Avançar para o conteúdo principal

Nada é eterno e tudo se transforma

Numa das aulas desta semana, uma aluna minha deu-me uma notícia que me deixou de boca aberta: tinha posto termo a um relacionamento de onze anos!
Apressei-me logo a perguntar-lhe: mas porquê?
Ela: porque me estava a negar a mim própria...
Não precisou de dizer mais nada, entendi tudo.
A caminho de casa ia pensando no assunto: "foi corajosa, podia se ter deixado ficar, numa relação que já não lhe preenchia mas era confortável, principalmente aos olhos da sociedade, foi mesmo corajosa..."
Ela tem toda a minha admiração pois fez o que 99% das pessoas não fazem: colocou-se em primeiro lugar, pensou primeiro nela, teve a coragem e a responsabilidade de mudar.
Ao longo da nossa vida, principalmente nós mulheres, vamo-nos negando em prol de uma carreira, marido/namorado, filhos, pais, religião/filosofias e até nos escravizamos a favor de uma uma beleza utópica e ilusoria.
Vamo-nos esquecendo, por vezes (muitas vezes) de sonhos, valores e personalidade para viver em função do outro ou de alguma coisa. Com isso ao longo do tempo, vamos ganhando uma falta de auto-estima que nos leva a uma depressão crónica não nos permitindo ter força para seguir o nosso instinto que grita, bem alto, MUDA, SAI, diz NÃO!
Optamos, por comodismo e cobardia, negar essa voz, pois mudar não é fácil, é dificílimo, é quebrar o jarro, é virar a mesa, é gritar... é separar, é colocarmo-nos em primeiríssimo lugar. Muitos nem ousam pensar assim, pois pensam que é egoísmo, mas esquecem-se que se nós não estamos bem, tudo e todos á nossa volta também não vão ficar.
Muitas vezes mudar, causa sofrimento, mas é passageiro e digo-vos, por experiência própria, quando realmente nos colocamos em primeiro lugar, ouvimos a nossa voz interior e a seguimos "no mather what" temos uma transformação profunda e vitoriosa, e como consequência tudo e todos ao nosso redor também se transformam e muitas vezes acordam de um comodismo, também acordam para a vida.
Nunca se neguem a favor de nada nem de ninguém, a nossa ALMA é o que temos de mais precioso! E lembrem-se: nada é eterno... e tudo se transforma, só é preciso um pouco de coragem.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula36

 Querido Diário, E “just like that” entrei em contagem decrescente para o final desta época lectiva. Aconteceu a antepenúltima aula e senti nela um acumular de todos estes meses. Acusei já algum cansaço e nas alunas também. Completamente normal para esta altura do ano. Confesso que, mais do que descansar, preciso de sair da minha rotina. Não ter horários nem compromissos. Preciso de me afastar. De acalmar. Acho que a sensação é geral. Já temos os meses de Verão programados e só já pensamos em praia, mar e boa comida. Pelo menos, é o que eu penso. Mas, há que finalizar. Há que terminar com o mesmo cuidado com que se começou e assim, estas últimas aulas são descontraídas, mas autenticas. Leves, mas com rigor. Vai-se com preguiça, mas sai-se com o sentido de “dever cumprido”. Porque, acredito no que sempre ouvi: o mais importante não é como se começa, mas  como acaba. No Palco e na Vida.

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula37

 Querido Diário, Penúltima aula. Com muito, muito, muito calor. Confesso que gosto de calor mas, não este calor que se fez sentir. Dançar nestas temperaturas é, para mim... doloroso. Mas, não é a primeira vez e, não será a última. Já passei por ensaios e espectáculos em condições de temperatura semelhantes e, aqui estou. Porque na verdade, nunca temos as condições ideais. Há sempre algo que nos faz apetecer recuar ou ter a desculpa perfeita para desistir. Como sempre digo, há que contrariar e, pela minha experiência, criar - grande parte das vezes - as condições. E assim, a #aula37 acontece. E, como todas as outras desta época lectiva, foram criadas as condições.   Não as ideais, mas as possíveis para que a minha visão e método de Dança Oriental fosse continuado.   E continuou. Que se refletiu nesta aula. E, mais do que tudo, refletiu-se vontade e dedicação. Também, grande parte das vezes, são só estas as condições que bastam.

Diário de Uma Professora de Dança Oriental - #aula32

 Querido Diário, E chegámos ao final do mês de Maio e a #aula32 acontece numa data muito particular para mim... Foi o dia que comemorei 18 anos de casamento. Sim. 18 anos. Enquanto dava a aula - online, no meu estúdio em casa - o meu marido cuidava e, preparava algo especial e diferente para nós usufruirmos depois da aula terminar e a filhota dormir. A presença e o incentivo por quem nos conhece e acompanha é fundamental no sucesso de quem escolhe uma vida artística. De uma maneira diferente de há mais de 20 anos atrás, hoje, o meu também marido, continua a respeitar e a apoiar o meu percurso que é muito mais do que se vê nos “palcos”. Os bastidores deles são de uma brutalidade inexplicável que só quem os vive sabe. E o meu companheiro de há 25 anos, sabe. Ele vive, e viveu, todos estes espaços e momentos comigo. Todos os altos e baixos. Para bem e para o mal. Talvez seja isso que é verdadeiramente um casamento. Na festa, precisamente há 18 anos atrás, dancei... e o...