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Dança: Arte ou Competição

No outro dia, em conversa com algumas alunas, falávamos, entre muitos assuntos, sobre concursos de dança (Oriental, of course). A meio, eu confesso - para espanto delas - que nunca entrei num concurso. E para meu espanto, uma delas, pergunta-me:
"Mas, assim como conseguiste construir um nome e fazer carreira???"
COMO??? 
Com esforço, talento, inteligencia, trabalho e persistência.
A minha surpresa foi, constatar, que a nova geração de bailarinas, acha que se faz uma carreira baseada no sucesso (ou não) que se tem em concursos. 
NÃO!!!
O nome de uma bailarina constrói-se, não através de uma dança para um júri, mas através de centenas de danças para um publico que é mais implacável que qualquer júri. A carreira de uma artista - que é isso que uma bailarina com letra grande é - tem como alicerces um forte e incontrolável talento, que transparece através de MUITO trabalho e convicção. Ela usa a sua sábia intuição sob a forma de uma invulgar inteligencia que reflecte um carisma nato. Ela arrisca não uma mas, dezenas de vezes confiando somente em si.
Eu não tenho nada contra os concursos, se eles forem sãos. Se servirem para "vir ao de cima" o melhor que cada "concorrente" tem. Se for uma partilha de conhecimentos e experiências entre colegas e amigos. Se for para celebrar a dança e a vida. Se for divertido e ético.
O problema é que se pode tornar num vicio, uma busca incessante por uma vitória. Ser rotulada com um titulo e pior: tornar uma dança tão intima numa competição superficial onde, infelizmente, a fantasia - já ridícula - que ainda envolve a Dança Oriental acaba por prevalecer.

(RE) lembro: DANÇA NÃO É UM DESPORTO, É UMA FORMA DE ARTE. Não consegue ser uma competição que é avaliada ao milímetro. Não é matemático e racional. Um júri, por mais correcto que possa ser, NUNCA vai ser completamente imparcial, porque não se pode atribuir um numero a uma dança/bailarina e ser completamente justo.
SIM. Eu nunca participei num concurso. Para mim, não me faz sentido pois eu SÓ compito comigo própria. A minha prova de fogo é cada aula que ministro, cada evento que sou convidada a actuar, cada espectáculo que crio. Cada palco que piso. 
Esses são os meus "concursos" que vão de encontro ao que quero da Dança Oriental. São eles que fazem o meu nome/carreira.



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