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Dança ou Comida?


Captar a atenção do um público e mantê-lo interessado toda a nossa exibição, acho que é para todos os artistas, um desafio.

Se o público não aprecia especialmente a exibição que iremos fazer, o desafio ainda se torna maior.

Mas se esse mesmo público, estiver esfomeado, então captar a atenção dele não é um desafio difícil, mas sim uma tarefa impossível!

Durante todos estes anos que tenho dançado, já perdi a conta dos inúmeros e mais variados locais e festas que actuei um pouco por todo o país. Neles enfrentei variadíssimos desafios para conseguir brilhar e fazer com que o público que está á minha frente desfrute de uma exibição fantástica, mas competir com comida não há show que leve a melhor.

Foi o que percebi no meu último trabalho. Uma empresa contratou-me para dançar durante um almoço comemorativo. Não me tinham era avisado que esse almoço seria buffet e que eu iria dançar na mesma hora que os esfomeados iriam se servir.

Resultado: dancei para um grupo de pessoas de costas voltadas para mim, que se atropelavam para ver quem conseguia mais comida, tendo como únicas pessoas que me estavam a prestar atenção os meus dignos assistentes: a minha irmã e o meu marido que nem queriam acreditar no que estava a acontecer, rezando para que eu não me passa-se e saí-se dali para fora.

Bem fiz de tudo para perceberem que estava ali alguém a dançar, mas o vinhosinho e a comidinha eram muito mais aliciantes. Conclusão: fiquei com uma neura de todo o tamanho!!! Tinha saltado da cama às oito da manhã, feito quase duzentos quilómetros (o almoço era em Aveiro) para isto!!!

Qual bailarina e qual Dança Oriental...

Foi simplesmente horrível a experiência, isto porque se não houver um feedback da audiência, quer boa quer má, não há dança, há um aglomerado de movimentos desprovidos de sentimento. Se a dança (principalmente dança oriental) é uma troca de sensações entre o publico e a bailarina numa espécie de magia que se cria entre os dois, então ali não houve nada... não consegui transmitir nada e foi isso que me deixou mais chateada, pois sabia que no meio de golo e uma garfada, olhavam para mim e viam uma rapariga muito descoberta a fazer umas coisas, ignorando profundamente e muito menos se preocupando em perceber o quê!

Prefiro mil vezes que não gostem da minha dança que ignorá-la, é simplesmente frustrante.

Lição: não dá para competir com comida!

Enfim... valeu-me os meus assistentes, que mais uma vez animaram a viagem, e só para nos vingarmos do total desprezo, compramos duas caixas de ovos moles e deliciamo-nos numa espécie de doce vingança... Bolas, a comida leva mesmo sempre a melhor!

Comentários

  1. olá!
    Sou uma pequena aprendiz de dança oriental, ainda só tenho dois anos de dança oriental!
    Num espectaculo que fui fazer tmbém já me aconteceu isso, é a coisa mais horrivel que pode acontecer a uma bailarina de dança oriental! Porque nós estamos a dar o nosso melhor a esforçar tudo e ás vezes não há nem uma pessoa a prestar atenção ao nosso trabalho é muito mau , por isso compreendo-a ao máximo e tenho aprendido muito com o seu blog!
    Obrigada e é preciso ter força nesses momentos e fazer o que temos a fazer..

    Sara..

    ResponderEliminar
  2. Olá! obrigado pelas suas palavras. Sei que o que passo também muitas bailarinas também o passam...
    Um abraço

    ResponderEliminar

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