japonês que quer dizer "samurai (guerreiro) sem mestre".  Quando percebi o significado desta palavra, anos atrás, identifiquei-me. Muitos mestres passam na minha vida, mas, não me agarro a nenhum... E na Dança Oriental não foi exceção. Cedo fiquei sem "mestre". E rapidamente tive de me desenrascar sozinha. Nada que já não estivesse habituada, mas... refletindo, em retrospetiva, foi duro e custou-me não ter tido apoio. Segui em frente. E o meu caminho como Ronin nunca me deixou mal. Pelo contrário. Sou o que sou e tudo que conquistei foi graças a mim, ao meu esforço, experiências e visão. E muito orgulho tenho nisso.  Claro que é muito bom ter pessoas que nos inspiram à nossa volta. Que nos ajudem e até mesmo nos orientem. Há no ser humano uma necessidade primitiva de pertencer a algo ou a uma comunidade. Somos animais sociais. Interativos. E todas as pessoas que passaram e continuam a passar na minha vida, deixam o seu impacto. E gosto disso. M