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O que seria do mundo...


Se os bailarinos não existissem?

Se os pintores, músicos não existissem?

Se os arquitectos, escultores, escritores, não existissem?

Se os cantores, actores, fotógrafos, não existissem?

O que seria do mundo se os Artistas não existissem?

Oiço muitas vezes dizerem que são dispensáveis, que são pessoas estranhas e com manias, que mais valiam era trabalharem como pessoas normais e deixarem-se de sonhos e projectos que não alimentam barrigas...

Mas será que é mesmo assim? Imaginem não haver música, poemas, dança, pintura... Não seria como o dia sem sol? A noite sem a lua? Um jardim sem flores? Porque é isto que acho que são os Artistas: o sol do dia, a lua da noite, as flores de um jardim...

Eu considero-me uma Artista, e acho que todas as bailarinas, dignas na sua profissão assim o deveriam considerar-se também, com todos os seus deveres e exigências. Mas o que é Ser Artista? É simplesmente uma profissão ou é uma forma de vida? Ou são as duas coisas?

Dizem-me muitas vezes, mesmo em tom de brincadeira: "não fazes nada, que rica vida a tua, trabalhas só umas horas, se trabalhasses das nove ás nove como eu..." mas não será que um artista está 24h sobre 24horas a trabalhar?

Claro que não estou a toda a hora a dançar, mas digo-vos que o meu modo de vida funde-se com a minha profissão e estou constantemente a trabalhar, a imaginar, a criar. Mas para o comum das pessoas isso não é trabalho, é prazer... e o trabalho não pode ser prazer também? Ou só trabalha quem é infeliz na sua profissão?Vou-vos contar um segredo: sabem como tive a ideia e como imaginei o meu último espectáculo? Foi a adormecer. E sabem como escolho muitas das musicas para os meus shows? É a estender roupa ou a fazer o almoço. Como vêem, não paro de trabalhar, e são nos pequenos pormenores do dia a dia que surgem inspirações para criarmos a Arte que embeleza o nosso mundo e que fazem aos simples mortais sonharem um pouco, porque o nosso "trabalho" é precisamente esse Sonhar.

Como seria o mundo, a vida, sem nós, Artistas que são incompreendidos e marginalizados, mas mesmo assim brinda-mo-vos com as nossas pinturas, poemas, esculturas, danças... e quando os simples mortais tomam contacto com a nossa Arte ficam encantados e hipnotizados. E o que recebemos em troca? Maior parte das vezes nada. Então o que nos faz continuar? Masoquismo? Não... continuamos porque simplesmente é o nosso dever como "decoradores da vida", porque quando estou a dançar e uma criança que me está a ver, sorri completamente fascinada sinto que cumpri o meu dever neste mundo, porque quando sinto no publico um encantamento, percebo o quanto é importante a minha dança, porque quando oiço as palmas, preencho a minha Alma.

É destes pequenos reconhecimentos que vive um Artista, que na maior parte das vezes, as palmas não se convertem em dinheiro para ele viver, nem numa casa para morar, mas converte-se num estranho vício que queremos mais e mais...

O que seria o mundo sem a Beleza e a Arte... o que seria do mundo sem as estranhas formas de vidas de tantos Artistas...

Comentários

  1. A explicação para esse fenómeno não é assim tão complicada.

    As pessoas têm na arte um escape: ver filmes, ler livros, ouvir música, etc., por isso associam essas coisas a lazer. Quando pensam nestas coisas pensam em diversão. Pensam sempre: "ai, quem me dera ter um trabalho tão fixe, que fosse divertido". Esquecem-se muitas vezes que quem trabalha nas coisas que para elas são entretenimento também se esforçam para fazer o seu trabalho correctamente.

    (ficou confuso o que escrevi, não foi?)

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