Avançar para o conteúdo principal

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula34, 35, 36 e Última

 Querido Diário:

Esta é, provavelmente, a última vez que te escrevo.

Eu acredito que ciclos têm de ser fechados para dar espaço a outros que vão ganhando mais sentido na nossa vida. E, por isso, decidi que as Aulas Regulares e OnLine chegam ao fim. Encerro assim, uma fase da Vida onde e Ensino e a Dança foram protagonistas.

Mas, houve uma pergunta que fiz e que a faço de tempos a tempos antes de tomar qualquer decisão... Faço-a em momentos críticos. Faço-a quando me sinto inquieta ou acomodada. Faço-a para não me desconectar de mim : “O QUE É QUE ME APETECE?”

E a resposta, vinda directamente do coração, foi clara: Hoje, a celebrar 47 anos, apetece-me outras coisas. Experimentar outros caminhos e improvisar em palcos diferentes numa nova fase de vida. Relembrei-me também o que sempre soube: Um dia, a minha vida como bailarina e professora de dança irá silenciar-se. Sei que será com respeito, no meu tempo e com dignidade por mim, pelas pessoas que me acompanham desde sempre e, pela arte da Dança. Em especial (óbvio) por Aquela que me resgatou, curou e me moldou: a Dança Oriental. Dança esta que muitos conhecem, mas poucos sabem o seu real poder.

Eu, tive a felicidade de conectar-me com esta Arte Mágica e Ancestral. Levarei para a vida - seja qual for o rumo - o legado que ela me deixa. Continuo com a mesma seriedade que demonstro, desde o início, há mais de 25 anos e, o privilégio que tenho em teimosamente ousar em exercer a minha liberdade faz com que eu - e só eu - seja a responsável pelas minhas escolhas e tomadas de direção.

Estarei (ainda) a ensinar neste novo caminho. Com a verdade e a autenticidade a que já habituei e só (como sempre foi) sempre “só” nos moldes que me apetece e faz sentido.

Não sei o que a vida me reserva mas de uma coisa tenho a certeza:

nasci bailarina e morrerei bailarina. Só o palco é que muda.




Comentários

Mensagens populares deste blogue

E assim Nasceu... uma MÃE.

Ela dorme profundamente. Está silencio e, só agora, passado oito meses desde o nascimento da minha filha é que consigo - FINALMENTE - sentar-me com calma ao computador e retomar o blog. Não escrevo desde Junho. Não consegui. Disse que o voltaria a fazer em Novembro passado... antes de ela nascer disse tanta coisa... pensei tanta coisa... e já se passou tanta coisa. Precisei de tempo. Tempo para criar alguma distancia e assim ter capacidade de raciocínio e destreza emocional para este post. É um texto que me é difícil, mas que me exigi escrevê-lo. Escrevo-o para mim, para recordar, arrumar pensamentos, acalmar sentimentos e para pôr em palavras como foi e como é esta minha nova vivência. Ao partilhá-lo espero que chegue ao coração de muitos e à alma de de quem é mãe. Eu demorei 36 anos a querer ter um filho. Nunca entendi o tal "relógio biológico a dar horas"(aliás, ainda hoje não percebo o que isso é) e desejo de engravidar. Muito pelo contrario! Fugia "a sete p...

Mais um ano a ensinar...

Ser bailarina não é só dançar, é também passar os seus conhecimentos a alguém que tem o desejo de aprender. Desde que comecei a minha carreira como bailarina que comecei logo a ensinar, e durante estes últimos sete anos, passaram por mim centenas de alunas (e uns alunos), proporcionando-me uma contra-aprendizagem, que direi... no mínimo... interessante e complexa. Dar aulas é tão ou mais desafiante que ter de dançar publicamente. Conseguir transmitir esta Arte não é tarefa fácil mas é extremamente compensador! Para mim, ver uma aluna a "crescer" na dança, é como um pouco ver um filho crescendo... e é com orgulho que as vejo a "gatinhar", dar os "primeiros passos" e depressa começam a "correr"! Normalmente divido-as em duas categorias: as especiais e as de passagem. Estas categorias não têm a haver com o grau de aprendizagem, mas sim com a intensidade, dedicação e objectivo com que querem aprender. As "especiais" são aquelas que realme...

O Primeiro Festival em Portugal...

Finalmente conseguiu-se realizar, graças á coragem de alguns, o 1º Festival Internacional de Dança Oriental em Portugal. O nosso país já merecia algo assim, e devo confessar que achei fantástica a iniciativa do qual me propus desde o inicio em colaborar. Realizar um projecto destes em Portugal não é difícil, é dificílimo!!! A ajuda por parte de entidades que podem disponibilizar espaços e condições técnicas não colabora em nada e se puderem ainda atrapalham. Só o facto de convidar "estrelas" internacionais a vir cá dar show e workshops é de uma responsabilidade e de um encargo financeiro enorme. Se corresse mal, o nosso país e as organizadoras ficariam com o nome manchado... dá para imaginar... Por isso é de louvar o trabalho que a Filipa e a Cris desenvolveram e acho que foi importantíssimo ter havido este primeiro festival, semelhante ao que acontece internacionalmente, os amantes da Dança Oriental em Portugal precisam de alargar os seus horizontes e ver os diferentes estil...